CANTIGA do HERÓI RASGADO poema de altair de oliveira

 

Quis ter teu rosto num quadro

depois do estrago do drama

quis ler o rastro da chama

que um dia ardeu-te no esforço

de estar num meio adequado

pra mudar regras do jogo

mas vi somente o desgosto

do teu retrato irritado

por dor de todos os lados:

enfado, aborto de gozo…

 

 

Trouxeste traços de crenças,

de buscas e desistências…

ou eram meras esperas,

      ocultas por aparências,

das horas que se demoram

    rodando a rude existência?

 

Colho do pouco que foste

forçando a história no corpo

colo teus tristes pedaços

olho os teus frutos tão poucos

e sofro certo embaraço

pois deste um morto tão moço!

 

Penso nos loucos que às vezes

atiram pérolas aos porcos

ou lutam contra moinhos

ou matam morte dos outros…

…os que querem com tanta força

e fazem até que desfazem-se

e morrem sempre sozinhos

jazem inimigos do povo.

 

Altair de Oliveira – In: O Embebedário Diverso

 

Uma resposta

  1. Esse, é um dos poemas do Altair que eu mais gosto. Mas também gosto do Triste Tigre, do Desembesto, do Heróis & Dias amenos, Naufraggânsia, Nós Ocultos, Pássaros de Pressa… e de muitos outros poemas do seu novo livro “O lento alento”. O cara é bom de se ler. Quando vai lançar esse livro, Altair?

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