Arquivos Diários: 20 maio, 2008

AS EMOÇÕES NOS ANIMAIS por marta follain

Pessoas que experimentam contato com animais, não têm nenhuma dúvida de que eles demonstram amor, alegria, mau humor, raiva, ciúmes, gratidão, bom humor, tédio, medo, etc. claramente e, de forma semelhante à dos seres humanos.Com essa assertiva, concordava Charles Darwin em “The Expression of the Emotions in Man and Animals”, afirmando que algumas de nossas expressões de sentimentos, são resquícios herdados de antepassados primitivos comuns tanto ao homem quanto a outros animais. Senão, como explicar que, ainda hoje, mostremos os dentes caninos  quando enfurecidos, como fazem os macacos e os cães, apesar de não nos servirmos desses dentes para brigar ?

O escritor contemporâneo e veterinário Richard Pitcairn reitera as afirmações de Darwin : “É uma verdade inegável o fato de que os animais têm estados emocionais e sentimentos. Quem convive com eles, pode ver isso facilmente, embora não seja algo de que as pessoas precisam estar intelectualmente convencidas. Não existe dúvida, na minha mente, de que os animais apresentam o mesmo leque de emoções que as pessoas: amor, medo, raiva, tristeza, alegria, e assim por diante “.

Um estudo recente, realizado na Universidade de Bristol, coordenado por John Webster, professor de Reprodução Animal em Bristol, e autor do livro “Animal Welfare: Limping Towards Éden”, mostra que as vacas têm vida sentimental que inclui emoções como a amizade, rancor e frustração. Os pesquisadores constataram que as vacas formam, dentro de uma manada, pequenos grupos de amizade e trocam cuidados entre si. Esta descoberta foi apresentada numa conferência científica em Londres, em março de 2005.

Ainda, segundo este estudo da Universidade de Bristol, os animais estão mais próximos dos seres humanos, sob o ponto de vista emocional, do que até aqui acreditava-se. Duro golpe na presunção do homem de ser a única espécie com sentimentos do reino animal !

Keith Kendrick, professor de Neurobiologia do Instituto Babraham, em Cambridge, descobriu que as ovelhas conseguem estabelecer relações de amizade com humanos, entrando em depressão por separações longas e, festejando a volta do dono, mesmo  depois de 3 anos de separação.

O psicólogo de animais, Patfield, afirma que bois possuem memória emocional. Em sua experiência, um boi e um bezerro presenciaram a matança de 150 bois. O boi foi mantido isolado e o bezerro colocado num rebanho. Passaram-se 2 anos. Após esse tempo o boi reconheceu os abatedores que haviam matado seus companheiros. Ele gemia e urrava  de medo, com a aproximação daquelas pessoas. No rebanho, o bezerro foi o único animal que fugiu quando os homens (abatedores)  aproximaram-se e, desembestou em pânico.

Sendo assim, a afirmação de que um animal pode utilizar suas emoções significa que seu cérebro reage a certos eventos de maneira particular. Os sentimentos surgem da mente analítica.

Mas, o pesquisador Jaak Panksepp, especialista em comportamento da Universidade Estadual de Bowling Green, Ohio, não acredita que sentimentos surjam apenas da reflexão. Ele sustenta que a raiz das emoções encontra-se em regiões do cérebro tais como o sistema límbico (área cerebral que produz e regula as emoções), muito antigo do ponto de vista evolutivo e presente em todos os mamíferos. O sistema límbico é uma estrutura cerebral antiga, e o fato dele desempenhar papel importante no cérebro, indica que a emoção é parte fundamental na vida dos animais.

Estudos sobre o metabolismo do cérebro  fornecem evidências de que os sentimentos dos animais, talvez não sejam muito diferentes dos sentimentos dos seres humanos pois, entre eles há processos cerebrais comuns. Pesquisas mostram que o neurotransmissor “dopamina”  é importante no processamento de emoções como alegria e desejo, tanto em humanos como em outros mamíferos.

Ainda não é possível provar, através de observação, se um animal possui sentimentos conscientes, como também não se pode provar o que uma pessoa sente no seu íntimo. Porém, experimentos de laboratório indicam que, pelo menos, alguns animais dispõem da capacidade de autoconsciência. Podemos supor que talvez, tenham consciência de suas emoções.

