Arquivos Diários: 31 maio, 2008

ELIO GASPARI ATACA: O terrorista de 1968 remunera-se em 2008

 

 

 

 

Quarenta anos depois do atentado a bomba contra o Consulado Americano em São Paulo, Sérgio Ferro, intitulando-se “único sobrevivente” do grupo terrorista que fabricou, transportou e detonou o explosivo, informa:1) Diógenes Oliveira e Dulce de Souza Maia não participaram dessa ação; 2) A ação foi iniciativa da ALN (Aliança Libertadora Nacional), e não da VPR (Vanguarda Popular Revolucionária.Quem disse que Diógenes, o “Luís”, e Dulce de Souza Maia, a “Judith”, participaram do atentado, organizado pela VPR, foi o doutor Sérgio Ferro, em seu depoimento à polícia em 29 de março de 1971. Na ocasião, Ferro estava preso e a tortura era uma política de Estado para a obtenção de confissões, verdadeiras ou falsas. Passados 37 anos, Ferro julgou oportuno corrigir seu testemunho. Em 1969, na prisão, Pedro Lobo de Oliveira e Diógenes, ambos da VPR, revelaram suas participações no atentado. Diógenes admitiu ter fabricado a bomba, com “um ou dois quilos de dinamite”.

Quando Ferro incriminou Dulce de Souza Maia, sabia que ela estava a salvo, no exílio. Além disso, uma bomba a mais, uma bomba a menos, não faria muita diferença na carga que a polícia imputava à dupla mencionada por Ferro.

Diógenes e Dulce foram associados a dois retumbantes atentados terroristas. No dia 26 de junho de 1968, a VPR lançou um caminhão-bomba com 15kg de dinamite contra o Quartel General do II Exército, em São Paulo. Na explosão, morreu o soldado Mário Kozel Filho, de 18 anos. Dulce Maia contou sua participação nesse episódio numa entrevista a Luiz Maklouf Carvalho. Ela foi publicada no livro Mulheres que foram à luta armada, em 1998. Diógenes nunca falou publicamente sobre o caso. Os documentos conhecidos, que devem ser vistos com reservas, são os depoimento dele e de camaradas seus, todos presos. Diógenes admitiu ter fabricado a bomba. Onofre Pinto, que participou do atentado, disse que Diógenes acendeu o estopim.

Diógenes e Dulce também foram acusados de terem participado do planejamento e do assassinato do capitão americano Charles Chandler, em outubro de 1968. Na mesma entrevista a Maklouf, Dulce narrou sua colaboração no levantamento dos hábitos do capitão. Diógenes nunca discutiu esse atentado em público.

Contudo, Pedro Lobo de Oliveira, seu colega de VPR, contou aos organizadores do livro Esquerda armada no Brasil, premiado em Cuba em 1973, que eram três as pessoas que estavam no carro do qual partiram os assassinos do capitão: ele, que ficou ao volante, e mais dois, um com um revólver e outro com uma metralhadora. Pedro Lobo não os nomeou. Informou que a dupla só foi identificada quando um militante da VPR que “sabia quais companheiros haviam participado” contou o caso à polícia, na prisão. Esse “delator”, Hermes Camargo, tornou-se um colaborador do regime. Anos mais tarde, ele repetiu os dois nomes numa entrevista a O Estado de S. Paulo: os atiradores foram Diógenes Oliveira, o “Luís”, e Marco Antonio Brás de Carvalho, o “Marquito”, morto meses depois do atentado.

Assim como deve-se dosar o crédito às confissões de Sérgio Ferro e deve-se duvidar dos depoimentos de pessoas presas, é necessário registrar que a narrativa de Diógenes, preso, é semelhante à de Pedro Lobo, solto. Diógenes reconheceu ter sido um dos autores dos disparos.

Orlando Lovecchio, que teve a perna esquerda amputada abaixo do joelho por conta da explosão da bomba que Sérgio Ferro e seus camaradas puseram no Consulado Americano, recebe R$570 mensais da Viúva. Os pais do soldado Mário Kozel conquistaram em 2003 uma pensão de R$330, reajustada no ano seguinte para R$1.140 mensais.

Desde o dia 24 de janeiro, Diógenes ficou em melhor situação. Ele ganhou uma Bolsa Ditadura de R$1.627 mensais  (as vítimas, juntas, recebem R$1.710), com direito a R$400 mil de atrasados. Repetindo: há algo de errado na aritmética das indenizações e numa álgebra que acaba remunerando melhor o terrorista que participou de um atentado do que a família da sentinela assassinada ou o transeunte amputado.

