Arquivos Diários: 1 maio, 2008

NÓS e as FARC – por maria lucia victor barbosa

A patética foto de Ingrid Betancourt, prisioneira das Farc, possivelmente correu o mundo. É o retrato da dor, da profunda solidão, do sofrimento infindo que essa mulher padece há seis anos nas mãos dos impiedosos e sanguinários terroristas e narcotraficantes das Forças Revolucionárias da Colômbia – Farc. E aquela face transfigurada pelo padecimento tornou-se emblemática de tantos que, como ela, foram arrancados do convívio familiar e amargam no cárcere asfixiante e insalubre da selva a desumanidade dos que, a principio se investindo de guardiões do paraíso na terra se tornaram os carrascos do inferno.

Betancourt não sofre sozinha as inenarráveis humilhações que um ser humano é capaz de suportar antes de enlouquecer.  Aproximadamente 700 pessoas dormem acorrentadas em árvores, não recebem tratamento médico necessário, são obrigadas a caminhar pela selva mesmo sem condições físicas. No cativeiro das Farc onde a misericórdia não existe prolifera a mesma essência maléfica dos campos de concentração, pois em tal miserável sobrevivência homens e mulheres, além dos agravos físicos, são despidos de sua dignidade.

As Farc seqüestram, torturam, matam os pobres que não têm dinheiro para pagar resgate, mantêm entre centenas de prisioneiros alguns que, tendo relevância política podem funcionar como moeda de barganha para libertar os companheiros capturados pelo Estado Colombiano que tem à frente o presidente Álvaro Uribe, um estadista, algo raro na América Latina.

Há pouco tempo uma missão médica francesa, apoiada pela Espanha é pela Suíça esteve na Colômbia na tentativa de socorrer e resgatar Ingrid Betancourt e outros três reféns cuja saúde precária inspira cuidados. Em vão o presidente Álvaro Uribe anunciou a suspensão das atividades militares no sudeste do país para possibilitar a ação da missão médica. Em vão o presidente francês, Nicolas Sarkozy dirigiu apelo ao chefe das Farc, Manoel Marulanda, para que libertasse a senadora Ingrid Betancourt, seqüestrada em 23 de fevereiro de 2002, em plena campanha para a presidência de República.

Todavia é necessário, é urgente, é imprescindível que a França retome seu objetivo, insista nele, persista no afã de salvar Ingrid e quantas vítimas puder das garras de seus algozes.

Aliás, não só a França, a Espanha e a Suíça devem se empenhar nessa meta. A questão é humanitária e não pertence a esse ou aquele país. Estranhamente os países sul-americanos permanecem indiferentes diante do horror perpetrado em sua vizinhança. Parece que o entendimento das Farc como sendo de esquerda dá glamour ao terrorismo. Exemplo disso é o presidente Lula da Silva, companheiro das Farc no Foro de São Paulo, que se negou a classificar os bestiais guerrilheiros e narcotraficantes como terroristas, conforme apelo feito pelo presidente Uribe. Talvez Lula prefira para as Farc o falso rótulo de “forças insurgentes”. Assim estaria mais uma vez de acordo com a vontade de outro de seus maiores companheiros, Hugo Chávez.

Silenciaram os “bons revolucionários” latino-americanos enquanto Chávez, o ditador de fato da Venezuela, simulou gestos humanitários ao negociar a soltura de algumas vítimas das Farc, enquanto as financia e lhes dá respaldo político. Aos demais governantes da América Latina, incluindo o brasileiro, é mais cômodo culpar o presidente Uribe pela situação, em que pese ele estar fazendo há tempos todos os esforços para combater aqueles celerados. Condenar Uribe, tática comum dos esquerdistas que são exímios em alterar, distorcer, manipular fatos, na verdade equivale a condenar a vítima e absolver os criminosos. Tudo indica que a esquerda latino-americana aprendeu direitinho a lição com o mestre Stalin.