E, se os animais são capazes de sentir emoções, temos mais uma razão para tratá-los com respeito, dignidade e carinho.

Alguém duvida da alegria que um cão experimenta quando seu dono chega em casa ? Ou o prazer que demonstra um gato, quando acariciado ?

Os animais são como nós, mas ao mesmo tempo diferentes, porque são melhores. Muitas vezes descobrimos que os animais são “mais humanos” do que muitos seres ditos humanos, refletindo melhores impulsos de humanidade –  não mentem,  não enganam, demonstram lealdade, gratidão, um amor incondicional e, são bem poucos os humanos que conseguem exibir esses sentimentos.

 

Martha Follain – Formação em Direito,

Neurolingüística, hipnose, regressão.

Terapia floral – animais e humanos.

Terapia reikiana – animais e humanos.

CRT 21524.

 

CIÊNCIA e RELIGIÃO por fred seifert

Discussão antiga, que continua atual. Deixo minha opinião.

Dizem que ciência e religião podem, no máximo, coexistir, mas, para mim, são complementares, com modos diferentes de atuar. Têm o mesmo valor, e acredito que chegaremos a um ponto em que ambas serão uma uníca coisa, uma única forma de análise e síntese da realidade.

Stephen Jay Gould disse que “a ciência estuda o céu, enquanto a religião é como chegar ao céu”. Ou seja, a ciência se baseia na busca do conhecimento empírico enquanto a religião fica com os campos da ética e da moral.

Não podemos esquecer que toda e qualquer ciência é humana em sua essência. Dizem que a maior descoberta da ciência foi a própria ciência, ou seja, apesar dela ser uma forma de análise da realidade, seu metódo científico é humano. Seus alicerces foram construídos pelo homem, a ciência, assim como tudo, não existe por si só.

O mesmo Jay Gould disse: “a ciência cobre o reino empírico; do que o universo é feito (fato) e como funciona (conceito)”. Vamos partir daí:

[As regras do jogo…]

Muitos cientistas, como Einstein, viam Deus como a ordem universal. Deus era a soma de tudo, era como tudo funcionava. E é fácil entender por que muitos pensam assim.

Apesar de sabermos muito pouco acerca do universo, sabemos que ele funciona perfeitamente sobre uma linha que beira o absurdo. Na verdade, era muito mais provável que não existisse nada do que existisse alguma coisa. William (ou Guilherme) de Occam em sua teoria, a Navalha de Occam, dizia isso. É mais ou menos assim: o universo segue o caminho mais simples, embora Deus possa escolher o mais difícil de vez em quando.

Não é bem aí que eu quero chegar, não acredito em Deus só por isso e não e a isso que Einstein se refere quando “louva” Deus através da adoração a ordem universal.

O que é importante ressaltar da sua natureza, e o que mais nos fascina e mais intriga todos os cientistas, é a estética matemática. Como tudo no universo consegue ser expressado em termos matemáticos de maneira regular e previsível, com fórmulas e equações. Esse é o Deus de Einstein.

Isso significa o seguinte: a verdade é uma só, assim como deve existir uma única maneira de expressá-la. O que nos foge não é a resposta em si, e, sim, como procurá-la. Não estamos fazendo a pergunta da maneira certa, se a fizermos, teremos a resposta final.

O que eu quero dizer com isso é temos várias respostas, várias equações, que não deixam de ser verdadeiras, mas não são completamente verdadeiras. Vou usar uma metáfora para me fazer entender melhor: quando um homem se interessa por uma mulher e quer saber se esta está envolvida em algum tipo de relacionamento, pergunta: “você é casada?”. Bom, e a mulher responde: “não”. O homem acha então que pode se aproximar, pois não tem nada o impedindo. Mas imagine outro homem, também interessado, e tem a mesma dúvida, mas pergunta: “você está solteira?”. E ela diz: “não, tenho namorado”. Veja que ambas perguntas foram válidas, e suas respostas igualmente verdadeiras, mas que a primeira pergunta apenas abrangiu uma pequena parte da verdade, e não ela toda. É assim que nos encontramos. Apesar da metáfora ser bem fraquinha, acho que deu pra entender.

