meux amiguinhux tão disaprendenu a ixcrever – por jaciara carneiro

Em termos de boa escrita no nosso idioma, não sou “sequer digna de desatar as sandálias” de um Luis Fernando Verissimo, e, portanto, não tenho autoridade para criticar a redação de ninguém.

Entretanto, em “zapeadas” por blogs de diversos portais hospedeiros (Weblogger, Blogger, Zip.Net, entre outros), tenho ficado abismada com os maus tratos sofridos pela Língua Portuguesa. Os carrascos cibernéticos do nosso idioma são em sua maioria “blogueiros” computador-meninoestudantes-usando-computadores-escola-computador-laboratorio-73013870.jpgem idade escolar (muitos deles, prestes a prestar vestibular) ou já cursando uma faculdade.

É fato que a rapidez e o poder de síntese exigidos pela comunicação on line fazem com que, aos poucos, vamos “desaprendendo” a escrever as palavras por extenso. Eu mesma cometo esse cacoete, principalmente ao me comunicar através de programas de mensagens instantâneas. Não raro, me pego usando atalhos tais como: vc, ñ, enqto, msg ou finde. Também é fato que a Internet faz com que o galicismo finque cada vez mais estacas no coração do “Português Brasileiro” (a própria palavra blog é o exemplo mais atual disso).

Porém, ver a garotada postar em seus blogs aberrações como ti adolu, quelidu e meux amiguinhux, é preocupante. Como será que esse pessoal vai encarar processos de seleção a emprego que requerem provas de redação? E os professores que corrigem as redações dos vestibulares? É certo que sempre tiveram muito trabalho, mas, atualmente, este deve estar sendo redobrado, dada a ampla difusão, entre os jovens internautas, do “escrevo-como-falo”.

Penso que, para ajudar a combater esse problema, deveria ser realizado um esforço de “educação de base”: nas escolas em que os alunos tenham poder aquisitivo para manter blogs, poderia ser feito um concurso para aquele escrito com menos erros de Português. Não seria nem questão de verificar se o aluno blogueiro sabe escrever de forma articulada: apenas seria avaliada a capacidade de ele “postar” respeitando regras mínimas de ortografia e concordância.

Já nas escolas em que os estudantes tenham poucas oportunidades de acesso à Internet – geralmente fornecidas dentro da própria instituição de ensino -, tal concurso poderia contemplar o fanzine (outro galicismo aqui!) ou o mural / cartaz com menos erros de escrita.

Enfim, acredito que medidas simples e de baixo custo podem incentivar a garotada internauta a se interessar pelo uso correto da nossa língua. No entanto, é evidente que, para que tais ações sejam levadas a termo, são fundamentais a boa vontade e o envolvimento de pais e professores – e, logicamente, um razoável conhecimento das regras do nosso idioma por parte destes, coisa que já não é lá muito corriqueira entre os adultos de hoje.

4 Respostas

  1. tambem acho errado e muito feio

  2. Desculpe se eu fui um pouco grosso de mais, Ok? é que eu fico abismado, as pessoas continuam com a mesma idéia torta sobre a língua. Mesmo assim, obrigado pela contribuição. E sugiro que você leia, Preconceito Linguístico e Porque não ensinar gramática na escola.

  3. Leonardo, estas são apenas opiniões e considerações de uma leiga. Podem, sim, ser bobagens e juízos medíocres, porém, não vejo por que não me manifestar a respeito. A internet e outros meios estão aqui pra isto: leigos opinarem e especialistas, como você, informarem e corrigirem o que for necessário. Abraços e obrigada por ler e comentar.

  4. Bom dia,

    Em primeiro lugar eu acho que este artigo não poderia ter sido escrito por alguem que entende como a língua realmente funciona. Cabe aos lingüístas (cientistas da língua) estuda-la e todo linguísta está de acordo comigo que as línguas são e sempre serão heterogênias. NÂO EXISTE LÍNGUA NO MUNDO QUE NÃO VARIE. As línguas têm a capacidade (essa que as matêm viva) de se adequar aos meios e gêneros textuais que a sua frente são postos. O fato da língua estar sofrendo uma variação em um meio de comunicação é louvável, mostra que ela está ativa, e que ainda serve para o que existe, INTERAÇÃO. A ação de louvar a gramática acima de tudo, têm causado muitos problemas para o ensino de língua no Brasil, professores preferem que o aluno saiba usar a crase, conjugar um verbo, nomear adjuntos adnominais e se esquecem que os alunos precisam sair do colégio sabendo se comunicar bem de várias maneiras. O ensino do português no Brasil POR LEI (PCN’s – Diretrizes de ensino) não deveria ser feito com gramáticas normativas (que são apenas uma subjetivação criada por uma elite) e sim com gramáticas DESCRITIVAS que mostram o português em funcionamento em toda sua força. Qual a necessidade de se saber como um verbo e um sujeito interagem? SE NA VERDADE VOCÊ (e o aluno) JÁ SABE. O português é falado no Brasil todos os dias, não existe “sotaque” ou “variedade” melhor ou pior, o que existe são variações da língua, que obedecem o sistema da língua (lembrese que o sistema está na cabeça não na gramática), e que são adaptações para uma realidade não uniforme. Portanto TODAS AS VARIEDADES DA LÍNGUA ESTÃO CERTAS, nenhuma é melhor ou pior, elas todas servem para seu fim a comunicação. A noção de erro no português é discutida muito pelos linguístas e já é certo que retirar uma desinência de número por exemplo (“Os menino”) não é um erro, é uma variação funcional da língua. Portanto repito que termos uma língua capaz de se adaptar a diversos meios é louvável e termos uma gramática (ERRADA – e completamente errada, com equivocos diversos, do tipo “VERBO sempre designa uma ação”) sendo ensinada é o fim de nossa cultura. saber gramática não significa saber escrever, como Patativa (o poeta das brenha nos mostra) de que adianta saber toda a gramática de cor, e não saber osganizar coerentemente os parágrafos de um texto?

    (ABRO AGORA UMA DISCUSSÃO)

    E por favor se não for linguísta ou estudante disto não se meta a tomar juizos “medíocres do que se fazer ou não com a língua”, eu nunca me meteria no trabalho de um médico, então não diga bobagens sobre o nosso.

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