Arquivos Diários: 10 junho, 2008

Sobre a interessante reação das SENHORAS a um poema – poema de solivan brugnara

 

 

 

Batista entrou sem ser convidado

no sarau com chás, torradas e alguns maridos.

Terno amassado com cheiro de brechó,

camisa bege encardida.

Recusou o chá, procurou vinho

e como está acostumado a achar espaços

em ônibus lotados,

foi fácil subir ao palco.

Com a voz beirando o grito

iniciou o poema:

-A puta!

Soou como sirene com cárie.

Olhos voltaram-se, como girassóis raivosos

para a palavra, tão vermelha

que manchou de rubro a face das senhoras.

E o constrangimento se manteve

até o arremate de Batista:

-A puta, de Carlos Drummond de Andrade!

Alívio entre as senhoras, sorrisos, e mesmo aplausos.

É Batista, confirma-se a tese

que o maldito está no poeta

e não na poesia.

Tuas doces poesias são consideradas malditas

                                  só porque não lava as mãos antes de fazê-las.

POESIA DO FUTURO: PALAVRA & PODER – por jairo pereira

Poesia brasileira contemporânea: qual o futuro, quando se trata de seus aspectos formais e de conteúdo? O poeta paulista Cláudio Daniel, expressou com inteligência e amplo conhecimento dos fatos (poéticos) q. uma das hipóteses de evolução qualitativa dessa arte, ocorrerá quando houver plena interação entre o exercício do signo verbal (palavra) & tecnologia.(Site Cronópios/set. 2005 – Pensando a poesia brasileira contemporânea). Difícil a conciliação entre o elemento, simples palavra em estado nathural, e o signo verbal, expandido pelo esforço dos sentidos e a apreensão dos elementos signo-simbólicos produzidos pelo computador ou outros meios eletrônicos. A semiótica já deu grande salto nessa complexa relação. Sempre haverá os espertinhos, q. com maior destreza nos meios tecnológicos, se arrogarão em ícones poéticos, certamente incentivados por alguma mídia malandra. E, aí nesse particular as crianças, afeitas à positronia & afins, também levarão imensa vantagem em relação aos adultos. A mídia leiga, é facilmente aliciada pelos impostores poétics. Interessante questão, essa q. jamais será descartada quando se trata do advento da poesia do futuro. De minha parte, entendo q. a profusão sígnica, emitida em surtos descomunais pelo sujeito criador (o poeta) sempre será inusitada, imprevisível, e dentro do milagre da língua/palavra/linguagens, na sua infinitude de recursos ético/estéticos. Parir o novo, novíssimo, em total contrariedade à determinação ou sentença (eclesiástica) do nada de novo sobre a face da terra é tarefa pra poucos escolhidos. E nesse caso, prevalecerá sempre a vitalidade da palavra em consonância com a própria palavra, o espaço em branco da página, e o rigor mortis da execução poética. Da mente (intelecção, abstrações e imaginário) o signo simples, como água de fonte, alardeando significação, instituindo verdades, inaugurando espaços, sons, cores, um cosmos singular de tridimensionalidade semântica e concretude. Este o grande desafio nathural, ou melhor puxando pro meu ninho, protonathural, à criação poética. Uma analogia ou paralelo: a pintura. O eterno desafio da bidimensionalidade do suporte, as tintas, os pincéis, o sujeito criador, com a técnica pictórica, o domínio enfim dos meios à realização do ato pictórico. No caso o material (a tinta) por si só, traz nos pigmentos variados, a experiência dos tempos, a providência criativa, o acidente químico. O signo verbal, (a palavra) é corpo-vivo, agrega no seu DNA o fato estético, o fato philosóphico, o fato antropológico, ódio, inquietação, solitude, subversão, paradoxos de significação e miles de outros caracteres intrínsecos. Nós, os poetas e escritores em geral, operadores das linguagens é q. conseguimos restringir a força da palavra, e por vezes até anular ou destruir sua energia vito-nathural. O problema está mais no agente criador, na realidade, do q. no signo em si. Quando traímos o objetário (infância, trabalho, consciência, situação social, geofísica-política, condicionamentos