Arquivos Diários: 6 abril, 2008

MAYSA MATARAZZO a musa – pela editoria

Nasceu em uma família rica e tradicional, e casou aos 18 anos com um herdeiro da milionária família paulista Matarazzo, 20 anos mais velho que ela. Desde antes do casamento já compunha e tocava piano, e mesmo depois continuou cantando suas músicas em festinhas íntimas de amigos. Quando um produtor musical a ouviu, quis contratá-la imediatamente para gravar um disco, mas Maysa, que estava grávida, pediu que esperasse o nascimento do filho. Afinal saiu “Convite para Ouvir Maysa”, em quatro volumes, entre 1956 e 59, pela RGE, com os sucessos “Ouça”, “Adeus” e “Meu Mundo Caiu”. Tornou-se uma estrela, para desgosto da família do marido, e separou-se pouco depois, ficando abalada e deprimida com o fato. Suas músicas, já tradicionalmente de “fossa”, tornaram-se ainda mais melancólicas, o que pode ser facilmente observável apenas pelo título de alguns de seus maiores sucessos: “Felicidade Infeliz” (Maysa), “Solidão” (Antônio Bruno), “Bom dia, Tristeza” (Adoniran Barbosa/ Vinicius de Moraes), “Tristeza” (Haroldo Lobo/ Niltinho), “Ne Me Quite Pas” (Jacques Brel)e “Bloco da Solidão” (Jair Amorim/ Evaldo Gouveia). Mudou-se para o Rio em 1960, quando gravou o disco “O Barquinho”, um marco da bossa nova, acompanhada pelo embrião do Tamba Trio, e passou a gravar e excursionar por outros países, animada principalmente por Ronaldo Bôscoli, seu namorado na época. Com uma vida sempre agitada por casos amorosos e problemas com bebida, Maysa gravou alguns dos discos mais importantes da bossa nova e da música romântica brasileira. Seus sucessos incluem “Meditação” (Tom Jobim/ Newton Mendonça), Dindi (Jobim/ Aloysio de Oliveira), “Se Todos Fossem Iguais a Você” (Jobim/ Moraes).

 

WELWITSCHIA MIRABILIS poema (autor não identificado)

welwitschia mirabilis

 

Quem te traz, planta solitária do deserto, ao longo dos séculos?
Quem te alimenta e às tuas flores na estéril gleba?
Que braço, que mão, que asas, que anjo ou demónio
te conduzem e protegem na cela aberta da tua solidão?

Que ventos selvagens e sem amarras arrebatam os teus alados periantos
e os transportam por sobre as dunas do tempo
pela planura imensa e faiscante?
Que hálito de inclemência e sal é este que sopra do largo?

Por que afagas nas tuas asas aqueles que te consomem e queimam ao longo dos séculos?
Donde a força que os desgoverna desde os indecisos confins?
Donde o ânimo que os faz subir as altas muralhas
de fragas e penhascos da desventrada Costa dos Esqueletos,
qual caravana de serpentes enoveladas e arrastadas
por sobre as tuas verdes asas, como demónios violadores?

Como sobrevives, se dentro das implacáveis labaredas?
Como resistes, eterna e glauca e sempre fresca
na envoltura de cal da planície de restos?
Como seguras o tempo primário e imóvel
nas areias de sal e de vento e de fogo
que fustigam e torturam as tuas enigmáticas brácteas?

E o Sol, por que o recebes de braços abertos,
quando é ele que queima o orvalho transparente e breve
que haures na lentidão silente das tuas madrugadas?
Que umbráculos acautelam a tua semente incendiada
quando o astro-rei fulgura sobre os ponteiros do meio-dia?
Por que o recebes com o teu sorriso secular e aberto,
a ele, que abrasa as areias e as pedras à tua volta
até às pálpebras vermelhas do crepúsculo?

Que espúrias cinzas te renascem,
gloriosa fénix africana, ao longo das centúrias?
Donde os plangentes e lacerados lamentos de harpa
que te amanhecem e trespassam de perpétua solidão?

Tu que tudo sabes e perdoas, flor solitária do deserto,
tu que sofres no mar de areia, de fogo e de vento
que se alevanta do mar frio da Costa dos Esqueletos,
diz-me… diz-me… terna amiga: “como se cura a solidão?”

Quero dormir esta noite dentro dos teus braços milenares.
Abrigado pelas tuas asas verde-jade.
Nas margens precárias do meu leito,
tendo por limite as paredes oblíquas do meu quarto de vento e areia,
quero beber contigo o frio e doce orvalho da madrugada.

E quando a Lua plena iniciar a descida pelas escadas azulinas do zénite,
quero ser um dos navios naufragados.
Sem mastros, sem velas e sem leme,
vestido de vento e espuma, vogarei contigo
em liberdade de algemas pelos lençóis de bruma do Golfo
e, desgovernados, adernaremos
por sobre os espelhos de areia e algas da Praia dos Esqueletos.

No meu sonho alado e sem âncoras,
quando o mel lunar encher de oiro o nosso território,
perguntar-te-ei, de novo, como se preenche o vazio da solidão.
E tu dir-me-ás então, e tão-somente, que frágil é o corpo, e efémero é o sonho.
E eu sei, amiga, que por aí te ficarás.

