Arquivos Diários: 20 abril, 2008

NOVOS PALAVREIROS NO SITE! É FESTA! pela editoria

este site a cada dia que passa avança a passos largos em direção aos seus objetivos que são divulgar a arte, a literatura, a poesia e os seus autores.
hoje estamos novamente em festa, as poetas MARILDA CONFORTIN, DEBORAH O’LINS DE BARROS, a escritora HELENA SUT e o poeta e pesquisador EDU HOFFMAN, compreederam o espírito público do site e aceitaram o  convite para se tornarem PALAVREIROS DA HORA, porque natos palavreiros são, e assim, divulgar suas obras por este meio ofertando mais opções aos nossos leitores. de grande valor estes novos âncoras que vem somar aos que já trabalham com os mesmos objetivos. os amigos PALAVREIROS lhes dão as boas vindas.
 

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MARILDA CONFORTIN

 

 

 

GOSTOSA!

 

Bela cantata!

Me allegro,

ma non treppo.

 

2.

A  outra

 

Hoje, uva

Amanhã, passa.

Eu, vinha.

 

 

3.

Bagagem literária

 

Nesta viagem

Leve um coração leve

e sobre tudo, um olhar de veludo.

 

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DEBORAH O’LINS DE BARROS

 

 

 Às vezes tenho certeza

Quase absolutamente,

De que sou meio louca,
Verdadeiramente.
Pois não tenho necessidade
De ácido lisérgico
E nem de lítio.
Mas quando vem reminiscências
De determinados fatos
Há muito ocorridos,
Me vem uma vontade insana

De ausência.

Ausência de pensamentos,

Mas não de sentimentos.

Há uma necessidade

De estar só.

Inclusive a minha própria presença

Me incomoda,

Quando essas reminiscências

Me recordam que

I miss the comfort in being sad.

 

Acho que relembrar

As mazelas do ontem

É como folhear

Um álbum de fotos onde

A trilha sonora escolhida

É a responsável por virar as páginas.

E agora resta a dúvida:

Será que remexer lembranças

É como lembrar da dívida

Que tenho comigo mesma?

Isso, na verdade,

Não importa.

Pois se o Corvo diz Nunca Mais,

Não há portas

Que abram para eu voltar.

E, pensando bem, parece hilário

Pois forjar tristeza

Se tornou, nada mais

Que recurso literário.

A saudade existe para provar

Que o passado não mata

E as reminiscências são só um mote

Para entender que o que não mata

Nos torna mais fortes.

 

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HELENA SUT

 

 

 

 

 

 

 

CAMELO, LEÃO E CRIANÇA

“Três transformações do espírito vos menciono: como o espírito se muda em camelo, e o camelo em leão, e o leão, finalmente, em criança.”

                                                                                                                          Friedrich Nietzsche

 

            Um crime contra a esperança! Sinto a exclamação permear os atos como se fosse incapaz de abrir uma nova janela para o futuro. Sem possibilidade de esquecimento, acumulo vivências afetivas, profissionais, sociais e políticas, recortando e colando os traumas junto às realizações e tentando suportar a longa travessia no deserto.

            Busco em vão os porquês, mas me surpreendo com as ambigüidades que encontro ou com as certezas que perco. Ora me acoberto com leituras para suportar as madrugadas frias, acordar sob o sol escaldante e permanecer viva na aridez do território, ora me escondo na própria releitura e reincido em narrativas que não surpreendem e que pesam excessivamente sobre a possibilidade de ser.

            O espírito sobrecarregado se projeta num corpo rendido ao descampado…

            Assim falou Zaratustra. A obra de Nietzsche me afasta do cotidiano. Transporto-me no tempo sem me importar muito com o espaço e vejo quando Zaratustra desce a montanha rumo às profundas inquietações de todos os seres. As transformações enunciadas em seu primeiro discurso me convencem da necessária metamorfose a que devemos nos submeter para vivermos de forma mais criativa, com mais desejo e força e sem tanta submissão aos “deveres” ou às verdades que não ousamos profanar com indagações.

            O espírito amadurecido percorre o deserto com o peso do seu estar no mundo. A perfeita representação do camelo – ruminante e decadente. Carregado de vivências e sem anseios de mudanças, o espírito permanece submisso à sua representação na sociedade. Um ser cansado e solitário num caminho desértico. Resignação e obediência.