Deus não muda as regras do jogo depois do jogo já começado, não é como a Rainha de Copas de Alice no País das Maravilhas. A ciência tenta descobrir quais são as regras e o fundamento do universo através do empirismo.

[E a religião?]

O que seria então a religião? Ao meu ver, defino religião como uma forma de conhecer a verdade também. Mas não de forma empírica, mas, sim, de forma espiritual. Descobrir também respostas, mas não exteriormente, mas interiormente. Agradecer pela existência nossa e também das perguntas que a ciência faz. Porque se não fosse por uma força maior, não existiria o que perguntar.

Prefiro deixar claro que também não acredito num deus de forma humana, que criou o homem do barro, etc. Aliás, no meu modo de pensar, vejo a ciência criacionista como uma grande contradição.

Acredito, assim como Einstein, que Deus é a ordem universal, que está em cada coisa e em todos os lugares. Mas para mim ele não é só isso, ele transcende esses limites e essa realidade. Deus é a verdade última, criador das regras do universo e responsável pela existência de tudo. Mas como disse no meu primeiro post, a realidade física é apenas uma projeção do que realmente somos e do que tudo realmente é. As regras de Deus estão também aqui no mundo físico, e muito bem delimitadas, aliás, incrivelmente delimitadas. Cabe a nós fazermos as perguntas certas, tanto exteriormente (mundo físico) quanto interiormente (alma, plano das possibilidades), para descobrirmos a verdade, a resposta que realmente queremos.

[Concluindo meu pensamento…]

A verdade é uma só, mas não se encontra “parada” em apenas um lugar. Assim como um artista visualiza uma obra de arte em um bloco de mármore, o cientista visualiza equações regendo o universo e os religiosos visualizam em Deus a verdade. E por que não juntar essas visões de mundo? Estão todas corretas em certa extensão, a sua união só traria benefícios à humanidade.

Cabe a nós perguntarmos, e a Deus responder. Se fizermos a pergunta da maneira certa, Ele não ocultará a resposta. Aí está Deus, na ordem universal, mas Ele está além disso também. Ele está conosco a cada momento, e essa ordem incrível que nos rege é apenas um reflexo disso.

A ciência e a religião podem ter seus atritos, mas têm a mesma essência. A verdade é uma só. Acredito que ela esteja em Deus e que é através do método científico e da fé religosa combinadas que chegaremos a encontrá-la.

Non, je ne regrette rien/Não me arrependo de nada – tradução de marcos fontinelli

Composição: Michel Vaucaire/Charles Dumont

 

 

Non, rien de rien                                       Não, de forma alguma
Non, je ne regrette  rien                            Não, eu não me arrependo de nada
Ni le bien quõn m’a fait                             Nem o bem que fizeram,
Ni le mal, tout ça m’est bien égal              Nem o mal, tudo é  igual

 

 

 

Avec mes souvenirs                                 Com minhas lembranças
J’ai allumé le feu                                       Eu alimentei o fogo
Mes chagrins, mes plaisirs                       Minhas aflições, meus prazeres
Je n’ai plus besoin d’eux                           Eu não preciso mais deles

Balayés mes amours                                Varri tudo, meus amores
Avec leurs trémolos                                  Junto com seus aborrecimentos
Balayers pour toujours                              Varri para sempre                          

 

 

Je repars a zero                                         Eu recomeço do zero
Non, rien de rien                                       Não, de forma alguma
Non, je ne regrette  rien                            Não, eu não me arrependo de nada
Ni le bien quõn m’a fait                             Nem o bem que fizeram,
Ni le mal, tout ça m’est bien égal              Nem o mal, tudo é  igual

 

 

Non, rien de rien                                       Não, de jeito nenhum
Non, je ne regrette rien                             Não, eu não me arrependo de nada
Car ma vie, car me joies                           Pois minha vida, minha felicidade

Pour aujourd’hui ça commence avec toi   No dia de hoje começam com você                                       

 

A CRIANÇA e o PRAZER DE LER – por graziele ferreira

Para que uma criança obtenha o interesse pela leitura, é necessário que ela entenda que a leitura não é uma obrigação e sim uma satisfação. O interesse pela leitura começa antes mesmo de seu ingresso em uma escola, pois a criança tem uma curiosidade natural por tudo que a cerca. A leitura deve ser vista como uma atividade prazerosa e não algo que lhe seja doloroso.