Em trecho da carta, exigida pelos facínoras para provar que estava viva Ingrid escreveu:

“A vida aqui não é vida, é um desperdício lúgubre de tempo. Tudo está sempre pronto para partirmos às pressas. Aqui nada é seu, nada dura, a incerteza e a precariedade são a única constante. A cada dia resta menos um pouco de mim mesma”.

No Brasil, o embrião das Farc, o MST, está exacerbando sua violência. O chamado movimento social agora invade não só terras produtivas, mas propriedades da Vale do Rio Doce (maior mineradora do mundo), hidroelétricas, Assembléias Legislativas, agências de Banco, praças de pedágio, além de bloquear estradas. O flagrante desrespeito ao Estado de Direito, o esbulho da propriedade particular, o prejuízo causado ao País avançam impunemente sob o olhar complacente das autoridades constituídas, que até financiam as ricas e vistosas manifestações do MST.

Como afirmou Edmund Burke: “Tudo que é necessário para que o mal triunfe, é que os homens de bem nada façam”

Maria Lucia Victor Barbosa é socióloga, escritora e professora universitária.

 

CONTRA O BRASIL, duas vezes – por walmor marcellino

Porta-vozes do imperialismo se vêm mostrando humilhados e ofendidos com o governo brasileiro porque este país se vai desenvolvendo na busca do equilíbrio entre o Estado de Direito e o Estado Social, ainda que permaneça nas águas do neoliberalismo depenado desde 1964. A descoberta de reservas petrolíferas nas águas brasileiras, no aceso da crise internacional de abastecimento dos combustíveis fósseis, prenuncia possível auto-suficiência do produto, podendo o Brasil passar à condição de exportador de óleo mineral combustível.

No mesmo tempo em que o Brasil vem reorganizando seu sistema produtivo, modo a aumentar a produção de óleos vegetais, com variedade de plantas oleaginosas em extensas terras agricultáveis. Entrementes, a compatibilidade da produção para consumo humano e a produção de insumo energético tem sido causa interna de constantes atritos sociais, em que terras em desuso, terras pouco aproveitadas e terras disponíveis para a reforma agrária se contestam através dos líderes conservadores (à procura da ampliação descontrolada das frentes agrícolas, empenhados no desmatamento de áreas protegidas de lei mais do que na produtividade das áreas já em desgaste) e líderes trabalhistas, que, afinal, vêm perdendo a batalha política porque o governo se tornou refém das forças rapinantes conservadoras.

Os agentes do imperialismo se têm mostrado “preocupados” com a racionalidade sócio-ambiental em nossas terras agricultáveis, denunciando mau uso das terras e más políticas de produção. Com que farisaísmo e hipocrisia esses subsidiadores de agriculturas em terras já sem viço, sitiadas pelos preços da industrialização e da urbanização rural, nos atacam como seu competidor mais forte, enquanto também demonstram enorme ressentimento por sua absoluta falta de alternativas na produção rural.

   Sabemos que os países de tradição ruralista, com terras qualificadas e com mão-de-obra barata podem e necessitam produzir para exportar commodities (e não foram a isso levados?). Então mesmo que não subsidiem (mas assegurem condições e garantam os riscos agrícolas) podem competir, desde que com preços promissores (como hoje).

Enquanto isso, um general Augusto Heleno decide contestar a legitimidade do governo Luiz Inácio Lula da Silva. Estupefato, ouvi o caudilhete discursar sociologia de caserna, na distinção entre o Estado de Direito (pra preservar as liberdades individuais porém principalmente garantir o status quo) e Estado Social de Direito (que é a expressão da sociedade em desenvolvimento, nas relações econômicas, sociais e políticas, continuamente reguladas). Disse o provocador imbecil que obedece ao Estado (leia-se o status quo ante, ou ditadura da canalha militar) e não ao governo (atual). Tanto bastou para que a escória dos capitães-de-mato em pijama saísse de matracas à mão exigindo a privatização da Raposa do Sol. A democracia brasileira continua ameaçada pela Cia.

