DE ALLEG A JULIUS FUCIK E GRAMSCI – por walmor marcellino

“Lá onde Maquiavel exprime a verdade política autoritária, La Boétie formula a possibilidade de sua vertente libertária” (Michel Onfray in “A Política do Rebelde)

Henri Alleg se transformou em memória revolucionária, e pela obra de Jean-Paul Sartre, num símbolo da Resistência Argelina contra o colonialismo francês; Julius Fucik, militante político revolucionário e resistente à invasão colonialista-nazista (Tchecoeslováquia), se fez um mártir da violência capitalista-imperialista e um herói paradigmático com seu “Testamento Sob a Forca”; Antônio Gramsci se mostrou militante marxista inteiramente dedicado a seu projeto social, mártir e paradigma de ação política, prática crítica e prática intelectual, com um legado que enriquece nossa humanidade. Do paradigma para os seres da planície nas pessoas politicamente ativas, podemos destacar que os modelos de conduta nos engrandecem ou envilecem e que são fanais apenas para os integrados nas causas sociais; os demais os apontam sinceramente como modelos a serem imitados ou renegados, ou acusados blandiciosa e maldosamente, como faz o fariseu oportunista com algumas “referências ético-políticas” para situar-se socialmente e obter vantagens em discursos políticos e exaltações éticas; o radicalismo de palavras é cevado com esse oportunismo da impostura cínica.

Todavia, esses paradigmas políticos foram e são casos concretos, em que o perde-e-ganha da política e dos seus projetos sociais se apresentam como situações. A serem julgados pelos coadjuvantes envolvidos na própria causa de cada ativista como um “herói” modelar, nédio militante ou “vilão infame” mas não por estranhos ao processo; estes só admissíveis quando, de uma “exemplaridade social” exposta, se se conhecerem o fato, suas nuances e seus compromissos programático-políticos. O resto são coivaras.

O que as pessoas diretamente envolvidas relatam e dizem de si ficará em suspeição – tanto quanto as afirmações levianas e as moralidades covardes dos juízes “à outrance” – porém os fatos objetivos com visões estratégicas e relatos comprovados pelos deuteragonistas é que afirmarão e desafirmarão o sentido das ações e condutas em causa; isso que se constitui fato e sua apreciação política sempre necessária. O resto correrá à conta da ignorância, perversão política, mistificação ética quando uns “passageiros de agonia” ou espectadores embuçados assumirem o papel de juízes.

Do Dr. Zequinha (não da anedota de estilingue) falarão os que o conheceram na militância política contra a ditadura e a repressão política, onde ressaltou sua coerência político-ideológica; e em episódios semelhantes evidenciaram-se Clair da Flora Martins, Hasiel Pereira, Jair Ferreira de Sá, Aldo Arantes, Paulo Wright, João Batista Drumond, Duarte Pacheco, Altino Dantas, Jorge Leal, Vinicius Brandt, Rubens Leal e outros tantos em ações definidas e responsabilidades revolucionárias e não simples discordâncias com o regime ou alegações. Seus claros projetos revolucionários, estratégia e tática, podem ser julgados ainda hoje como “projeto de sociedade-projeto de nação”, independente de diferenças interpretativas de sentido e participação objetiva na luta direta de classes; e assim, entre os “resistentes à ditadura de 1964” existiram a intenção e a dissensão, a persistência e o abandono, a luta real com seu martírio e as vacilações e desistências. E sobre esses tantos fatos as falácias burguesas e pequeno-burguesas do “auto-heroísmo de esquina” e seus paradoxos sociais.

Aqui, a par desses relances ético-críticos, ativistas políticos como Paulo Gustavo Carvalho, José Carlos Brianezzi, Divo Guizzoni, José Angeli, Narciso Pires, Vera Weisheimer, Isamu Ito, Dirlei de Luca, José Zanetti, Hamilton Farias, Paulo Sá Brito, Elba Ravaglio e tantos outros pagaram preço na resistência política, uns com privação da liberdade e/ou tortura, outros com sevícia e morte.

E haverá muitos auto-heróis alguns com ações não-dimensionadas outros com várias incertezas e até invejas críticas; e os de cujo “exemplo”, não tão incomum, se montou alguma “tragédia” ou “epopéia” de vítimas, com depoimentos “histórico-políticos”, em relatos pessoais “fidedignos” e até livros: num circuito da fabulice alienada, de mistificação ideológica e mentira política.

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