raciais, espaço-tempo, conflitos em q. somos participes) traímos o esplendor do signo, porque primeiro nos traímos na postura. As espadas são as mesmas, mesmos os materiais fundidos e sua têmpera. O uso, o maistream é q. faz a diferença entre ação e resultado. Não quero fazer excessivo elogio ao milagre do signo em estado bruto, mas é dele q. toda obra poética futura, pelo transcorrer dos tempos, nascerá/renascerá. A palavra, a santa q. satisfaz, a insubordinada, a vã e tentadora, a anárquica, com seus veios subterrâneos de muitas minas, é q. se mantém no espaço e no tempo da criação poética. Louca, majoritária criadora, detém o milagre dos princípios, meios e fins da criação. Matriz esplendorosa dos signos, a linguagem e sua voz, a voz da linguagem e sua una condição de ente provedor/divino. Inexplicável o fenômeno do signo em si, nu e crucificado no tempo histórico. Nu e animal, na transcendência de seu transnacimento vida-morte. Nu e imprevisível na sua projeção (instalação) nos espaços futuros do pensar e ser pensado, do criar e ser criado. Apenas palavras, eu sei, de poeta falho, infinitamente menor q. a palavra em estado de graça do seu existir, como pó, água de córrego, semente de planta, inço de potreiro, inseto de estação e ao mesmo tempo, esphera positrônica, a emitir reflexos, sons, luzes, cores, emanações enfim, de significâncias matriciais, ainda não plenamente definidas (esclarecidas) pela plêiade de lingüistas & philósophos de linguagem, do passado ou de nosso tempo. Entrar pra dentro do signo verbal e descobrir esse milagre escondido, os conteúdos díspares, as antinomias, as crispações do espíritho, outro milagre, em séculos, milênios de futuros desafios ao homem. Pegar uma palavra ravalp lavrap apavral vralapa e medir suas superfícies amplas, seus objetos trançados, empilhados nas polissemias, os veios, canais de provocação dos sentidos, medir tudo, arar, lavrar aquelas terras, navegar os mares revoltos, subir suas montanhas, mergulhar nas abissais colônias de semas, semantemas, um desafio ad ethernum. O signo verbal, não esgota-se em si mesmo nunca. De sujeito pra sujeito, as ordens de significação. As significações determinadas pelo operador e sua pretensão lógico, estética, finalística. Ainda assim, o ente lêtrico, na sua simplitude crística, apronta e surpreende. O homem não detém o domínio pleno da palavra (e nunca deterá). Em sua polidimensionalidade de significação, o signo espectral, fático, ideológico, sempre irá impor acrescentos novos na criação humana. Importa reconhecer as transcendências, as projeções do bólido verbal, no tempo e no espaço. O signo irruptor de movimentos vida-morte, o signo acelerador das emoções, o signo providencial e consolador. O signo como ente vivo, vivíssimo, detrator cósmico, dínamo prospectivo, em transe na existência terrena dos homens. Deus e linguagem. DEUS e palavra. PALAVRA e deus. PALAVRA e poder. Simbiose estranha, q. a fala, os sentimentos, os atos dos homens, denunciam. Um dia a palavra tirar o máximo do PODER, traí-lo nos gabinetes do baixo-espíritho. A esphera positrônica e milagrosa em nossas mãos. O instrumento de poder nas mãos dos poetas. A palavra gloriosa, pastorear só a verdade, estender o bem aos pequeninos, contra toda torpeza organizada do PODER. Utopia, (o não-lugar) q. a palavra instituirá, só por prazer, como já deve ter ocorrido em épocas imemoriais. Ainda surprenderá muitos governos (a simples palavra), água de fontes desconhecidas, pródiga em seus desígnios. É tão feia a relação da palavra com o PODER q. até os ditos me saem transfusiados, na denúncia do fato. Viva e cresça, viva e expanda a POESIA feita só com a palavra. Um vaticínio falho, só por provocação: a santa milagrosa harmonizar elementos contrários. Vida x morte, sujeito x objeto, ação x omissão, verdade x mentira, contradição x identidade, razão x emoção, etc. Isso jamais, poderia ocorrer, pois anula o extrato rico da contradição. Finda com a dialética, q. a própria palavra é mantenedora.

