Arquivos Diários: 22 abril, 2008

PALÁCIO VENÂNCIO LÓPEZ por ewaldo schleder

Achei na Internet o Asunción Palace Hotel, na capital paraguaia. A idéia era ficar ali hospedado uma semana. Escolha em função da localização, do preço e da pitoresca história do Palace. Porém, a hospitalidade da casa e o fascínio das horas seguintes me fizeram ficar, prazerosamente, por mais alguns dias nessa caliente cidade.

 

Pouco distante no tempo, há 10 anos, lá mesmo em Assunção conheci outro palácio; também hotel, luxuoso, com seus cristais, pratas e gesso polido. Ali morou madama Linch – a bela irlandesa que Francisco Solano López, apaixonado, trouxe de Paris. Uma grã-fina do Sena para rivalizar, mais tarde, com a nativa Pancha Garmendia, sua outra paixão. Sem dúvida, um duro teste para aquele coração napoleônico.         

 

De volta às surpreendentes colunatas dóricas e coríntias do Asunción Palace. A curiosidade é que na agonia da Guerra Grande (Guerra do Paraguai ou da Tríplice Aliança, 1864-1870) o palacete teve a bandeira brasileira hasteada em suas cumeeiras. Na ocasião, o imponente palácio serviu de hospital aos feridos das tropas de Osório. Nos dias de hoje, a memória se fragmenta pelos corredores do hotel; nos quadros das paredes, na luz, na sombra, nos detalhes de um passado comum.

 

Construída pelos idos do governo (1844-1854) de Carlos Antonio López, a majestosa casa seria a morada do seu filho mais novo, Venâncio López. Carlos Antonio presidiu o Paraguai no auge do seu desenvolvimento, entre dois históricos ditadores: José Gaspar de Francia, el supremo, e seu outro filho, Francisco Solano, el generalito. A obra foi encomendada ao arquiteto italiano Alessandro Ravizza, que já assinara outras importantes construções na pujante Assunção daqueles anos – meados do século 19, antes da guerra.

 

A esperada inauguração foi em 1858, com um grande baile. O ritmo em voga era a polka, novidade musical recém-chegada da Europa. No aprazível local, em companhia de amigos – e amigas – Venâncio promovia o festejado happy-hour. Sentados na varanda que dá para a avenida Colón, os privilegiados comensais tagarelavam, se divertiam, estouravam champagne français e, extasiados, ficavam a admirar o pôr-do-sol no rio Paraguai, até chegar la noche tíbia.

 

De um palacete na esquina da Colón com Estrella, em Assunção, reminiscências românticas velam o drama da guerra. Ali já foi o Hotel Argentino e foi o Cosmos. Nesse local, em 1928, foi apresentada pela primeira vez em público – a um povo entristecido, desacostumado a espetáculos de tal natureza – a tradicional guarânia Jejui, na presença do então presidente da República, o liberal Eligio Ayala.

 

Em 1943, o Palácio Venancio López vem tornar-se o atual Asunción Palace Hotel. Parte viva do cenário urbano da Bacia do Prata. A estética do prédio revela o esplendor da arquitetura de um Paraguai que anseia renascer. O registro do inestimável patrimônio como Bien Cultural de la Nación vem garantir a sua preservação. Sua fachada: símbolo de resistência cultural da cidade e sua sofrida história. A dar boas-vindas aos visitantes de todas as partes. Para ser apreciada, em tempos da paz que se consagra.

 

 

DISCRIMINAÇÃO CONTRA OS BRANCOS por ives gandra da silva martins

Hoje, tenho eu a impressão de que o ‘cidadão comum e branco’ é agressivamente discriminado pelas autoridades e pela legislação infraconstitucional, a favor de outros cidadãos, desde que sejam índios, afrodescendentes, homossexuais ou se auto-declarem pertencentes a minorias submetidas a possíveis preconceitos.

Assim é que, se um branco, um índio ou um afrodescendente tiverem a mesma nota em um vestibular, pouco acima da linha de corte para ingresso nas Universidades e as vagas forem limitadas, o branco será excluído, de imediato, a favor de um deles. Em igualdade de condições, o branco é um cidadão inferior e deve ser discriminado, apesar da Lei Maior.

Os índios, que pela Constituição (Art. 231) só deveriam ter direito às terras que ocupassem em 5 de outubro de 1988, por lei infraconstitucional passaram a ter direito a terras que ocuparam no passado. Menos de meio milhão de índios brasileiros – não contando os argentinos, bolivianos, paraguaios, uruguaios que pretendem ser beneficiados também – passaram a ser donos de 15% do território nacional, enquanto os outros 183 milhões de habitantes dispõem apenas de 85% dele. Nesta exegese equivocada da Lei Suprema, todos os brasileiros não índios foram discriminados.

