TARDE DEMAIS – poema de jorge barbosa filho

velo esta tarde engomada

florida com tanto alinho

que parece que o homem

é o último dentro do inútil agora.

 

meu olhar vestido de terno

acompanha o cortejo

e tenta crer com respeito

no suspiro final da cidade.

 

o sol que eternamente enterro

na carne de minhas palavras

é o nosso morto presente

 

e feito fóssil fogo-fátuo.

sussurra baixinho meu epitáfio:

– tarde de mim, tarde de tudo, tarde demais.

 

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