Não foi por falta de aviso, o pessoal da CIA faz a cabeça de muita gente, com pagamento em espécie ou com promoção na imprensa.

 

BOM de BICO e A PRÓXIMA ATRAÇÃO dois mini contos de raymundo rolim

Bom de bico

 

Depois daquela, da penúltima rodada, jurara ir direitinho para casa. O carteado seguia animado e contribuía fortemente com a falta de fidelidade às promessas (antigas) de que jogaria só mais alguns trocados. Quem sabe a sorte estava depositada justamente naqueles níqueis que até então, teimosamente, insistiam em ficar enfiados numa dobra qualquer do bolso extra lateral da calça que mais cobria do que aquecia, mais identificava que vestia. Sim, seria a penúltima rodada, disso não se descuidaria para que não passasse um anjo e dissesse amém e o pegasse com a boca na botija, descumprindo promessas. Não, isso não iria acontecer de novo. Da última vez que assim procedera e passara um anjo, manquejara por mais de mês depois de ter tropeçado na calçada, logo à saída daquele cassino que funcionava semiclandestino. Mas dessa vez não! Seria diferente. Sairia direto para casa, de mãos dadas com o anjo que já o estaria esperando lá fora, e velaria para que não acontecesse novamente de ele voltar a se enterrar em dívidas! A última carta, de virada, mostrou-lhe que, além da sorte estar ao seu lado, o seu anjo ria-se satisfeito e semi-oculto num canto, acima da mesa de pôquer e já o esperava com a mão estendida para acompanhá-lo pelas águas mansas e tranqüilas do caminho que o levaria direto para casa. Desta vez, para a casa do anjo! Para sempre. Amém.

 

 

 

 

A próxima atração

 

O anúncio em letras enormes e garrafais convidava a todos que se inscrevessem para um final de semana à beira mar, do outro lado, no oriente próximo e distante. Tudo pago pela nova rede de hotéis que prometia ser a mais nova sensação em resorts. Casais e outras parelhas (muitos dos quais em gozo de lua de mel) se apresentaram munidos de documentos e esperanças. O atendimento era de primeira. Moças bonitas, risonhas, bronzeadas, com saias curtas sobre pernas esbeltas, desfilavam dentes e aparência em apurado esmero, açulavam os interessados para que não deixassem nenhum campo do formulário em branco. Preencham, preencham tudo, repetiam com voz pausada, não deixem de responder a nenhuma das questões, não deixem espaços vazios, por favor! O documento solicitava desde renda familiar a preferências sexuais e outros mimos tais que: esporte preferido, livros lidos nos últimos seis meses, diretores de filmes clássicos, tipo de academia de ginástica que freqüentavam, nomes de restaurantes e os respectivos menus preferenciais, boates e shopping, além de uma infinidade de enunciados que insistia em descobrir os meandros da vida dos interessados. Tinha de preencher! Data e local de nascimento, doenças contraídas ou não, vacinas, saúde bucal. Tudo estava lá! Como é que não se esqueciam de nada? Quem aporia tantos e minuciosos itens com tais e específicos detalhes? Eram homens ou máquinas pensantes? Bem, fosse lá quem ou o quê fosse, sabia-o e muito bem o que queria; conhecia o que procurava. O tipo de pessoa que desejava selecionar. O resultado seria divulgado no outro fim de semana e os escolhidos receberiam, em casa, o restante das instruções necessárias para a então fabulosa viagem. Estava claríssimo que tudo se daria no mais completo e absoluto sigilo e quaisquer dúvidas, seriam dirimidas pelos telefones de número e senha secretos que receberiam junto com as novas ordens para que pudessem acessá-los. Deveriam guardar tudo de memória, (e “memória”, neste caso, concernia estritamente a um dos itens da seleção). Chegou o grande dia! O avião belíssimo e cheio de turbinas (que fora fretado a uma empresa cujo nome era mantido em absoluto e poderoso círculo confidencial) aguardava. Taxiara sem alardes ou ruídos pela pista. Pessoal de bordo habilmente treinado para a ocasião com todos os vínculos e gentilezas próximas e prontas. Impressionavam os requintes e iguarias da cozinha: molhos, bebidas, gratinados e flambados entre outras trutas e frutas. E lá estavam eles, os venturosos e escolhidos em fila indiana. Roupas e chapéus, falatório geral, alegria e perfume no ar. O mundo daquele aeroporto era algo recomposto, asséptico e perfeito. O comandante do vôo, mais a tripulação, os aguardavam com olhos, bocas, caras e gestos profissionais ao desejarem os bons dias e boas viagens, além das flores que a todos eram ofertadas. Um botom-ship era-lhes afixado na pele e desaparecia em fração de segundos, deixando no local uma sensação de frescor. Tudo lindo, extraordinário, magnífico, demais! Finalmente, quando já se encontravam nos devidos lugares, acomodados, os motores foram acionados, (isto é, na verdade, nem tinham sido desligados – isentos de ruídos que eram ). Cintos apertados, as mímicas de praxe das comissárias e o avião rolou suave pela pista macia, para em seguida ganhar um céu de brigadeiro. Não houve um solavanco, nuvem alguma apareceu! Um zumbido desconhecido e agudo quase feriu os ouvidos dos incrédulos passageiros. A aeronave principiou por alargar-se na base e ganhar formas de losango-trapézio no seu interior. As poltronas se afastaram umas das outras e o espaço entre as mesmas foi preenchido por matéria e cores desconcertantes. A próxima atração aconteceu imediatamente, quando a um gesto do comandante, toda a tripulação deixou cair as vestes, permitindo-se que pequenas antenas (que lhes saía do alto da cabeça) e a cor acinzentadas de suas peles, contrastassem com imensos olhos negros e oblíquos acima do quase ausente nariz. Muitas bocas se abriam ao mesmo tempo em que a nave, numa velocidade inconciliável com a experiência terrestre, desaparecia das esferas da região solar para aterrissar tranqüila no interior de uma plataforma anos-luz distante, que ostentava siderais ensejos de boas vindas.

