NOVOS PALAVREIROS NO SITE! É FESTA! pela editoria

este site a cada dia que passa avança a passos largos em direção aos seus objetivos que são divulgar a arte, a literatura, a poesia e os seus autores.
hoje estamos novamente em festa, as poetas MARILDA CONFORTIN, DEBORAH O’LINS DE BARROS, a escritora HELENA SUT e o poeta e pesquisador EDU HOFFMAN, compreederam o espírito público do site e aceitaram o  convite para se tornarem PALAVREIROS DA HORA, porque natos palavreiros são, e assim, divulgar suas obras por este meio ofertando mais opções aos nossos leitores. de grande valor estes novos âncoras que vem somar aos que já trabalham com os mesmos objetivos. os amigos PALAVREIROS lhes dão as boas vindas.
 

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MARILDA CONFORTIN

 

 

 

GOSTOSA!

 

Bela cantata!

Me allegro,

ma non treppo.

 

2.

A  outra

 

Hoje, uva

Amanhã, passa.

Eu, vinha.

 

 

3.

Bagagem literária

 

Nesta viagem

Leve um coração leve

e sobre tudo, um olhar de veludo.

 

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DEBORAH O’LINS DE BARROS

 

 

 Às vezes tenho certeza

Quase absolutamente,

De que sou meio louca,
Verdadeiramente.
Pois não tenho necessidade
De ácido lisérgico
E nem de lítio.
Mas quando vem reminiscências
De determinados fatos
Há muito ocorridos,
Me vem uma vontade insana

De ausência.

Ausência de pensamentos,

Mas não de sentimentos.

Há uma necessidade

De estar só.

Inclusive a minha própria presença

Me incomoda,

Quando essas reminiscências

Me recordam que

I miss the comfort in being sad.

 

Acho que relembrar

As mazelas do ontem

É como folhear

Um álbum de fotos onde

A trilha sonora escolhida

É a responsável por virar as páginas.

E agora resta a dúvida:

Será que remexer lembranças

É como lembrar da dívida

Que tenho comigo mesma?

Isso, na verdade,

Não importa.

Pois se o Corvo diz Nunca Mais,

Não há portas

Que abram para eu voltar.

E, pensando bem, parece hilário

Pois forjar tristeza

Se tornou, nada mais

Que recurso literário.

A saudade existe para provar

Que o passado não mata

E as reminiscências são só um mote

Para entender que o que não mata

Nos torna mais fortes.

 

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HELENA SUT

 

 

 

 

 

 

 

CAMELO, LEÃO E CRIANÇA

“Três transformações do espírito vos menciono: como o espírito se muda em camelo, e o camelo em leão, e o leão, finalmente, em criança.”

                                                                                                                          Friedrich Nietzsche

 

            Um crime contra a esperança! Sinto a exclamação permear os atos como se fosse incapaz de abrir uma nova janela para o futuro. Sem possibilidade de esquecimento, acumulo vivências afetivas, profissionais, sociais e políticas, recortando e colando os traumas junto às realizações e tentando suportar a longa travessia no deserto.

            Busco em vão os porquês, mas me surpreendo com as ambigüidades que encontro ou com as certezas que perco. Ora me acoberto com leituras para suportar as madrugadas frias, acordar sob o sol escaldante e permanecer viva na aridez do território, ora me escondo na própria releitura e reincido em narrativas que não surpreendem e que pesam excessivamente sobre a possibilidade de ser.

            O espírito sobrecarregado se projeta num corpo rendido ao descampado…

            Assim falou Zaratustra. A obra de Nietzsche me afasta do cotidiano. Transporto-me no tempo sem me importar muito com o espaço e vejo quando Zaratustra desce a montanha rumo às profundas inquietações de todos os seres. As transformações enunciadas em seu primeiro discurso me convencem da necessária metamorfose a que devemos nos submeter para vivermos de forma mais criativa, com mais desejo e força e sem tanta submissão aos “deveres” ou às verdades que não ousamos profanar com indagações.

            O espírito amadurecido percorre o deserto com o peso do seu estar no mundo. A perfeita representação do camelo – ruminante e decadente. Carregado de vivências e sem anseios de mudanças, o espírito permanece submisso à sua representação na sociedade. Um ser cansado e solitário num caminho desértico. Resignação e obediência.

            Tu deves…

            A existência do camelo possibilita a transformação em leão. O impulso e a coragem, expressos no querer pessoal em confronto com o dever coletivo, são características fundamentais para o novo espírito. Ser livre para apropriar-se do próprio deserto. A ferocidade do leão rasga o existente e com ímpeto rompe com os vínculos, mas não tem o poder da criação e se limita aos conhecidos desertos cotidianos.

            Eu quero…

            O espírito seria abatido pelo próprio desejo caso não se transformasse em criança. Eis a terceira metamorfose. O leão, após se libertar e apropriar da vida, torna-se uma criança e, com a inocência e o esquecimento, assume o jogo da recriação. Completo o ciclo de metamorfoses, o espírito livre é “uma roda que gira sobre si, um movimento, uma santa afirmação”.

            Eu sou…

            Apóio o livro na cabeceira enquanto aterrizo na realidade repleta de obrigações e noticiários. Novas metáforas brilham como perspectivas renovadas de céu sobre o deserto. Ainda não iniciei as metamorfoses necessárias a fim de compreender o eterno retorno e a necessidade de recomeçar com criatividade. Busco-me ainda leão…

 

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EDU HOFFMAN

 

 

 Araçás

 

 

 O sol se põe

no horizonte azul

do teu olhar

 

         recolho araçás

         no canto dos teus lábios

 

nem junho é

porém te vejo

em meus balões coloridos

 

          

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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