Arquivos Diários: 27 abril, 2008

MAGNÍFICO poema de solivan brugnara

Magnífico, é o milho que a pomba come.

O milho, essa forma simples, quase mineral,

mas que dentro do corpo da pomba é miraculoso,

transforma-se em penas, olhos, que vira vôo.

 

Magníficas são as cores primárias,

a sua miraculosa multiplicação.

E as sete notas que formam as sinfonias

e tudo que tem sempre em si o múltiplo.

 

Magnífica é a velocidade

que dá fluidez ao metal, o deixa incorpóreo.

A bala de tão rápida, invisível

e quanto mais rápida e portanto

mais fluida, mais sólida, mais fere.

 

Magnífico!

É o suicida poeta que

antes de atirar em sua cabeça,

achou o gatilho parecido com a lua minguante.

 

Magnífico é o corpo humano.

A rigidez dos músculos masculinos,

o viril suor, seu doce membro,

a nobreza de seu envelhecimento.

E a forma suave do corpo feminino

a elegante linha da gravidez

e a maciez de seu sexo.

 

Magníficos são os veículos,

seus intestinos de aço, o perfeito encaixe das peças

dos motores, a sede prazerosa de combustível.

Os carros retorcidos como papel amassado nos acidentes.

A magnética beleza dos acidentes automobilísticos

atraem homens, que olham detalhes

e discutem sobre o certo e o errado, sobre

o destino, sobre o tempo e a morte.

 

 

 

POESIAS AMENAS por manoel antonio bonfim

Palavras dispersas
Falando de encanto…
O encanto do olhar
Um olhar sobre a vida
Uma vida pra amar
De maneiras diversas
 
São tantos olhares
Fitando o amor
Tantos amores
Dispersos na vida
Rodeados de flores
E de belos cantares
 
Diversos poemas
De sabores diversos
De doces sabores
Sabores de vida
Vidas cheias de amores
E de poesias amenas

PRECONCEITO LINGUÍSTICO por leonardo meimes

 

Sabemos que hoje, se repudia qualquer tipo de preconceito como sendo uma atitude imoral e desumana. As comunidades, etnias, culturas, religiões têm sua liberdade acima de tudo. Agora é a hora de colocar mais um preconceito em cheque. Você já ouviu falar sobre o PRECONCEITO LINGÜÍSTICO?

Quantas vezes você foi já foi corrigido enquanto falava ou corrigiu a fala de alguém? Pois saiba que na maioria dos contextos corrigir a fala de uma pessoa e julga-la por este “erro” pode ser considerado um preconceito. A língua portuguesa, como todas as línguas, é heterogênea e intrinsecamente variável. Isso quer dizer que nenhuma língua é estática, pelo simples fato de que ela é um “organismo em constante evolução”. Os conceitos de variação, variante e mudança, foram introduzidos pela lingüística para abarcar as diferentes formas de se dizer uma mesma coisa, formas que ocorrem em todos os idiomas existentes e que são sim uma grande qualidade das línguas. Se as línguas não se adaptassem constantemente se tornariam inúteis a cada instante que algo fosse criado ou modificado no mundo social ou real. Para diferentes realidades existem diferentes formas de se comunicar e isto fica evidente se pensarmos na extensão do Brasil e na quantidade de dialetos regionais que temos. Mesmo assim dentro destes dialetos existem variações, nem todo gaúcho diz “Bá”. Então devemos pensar muitas vezes antes de corrigir a fala de alguém, pois ela pode estar apenas usando uma variedade não padrão da língua, ou até mesmo uma variedade padrão com um nível de formalidade diferente. O que é importante frisar e destacar é:

 

NENHUMA VARIEDADE, OU LÍNGUA, É MELHOR, MAIS CORRETA, MAIS BONITA OU MAIS RICA, DO QUE AS OUTRAS

 

A noção de “ERRO” está sendo revista pela lingüística à algum tempo. Dizer que uma pessoa está errada quando fala algo como “bicicreta” e “os home”, prevê uma noção de língua sendo empregada (no caso a noção de língua como código), e só se faz este julgamento quando se considera uma das variedades como sendo “melhor’ ou mais “correta”. É o que acontece quanto se coloca a gramática normativa como a única variedade certa do português. Esta variedade foi, por fatos econômicos e históricos, escolhida para ser a base comum do ensino de língua em nosso país, isto não quer dizer que ela está certa (podem-se encontrar inúmeras incoerências em suas definições) e as outras erradas. Elevar a gramática a este estatus de “correta” cria vários problemas de ordem social que poderiam ser evitados se fosse explanado dês do começo do ensino da língua que existem variedades e que elas coexistem e são todas apropriadas para seu contexto. Um “erro” na verdade pode não passar de uma inadequação de estilo ou gênero, ou apenas de uma variação de dialeto falado pelo interlocutor. Se um interlocutor diz “os home”, não se considera um erro, pois na comunidade em que ele vive esta é a gramática internalizada dos moradores e a variedade comum, não adianta você impor sua variedade que ele vai voltar a anterior quando entrar em contato com um parente, por exemplo.