A família que lê para a criança histórias, contos, poesias, ou revistas de seu interesse, incentiva nela o hábito e a simpatia pela leitura. A leitura precisa ser incentivada na infância pelos pais, pela família. Mas sabemos que isso é algo complicado, pois muitos pais não possuem o hábito de ler e, na maioria das vezes, nem o sabem. Sendo assim, resta à escola criar metodologias e projetos, não somente em sala de aula, mas na escola como um todo, para educar os alunos para a prática da leitura. Também é importante que os objetos de leitura estejam sempre ao alcance das crianças.Na escola a professora deverá descobrir uma maneira de mostrar as crianças que a leitura é uma fonte de prazer.

Ela pode habituar as crianças a entrarem na biblioteca, descobrir o cantinho da leitura, folhear os livros, saber dos livros novos que chegaram desde o início do ano.

 

Mostrar-lhes a importância de entrar em livrarias, mesmo sem a intenção de comprar, só para olhar, ler as contracapas e saber dos últimos lançamentos.

É preciso descobrir o prazer de ler, é preciso redescobrir o gosto pela leitura. Novos escritores podem surgir a partir desses bons leitores. Precisamos de novos leitores e escritores com uma nova visão, precisamos de escritores capazes, com uma visão crítica, com uma visão ampla do mundo que os cerca. Precisamos de pessoas que escrevam e leiam, mas por prazer, pelo simples prazer de ler e escrever.Em muitos casos, na escola o grande problema na verdade não é a falta de interesse da criança pela leitura, mas da professora. Quem não gosta de ler dificilmente ensina alguém a gostar de ler. O incentivo a leitura é de suma importância, se a professora não gosta de ler, terá que aprender, ou mudar de profissão, pois a criança precisa saber que a leitura é uma entrada fantástica para um mundo cheio de realidades e encantos.

ENSAIO AOS SÓS – poema de vanessa lima de carvalho

Imenso tratado da solidão,

Outorga leis irrevogáveis.

Não responde a nenhum questionamento,

Muito menos a poucas lágrimas.

É insensata,

Ingrata e

Oferecida.

Não cede aos apelos dos dramáticos

Nem aquebranta-se perante o tempo.

Assusta os distraídos,

Abranda os desalmados.

Famigerada solidão,

É caso sério no leito dos loucos,

Das beatas e dos bêbados.

Essa mulher, formosa em poesias,

Quando atravessa as multidões,

Traz um silêncio sepulcral.

Não tarda a chegar o dia

Em que numa sala vazia

O seu ruído atravessa a porta.

 

TRABALHAR CANSA / LAVORARE STANCA – por darlan cunha

Já não é tão incomum ficarmos sem notícia de quem fica noutro lado da cidade durante toda a semana, por ela ser tão grande que não compensa ir e vir para casa todo dia. Sem notícia de quem não vê filhos e filhas, senão quando dormem, quando chega e quando sai, apertado coração e algo indefinido na mente. Lavorare stanca / trabalhar cansa é o título de um livro do italiano Cesare Pavese (1908-50).

Sim, trabalhar cansa, leva-nos para longe de nós mesmos, ao mesmo tempo em que é visível o fato de que nos aprimora ao acertar nossas mãos e pernas, para as ações, obriga o cérebro a aprender e estender todo o aprendizado para além-lá da individualidade (embora nem sempre se dê assim, porque é forte e antigo, mais, é genético o egoísmo), ensina a decodificar enigmas que logo se tornam coisas corriqueiras.

O que realmente nos guia os dias, nos move em direção ao que não sabemos ao certo o que é e nem onde está, pois sempre mutantes estamos ? Lá vou eu nesta estrada… diz a canção Ave Cantadeira, do mineiro Paulinho Pedra Azul.