FICCIONÁRIO (DO) DEMO por darlan cunha

 
Todo mundo sabe o que me disseste e me fizeste naquele então de fios e pavios, taras e sombras desvairadas rua abaixo, avenida acima, em todo mundo os ecos do embate percutem ainda a sua graça e a minha desgraça (já que em cada qual vive um consenso, diferentes ópticas fecham e abrem de/graus).
Fuga é risco, ficar é risco, certeza de embotamento, e me fui de ti, me fui aos passadiços de plástico e aos finos tratados de oncologia, semínima e abemolada, comi pela primeira vez um rabo de porco (porca ?), provei do acinte de alguém mais esperto do que o que eu pensava ser comigo a vida, assim me vi mais além de mim, do que pretensamente era meu. Oral é o mundo, menos que visual, eis que a saciedade, o entupir-se se faz e nos faz modernos, e só assim se pode dizer que se é fruto da modernidade, da maré negra ou ovos do padrão… qualquer coisa serve para absorver a atenção geral e sobre ela jogar mais anuências, valores estreitos cada vez mais entre máximo e mínimo, sim, toda manhã vou ao mercado onde se compram mentiras, no dizer do poema, vou lá refinar-me em algo pois na praça tudo é mais barato e cordial, as finíssimas senhoras das avenidas, diz a canção bairro velho, avivam com suas mengas e nós o ficcionário do demo. Todo mundo sabe de que ovos a serpe se acerca.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: