Arquivos Diários: 28 abril, 2008

O MAL-ESTAR no VISUAL por flávia albuquerque

Na atual sociedade em que vivemos, com o subentendido lema de ‘seja belo e consuma’, o corpo se insere no mercado primordialmente como capacidade de consumir e ser consumido. Vivemos em um crítico momento em que vigora a padronização de comportamentos onde o corpo se encontra como máquina de dor e prazer para responder à exigência maciça de permanecer jovem e belo.Tal promessa de juventude eterna acaba por nos reduzir aos quilos de nossos corpos e às curvas de nossas silhuetas. Os que não respondem ao modelo atual ‘sarado’, seios siliconados, ‘barriga tábua’, quilos abaixo da média estão desabrigados na ‘sociedade do espetáculo’ em que só desfilam os que ostentam imagem de sucesso.

A televisão é um desfile de corpos ditos perfeitos com peças de roupas ditadas pela moda tendo um apelo estético fora do alcance dos pobres mortais: meninas cada vez mais jovens nos afrontam com sua magreza indecente desafiando a morte. O que se consegue, por exemplo, ao ler uma revista de beleza é sentir-se feio, tamanha a diversidade de propostas de mudança corporal que ali se encontram. Em virtude desse ideal estético, muitos se submetem a inúmeras plásticas, cirurgias de redução de estômago, se entregam às anfetaminas ou desencadeiam distúrbios alimentares causando uma verdadeira mutilação no próprio corpo, tornando-os masoquistas por imposição. Tamanha maratona tem um único objetivo: ser aceito por uma sociedade atual, portadora de olhares exigentes, que vive no engodo excessivo, para além da ilusão fundamental que uma imagem qualquer já transmite.

É notória a ‘conspiração’ da indústria da beleza aliada aos meios de comunicação de massa em busca de cifras a serem gastas com cosméticos, plásticas, vestuário e academias de ginástica. A mídia banalizou valores e sexualidade usando imagens ideativas alimentando um falso ideal de completude num verdadeiro culto ao corpo. Essa reivindicação normativa oferece uma crença, uma ilusão de uma felicidade inexistente transformando o homem de hoje no contrário de um sujeito. Quanto mais a sociedade se encerra na lógica narcísica, em que transforma os homens em objeto, mais foge da idéia de subjetividade. Afinal, em que momento o desejo poderá emergir no meio de tanto tempo gasto para satisfazer a demanda alheia deveras exigente?

Como um simples objeto de consumo na sociedade contemporânea, o sujeito é visto apenas como um corpo que existe somente para consumir e ser consumido. Afinal, o voyeur é também um exibicionista, como bem especificou Freud: na satisfação que se tem de olhar, ele também se colocará na posição de ser olhado.

Muitas vezes o sujeito reconhece sua alimentação incorreta e vive num ciclo vicioso de culpa, raiva e depressão. Não é à toa que uma bulimia consiste em comer o que se tem vontade e depois eliminar tudo o que foi ingerido, experimentando uma verdadeira ressaca moral.

A maior doença do ser humano é querer ser amado, o que, no contexto social em que vivemos, infelizmente significa, para muitas pessoas, aderir a padrões de beleza utópicos. Essa necessidade de ser aceito faz com que o sujeito coloque seu ideal acima do respeito a si mesmo, ao seu próprio corpo, sob o risco de ser condenado a sentir-se deficiente ou deformado. Quanto mais a sociedade apregoa a padronização, a igualdade de todos, mais ela acentua as diferenças. Condenado ao esgotamento pela falta de uma aceitação, o sujeito busca no ‘culto ao corpo’ o ideal de uma felicidade impossível.

As anfetaminas não fazem nada além de suspender sintomas de obesidade ou sedentarismo. Elas fabricam um novo homem que coloca de lado seus desejos, se sente envergonhado por não corresponder ao ideal imposto e passa a viver alienado à cura da própria essência da condição humana. Quanto mais se objetiva o fim do sofrimento psíquico através da ingestão de remédios, mais o sujeito decepcionado com as ‘soluções’ apenas momentâneas, volta-se para os consultórios analíticos.