EMILIANO PERNETA o poeta – pela editoria

Poeta brasileiro, Emiliano Perneta, nascido a 3 de Janeiro de 1866, em Curitiba, no Paraná, e falecido no mesmo local, a 19 de Janeiro de 1921, é considerado um dos grandes nomes do simbolismo do Brasil.
Com 17 anos, publicou os seus primeiros poemas em O Díluculo, de Curitiba. Dois anos mais tarde Emiliano Perneta mudou-se para São Paulo, onde, em 1988, foi um dos fundadores da Folha Literária. Ainda nesse ano, publicou as obras poéticas parnasianas Músicas, assim como Carta à Condessa d’Eu. Paralelamente, dirigiu a Vida Semanária e colaborou no Diário Popular e na Gazeta de São Paulo.
Em 1889, fez o bacharelato em Direito e foi viver para o Rio de Janeiro no ano seguinte. Aí continuou a colaborar na imprensa, nomeadamente em a Folha Popular, onde surgiram as primeiras manifestações do simbolismo, movimento literário ao qual viria a ficar ligado.
Emiliano Perneta regressou ao Paraná, onde fundou a revista Victrix, em 1902. Foi o primeiro a divulgar,no Paraná, os poemas de Charles Beaudelaire AS FLORES DO MAL.
Lançou as obras poéticas Ilusão, em 1911, Papilio Innocentia (destinada a uma ópera), em 1913, e Pena de Tailão, em 1914).
Após a sua morte, em 1921, foram ainda lançados os inéditos Setembro e Poesias Completas.