A gramática normativa já não é mais a única sendo estudada atualmente, existem pelo menos três gramáticas em uso em nosso país. A normativa ou padrão, que é subjetiva e arbitrária (pois tenta congelar o sistema lingüístico e em uma variedade que não existe mais em uso); a gramática descritiva, que não prescreve nem normatiza, apenas descreve o que é visto na língua; a última e mais difícil de ser estudada é a gramática internalizada, a que cada falante tem em seu cérebro e que nos permite adquirir a língua antes mesmo de ter aulas sobre ela. A gramática normativa (norma padrão) é a mais distante da realidade, pois congelou no tempo uma variedade, como dito, inexistente e passada, que não corresponde as necessidades de hoje. Ela ainda tenta fazer o que os filósofos tentaram ao criar uma gramática para o latim, congelar a língua, porém como vimos o latim evoluiu para as línguas românticas (português, italiano, francês, etc.) e agora não passa de uma língua morta.

 

A GRAMÀTICA NORMATIVA ESTÀ EM PRINCÍPIO ERRADA, POIS TENTA CRIAR REGRAS PARA UM SISTEMA QUE MUDA CONSTANTEMENTE

 

Sendo assim, deixemos de lado nossas diferenças lingüísticas, todos nós brasileiros falamos português, certo e rico, e “arretado” de bonito, não existe diferença entre nós ao que cabe a língua, pois todos a usamos da melhor forma, respeitando as necessidades de nossa realidade e adaptando-a ao que é necessário. Se você entendeu o que o outro falou, estão falando a mesma língua, ninguém é melhor do que ninguém, nem mais “burro” por falar diferente. Deixe este preconceito desaparecer, como todos os outros.


IMA GIQUÁRIO poema de jasmin druffner

IMA GIQUÁRIO 

“Ímpar.
Meu coração bate,
Sem enfarte.
Bate descolor,
Sem amor.
Apar.  

Suspiro e fecho os olhos.
Assim me refugio,
Assim te vigio.
Nos únicos momentos
Nem um pouco cinzentos,
Por sussurros amamo-nos.  

Você dança uma canção,
A palpites meus,
Que também já são seus.
Música no meu cérebro,
Mas te digo que desconsidere-o,
Era apenas minha imaginação.”

XALE por jorge lescano

É sempre longe em minha alma,

 porque estás como ausente y mi voz no te toca

 Este es un puerto: aqui te amo

– escreveu no xale de Maryeva e assinou:

 Fernando Pablo Pessoa Neruda

 

 

a moça ocupava na mesa o mesmo lugar que ocupavas há exatamente duas semanas, e ignorava a leitura que eu fazia do seu xale

 

 na rua, ininterrupta, continua a chuva oblíqua

 

como naquele anoitecer de há duas semanas, cheguei com os cabelos úmidos, as calças coladas às pernas, nos olhos uma distância turva

 

sentei-me no fundo do salão. Sabes que aqui me escondo quando espero que não venhas. Cá ninguém pode ficar às minhas costas como eu estou em relação à desconhecida do xale cinza, em cuja simétrica urdidura vou descobrindo a tua ausência

 

corpo de mulher que amo: país de ásperos perfumes

 

no porto silencioso onde eu só faço sentido para mim, como se este canto existisse apenas para a espera – minha – de quem não chegará até a figura solitária à beira do cais, pois nada a mim te prende

 

no desenho regular de vaga geometria esboçava escorços de tua figura  

 

quando ávida a minha língua busca a vida em tuas entranhas

 

na penumbra do motel não esperávamos nenhum trem para partirmos juntos rumo a destinos diferentes, embora, nos momentos do descanso necessário em nosso  encontro, eu fosse  passageiro ocasional de uma estação ferroviária inominável

 

mulher minha passageira do trem invisível que de mim te afasta e não deixa que te entregues ao furor do vento que por dentro te sacode

 

do outro lado da névoa, além das vagas, fico a ver-te, pequena, surgindo da espessura da neblina, teu sorriso vindo para mim como vinhas a este, meu acanhado porto, e tua voz, deste lado, não me aquece