Se hoje a psicanálise concorre com essas promessas de ideal é porque os próprios pacientes percebem que o orgânico é, muitas vezes, causado pelos sintomas psíquicos e passam a preferir falar de seus sofrimentos a se entregar a tal exigência de padronização sem se questionar o que está em jogo. Verbalizam o sofrimento para, ao menos, procurar saber de sua origem.

O que não faltam são orientações de médicos e especialistas na área nutricional e esportiva a respeito de uma melhor qualidade de vida em termos de saúde. Mas não há regra para melhor qualidade de vida psíquica. E ignorar que a saúde mental tenha interferência na saúde corporal é, no mínimo, preocupante. Hoje em dia, viver o melhor possível, significa sobreviver o menos pior possível. A psicanálise, após mais de 1 século de sua invenção, permanece em vigor, numa insistência de que o sujeito viva num constante questionamento contra uma alienação devastadora. 

 

 Flávia Albuquerque é Psicanalista, pós-graduada em Teorias da Clínica Psicanalítica. (21) 9792-8326 fmaa@uol.com.br

NOVAS CASAS-GRANDES e novas SENZALAS por paulo alexandre filho

No Recife há certa louvação ao aristocrático Gilberto Freyre, que escreveu Casa-Grande & Senzala e achava até que havia certa harmonia entre os senhores e os que não eram nada. Nem vou discutir aqui sobre as percepções sobre a sociedade brasileira ou sobre as relações raciais na obra de Freyre, pois não é este meu propósito, mas acho que ele, mesmo considerando todas as críticas sobre sua obra (e eu mesmo tenho muitas), foi um notável escriba e é justificável sua influência. Só me detive a tratar de Freyre porque em função de sua influência aqui no Recife, “Casa-Grande” e “Senzala” são nomes que acabam batizando um monte de coisas na cidade, desde restaurantes a motéis. No tradicional e elitista bairro de Apipucos, local onde viveu o escritor, há vários estabelecimentos ou logradouros que receberam nomes que fazem alguma referência a Freyre e sua obra. Na mesma rua onde ele morou há o Motel Senzala, que, pelo que ouvi falar, é um dos bons estabelecimentos de sua categoria na cidade, embora quem o batizou não leve em consideração que nas senzalas os escravos passavam horrores (a menos que o tal motel seja especializado em atender a praticantes de sado-masoquismo).Alguns dos edifícios sofisticados onde residem os bem vividos da cidade não deixam de prestar suas homenagens ao autor, pois há aqui e ali algum chamado Casa-Grande, Casa-Grande “Disso” ou Casa-Grande “Daquilo”, enfim, estes edifícios incorporaram bem a nova dimensão de casa-grande como espaço destinado à elite. Curioso para mim foi encontrar mais uma pérola em matéria nomes para edifícios residências: achei no bairro de Boa Viagem, freguesia típica de casas-grandes, um edifício luxuosíssimo chamado Senzala dos Suassunas.

Claro que acabei parando para dar uma olhadinha nesta senzala cercada por grades e vigiado ostensivamente por seguranças de alguma empresa privada que presta serviços de vigilância privada e patrimonial. Tudo ali parecia ser ciosa típica de casa-grande e nada lembrava senzala, apesar do nome do edifício. Casa-grande e senzala eram dois ambientes grotescamente antagônicos e dois símbolos no Nordeste canavieiro de um regime social regido pela cana-de-açúcar plantada nas posses de senhores de terras e de gente, sobretudo gente escravizada. Senzala era o local onde viviam os escravos e era o ambiente que fazia o contraponto com a casa-grande, local onde viviam os senhores – proprietários dos moradores das senzalas. A casa-grande e a senzala (posteriormente o sobrado e o mocambo) simbolizavam exatamente as diferenças tão drásticas entre pólos que fazem de nós uma das sociedades mais assinaladas por diferenças.

