ABORTO CONSCIENTE por mônica caetano

Ouso falar do lugar crítico do Ser que percorre o caminho que constrói, vezes consciente, outras inconsciente quanto às possíveis conseqüências.

Enquanto convivo e participo das relações que estabeleço ou apenas aceito o convite a participar por alguns momentos, reflito sobre a conseqüência das existências presentes.

Percebo a diversidade de atitudes frente à vida; vezes a própria, outras a alheia; porém sempre possível de leitura, a atitude frente a vida.

Há os que se preocupam demasiadamente com a própria, fazendo para isso atrocidades que a si próprios atingem, mas que, no ímpeto de se livrarem de qualquer responsabilidade ou possíveis impedimentos, optam sem refletir. Não importa; a conseqüência destas ações são permanentes no caminho seqüencial de suas vidas, quer  queiram  ou não.

Há os que se responsabilizam demasiadamente por tudo e por todos, esquecendo, por sempre, de permitirem-se um olhar todo especial a si próprios, e que logicamente trazem também as conseqüências no caminho construído, quer queiram ou não.

Há os  ponderados, que tentam equacionar suas atenções a si e aos outros, mas que vez ou outra, deslizam mais a um do que a outro, e novamente, no caminho seqüencial, vivem as conseqüências. 

Há as conseqüências…

Não sabem, ao agir, que cada escolha advém de uma conseqüência longínqua, já definida a muito, por outrem, que lá, optou também por uma escolha e graças à esta conseqüência, agora este, faz a sua opção.

Cada vez que se aborta uma ação, não é mera criação própria, mas antes, uma repetição inconsciente daquilo que reconhecemos como nosso lugar.

Ah! este lugar!!!

 Lugar desejado, muito antes de se pensar em existir, por alguém que é o maior responsável, mesmo que inconsciente, deste pulsar a se expandir!!!

Fosse possível tomar consciência da grandeza deste desejo, ainda no ventre, quão mais rica poderiam ser as escolhas!!!

Escolhas por melhorar a cada minuto da construção que se realizará.

E, novamente, as conseqüências.

Aqueles que não passam da existência, por pequeno momento, no ventre daquelas que agem de forma impulsiva e coercitiva no ímpeto de se eximirem de responsabilidades, livram-se de piores conseqüências que poderiam respingar em suas construções futuras, e fatalmente marcar uma construção para sempre.

Estes são poupados pela conseqüência!!!

Mas, a grande maioria, ultrapassa a barreira do nascer e coexistem mergulhados no emaranhado dos desejos que os circundam. É neste emaranhado que todos, sem exceção, perpassam grande parte de suas existências.

Grande parte porque, são minoria os que se encontram desligados a um determinado tempo, deste emaranhado que os permeou, mas que, como conseqüência, oportunizou Ser.

Estes vivem e constroem perpetuamente.

Mas, o que dizer dos que permanecem agindo e construindo emaranhados nos desejos inconscientes que os envolvem sem que tomem consciência de sua influência?

Ah !  Esse universo sem fim…

Ali, os abortos, muitas vezes, são permanentes!!! Abortos de afetos, de atitudes, de acolhimento, de presença, de respeito para com o outro. Atitudes atrozes e frias são comuns e cotidianas para muitos dos que permanecem na obscuridade do que pensam ser “o Existir”.

Nesse universo, sem mensuração, encontramos a triste existência de tantos que se dizem donos de si e defendem vorazmente a liberdade de suas escolhas!

Sobrevivem ao engodo de si próprios, em função das conseqüências daqueles que, por vezes, se pudessem, exterminariam da face da Terra, sem ter consciência, que este desejo, na verdade foi o primeiro que permeou a sua própria existência.   

Ah!  Esse engano…

Quando penso sobre Ser quem sou, me surpreendo com a ação de muitos frente ao ato de abortar.

Descubro que, por vezes, a arte de muitos existe apenas em conjugá-lo diuturnamente, na construção de seu caminho.

Mas há uma seleta parcela que o conjuga apenas em situações necessárias e que são, na verdade, aquelas que possibilitam construir reais espaços e lugares para a preservação de si e de outrem. Muitas vezes, enquanto se constroem as escolhas conjugadas às conseqüências permanentes, é necessário abortar abruptamente, existências nefastas das relações que nos permeiam, a fim de permitir que o Ser, em construção, flua através de desejos sadios e perpétuos.

Este abortar, a meu ver, é verdadeiramente consciente!

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