A FANTÁSTICA FÁBULA DA HUMANIDADE resenha do filme por deborah o’lins de barros

 

Há duas versões cinematográficas do livro “A Fantástica Fábrica de Chocolates”, de Roald Dahl. E o engraçado é que o grande enfoque dos filmes não é Charlie, ou Wonka, ou mesmo os chocolates. A grande sacada são os problemas sociais da época. É uma história para crianças, mas a pessoa que teve idéia de fazer o livro virar filme era adulto, e sabia que eram os pais (gente grande) que iam levam os filhos (gente grande no futuro). Não riam. É sério.

 

Problemas. Como andava o mundo em 1971? Guerra no Vietnã, Guerra Fria, mísseis, terroristas, golpes, direita versus esquerda, Watergate… É, não mudou muita coisa. Mas o que havia em excesso: traição. Não que não haja hoje, mas era difícil confiar em alguém que podia vender informações à CIA e ir à lua antes de você. O dinheiro falava (e ainda fala) muito mais alto que o caráter. E ninguém queria ser paspalho e deixar que o DOPS (ou a Polícia do Pensamento – ops… livro errado!) acabasse com sua raça.

 

Hoje… Bem, hoje os dedos cruzados e o Habeas Corpus estão aí para provar que nada mudou. Mas o grande problema social dos nossos dias é a família. De tanto não confiar em ninguém, a geração de 70 criou a minha de uma forma que ela não tivesse vínculos. E para onde raios levaram a família? Para os diabos, ora! O maior exemplo disso sou eu: cadê o meu pai? Repare bem, as pessoas hoje moram sozinhas e, quando “casam” é com uns 30 anos ou mais. Para se separar em seguida.

 

Dessa forma, a história de Willy Wonka, ao ser contada e recontada sofre e, imagino eu, sofrerá sempre, ajustes para permanecer fiel ao seu tempo. É psicologia (poderia arriscar psicanálise?) pura. Se em 1971, Gene Wilder encontrou alguém honesto, em 2005 Johnny Depp procura (acho que sem saber, por estar dentro do paradigma) pela família, ou melhor, o significado de família. Aha! Matei a charada!

 

Sr. Wonka não quis crianças por pedofilia ou nada parecido. Quem pensar isso é o verdadeiro pedófilo. Crianças são o reflexo da geração anterior. Eu sou tudo o que a geração do Gabeira e do John Lennon conseguiu fazer e, espero sinceramente, que meus filhos e seus amiguinhos sejam coisa melhor. 

 

Só para fechar, um apelo: está mais ao nosso alcance resolver problemas recentes. Então, como dificilmente vamos acabar com a desonestidade, vamos ao menos evitar que as próximas gerações cheguem perto do “admirável mundo novo”, e acabem de vez com o conceito de família. E torço para que, em 2039, a terceira versão da “Fantástica Fábrica” enfoque, finalmente, a produção de chocolates.

 

 

 

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