Os compostos alucinados do alto espíritho, pelas criações teoréticas e práticas, nas artes e nas ciências, estarão sempre servis ao milagre da (aparentemente vã) palavra em ação. Os compostos destruidores da bela vida, (a palavra) mal usada pelos tiranos. A relação crucial do signo com o Poder. Uma língua, um composto singular de signos, um povo, muitas realidades, dentro e fora do divino-psiquismo, inexplicável da palavra em ação. Como poeta, posso dizer, q. estamos a mercê (não do poder dos homens e seus governos) e nem mesmo das criações tecnológicas, mas da palavra, a simples palavra q. encanta e ilumina. Trocar esse milagre, essa maravilha logótica, voz de Deus, por outro signo qualquer, criado & delimitado em sentido, pela intelecção humana, nibinem… nibinem. Toda mídia de acrescento, somatória, é bem vinda ao processo compositório (poético), mas nunca em poesia, o descarte da essência majoritária da razão e des-razão, o signo, simples palavra, a dormir conosco, levantar e partir para o trabalho de sobreviver e expandir a arte/poesia/ciência. Imagino um pastor simples de ovelhas (palavras), nos campos sublimes do conhecer, direcionando-as, no ditos singulares. Imagino o PODER conduzido espontaneamente pelo signo, e o pastor (não-dominador do milagre) servil aos desideratos nathurais da palavra. Tudo nos é permitido –no empírico e no teórico- com a catana da simples palavra. A palavra induz as práxis mais variadas e impõe determinações no espaço-tempo, nas mais diversas áreas. É ela a palavra q. erige as doutrinas, os corpus juris, os organons, os tratados éticos-estéticos, as divinas e (ou) místicas compilações. Ela a simples palavra, q. alimenta o espíritho tenso de gerações, com sua preciosa seiva. Ela a palavra forja philosophias, governa, guerreia e pacifica. Formigas corridas do formigueiro. Poeira cósmica com significante e significado nas partículas. Minha infância, minha razão, minha alma contrita, meu discurso, sua dinâmica projeção, tudo em íntima relação vida-morte com a simples palavra-lux. Pouco mais q. isso sei, e pouco me permite a vespa límia mais dizer. Viajei agora, sem sair do lugar, muitos dirão. E, viajei mesmo pelo milagre da provedora-palavra. A poesia futura virá nathuralmente, como inseto de estação, na pena de crianças, jovens e velhos. E sempre com a imposição da língua (sua mínima partícula: a palavra) dando as cartas de nosso destino. Amplos imaginários, variações infinitas de formas, conteúdos, estéticas como hastes novas crescidas no jardim e sem explicação crítico-científica. A poesia brasileira do futuro, beberá da melhor água, na sua fonte ontológica, na sua carnavalização do eu e das relações. Ações provisórias, a pau, pedra e sapé. Engenharia de barranca de rio. Movimento de quadris. Ginga de malandro. Feirão de rua. Samba, poesia, philosophia, psicologia de botequim, e tudo no mesmo prato de louça barato e sorriso largo. Pensar o signo hoje, é viver o futuro da palavra, o futuro da poesia, inquietação q. só faz bem ao processo. Felizes aqueles q. pensam a nathureza dos meios, pelos quais sua arte se realiza. Feliz, a busca, o desvelo pleno do pensamento no tempo. Com a palavra, anda a humanidade, avançam as ciências & as artes, no deliberado encontro com o pather macro-criador, q. é dúvida novamente, e reencontro, e partida, e revolução, e persecutiones, e nos faz solipsar com a própria palavra na sã contingência do existir.