E juntos adormeceremos de mãos dadas
sob as horas ermas de silêncio e solidão sem limites
que nocturnas e demoradas tombam
por sobre o chão lunar do mítico Namib.

 

Nota:
É difícil avaliar a idade que estas plantas atingem, mas pensa-se que possam viver mais de 1000 anos. Algumas poderão ter mais que 2000 anos. http://pt.wikipedia.org/wiki/Welwitschia


RUMOREJANDO por josé zokner (juca)

PEQUENAS CONSTATAÇÕES, NA FALTA DE MAIORES.
Constatação I
Rico vive absorto; pobre, displicente.
Constatação II
Marcelinho Carioca, que recentemente andou jogando no Santo André, depois de uma breve passagem como comentarista esportivo, quando comemorava, como jogador do meu Corinthians, a vitória de um campeonato do seu time, colocava uma faixa de “Atleta de Cristo” na sua cabeça. Durante as partidas distribuía pontapés, chutes e botinadas nos adversários como se eles fossem os vendilhões do templo…
Constatação III
Rico correndo é atleta; pobre correndo é que a polícia vem atrás.
Constatação IV
Quando o obcecado leu na vitrine da livraria a chamada de um livro “Introdução auspiciosa”, incontinente pensou: “Passível de mal-entendidos”.
Constatação V
E como apregoava outro obcecado – nada a ver com o anterior – filosófica e didaticamente: “A gente tem que ser favorável à mudança de posição. Afinal, não adianta querer repetir as emoções anteriores porque elas nunca se repetem.
Constatação VI (De conselhos úteis).
Data vênia, como diriam nossos juristas, mas Rumorejando acha que S. Excia. a Ministra do Turismo, ao invés de recomendar “relaxa e goza” para quem tomou ou ainda toma um chá de até 12 ou 24 horas nos aeroportos, poderia objetivamente recomendar o seguinte: Que os passageiros antecipem suas viagens em 24 horas para, desse modo, chegariam em tempo para seus compromissos. De nada!
Constatação VII
Deu na mídia: “Mantega nega caos, ‘problema’ é o fluxo de passageiros”. O Ministro da Fazenda acha que crise aérea é o “preço do sucesso” da economia. Data vênia, como diriam nossos juristas, mas Rumorejando acha que S. Excia., na suas assertivas terrivelmente infeliz, quis dizer, em outras palavras, que há bens que vêm para o mal. Coitado… de nós todos.
Constatação VIII
A frase do Ministro Mantega, ainda segundo a mídia, suscitou o seguinte comentário do relator da CPI da crise aérea na Câmara, Marco Maia (PT-RS): “É melhor que o ministro fique calado. Em vez de ajudar, só atrapalha o processo com essas declarações. Foi um comentário desnecessário, descabido e fora de propósito”, afirmou. Data vênia, como já foi assinalado anteriormente, porém Rumorejando acha que não somente o Ministro foi infeliz como também o da Saúde que, ano passado, asseverou que não havia problema na sua pasta. Nossos políticos acham, como tantos, que pimenta nos olhos dos outros é refresco. Nos olhos, porque somos educados…
Constatação IX
Rico subtrai; pobre, surrupia.
Constatação X (Dúvida crucial via pseudo-haicai).
Tento desvendar um mistério
Devo me casar
Ou entrar num monastério?
Constatação XI (Dúvida crucial via pseudo-haicai).
Foi a cartomante
Que não atinou que o marido
Tinha uma amante?
Constatação XII (Truco dramático).
[Para os meus amigos Ernani Buchmann. Nireu Teixeira e Gerson Barão].
Fui convidado
Pra jogar um truco
Na casa de gente fina:
Plantas ornamentais
E outros que tais
Por todo o jardim.
Jasmim-do-campo e bejuco
Era o que não faltava.
O baralho era de plástico
O que produziu em mim
Um efeito bombástico.
Meu parceiro
Sempre foi bem-educado
E meu grande companheiro
Pediu, quando solicitado
A se pronunciar o que queria
“Uma simples cerveja
Não muito gelada, mas fria”.
Eles alegaram
Que não havia
E se serviria um vinho.
Por educação,
O sócio aceitou
Mesmo achando que não combina
Com tal tipo de carteado.
O vinho era francês
De boa cepa
E ele ficou numa embriaguez
Que ao invés de piscar para mim
Passou a fazê-lo pra ricaça
Que felizmente, como o maridão,
Levou como pirraça.
Os adversários
Era o casal de anfitriões
Que sempre jogaram juntos
E que tinham como assuntos,
O comentário de cada jogada.
Às vezes discutiam
E até bramiam
Na discussão
Até que ela se enganou
Numa mão
E ele não perdoou.
Depois daquela jogada
Ficaram de mal
E nunca mais se falaram
Então se divorciaram.
Coitado!
Coitada!
Quanto à moradia
Acabou vendida
Para um casal que nem sabia
Que truco se joga com baralho
O que culturalmente
Era no seu currículo algo falho,
Um atraso de vida
E assemelhados
Tão-somente.
Coitados!
Constatação XIII (Passível de mal-entendido).
-“Vizinho eu preparei isso pra misturar com a sua mandioca”.
Constatação XIV
Rico tem princípios; pobre, é o fim.
Constatação XV
Rico é ingênuo; pobre é burro.
Constatação XVI
Rico é arredio; pobre é omisso.
E-mail: josezokner@rimasprimas.com.br