Aos ‘quilombolas’, que deveriam ser apenas os descendentes dos participantes de quilombos, e não os afrodescendentes, em geral, que vivem em torno daquelas antigas comunidades, tem sido destinada, também, parcela de território consideravelmente maior do que a Constituição permite (art. 68 ADCT), em clara discriminação ao cidadão que não se enquadra nesse conceito.

Os homossexuais obtiveram, do Presidente Lula e da Ministra Dilma Roussef, o direito de ter um congresso financiado por dinheiro público, para realçar as suas tendências, algo que um cidadão comum jamais conseguiria.

Os invasores de terras, que violentam, diariamente, a Constituição, vão passar a ter aposentadoria, num reconhecimento explícito de que o governo considera, mais que legítima, meritória a conduta consistente em agredir o direito. Trata-se de clara discriminação em relação ao cidadão comum, desempregado, que não tem este ‘privilégio’, porque cumpre a lei.

Desertores e assassinos, que, no passado, participaram da guerrilha, garantem a seus descendentes polpudas indenizações, pagas pelos contribuintes brasileiros. Está, hoje, em torno de 4 bilhões de reais o que é retirado dos pagadores de tributos para ‘ressarcir’ àqueles que resolveram pegar em armas contra o governo militar ou se disseram perseguidos.

E são tantas as discriminações, que é de se perguntar: de que vale o inciso IV do art. 3º da Lei Suprema?

Como modesto advogado, cidadão comum e branco, sinto-me discriminado e cada vez com menos espaço, nesta terra de castas e privilégios.

“Uma sociedade só é democrática quando ninguém for tão rico que possa comprar alguém e ninguém seja tão pobre que tenha de se vender a alguém”.
(Rousseau).

 

 

MÁRIO QUINTANA por mário quintana

Nasci em Alegrete, em 30 de julho de 1906. Creio que foi a principal coisa que me aconteceu. E agora pedem-me que fale sobre mim mesmo. Bem! Eu sempre achei que toda confissão não transfigurada pela arte é indecente. Minha vida está nos meus poemas, meus poemas são eu mesmo, nunca escrevi uma vírgula que não fosse uma confissão. Ah! mas o que querem são detalhes, cruezas, fofocas… Aí vai! Estou com 78 anos, mas sem idade. Idades só há duas: ou se está vivo ou morto. Neste último caso é idade demais, pois foi-nos prometida a Eternidade.
Nasci no rigor do inverno, temperatura: 1grau; e ainda por cima prematuramente, o que me deixava meio complexado, pois achava que não astava pronto. Até que um dia descobri que alguém tão completo como Winston Churchill nascera prematuro – o mesmo tendo acontecido a sir Isaac Newton! Excusez du peu… Prefiro citar a opinião dos outros sobre mim. Dizem que sou modesto. Pelo contrário, sou tão orgulhoso que acho que nunca escrevi algo à minha altura. Porque poesia é insatisfação, um anseio de auto-superação. Um poeta satisfeito não satisfaz. Dizem que sou tímido. Nada disso! sou é caladão, introspectivo. Não sei porque sujeitam os introvertidos a tratamentos.

Só por não poderem ser chatos como os outros?
Exatamente por execrar a chatice, a longuidão, é que eu adoro a síntese. Outro elemento da poesia é a busca da forma (não da fôrma), a dosagem das palavras. Talvez concorra para esse meu cuidado o fato de ter sido prático de farmácia durante cinco anos. Note-se que é o mesmo caso de Carlos Drummond de Andrade, de Alberto de Oliveira, de Érico Veríssimo – que bem sabem (ou souberam) o que é a luta amorosa com as palavras.

PÉS: estes órgãos íntimos – por jorge barbosa filho

 

Já pegaram no teu pé? Não? Que tal o seu chefe? O seu amigo? O time ou grupo onde você atua? “Pegar no pé” é uma atitude de reprimenda quando você vacila, falha ou comete algum erro. “Pegar no pé” exige alguma relação próxima de amizade, de trabalho ou íntima. Você não pegaria (declaradamente) no pé de quem você não conhece. Pegaria? Improvável…

Em nossas relações de amizade, amor e intimidade temos acesso a esse ato que a locução “pegar no pé” propõe, mas pegar no pé de alguém, literalmente, ou seja, meter a mão no pé de alguém ou passar a mão no pé de alguém, exige muita intimidade, com exceção dos médicos, podólogos e manicures. Já imaginou um estranho ou uma pessoa com a qual não tenhamos muita intimidade, passar a mão nos pés de nossos filho(a)s, namorado(a)s maridos e esposas? Imaginou? Qual seria a sua reação? No mínimo levantaria alguma preocupação e estranheza, concorda?