Palavra de poeta:

quando MORRER, meus filhos

por favor, enterrem-me

na palavra VIDA.

hErMes lUcAs pErê

Autor de Poie-açu (poesia), Trançagem (poesia) e

Arroz, feijão e philosophia (multiprosa) inéditos.

A serem publicados por editora do Asteróide

ZPHIZQ 787, da Órbita Savagé, no ano 2010.

 

LIA e o POETA – poema de bárbara lia

     Choveu de noite até encostar em mim. O rio deve estar
     mais gordo. Escutei um perfume de sol nas águas.

     Manoel de Barros

 

O rio foi visitá-lo

seguindo o eco

das batidas do martelo

em código Morse

a delatar:

a – qui –

m o –  ra-

um –

po – e – ta!

 

 

 

O rio ergueu o manto verde

enfeitado de peixes prateados

Acercou-se da casa

do acorde rascante

da inseparável viola

O rio beijou os pés do poeta

na sola

 

Quando o rio voltar

a deitar-se à sua porta

envolva-me em lençóis

me leve ao colo

me apresente ao rio:

– Lia, este é o rio;

Rio, esta é a Lia

 

A verde mão líquida

tocará a minha

que escreve agora esta poesia

ao carpinteiro

jardineiro

violeiro

que me encanta,

assim como

encanta o rio.

DESEMBESTO poema de altair de oliveira

 

 

Gosto do gosto dos gestos que te faço

Quando te aperto de perto, busto a busto

E cavalgando os teus mais castos pastos

Resfolegando, indomado, solto, às crinas…

Eu desamarro este teu tropel de sustos

Tino-lhe os sinos insanos com meus cascos!

 

Altair de Oliveira – In: O Lento Alento

A poesia de ANA CRISTINA CÉSAR por leonardo meimes

ANA CRISTINA CÉSAR – Sensibilidade feminina

 

            A poesia criada na década de 70 sentia ainda o punho forte da ditadura militar, que só daria fim a sua censura em 76, neste contexto conturbado uma geração de poetas surgiu fazendo sua poesia das ruas, distribuída na porta de bares e com muitos pontos de vista novos a serem descobertos. Poetas como Paulo Leminski e Chacal surgiram com suas poesias simples e contundente. A poetiza Ana Cristina César, a musa da poesia marginal, foi a criadora de poemas profundamente sensíveis à realidade da mulher moderna, que juntamente com suas traduções, artigos em revistas e jornais compuseram uma obra muitas vezes feminista, sensual e influente. Sua formação e família culta permitiram que a autora construísse uma obra importante em uma vida curta e que para ser analisada deve-se levar em consideração vários aspectos.

            O primeiro deles é talvez a forma de sua poesia, que se apresenta tanto em forma de versos como em prosa poética, em forma de diários com datas confusas e não lineares, portanto, é difícil determinar um padrão pelo qual a poetiza teve preferência, apesar do uso recorrente de alguns recursos poéticos. O conteúdo versado pela autora passa muito pelo mundo existencial da mulher, com algumas poesias sentimentalistas, amorosas e sensuais, sobre o cotidiano e com muitas referencias culturais. Seus “diálogos” com autores consagrados como Baudelaire (em Flores do mais), Fernando Pessoa (Psicografia) nos permite fazer relações diversas entre a obra da autora e a poesia em geral, deixando transparecer suas influências, e até as transformando em poesia como em Índice Onomástico poesia em que são listados nomes de poetas que influenciaram a autora.  Permeia a obra também uma poesia de metalinguagem de reflexão poética como o poema Poesia, que trabalha a linguagem de uma forma bem fragmentada, sem pontos e virgulas. A obra de Ana C. também intriga por outro motivo, a autora se matou aos 39, deixando uma carta à um poeta em que falava entre outras coisas sobre a poesia. Este fato criou uma motivação sombria para a leitura dos textos, que permeia a obra de autores suicidas, como Vladimir Mayakovsky e Ernest Hemingway, a busca na poesia da autora pelos motivos ou sentimentos que a levaram a se jogar de um prédio.