            Tu deves…

            A existência do camelo possibilita a transformação em leão. O impulso e a coragem, expressos no querer pessoal em confronto com o dever coletivo, são características fundamentais para o novo espírito. Ser livre para apropriar-se do próprio deserto. A ferocidade do leão rasga o existente e com ímpeto rompe com os vínculos, mas não tem o poder da criação e se limita aos conhecidos desertos cotidianos.

            Eu quero…

            O espírito seria abatido pelo próprio desejo caso não se transformasse em criança. Eis a terceira metamorfose. O leão, após se libertar e apropriar da vida, torna-se uma criança e, com a inocência e o esquecimento, assume o jogo da recriação. Completo o ciclo de metamorfoses, o espírito livre é “uma roda que gira sobre si, um movimento, uma santa afirmação”.

            Eu sou…

            Apóio o livro na cabeceira enquanto aterrizo na realidade repleta de obrigações e noticiários. Novas metáforas brilham como perspectivas renovadas de céu sobre o deserto. Ainda não iniciei as metamorfoses necessárias a fim de compreender o eterno retorno e a necessidade de recomeçar com criatividade. Busco-me ainda leão…

 

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EDU HOFFMAN

 

 

 Araçás

 

 

 O sol se põe

no horizonte azul

do teu olhar

 

         recolho araçás

         no canto dos teus lábios

 

nem junho é

porém te vejo

em meus balões coloridos

 

          

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

E SE FALTAR ÁGUA? por gil portugal

Todos nós nos lembramos bem do sufoco por que passamos quando a energia elétrica ficou escassa e tivemos que “na marra” deixar de lado uma série de confortos aos quais estávamos acostumados.

Será que, de repente, poderíamos passar por outro sufoco se a água nossa de cada dia ficasse escassa?

Em particular, na nossa região, vocês já notaram os bancos de areia no Rio Paraíba do Sul onde pescadores caminham? Isso significa que o rio está vazio e é dele que os serviços de água retiram a água para tratá-la e colocá-la em nossas torneiras.

Essa água é cara, mas muitos nem ligam para isso. Ela contém cloro e flúor, importantes aditivos para matar bactérias nocivas e servir à dentição de nossas crianças.

Todavia, ela vai esgoto abaixo em abundância na lavagem de carros e calçadas, naqueles banhos demorados e na escovação de dentes com a torneira aberta, nas descargas prolongadas dos vasos sanitários e na rega de jardins. É muito luxo e desperdício.

Se pudéssemos usar água menos nobre para essas finalidades sobraria água para consumo nobre: matar a sede, nossos banhos, para cozinhar, para lavar a louça e a roupa etc.

E onde estaria essa água para consumo menos nobre? Diretamente nos rios ou nos poços, só que com qualidade duvidosa.

Mas existe outra água disponível? Eu diria que sim e muita e ela está em volta da gente, dissolvida no ar e prestes a cair em forma de chuva.

Em toda atmosfera de nosso Planeta se encontra “disfarçada” uma quantidade incrível de água que significa 13.000 km3 (treze mil quilômetros cúbicos) que traduzidos em litros são 13 bilhões, com o particular de que essa quantidade se renova (ou se repõe) a cada oito dias pela evaporação de todas as águas dos corpos d´água (rios, lagos, mares), solos e vegetais.

Para utilização dessa água é só saber como captar e armazenar águas de chuva. No caso das cidades se tivermos um telhado com calhas que conduzam essas águas para uma cisterna, um bombeamento as levará para uma caixa d´água que abastecerá todas as necessidades de uso menos nobres.

Em Volta Redonda temos exemplo disso funcionando no Instituto de Cultura Técnica e deve haver muitos outros.

Como se vê, além de conservar as matas e nascentes de rios, não desperdiçar água nobre, reaproveitar de alguma forma águas servidas e buscar fontes renováveis (água de chuva) são idéias que merecem ser pensadas se não quisermos passar pelo dissabor de ficarmos sem água.

 

 

 

 

ATÉ ONDE A VIOLÊNCIA CONTINUARÁ IMPERANDO, SE PERGUNTADO por josé zokner (juca)

PEQUENAS CONSTATAÇÕES, NA FALTA DE MAIORES.

 

Constatação I

Não se pode confundir vórtice, que o Aurelião dá, entre outros, como redemoinho com vértice, até porque redemoinho forma círculos concêntricos, tipo espiral, e o vértice, em geometria, é o ponto comum a duas ou mais retas. Elementar, minha gente!