Elio Gaspari

 

enviado por lucena borges.

RESPOSTA A ELIO GASPARI POR ALIPIO FREIRE

A Ditadura Reencarnada

O cronista Elio Gaspari reproduz de forma ampliada a destruição e desagregação iniciadas pelos torturadores, há 40 anos.

 

 

Tínhamos razão quando escrevemos, na edição anterior (leia artigo), que a situação do senhor Orlando Lovecchio Filho, que perdeu uma perna depois de ferido pela explosão de uma bomba colocada por um comando da Ação Libertadora Nacional (ALN) no Consulado dos EUA em São Paulo, era apenas pretexto para o artigo “ Em 2008 remunera-se o terrorista de 1968”, do jornalista Élio Gaspari, publicado na Folha de S. Paulo.

Não fosse assim, depois das mensagens enviadas à Folha de S. Paulo, e do nosso artigo anterior, já teria o jornalista encontrado o caminho para garantir a reparação cabível ao senhor Lovecchio. Diga-se de passagem, este último também.

A gangrena que levou à amputação resultou do fato de haver sido o senhor Lovecchio retirado do hospital (onde era atendido) e levado para a Delegacia da Ordem Política e Social (Deops) para interrogatório, somente depois do que foi devolvido à casa de saúde, com o membro atingido já então em processo de gangrena; tendo em vista que explicamos, no mesmo artigo que “todo Estado é responsável pela integridade de seus cidadãos sob sua custódia e que, não cumprindo esse seu dever, pode e deve ser processado”; se o objetivo real fosse a defesa dos direitos da vítima, já teriam, cronista e/ou vítima, constituído advogado para processar o Estado.

Mas pela postura assumida pelo senhor Lovecchio que, ao invés de procurar seus direitos, foi pesquisar os depoimentos sob tortura dos que colocaram e dos que supostamente teriam colocado a bomba no Consulado; pelo novo artigo publicado na Folha e em O Globo, no domingo 23, pelo senhor Gaspari (“O terrorista de 1968 remunera-se em 2008”), onde tenta achincalhar – ainda que entrecortando o texto por frases de um bom-mocismo postiço – os militantes que acusa também a partir de depoimentos obtidos sob sevícias; fica cristalino que está muito longe da verdade que estejam movidos por qualquer objetivo de justiça.

 

Me engana, que eu gosto.

Não, não me engane,

pois eu não gosto

 

Não é de estranhar que o cronista trate esses depoimentos obtidos sob tortura e seus autores desrespeitosamente. Em “A ditadura escancarada”, segundo livro de sua tetralogia, sob o pretexto da ineficiência da denúncia moral da tortura, exime-se o escritor de condená-la desse ponto de vista, passando a abordá-la apenas de um ângulo funcionalista. Isto é, esforça-se em mostrar como a utilização da tortura pelos governos do pós-64, os levou a engendrar sérias contradições internas, pelas quais tiveram de pagar alto preço, sobretudo no momento da transição (quase lamenta). Um dos pressupostos é que parte da cúpula e setores intermediários do regime desconhecia e/ou condenava esses métodos ou, pelo menos, não sujavam as mãos, faziam vista grossa e/ou usavam de bom grado o método aplicado nos “porões”.

Ora, essa manobra diversionista tem, pelo menos, tripla conseqüência:

 

1. Retira o foco do central da questão, que é MORAL, e não “técnico-operacional”. Sim, é uma questão MORAL e faz parte da grande disputa de valores que temos de travar, para banirmos esse tipo de prática injuriosa do nosso país e do mundo.

 

2. Transforma torturadores e mandantes em vítimas de si próprios, de sua “inocência”, obliterando da cena o objeto de suas sanhas, os torturados.

 

3. Tenta nos fazer pressupor que aquele regime seria possível sem tais práticas.

 

Embora cansativo, é forçoso repetir: a violência – entre as quais, as torturas, assassinatos e ocultações de cadáveres – não foi um acidente do regime. Ela era condição sine qua non para o sucesso do programa dos golpistas. Sabemos, através de pesquisa do Ibope realizada menos de um mês antes do golpe, que o país estava dividido em termos de opinião no que dizia respeito às reformas anunciadas pelo presidente João Goulart no comício de 13 de março, na Central do Brasil. A maioria (59%) apoiava as reformas .

