A MORTE COMO ESPETÁCULO PARA UM PÚBLICO CATIVO – ESTE É O “SISTEMA GLOBO DE CULTURA” DA TV GLOBO

Mal saímos de um programa “cultural” de triste conteúdo, o famigerado BBB 8, e encontramos todo o “sistema da rede globo” empenhado em transformar uma tragédia familiar, o “CASO ISABELLA,” como ela denomina, em um espetáculo com características de novela, anunciando os próximos capítulos da locomoção dos pais, familiares, polícia, aparato de segurança e pior a própria TV indicando os locais de residência dos familiares para o público, que na maioria das vezes, está empenhado em esquecer mais este fato que envergonha o ser humano, indicando assim, para onde os desocupados e “parceiros” da Globo devam se dirigir afim de dar “vida” ao espetáculo.

 

Não se respeita a morte da pequena Isabella e nem a dor e sofrimento porque passam os familiares do casal. Já não podem sair das suas casas, pais, sobrinhos, tios, primos, NINGUÉM, sob pena de serem agredidos pelos “parceiros” em fúria estimulados pela rede. A tragédia e a comoção estão instaladas naquelas famílias, não bastasse isso, a imprensa insufla a população contra elas.

 

Primeiro o espetáculo. Primeiro o IBOPE. Primeiro o dinheiro.

 E, diga-se, em todas as redes de TV o mesmo primado.

 

Notícia sim, óbvio, é preciso informar, ainda que seja um fato brutal como esse. Daí transformá-lo em doses diárias de uma “mini série” angustiante para todos, inclusive para aqueles que, como eu, não estão sedentos de ver a desgraça humana para justificar sua estável existência, é simplesmente um abuso para com o telespectador de boa fé. 

 

Não há programa que não venha o anúncio “veja aqui em instantes, através dos nossos repórteres que já estão no local, as últimas informações do caso Isabella” inclusive em programas de culinária como o da Ana Maria Braga.

 

São simplesmente nojentas, desprezíveis essas atitudes tendenciosas da “democracia da informação.”

 

“Senhor anunciante, diante do alto índice de audiência em razão do “caso Isabella” nossa planilha de preços sofreu modificação.” Provavelmente a “brilhante ordem” do departamento comercial.

 

JB VIDAL

 

 

 NOTA DO EDITOR: o texto acima foi postado as 09:30 do dia 22/04/08.

 

AGORA são 23:00 do dia 22/04/08 e acabamos de receber esta notícia, que ilustra muito bem o que abordamos acima:

 

AGENCIA ESTADO.

 Isabella: detidos 2 por tentar invadir prédio de família

A Polícia Militar (PM) deteve hoje dois homens acusados de tentar invadir o prédio onde vivem os pais de Anna Carolina Jatobá, madrasta da menina Isabella Nardoni. A dupla tentou entrar no edifício em Guarulhos, na Grande São Paulo, por volta das 15h30, quando um carro deixava o imóvel. De acordo com a Rádio CBN, cerca de 40 manifestantes estavam no local no momento da confusão. Eles pediam justiça. Acusados de desacato, os dois homens foram encaminhados ao 2º Distrito Policial da cidade.

 

 

2 Respostas

  1. Precisamos lembrar também que o mesmo aconteceu com o caso do menino que foi arrastado, João Pedro se não me engano, e também com o caso do assassinato dos “risthofen”, que a filha e o namorado mataram os pais. Fatos que se repudiam sendo transformados em dose diária de “terror”. Imagino quantos outros assassinatos tão bárbaros quanto estes não aconteceram neste meio tempo, só que não serão nunca relatados pois, talvez, não causaram tanta comoção quanto a morte de uma menininha. Essa é a globo e o mais incrível são seus espectadores…

  2. Meu caro Vidal.

    Quedo-me diante do seu comentário. Sem pejo ou sem realejo das mediocridades que se nos circundam e circulam, nos entorpecendo com doses midiáticas da cicuta da subcultura brasileira, venho juntar-me à sua lavra, voz e deblateração contra essa “mérdia” que condena, que julga, que encarcera…
    Como bem o dizes, Poeta, a informação é fundamental e indispensável, mas o espetáculo e a espetacularização do crime, do criminoso e da criminologia que a mídia, sobretudo a chamada “grande imprensa nacional” produz é plenamente dispensável.
    Contudo, Poeta, os senhores donos do mundo midiático brasileiro não se contentam com a dignidade alheia, tampouco com a presencialidade de um processo de eticidade. Para esses canalhas é preciso produzir o fato grotesto… Dantesco mesmo! Para esses calhordas o que importa é o circo que se nos transforma em palhaços calados diante de uma nação-midiática dirigida por uma imprensa ditatorial que se arroga o direito de dizer que o que está sendo produzido é uma decorrência da livre expressão.
    Ora, meu caro Poeta, se tivessem – de fato e de direito – preocupados com a livre expressão não “morderiam o cachorro” apenas para produzir uma nova e sensacional notícia.
    Por fim, Poeta, quanto à cozinheira resta-me dizer: “Tenho raiva do câncer…”.

    Um abraço do palavreiro

    João Batista do Lago
    Curitiba/Paraná/Brasil
    22/04/2008

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