Vi que na Senzala dos Suassunas não vivem somente senhores, pois percebi que lá existem muitos serviçais que habitam umas pequenas senzalas – uns cubículos, na verdade – que recebem uma denominação que procura desmontar um pouco do tom pesado e desqualificativo de cativeiros de serviçais: chamam estes espaços de dependências de empregadas. Nestas senzalinhas vivem ou alojam-se (eis um termo mais apropriado) as empregadas domésticas em meio a um ambiente totalmente impessoal, com mobílias que não lhes pertencem e outras bugigangas que são guardadas nestes espaços para não se empilharem nas áreas “sociais”, isto é, dos senhores (empregados não ocupam espaços “sociais”, não usam elevadores “sociais”, nem acessam as entradas “sociais” dos edifícios). Os objetos depositados nas dependências das empregadas não prejudicam a decoração e não entopem com sua inutilidade as gavetas e armários dos senhores, fica exatamente no cubículo próximo a área de serviço – no quartinho da empregada. As empregadas da Senzala dos Suassunas usam uniformes para que se deixe bem claro que quem anda uniformizada não é a senhora ou a sinhazinha – é a empregada. As empregadas costumam entrar e sair da Senzala dos Suassunas pelo acesso de serviço (local por onde costuma também ser deslocado p lixo dos apartamentos dos senhores) e elas ainda passam o dia inteiro dedicando-se ao conforto alheio e não ao seu próprio conforto, oferecem aos senhores aquilo que não podem ter para si mesmas e servem mesas com iguarias que faltam nas refeições de suas famílias.

A Senzala dos Suassunas tem um importante valor como síntese bizarra de uma sociedade que não se vê tão distante da sociedade das casas-grandes e senzalas escravistas sobre as quais escreveu Gilberto Freyre. A Senzala dos Suassunas é didática e é patética, um micro-cosmo quase perfeito de uma sociedade que vê natural e cruelmente que há um fosso abissal entre castas de bem-aventurados e miseráveis, um fosso que é contemplado por uns, aprofundado por outros e vivido por muitos. As favelas não são nada se não uma expressão disso: são senzalas potencializadas, que cercam as casas-grandes e são suas vizinhas, mas ainda continuam a distâncias sociais incalculáveis.

Casas-grandes e senzalas ainda existem nas formas do novo binômio da injustiça: condomínio e favela.

 

PALESTRA: “ALOE VERA CURA CÂNCER” por frei romano zago

Autor de dois livros publicados pela Editora Vozes, um deles em sua 27ª edição, Frei Romano Zago vem a Curitiba no próximo dia 29 (terça-feira) abril de 2008, às 19h, na Biblioteca Pública do Paraná, a convite da revista Bem Público, para falar sobre as propriedades curativas do Aloe Vera, a popular babosa, uma planta milenar utilizada por imperadores, faraós, conquistadores e, na atualidade, pela indústria de cosméticos e pelo conhecimento tradicional. Segundo o frei, a babosa pode curar até mesmo o câncer e reduzir em muito as despesas dos sistemas públicos de saúde. As inscrições para a palestra são gratuitas, mas limitadas e devem ser feitas através do telefone (41) 3332-7580 ou e-mail bempublico@bempublico.com.br. para mais informações entre em contato pelo mesmo email.
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A RECEITA DO FREI ROMANO ZAGO: postada em 25 de maio de 2009.
Ingredientes:
– Folhas grandes de babosa com pelo menos 5 anos de idade. As folhas devem medir um metro se colocadas em fila indiana. Este é o ingrediente ativo da receita.
– 50 ml de bebida destilada (cachaça, vodka, whisky, conhaque, etc)
– 1 / 2 quilo de puro mel de abelhas
– 1 garrafa de vidro escuro com capacidade para um litro (para armazenar)

Antes de Preparar
Colher a babosa no escuro, após 5 dias sem chuva. Não colher com orvalho. Preparar no escuro e logo depois de colhida. Depois de feito o remédio, guardar em vidro escuro na geladeira. Tomar o remédio no escuro. O motivo de se evitar a claridade é que na babosa a substância que age contra o câncer perde seu efeito ao entrar em contato com a luz.