 

A violência (incluídas as torturas) foi, assim, um dos elementos da racionalidade política do grande capital, do latifúndio, da maioria esmagadora da mais alta cúpula da Igreja Católica de então, da “direita ideológica”, dos políticos (civis) que empolgaram o 31 de março, da imprensa que conspirou e apoiou o golpe, da maioria dos altos comandos das forças armadas, dos seus aliados e apoiadores internacionais – em especial o capital e governo dos EUA.

 

Ou seja, aquelas torturas não fugiam ao controle dos dirigentes do País (civis e militares), não aconteceram “nos porões” sem a ciência, consciência ou planejamento dos governantes e/ou das lideranças das classes, setores, grupos e corporações que promoveram e foram base de sustentação do regime. Afirmar o contrário é tão tolo quanto dizer que os Orleans e Bragança e sua corte não sabiam o que acontecia nas senzalas e pelourinhos, ou que os capitães-do-mato fugiam do controle dos seus senhores.

 

Não é o torturador quem faz a tortura,

mas a tortura é que faz o torturador

 

Por fim, reafirmamos: ordena a MORAL que, quando se trata de emitir opinião ou dar informações sobre militantes que sucumbiram às torturas, nunca é demais observarmos que, se não tratamos adequadamente a questão, corremos o risco de reproduzir, de forma ampliada, a destruição e desagregação iniciadas pelos torturadores, o que costuma atingir não apenas o torturado, mas também seu círculo mais próximo de afetos (familiares e amigos).

É repugnante e eticamente intolerável imaginar que possamos em algum momento dar seqüência à obra iniciada pelos sicários.

Ao expor publicamente depoimentos obtidos sob tortura sem qualquer outro objetivo senão tentar remendar as mentiras apontadas em seu artigo anterior; sem outro cuidado com a matéria que não sua obsessiva persistência em qualificar aqueles militantes como “terroristas”; o cronista reproduz de forma ampliada (bem como o senhor Lovecchio) a destruição e desagregação iniciadas pelos torturadores, há 40 anos.

Ou seja, o jornalista Gaspari passa a torturar. Certamente não tem a intenção e não percebe que tem esse comportamento, pois não é um torturador. Mas, como ele bem conhece e cita de maneira oportuna em um dos seus livros, “Não é o torturador quem faz a tortura, mas a tortura é que faz o torturador” (J.P. Sartre).

 

 

Alipio Freire é jornalista, escritor e membro do Conselho Editorial do Brasil de Fato.

enviado por lucena borges.

 

Q.I. (Quociente de Inteligência), onde o GARRINCHA se encaixa? – por ricardo boessio dos santos

O que é ser inteligente? Será que a forma como se estabelece é a correta? Será que existir uma forma para determinar a inteligência de uma pessoa?Os testes que definem se uma pessoa é inteligente ou não são muito relativos. O que é ser inteligente? Para alguns testes é somente ser bom naqueles testes. Isso significa que se você é bom em lógica, passará com louvor nestes testes.

Só que é muito estranho você perceber que alguém como o Garrincha seria considerado não tão inteligente. O problema reside no fato de que não deve existir um ser humano que tenha visto o Garrincha jogar (ao vivo ou pela TV) que não o ache genial.

Foi pensando neste caso que comecei a “desconstruir“ meu próprio conceito de inteligência. Se um cara como ele, com aquelas pernas tortas e que conseguia fazer aquilo com uma bola, não era inteligente, quem é?

Comecei a pensar que na verdade não deveria existir um conceito pleno de inteligência. Não deveria ser uma palavra isolada, ela deve ser composta. Inteligência futebolística, inteligência matemática, inteligência musical e etc.

Existem mais casos a se pensar. No próprio futebol pode-se citar mais um caso interessante. Maradona foi um craque como poucos na história do futebol. Não importa se ele e os argentinos achem que foi melhor do que o Pelé, porque não foi. Independente disso, ele era um craque fenomenal. Um outro gênio.

Saindo do futebol e entrando na história (por favor, nenhuma referência ao Getúlio), um outro caso de genialidade foi o de Napoleão. Ninguém está julgando se o que ele fez foi bom ou ruim, nesta linha de raciocínio isso não importa. O que importa é que ele foi genial, um estrategista incrível. Conquistou quase toda a Europa com essa genialidade.

