Arquivos Diários: 3 abril, 2008

SOBRE UM SIGNO RESISTIDO poema de jairo pereira

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amplio tua face

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voz no vento

espiralo enredos

matutinos

& forço novas

sagrações.

NO PALACETE DOS LEÕES o CONTEMPORÂNEO de SANDRA BONET, MIRNA DE OLIVEIRA e CLAUDIA DE LARA

Coletiva abre quinta-feira, dia 3 de Abril
 
 
        As três artistas que escolheram como escola complementar o atelier de Edílson Viriato, mestre do contemporâneo, tem talento de sobra para formar um trio bastante especial. Além do curriculum que elas foram construindo com a maturidade dos seus trabalhos, Mirna, Claudia e Sandra tem em comum uma obra humanizada pelos seus olhares compassivos com relação ao mundo. A mostra Situações Contemporâneas abre nesta quinta-feira, dia 3 de abril, às 19h no Palacete dos Leõe – Espaço Cultural BRDE.
        Mirna de Oliveira, psicóloga e artista, utiliza um elemento que não pode faltar em nenhum dos seus trabalhos, a cadeira. Elas são de todas as formas, tamanhos, texturas e materiais. Nesta exposição ela expõe a série Recicláveis com técnica mista, empregando como matéria básica a tinta acrílica e jornal sobre papelão. O resultado surpreende.  Sua  primeira exposição foi em 1992, a partir daí foram inúmeras as suas participações em coletivas e salões, com premiações e obras adquiridas em acervo.
        Claudia de Lara, se apresenta com acrílicos sobre tela numa seqüência de cenas do cotidiano. O espectador pode contar a história que quiser com as imagens que ela oferece. Os gatos na sala, os automóveis na rua, a moça na cozinha, a mulher embaixo do chuveiro. Os desenhos se comunicam entre si com coerência e talento. Com especialização em História da Arte Contemporânea, Claudia estuda desde sempre com afinco para burilar  seu traço. O resultado deste empenho está em diversas exposições individuais e coletivas.
        Sandra Dequech Bonet se junta ao trio com figuras humanas. A técnica escolhida também é o acrílico sobre tela. A cor é o branco numa demonstração de quebra do convencional. Com uma formação que se iniciou  em 1975 na Escola de Música e belas Artes,  foi crescendo artisticamente com o passar do tempo. Hoje ela soma diversas mostras , workshops e participação em salões. As três, que vieram de formações e influências distintas, tem em comum a convivência da arte libertária com Edílson Viriato, o senso de soltura com relação às suas idéias e um profundo amor pelos seus semelhantes.
 
Serviço
Situações Contemporâneas
Coletiva de Mirna de Oliveira, Claudia de Lara e Sandra Bonet
Abertura: Dia 3 de abril, quinta-feira, às 19h
Período de Exposição: 3 de abril a 28 de Abril das 13h30 às 18h30
Onde : Palacete dos Leões – Espaço Cultural BRDE
Av. João Gualberto, 530/570
Informações: 3219-8134

LAVAGEM CEREBRAL EM UMA DEMOCRACIA por paulo giardullo

José não era tão velho assim, mas curtia músicas do estilo “MPB de qualidade”, como se orgulhava de dizer, próprias de uma geração antes da sua, porque aprendeu a gostar desse estilo com os irmãos mais velhos, universitários, que já se foram. Além disso, não surgiu uma MPB nova de qualidade para substituí-la. Ou pelo menos, se surgiu está escondida nos guetos universitários e burgueses, longe do grande público ou dos rádios. José também gostava de uns “Rocks internacionais antigos”, não para se “americanizar”, mas porque os anos 60 trouxeram realmente uma onda inovadora e balística que predominou neste estilo de música. José relutou em aderir à onda dos CDs e resistiu o quanto pode com os discos de vinil, até que se rendeu ao som puro e à praticidade dos CDs. Mas não abandonou sua velha vitrola. José gostava de dizer: “Posso até passar para os discos modernos, aderir a Internet, adaptar um pouco as minhas roupas, mas nunca, nunca irão conseguir me massificar! Nunca irão conseguir me fazer gostar da Egüinha Pocotó! Sempre serei eu mesmo. Independente e original.

