FERRADURA DE ESTRADA por walmor marcellino

 

 

Pobres campônios, assim vivemos no entorno da dialética: um dia decepcionados com o projeto capitalista da transposição do Rio São Francisco, outro entusiasmados com a viagem política de Lula da Silva à Bolívia, num apoio oportuno ao governo democrático-nacionalista de Evo Morales. Um dia irritados com as manicurvas etanólicas do proletcult  ao imperial George W. Bush, noutro satisfeitos pelas conversas com Hugo Chavez sobre as complementaridades energéticas no Continente. Num dia apostrofamos as vacilações cavilosas de Marina Silva e Luiz Inácio no arrendamento da Amazônia aos inventados “empresários ecológicos”; depois tomamos conhecimento de que o Exército está construindo rede de quartéis para defendê-la (ao custo de R$ 20 milhões a unidade, embora falte o dinheiro do superávit secundário), aos quais se somem instalações e unidades de aeronáutica e marinha.

 

De repente, reles republicanos, nos entusiasmamos com a possibilidade de construção de uma política de informação e educação públicas através de redes públicas de comunicação e educação sociais; e a seguir sabemos que os Hélios Costas sobremandam os Franklins Martins, e o que é público permanece restritamente estatal; e o que é decodificador de digital para pobre é uma porcaria para manter o público cativo da Rede Globo, Bandeirantes, Record e similares (pois não é que um decodificador independente custa oito vezes mais?). E quando sabemos que a iniciativa privada democrática (Sesc/Senac) avança na popularização e socialização de estudos e debates, as redes estatais e estaduais trepidam confundindo uma linha estatal-governamental com uma linhagem pública. E para alçar essa área pública, vibramos ademais com a iniciativa (privada) de convergência com o que existe no mundo (ainda Sesc e Senac) nos sistemas, formas e métodos de educação, para nosso uso; enquanto tropicamos (e entropicamos debilmente) em discursos autógenos de inteligência governativa; e então, como uma vanguarda política, a iniciativa das entidades econômicas é oferecida para a pauta e as decisões nacionais do Partido dos Trabalhadores.

 

Uma no cravo, outra na ferradura e alfafa para o cavalo, que o caminho é comprido.

 

Pobres eleitores e ineptos cidadãos, quando nos abalançamos à investigação de causas e efeitos, quando cursamos o esforço crítico para discernir as coisas, um alegado cientista de plantão, na realidade algum fiscal de boatos, nos acusa de inimigos da Humanidade, da Pátria estremecida e do bom-senso no mercado venerável.

 

Um amplexo no gaiteiro, ou saudações socialistas?

 

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