Lincoln é outro caso de genialidade advinda de uma pessoa considerada iletrada, portanto ignorante. Churchill, Roosevelt entre outros presidentes ou chefes de estado também. Porém Lincoln é o caso mais clássico. Vindo de família não nobre e tornando-se presidente dos Estados Unidos. É considerado um dos melhores presidentes americanos.

Nas artes encontraremos uma infinidade de exemplos.

O que eu quero provar com isso? Simples, que a inteligência é relativa. Alguns podem não ser tão bons com as letras, ou com os números, porém fazem coisas geniais em outros campos. Porque não considera-los inteligentes também?

Para provar essa teoria, terei que demonstrar o inverso nos casos clássicos de pessoas consideradas inteligentes.

Beethoven é um caso de inteligência fenomenal. Um músico extraordinário. Quem mais poderia compor uma sinfonia tão primorosa como a 9ª sendo surdo? Porém era uma pessoa de uma grosseria sem tamanho, totalmente desequilibrada.

Falando em desequilíbrio fica impossível dissociar das imagens de outros gênios como o psicodélico Salvador Dali, o pintor holandês Van Gogh que cortou as próprias orelhas e o totalmente desvairado Mozart. Porém sempre foram considerados inteligentes.

O que não dizer do pai da psicanálise? Freud foi (e é) considerado um gênio, pessoa inteligentíssima. Porém era um cara obcecado pela própria mãe e outro grosseirão de marca maior.

São numerosos os casos de escritores que não sabem fazer uma conta simples.

Também são numerosos os casos de pessoas que atingiram um grau de inteligência em um determinado campo que se acham no direito de espezinhar toda e qualquer pessoa.

Não estou dizendo, ou querendo insinuar, de forma alguma, que os supracitados não sejam pessoas de rara inteligência, ou que os produtos de seus esforços não sejam reais benefícios para a humanidade. Não se trata disso.

Estou pura e simplesmente afirmando que um Freud é tão inteligente quanto um Garrincha. Posso sentir os risos contidos (ou até não tão contidos) dos ditos intelectuais que se esmeram por décadas e mais décadas em estudos, pesquisas ou outras atividades se imaginando comparados a um ignorante como o Garrincha.

O que eu tento propor é que não existe esta comparação. Senão os mesmos intelectos privilegiados deveriam ir bater uma bola.

Este é exatamente o cerne da minha teoria: inteligência é incomparável. Você tem uma e eu tenho outra. Você é bom em algumas coisas que eu nem sonho em conseguir fazer, quiçá ser bom nelas. Já eu sou bom em outras coisas que você não é.

Esta teoria é tão lógica quanto certeira.

Enquanto temos algumas mentes privilegiadas na física quântica, temos outras no futebol, temos mais algumas na música e assim por diante.

Uma pessoa é ao mesmo tempo burra e inteligente. Burra em alguns aspectos e inteligente em outros. Não se pode avaliar somente por um lado, por uma vertente. É necessário enxergar o todo, e enxerga-lo de vários ângulos.

Uma última observação: Einstein, mesmo com a teoria da relatividade, era burro em vários aspectos.

PARCERIA EFICIENTE: escola e familia – por graziele ferreira

Só quem trabalha com adolescente sabe o que isso representa: atrasos, mau-humor, respostas agressivas e aquela preguiça diária. Vale lembrar que nem todos são assim, mas a grande maioria demonstra comportamentos semelhantes aos citados acima.Sabemos que a adolescência é uma fase de insegurança e que a agressividade constante, períodos longos de tristeza e desinteresse são normais e fazem parte do processo de crescimento.

O que têm preocupado professores, coordenadores e orientadores são as notícias de alunos que enfrentam e espancam professores e toda repercussão sobre o assunto, os casos são chocantes e reacendem uma discussão; Até que ponto a família é responsável por estes atos inconseqüentes?

 

Entendemos que o papel da escola é proporcionar o conhecimento e a socialização e nada pode justificar atos absurdos de agressividade. O que começa com uma leve indisciplina pode terminar em agressão física, por isso que a escola e a família devem trabalhar em parceria, para evitar que situações como estas aconteçam em seu dia a dia.A falta de limites faz com que o adolescente não respeite a autoridade de seus pais, então ele repetirá tais comportamentos em outros ambientes, e consequentemente na escola.

É importante ressaltar que a escola e a família devem ser parceiros, os pais não precisam se envergonhar de admitir suas inseguranças e pedir conselhos. Ser flexível e saber desenvolver a auto-estima desde a infância, é dar tranqüilidade e segurança para enfrentar desafios e situações novas.