Como Preparar
Tire os espinhos das folhas de babosa e limpe-as com um pano úmido em álcool. Corte-as e coloque no liqüidificador juntamente com a bebida destilada e o mel.

Como tomar
Para curar o câncer – tomar duas colheres de sopa três vezes ao dia, durante 10 dias; parar por 10 dias e tomar mais 10 dias, assim sucessivamente até se obter a cura total.
Observação: a cura do câncer será obtida com êxito quando ele estiver na fase inicial, pois quanto mais velho, mais difícil será a cura.

Contra-indicações
O Dicionário das Plantas Úteis do Brasil, obra do botânico Pio Corrêa, editado pelo Ministério da Agricultura, diz que a babosa é contra-indicada durante a gravidez, para pessoas com propensão a hemorragias, para aquelas com menstruação excessiva ou com debilidades da bexiga. Tais limitações são decorrentes da grande ativação renal resultante do amplo espectro depurativo do remédio, ao filtrar milimetricamente o sangue. (Fonte – Frei Romano Zago)

ONDE ENCONTRAR O PRODUTO PRONTO:

Av. Presidente Franklin Roosevelt, 1241 loja 3

Porto Alegre/RS – CEP: 90230-002

Fone/Fax:  xx 51 3395.3569

Email: proaloe@proaloe.com.br

S.A.C: xx.51. 3395.1978

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O primeiro caso de cura registrado por frei Romano Zago foi o de um homem com câncer de próstata, já em fase terminal, segundo os médicos. “Tão desesperador era seu caso que os filhos já haviam providenciado os papéis assinados para evitar o inventário dos bens”, conta o frei.

O cidadão freqüentava a paróquia dos franciscanos, razão pela qual frei Zago foi chamado para ministrar os sacramentos da igreja para quem está à beira da morte.

Além dos sacramentos, o frei deu-lhe também o remédio. “Hoje o homem está com mais de 80 anos de idade, completamente curado”, conta emocionado o frei. Geraldito, um garoto argentino de cinco anos, chegou à Espanha acompanhado dos pais e do irmão na esperança de encontrar no transplante de medula a cura para o seu mal: a leucemia. A cirurgia não funcionou; a doença voltou. Desenganados pelos médicos espanhóis e abandonados ao destino, acabaram na Terra Santa, em busca de um milagre. Em Belém, na Gruta da Natividade, enquanto derramavam lágrimas, encontraram um padre que os aconselhou a procurar o “frade brasileiro”, no Convento da Natividade, ali mesmo em Belém. O frade era frei Romano Zago, a serviço da Congregação Franciscana na terra de Jesus Cristo.

O ESTUPRO por zuleika dos reis

                                          Paisagens de um pós-ser, de um vir-a-pó, de comércio entre ambos. Signos de vidro, papéis e passos perdidos. Signos de espelhos vislumbrados sempre de passagem. As arestas das mesas. As partilhas impossíveis. As paredes. Os segredos. Os presentes passados futuros virtuais. As baratas e o pó. A ferrugem. Os brilhos repentinos e inúteis. As cirandas sem saída. Mover-se por ele até amá-lo, que amar não é coisa espontânea tal o mar ou uma nuvem. Andar como turista por seus esconderijos percorridos à exaustão. Percorrê-lo como espiã de si mesma. Assaltá-lo sem estardalhaço para que os vizinhos não percebam, invadir-lhe as entranhas, encharcar-se de gozo, sair de dentro dele, erguer-se, vestir-se rápido, abrir a porta do apartamento cheio de digitais em cada canto, as marcas de outros assassinatos cometidos por descuido. Andar pelos corredores em silêncio carregando, na bolsa, as nódoas das feridas dele. Atingir a rua onde a aguarda a primeira punhalada da manhã.