Chega o carnaval. Após uma semana inteira de trabalho, José vai para um clube, se refrescar um pouco em uma piscina e relaxar, já que teria que trabalhar no show carnavalesco. No clube, os alto-falantes tocavam sem parar o CD do MC Serginho. José vê com tristeza algumas meninas de uns oito anos de idade, dançarem dentro da piscina ao som de uma música do tal MC, que falava umas obscenidades, citando abertamente códigos eróticos que surpreendiam José, apesar dos seus trinta e poucos anos de vida. De volta para casa, no som do carro, mais Pocotó, através das rádios da região. Em casa, enquanto se preparava para o trabalho, as redes de TV cobriam o carnaval, alternando as músicas do Serginho com o decadente Axé Music. Mas, no trabalho, no carnaval, é que José passaria por sua grande “provação”: em pé no meio da multidão, em atitude de alerta, José era massacrado horas e horas pelo som da “Egüinha” e pior, agora executado por uma banda semi-amadora, imitadora do “ídolo”. Na multidão que delirava, movida pelos acordes daquela música horrível, José se sentiu extremamente só. Ele pensou consigo mesmo que aquele som da Eguinha Pocotó era algo inumano. Era muito mais gritada do que cantada propriamente. Era algo intragável, agressivo, muito longe do se poderia classificar como música. Mas, tudo acabou e chegou a hora de descansar. Enfim, livre do Pocotó. Porém, José se esqueceu de que o carnaval agora era perto de sua casa e da cama lhe chegavam as ondas sonoras de algo que sobrou do Carnaval, que por sinal era mais Pocotó. Mas, uma surpresa: José começava a gostar da coisa. Na cama, impedido de dormir, ele começava a cantarolar alguns refrões, já tão familiarizado com a melodia.

No dia seguinte tudo estava consumado. José descobriu: Ele amava o pseudo-funk e a música Egüinha Pocotó. Cedinho ele foi até a loja de discos mais próxima, levando seus velhos discos de MPB e Rock antigo para trocar pelos CDs de Serginho e Kelly Key. Ele agora entendia tudo: um novo mundo se abria a seus pés, teria sucesso profissional, mais amigos e garotas, ele finalmente seria aceito no clube, no grande clube da Uniformização. Tudo estava consumado. Algum “Engenheiro Social” da América do Norte, de terno fino, em um grande edifício, riscava, exultante, mais um nome em uma longa lista. Porém, quem reparasse bem em José andando na rua, no meio da multidão veria que José não era mais ele mesmo. Tinha um rosto com expressão vazia, robótica.

Este artigo eu queria ter escrito pouco tempo depois do carnaval, mas depois veio a Guerra do Iraque e voltei minhas atenções para o conflito. Parece-me que o objeto da estória já perdeu um pouco da atualidade, tamanha a velocidade com que mudam os modismos da Indústria Cultural. Eu acho que quase já não estou ouvindo mais o MC Serginho e seus “Hits” como Egüinha Pocotó e a pérola “Mesa”, o que atesta o caráter descartável dessa cultura. Aliás, a coisa é tão passageira que eu já havia escrito uma crônica semelhante antes com o “Bonde do Tigrão”, que não deu para publicar na época e pouco tempo depois quando a oportunidade de publicar o assunto reapareceu, tive que adaptar como exemplo a “Egüinha Pocotó”, porque o bonde já havia ficado para trás. Bem mas vamos ao texto, pois afinal, embora mudem-se os rótulos, a fórmula é a mesma.

A DESCONSTRUÇÃO do PRECONCEITO por maurício gomes angelo

Todo o mundo tem verdadeira obsessão pela palavra “preconceito”, basta verificar sua repetição “ad nauseum” em todo lugar, em toda situação, para se referir á qualquer pessoa.

É feio ser preconceituoso. Além de feio, é pecado, é um crime, uma vergonha, o preconceito é algo inadmissível na sociedade de hoje. Quando confrontados com uma situação onde seus conceitos são claramente antagônicos á pergunta proposta, o lema subconsciente gravado na mente de todos de que “não posso ser preconceituoso nunca sob pena de ser rejeitado pela sociedade” se faz presente e esta pessoa se vale de qualquer subterfúgio para que sua resposta não seja preconceituosa. Certo, ele não demonstrou preconceito, mas foi absolutamente hipócrita. Na verdade, se sentiu duplamente culpado. Primeiro por saber que é realmente preconceituoso e segundo por não ter coragem de admitir.

Eu acho (e essa minha esperança quase sempre é inocente demais) que não precisaria falar aqui que todos nós somos preconceituosos com algo, com alguém, com o que quer que seja. Faz parte da nossa natureza perversa agir dessa maneira, ter ojeriza a alguma coisa, não só precisamos disso como somos irremediavelmente assim, e por tentarmos encobrir tal natureza, este fato nos sufoca mais cedo ou mais tarde.