 

Constatação II (Ah, esse nosso vernáculo).

Ele ficou de chifre virado porque seu time perdeu de virada.

 

Constatação III (Quadrinha para ser recitada para quem de direito, a fim de mostrar decepção ou satisfação, dependendo do gosto do freguês).

Fui a um concerto

De música clássica.

O repertório, um enxerto

Daquela era jurássica.

 

Constatação IV

Não se pode confundir confusão com contusão, muito embora numa confusão tenha muita gente que sai com contusão. A recíproca é, por vezes, verdadeira. Mormente no futebol, quando um jogador só dá entrada faltosa nos adversários e há reação de quem sofreu a agressão e/ou dos seus companheiros. Ou nos bailes como naquela música antológica: “Na gafieira segue o baile calmamente…”

 

Constatação V

E não se pode confundir conjectura com conjuntura, até porque toda conjectura favorável que se faça em determinados países, sempre entrarão algumas variáveis – a maior ainda é a corrupção – que afetará a conjuntura. Aliás, a palavra já esteve muito na moda, principalmente numa época em que se utilizava a expressão “Brasil é o país do futuro”, como está implícito na constatação anterior e tudo leva a crer que continuará sendo “per saecula saeculorum”.

 

Constatação VI

Não se pode confundir futura com fartura, até porque a gente tá cansado de ouvir, eternamente, em nosso país, que numa era futura teremos fartura de maneira tal que poderemos dividir um quase abstrato bolo que só é visto e usufruído por muitos poucos e a dita cuja fartura nunca se faz presente, nunca chega. A recíproca é como é e tá acabado. Tenho democraticamente dito!

 

Constatação VII

Rico convoca; pobre, convida

 

Constatação VIII (De uma obviedade).

Flor é feminino! E não poderia ser diferente. Seria possível imaginar “o flor”?

 

Constatação IX

Rico tem imaginação; pobre, é mentiroso.

 

Constatação X (Definição aparentemente repetitiva).

Na Câmara e no Senado de certos países se constata um balaio de gatos*, onde se verifica outro balaio-de-gatos** e gatos corporativos sem balaio-de-gatos.

*Conflito entre muitas pessoas; rolo, confusão.

**Local onde reina a desordem.

 

Constatação XI (Quadrinha para ser recitada para quem estiver disposto a ouvir).

Remei contra a corrente

E quase virei o barco

Quando vi que, num repente,

Estava remando num charco.

 

Constatação XII (Ah, esse nosso vernáculo).

O papudo quando bate-papo sobre a visita do Papa não tem papas na língua.

 

Constatação XIII

E como elucubrava o obcecado: “Não é que a gente queira morrer, mas viver um dia sem sexo indubitavelmente não é viver”.

 

Constatação XIV (De uma dúvida crucial via pseudo-haicai).

A pornografia

É um erotismo

Em demasia?

 

Constatação XV (De outra dúvida crucia, via pseudo-haicai).

Ninguém providencia

Que os médicos

Melhorem a caligrafia?

 

Constatação XVI

E ninguém providencia

Que se legalize de vez

A disfarçada poligamia?

 

Constatação XVII (Outra espécie de dúvida crucial).

Quando após a confissão,

O padre passava um sabão

E incontinente dizia:

“Reze um padre-nosso

E uma ave-maria”,

Você se perguntava

Se questionava

Será que eu posso?

Será que é o que eu queria?

E protelava indefinidamente

A oração,

Tão-somente,

Ainda que pensando,

Matutando,

Ponderando,

Não muito preocupado

Será que essa transferência

Não é pecado

Não é uma insolência?

 

Constatação XVIII (Mais uma dúvida crucial).

Será que algum dia

Haverá a primazia

De que seja abolida,

Na volta e na ida,

A patifaria?

 

Constatação XIX

E será que algum dia,

Com toda essa mordomia

Tu, a conta, te darias

Que, com o salário mínimo

Que é mais do que semínimo

Só dá pra quinquilharias?

 

Constatação XX (Quadrinha de seis [sextinha?] para ser recitada numa roda de chimarrão quando se conta causos e mentiras, principalmente de pescarias).

Tomei um chimarrão

Com erva-mate orgânica.

Ele estava tão bom

Que resolvi me aprofundar

No estudo da botânica

E o resultado a todos divulgar.

 

E-mail: josezokner@rimasprimas.com.br