 

e a espera é minha apenas, pois que a mim nada te prende

 

naquele fim de tarde em que te lembro, assim deverias ter ficado para um outro que não eu, a quem esperavas com o sorriso ainda no estojo dos teus dentes

 

os lábios vermelhos destacam o negrume dos teus olhos quando o sorriso aflora para envolver meus ombros

 

menina, se  te escondes fechando os olhos para não ser vista brincando de mulher

 

não sei se é a postura da cabeça, uma sutil inclinação do busto, o livro nas mãos, abandonado, ou o irrequieto diagrama do xale o que me diz que a moça agasalhada em brumas

 

de tremores de urgências genitais e gemidos e sussurros e gritos presos

 

 

 espera alguém, como naquele anoitecer chuvoso me esperavas

 

tua voz me chama

 

no curto espaço entre as duas mesas, flutuavas na indecisa luz do quarto invadido pelo dia vagaroso fundindo em sépia tuas fronteiras

 

vou ao encontro ansioso e breve

 

no outro lado do planeta reconheces a floresta que guarda a tua casa, e as palavras, não mais estranhas: teus ouvidos já não sentem a neve do outro idioma

 

teu sorriso acende minhas veias

 

um suave movimento desloca o friso de diagonais quebradas sobre o espaldar da cadeira e o calor de tua nudez, a maciez das coxas, o morno aroma do teu hálito e o penetrante perfume do pescoço, a brisa do teu silêncio, o sotaque de distância – parada obrigatória ou fim do itinerário daquele trem que não deixo de esperar-, são a urdidura do xale

 

e tua voz é mais uma no coral de vozes que não ouço

 

         teus olhos decoraram paisagens onde nunca estive – assim, não estou em tuas lembranças quando delas lembras -, paisagens que nunca virei a ver/?

 

Não rodeia a doce curva dos teus ombros e no entanto minhas mãos náufragas se abrem para sentirem as tuas, que não mais estão onde as deixara naquele oblíquo fim de tarde. Além da cadeira que comigo se defronta, as pregas assimétricas agasalham um perfume que permanecerá secreto, porém, eu sei, não provocaria lembranças de ribeiros, nem de selvas penumbrosas, nem de flores negras, tampouco risos abafados ou murmúrios antes da fúria genital e do cansaço      que   fecha teus   olhos   e faz  com  que reclines a cabeça e abandones teu perfil ao meu olhar; mergulhas com placidez na urdidura do sonho, libertando entre os lábios um som indefinido que ilumina teus dentes e que eu, para meu prazer enquanto dormes, quero interpretar como algo próximo à felicidade, como aquilo que poderias sentir se eu te presenteasse com um xale

 

anoitece em teu país de sombras, dispões o jantar na mesa, uma criança fala em torno de tua saia. Ignoro se ainda está nevando em tua cidade – minúscula, automática – ou se um raio deste  sol que a mim me cega, aquece alguma aresta de tua sala ou brilha tenuemente sobre tuas mãos de cobre antigo

 

do meu refúgio brinco de adivinhar o nome. Embaralho possibilidades. Ensaio nomes para fugir do teu – Fairuz? Kelly? Sebastiana? Quem eras naquele entardecer? -; talvez seja tão somente Maria, como o tango 

 

como em nossa primeira noite, antes  que os passos no corredor – mensageiros de uma culpa? – fixassem teu olhar no espaço e fizessem teu corpo congelar minhas carícias

 

sorris ao ler meu xale, ou recolhes a mirada pensativa para me enxergar melhor em  tua lembrança?

 

O PEQUENO ANJO pela editoria

Kenadie Jourdin-Bromley, conhecida ao redor do mundo como “o pequeno anjo”, nasceu em fevereiro de 2003, pesando pouco mais de um quilograma e com 22 centímetros. À época, os médicos consideraram que ela não passaria da primeira noite. Não foi o que aconteceu.

Ela continuou desafiando a medicina e a todas as expectativas e à idade de 8 meses, Kenadie foi finalmente diagnosticada como com nanismo primitivo, uma condição genética que crê-se que afeta a somente 100 pessoas em todo o mundo.

 

Não se espera que ela cresça mais que 70 centímetros ou que tenha mais que 5 quilos. O estado de Kenadie inspira cuidados constantes e da presença atuante e carinhosa dos pais Brianne Jourdin e Tribunal Bromley agora que está completando 4 anos.

Ela adora passeios, corridas e começa a falar as suas primeiras palavras. Dizem que o mais impressionante é que pessoas que de uma forma ou outra estiveram em contato com a menina, tem a sua vida radicalmente mudada por acreditarem que foram tocadas por um pequeno anjo com um enorme coração.