Arquivos Diários: 5 junho, 2008

NOVELAS da GLOBO, a nova arma – por eduardo guimarães

A novela Duas Caras, que os que se opuseram à minha proposta de encaminhar denúncia ao Ministério Público Federal contra o folhetim político-ideológico do novelista Aguinaldo Silva por uso de uma concessão pública com finalidade político-partidária dizem que “ninguém vê”, bate recordes de audiência.

De acordo com a Folha Online, “O antepenúltimo capítulo de Duas Caras (Globo), exibido na noite de quinta-feira (29/05), bateu o recorde de audiência da novela de Aguinaldo Silva. A trama marcou 51 pontos no Ibope, com 70% dos televisores ligados sintonizados na Globo”.

A novela fez intensa propaganda contra o governo Lula, trazendo para seus capítulos denúncias do PSDB e do PFL contra esse governo. Além disso, teorias da oposição contrárias a políticas do governo federal tais como cotas para negros nas universidades e a teoria do diretor de jornalismo da Globo, Ali Kamel, de que não há racismo no Brasil, ganharam força na novela do seu começo até o fim.

A novela Duas Caras foi intensamente criticada em montes de artigos de sociólogos, jornalistas e historiadores. Apesar disso, uma defesa esdrúxula da “liberdade de expressão artística” contaminou até aqueles que se deram conta das intenções ilegais da dramaturgia global.

Por se tratar de uma obra ficcional (pero no mucho), a pregação contra a tomada de alguma atitude por medo de acusações de “tentativa de censura” impôs constrangimento à única reação proposta contra esse uso ilegal de uma concessão pública para propagandear ataques políticos e teorias racistas que negam o racismo, a proposta que fiz aqui durante a última semana de encaminhar representação ao MPF.

O resultado da inação dos que vêem o malfeito sendo cometido, mas temem o discurso espertalhão sobre “censura” que a mídia saca do bolso do colete toda vez que é questionada, já começa a produzir efeitos.

Mau início

A nova novela das oito da Globo, A Favorita, de João Emanuel Carneiro, já começa mal. Sua propaganda anuncia um personagem, composto pelo ator negro Milton Gonçalves, que já mostra que as preferências políticas e ideológicas da Globo continuarão sendo impingidas ao público.

Gonçalves fará um político corrupto que alardeia sua origem pobre (quem será que políticos com origem pobre lembram?) para ganhar apoio do eleitorado. Sua filha, incorporada pela atriz Taís Araújo, será uma ninfomaníaca maldosa, que assume que veio ao mundo para fazer os homens sofrerem.

Escrevo isto pelo seguinte: presido uma ONG, o Movimento dos Sem Mídia. Semana passada, propus que a ONG fizesse uma representação ao Ministério Público Federal, para que investigue uso de uma concessão pública com fins político-partidários e ideológicos.

Contudo, a própria assessoria jurídica da ONG discordou de mim, bem como vários leitores de meu blog e de outras páginas na internet que repercutiram a possibilidade de se fazer a representação.

Acabei recuando de minha proposta porque a oposição a ela veio com força e decisão, de maneira que me deixei influenciar.

Abuso

A finalidade deste texto é reiterar que o uso político-ideológico da teledramaturgia pela Globo começa a adquirir uma dimensão escandalosa. A aposta da emissora nessa nova arma de luta político-ideológica não está sendo feita à toa. Pesquisas devem mostrar a efetividade do estratagema.

Peço, pois, àqueles que se opuseram à minha proposta de representar contra a novela Duas Caras no MPF que acompanhem a teledramaturgia global, pois tenho certeza de que alguém terá que tomar uma atitude. É um abuso de uma concessão pública que, mesmo que não tivesse sucesso em sua pretensão doutrinadora de mentalidades desavisadas, nem por isso deixaria de ser inaceitável.

A apatia da sociedade foi o que transformou a grande mídia no poder avassalador e corrupto que é hoje. Venho lutando contra essa apatia, mas quando ela assola até aqueles que têm clareza do papel nefasto dos barões da mídia neste país, sinto o desânimo se apossando de mim.

cidadania.com

Com CHET na alma – poema de tonicato miranda

                                                                                    para Nádia Coprucinski

 

ir ao fundo do sonho

não será apenas música

nem apenas uma visita

com chá e torradas calmas

na varanda das almas

 

ir às profundezas do sonho

é tragar fundo um cigarro

bons tempos de fumaça

um piano dedilhando a mão

a voz rouca alisando a canção

 

ir aos baixios do sonho

requer liberdade aos ouvidos

um olhar voltado para o interior

a procura do sabor do prazer

nas cascatas obscuras do ser 

 

ir aos secretos do sonho

exige total entrega ao sensorial

largar objetos ao desleixo

blusas e vestes sobre a cadeira

pular no abismo toda e inteira

 

ir ao sonoro do sonho

é viajar sem mochila e mapas

muda e surda a todos outros sons

o foco apenas no sonho musical

ai de mim, ai de ti: um bem, um mal

 

ir ao âmago do sonho

é movimentar-se no ritmo da calma

nada além de um baixo e do trumpete

o pingo caindo de leve sobre a folhagem

a música transportando tudo, em viagem

 

ir mais longe no sonho

é suicídio da vida, mas também entrega

ficar por lá onde nascem os sentimentos

onde germina a grande paixão animal

tão frágil mas poderosa como um tao

 

ir ao fundo do sonho

pode te matar de amor e de tristeza

pode ser como um Chet na manhã fria

comendo os ouvidos e a vontade dela 

em jogar os compromissos pela janela

CRUCIFIXO REAL poema de ademário silva

Um céu / Um sol

África de urinol

Um chão 

Deserto de Saara

Escancara corrupção

Tempestade de emoção

Lágrimas de penitência

Ausências solidárias

Multifárias questões  

Humanos borrões

Ações estáticas

Fantásticas são as prisões

A prisão dos ventres

Das mentes e dos corações

Vilões da liberdade

Sentados no trono da falsidade

Administrando destinos de infantilidades

Clitóris em desavisos

Meretrícias condutas

Liturgias pedófilas

O pecado do mundo e o cordeiro do nada

No templo das indulgências milenares

Um esquisito madeiro

Provoca a inflação moral

Por trinta dinares!