 

 

 

PRINCIPAIS OBRAS:

 

·                       Ilusão (poemas – 1911)

·                       Setembro (poemas – 1934)

·                       Pena de Talião (teatro – 1914)

No soneto seguinte, um outro tema bastante recorrente na obra de Emiliano Perneta: a idéia de partir

O BRIGUE

Num porto quase estranho, o mar de um morto aspecto,

Esse brigue veleiro, e de formas bizarras,

Flutua há muito sobre as ondas, inquieto,

À espera, apenas, que lhe afrouxem as amarras …


Na aparência, a apatia amortece-lhe o esforço;

Se uma brisa, porém, ao passar, o embalsama,

Ei-lo em sonho, a partir e, então, empina o dorso,

Bamboleia-se mais gentil do que uma dama …


Dentro a maruja acorda ao mínimo ruído,

Deita velas ao mar, à gávea sonda, o ouvido

Alerta, o coração batendo, o olhar aceso …

 

Mas a nau continua oscilando, oscilando …

Ó quando eu poderei, também, partir, ó, quando?

Eu que não sou da Terra e que à Terra estou preso?

 

DARCY RIBEIRO sobre seu “CONFISSÕES” pela editoria

o prólogo das Confissões (1996):

“Escrevi estas Confissões urgido por duas lanças. Meu medo-pânico de morrer antes de dizer a que vim. Meu medo ainda maior de que sobreviessem as dores terminais e as drogas heróicas trazendo com elas as bobeiras do barato. Bobo não sabe de nada. Não se lembra de nada.Tinha que escrever ligeiro, ao correr da pena. Hoje, o medo é menor, e a aflição também. Melhorei. Vou durar mais do que pensava.

Se nada de irremediável suceder, terei tempo para revisões. Não ouso pensar que me reste vida para escrever mais um livro. Nem preciso, já escrevi livros demais. Mas admito que tirar mais suco de mim nesta porta terminal é o que quisera. Impossível?

Este livro meu, ao contrário dos outros todos, cheios de datas e precisões, é um mero reconto espontâneo. Recapitulo aqui, como me vem à cabeça, o que me sucedeu pela vida afora, desde o começo, sob o olhar de Fininha, até agora, sozinho neste mundo.

Muito relato será, talvez, equivocado em alguma coisa. Acho melhor que seja assim, para que meu retrato do que fui e sou me saia tal como me lembro. Neguei-me, por isso, a castigar o texto com revisões críticas e pesquisas. Isso é tarefa de biógrafo. Se eu tiver algum, ele que se vire, sem me querer mal por isso.

Quero muito que estas minhas Confissões comovam. Para isso as escrevi, dia a dia, recordando meus dias. Sem nada tirar por vexame ou mesquinhez nem nada acrescentar por tolo orgulho. Meu propósito, nesta recapitulação, era saber e sentir como é que cheguei a ser o que sou.

Quero também que sejam compreendidas. Não por todos, seria demasia. mas por aqueles poucos que viveram vidas paralelas e delas deram ou querem dar notícia. Nos confessamos é uns aos outros, os de nossa iguala, não aos que não tiveram nem terão vidas de viver, nem de confessar. Menos ainda aos pródigos de palavras de fineza, cortesãos.

Quero inclusive o leitor anônimo, que ainda não viveu nem deu fala. Mas tem coração que pulsa, compassado com o meu. Talvez até me ache engraçado, se alegre e ria de mim, se tiver peito. Não me quer julgar, mas entender, conviver.

Não quero mesmo é o leitor adverso, que confunde sua vida com a minha, exigindo de mim recordos amorosos e gentis, apagando os dolorosos, conforme sua pobre noção do bem e da dignidade. O preço da vida se paga é vivendo, impávido, e recordando fiel o que dela foi dor ou contentamento.

Termino esta minha vida exausto de viver, mas querendo mais vida, mais amor, mais saber, mais travessuras. A você que fica aí, inútil, vivendo vida insossa, só digo: ‘Coragem! Mais vale errar, se arrebentando, do que poupar-se para nada. O único clamor da vida é por mais vida bem vivida. Essa é, aqui e agora, a nossa parte. Depois, seremos matéria cósmica, sem memórias de virtudes ou de gozos. Apagados, minerais. Para sempre mortos’.”