Mas o mais interessante e tema principal que quero abordar aqui é que muitas vezes (diria até que na maioria das vezes) o que as pessoas chamam de preconceito não é, nem nunca foi, nem tem o menor traço de preconceito. É justamente o oposto dele. Preconceito não é “um conceito ou opinião formados antes de se ter os conhecimentos adequados”, certo? Posso considerar que concordamos neste ponto, se quiser tirar a dúvida pegue o dicionário. Pois então. Sob este prisma, absolutamente fiel e verdadeiro devo acrescentar, afirmo categoricamente que nunca fui preconceituoso e dificilmente serei algum dia. E o mesmo deve acontecer com muitos dos considerados “culpados”. Dessa forma o preconceito racial (não o racismo), sexual e social (os líderes da pirâmide por assim dizer) caem por terra. Basta alguém dizer por exemplo que “odeio homossexuais” para que comentários do tipo “nossa, que vergonha!”, “mas que coisa desprezível”, “como alguém com um mínimo de cultura pode dizer algo assim?”, “esta pessoa não tem consciência?”, “quem ela acha que é?”, “ah, isso deve ser um homossexual enrustido” surjam automaticamente. E o mais extraordinário que isso pode ser dito por pessoas que tenham o mesmo sentimento.

Não se trata de preconceito, trata-se de gosto, de opinião, de escolha, de repulsa, de desprezo mesmo. Até que ponto isto é condenável? Para mim, isto só passa a ser realmente condenável quando é levado como ideologia, como projeto, como plano, e a razão cede lugar ao irracional. De resto, e seguindo o nosso exemplo, é plenamente aceitável que uma pessoa não goste de homossexuais. Assim como é compreensível que alguém não goste de animais, de doce, de empadão de frango.

É aceitável, compreensível e inofensivo (dentre outros) repito mais uma vez para não ter que dar explicações posteriores desnecessárias, desde que a irracionalidade não tome conta. Desde que nos esforcemos e pratiquemos realmente (não apenas da boca pra fora) o tão alardeado “conviver com as diferenças”. Desde que não saiamos por aí difamando, humilhando e caçando as coisas que não gostamos, desde que não queremos montar uma Ku-Klux-Klan brasileira, como muitos imbecis (estes sim os verdadeiros vermes da sociedade) gostam de fazer.

Suponhamos que você conheça a história dos homossexuais, saiba relativamente como é seu estilo de vida, o que pensam, o que querem, como se comportam, de que forma se manifestam e respeite a opção que fizeram. Você tem todo o direito de não gostar deles, a não se obrigar a viver de forma falsamente harmoniosa com os tais e de demonstrar sua opinião, seu gosto, sua preferência (inter-relacionemos e simplifiquemos os três, querido leitor, sei que você tem sapiência suficiente para compreender onde quero chegar) e concluímos que você está muito longe de ser preconceituoso por causa disso. Pelo contrário, você o faz com conhecimento de causa. Substitua o que quer que seja no exemplo acima, subtraia e/ou acrescente as peculiaridades e pronto.

O preconceito é bem menos presente do que tanto alardeiam. Levando a rigor sua concepção semântica e prática, vemos que o preconceito é realmente privilégio de uns poucos mentecaptos.

Já somos obrigados a engolir muita coisa no nosso dia-a-dia, o mundo nos ensina que é benéfico ser falso, acomodado, interesseiro. Nos mostra vários exemplos de “grandes sucessos” a serem imitados. Vários métodos e práticas que devem ser incorporados para se alcançar a felicidade. Ás favas com essa cartilha nojenta! Pro inferno com essa imposição rotineira! Não vou me curvar perante ela! Você vai?

Não precisamos de mais um conceito impregnado de ignorância. Não precisamos seguir a moda do “é feio ser preconceituoso”. Eles nem sabem o que estão falando! Falam por falar! Falam porque viram outros falando! Repetem porque não tem competência para pensar por si mesmos!

É o seu direito ter a sua opinião! E é o seu direto expressá-la sem sofrer retaliação por isso. Não é essa a “liberdade de expressão” prevista na constituição? O “livre-arbítrio” dado por Deus? Porque não devemos nos utilizar dela, nos glorificar por a possuirmos e fazer disso parte de nós?

Ninguém pode usurpar o seu pensamento. Ninguém pode te obrigar a ser algo que você não é. Democracia é a forma de governo na qual o poder emana do povo. Já ficou provado que este poder é dado por nós, mas contrariando a lógica, ele acaba não nos pertencendo e nem é trabalhado a nosso favor.

O único poder que você tem é o de construir sua própria personalidade. Faça bom uso dele.