Sua reação de estranheza e preocupação não é infundada, pois os pés sãos os meridianos de todos os órgãos. Daí, podemos dizer que os pés são sensíveis, sensuais e sexuais. É a promessa de nudez representada pela carne à mostra. Os pés são os caminhos da tão almejada realização sexual.

Por que as mulheres têm tara por sapatos, ou adornam seus pés com anéis e correntinhas? E os pezinhos das gueixas? Todas sabem que os pés atraem, haja vista que em uma pesquisa 70% dos homens e 30% das mulheres têm atração sensual pelos pés.

Na arte e vida sensualidade e sexualidade “dão pé” e se misturam. Henfil usou Fradim para confessar que gostava de pés; Glauco Matoso, o poeta e andropodólatra gostava de chupar pés. No cinema várias cenas: Bridget Fonda em “Jackie Brown”, Salma Hayek em “Um drink no Inferno”, “Pulp Fiction” também há..Todos de Quentin Taratino confesso amante de pés. E não para por aí, os devotos dos pés estão na pintura e ilustação dos italianos Franco Sandelli e Roberto Baldazzini, do japonês Hajime Sorayama, na poesia de Pablo Neruda (“os teus pés” e “o inseto”) e vai por aí. Pés não faltam pra “deixar o bicho de pé”.

Na minha modesta opinião, pés sempre foram vulvas, seios e bundas. Há cartesianos com pouca imaginação que contestam. É compreensível pois nunca fizeram um “consolo” em forma de pé.

Depois de todo o exposto, leitor(a) você deixaria alguém pegar no pé do(a) seu parceiro(a)?

A MORTE COMO ESPETÁCULO PARA UM PÚBLICO CATIVO – ESTE É O “SISTEMA GLOBO DE CULTURA” DA TV GLOBO

Mal saímos de um programa “cultural” de triste conteúdo, o famigerado BBB 8, e encontramos todo o “sistema da rede globo” empenhado em transformar uma tragédia familiar, o “CASO ISABELLA,” como ela denomina, em um espetáculo com características de novela, anunciando os próximos capítulos da locomoção dos pais, familiares, polícia, aparato de segurança e pior a própria TV indicando os locais de residência dos familiares para o público, que na maioria das vezes, está empenhado em esquecer mais este fato que envergonha o ser humano, indicando assim, para onde os desocupados e “parceiros” da Globo devam se dirigir afim de dar “vida” ao espetáculo.

 

Não se respeita a morte da pequena Isabella e nem a dor e sofrimento porque passam os familiares do casal. Já não podem sair das suas casas, pais, sobrinhos, tios, primos, NINGUÉM, sob pena de serem agredidos pelos “parceiros” em fúria estimulados pela rede. A tragédia e a comoção estão instaladas naquelas famílias, não bastasse isso, a imprensa insufla a população contra elas.

 

Primeiro o espetáculo. Primeiro o IBOPE. Primeiro o dinheiro.

 E, diga-se, em todas as redes de TV o mesmo primado.

 

Notícia sim, óbvio, é preciso informar, ainda que seja um fato brutal como esse. Daí transformá-lo em doses diárias de uma “mini série” angustiante para todos, inclusive para aqueles que, como eu, não estão sedentos de ver a desgraça humana para justificar sua estável existência, é simplesmente um abuso para com o telespectador de boa fé. 

 

Não há programa que não venha o anúncio “veja aqui em instantes, através dos nossos repórteres que já estão no local, as últimas informações do caso Isabella” inclusive em programas de culinária como o da Ana Maria Braga.

 

São simplesmente nojentas, desprezíveis essas atitudes tendenciosas da “democracia da informação.”

 

“Senhor anunciante, diante do alto índice de audiência em razão do “caso Isabella” nossa planilha de preços sofreu modificação.” Provavelmente a “brilhante ordem” do departamento comercial.

 

JB VIDAL

 

 

 NOTA DO EDITOR: o texto acima foi postado as 09:30 do dia 22/04/08.

 

AGORA são 23:00 do dia 22/04/08 e acabamos de receber esta notícia, que ilustra muito bem o que abordamos acima:

 

AGENCIA ESTADO.

 Isabella: detidos 2 por tentar invadir prédio de família

A Polícia Militar (PM) deteve hoje dois homens acusados de tentar invadir o prédio onde vivem os pais de Anna Carolina Jatobá, madrasta da menina Isabella Nardoni. A dupla tentou entrar no edifício em Guarulhos, na Grande São Paulo, por volta das 15h30, quando um carro deixava o imóvel. De acordo com a Rádio CBN, cerca de 40 manifestantes estavam no local no momento da confusão. Eles pediam justiça. Acusados de desacato, os dois homens foram encaminhados ao 2º Distrito Policial da cidade.