            Por todas essas características Heloísa Buarque de Holanda colocou poemas de Ana C. em sua compilação 26 Poetas de Hoje onde podemos ter um gostinho da obra desta autora, com poemas escolhidos que mostram as influências, as formas e os assuntos recorrentes. Esta compilação também é importante para a divulgação da autora, que não teve uma obra extensa e por isso, fora a dificuldade em publicar na época, ficou longe dos leitores por um bom tempo. Leitura obrigatória para qualquer proposta poética atual, Ana C. César deixou entre outros os livros A Teus Pés, Inéditos e Dispersos e Novas Seletas (Póstumo), todos percorrendo uma fina linha entre o autobiográfico e a reflexão ficcional.

 

Ana C.

 

A Ponto de Partir

 

A ponto de
partir, já sei
que nossos olhos
sorriam para sempre
na distância.
Parece pouco?
Chão de sal grosso, e ouro que se racha.
A ponto de partir, já sei que nossos olhos sorriem na distância.
Lentes escuríssimas sob os pilotis.

Um Beijo

 


que tivesse um blue.
Isto é
imitasse feliz a delicadeza, a sua,
assim como um tropeço
que mergulha surdamente
no reino expresso
do prazer.
Espio sem um ai
as evoluções do teu confronto
à minha sombra
desde a escolha
debruçada no menu;
um peixe grelhado
um namorado
uma água
sem gás
de decolagem:
leitor embevecido
talvez ensurdecido
“ao sucesso”
diria meu censor
“à escuta”
diria meu amor

 

Psicografia

 

Também eu saio à revelia
e procuro uma síntese nas demoras
cato obsessões com fria têmpera e digo
do coração: não soube e digo
da palavra: não digo (não posso ainda acreditar
na vida) e demito o verso como quem acena
e vivo como quem despede a raiva de ter visto

 

Flores Do Mais

 

Devagar escreva
uma primeira letra
escreva
nas imediações construídas
pelos furacões;
devagar meça
a primeira pássara
bisonha que
riscar
o pano de boca
aberto
sobre os vendavais;
devagar imponha
o pulso
que melhor
souber sangrar
sobre a faca
das marés;
devagar imprima
o primeiro olhar
sobre o galope molhado
dos animais; devagar
peça mais
e mais e
mais

 

A febiana BETE, MENTES? por félix maier

Fernão Mendes Pinto, viajante e escritor português da época das navegações, contava histórias tão incríveis que tinha seu nome glosado para Fernão Mentes Pinto.

No Brasil temos esforçados aprendizes da mentira, especialmente entre a canhota, que foram fazer curso em Cuba para tentar implantar o comunismo no Brasil, ao mesmo tempo em que dizem que queriam a volta da democracia durante os governos dos militares… Dentre os pinóquios caboclos, distingue-se a Sra. Elizabeth Mendes de Oliveira, vulgo Bete Mendes das novelas da TV Globo. Quem é, afinal, Bete Mendes, ou melhor, Bete Mentes?

Na sopinha de letras em que se transformaram os grupos terroristas das décadas de 1960 e 70, Bete Mentes era uma “araponga” da Vanguarda Popular Revolucionária – Palmares (VPR-Palmares), que foi a fusão da VPR com o Comando de Libertação Nacional (Colina), em 1969. Na VPR, Bete Mentes tinha o codinome de “Rosa”, talvez uma referência a Rosa Luxemburgo, em quem provavelmente se espelhava. Antes de abordar as mentiras de Bete Mentes, convém lembrar algumas atividades da VPR.

A VPR teve como líder maior o ex-capitão do Exército, Carlos Lamarca, que desertou do 4º RI, em Quitaúna, Osasco, SP, em 1969, roubando 63 FAL, 5 metralhadoras INA, revólveres e muita munição da Companhia onde comandava.

No dia 22 Jul 1968, a VPR já havia roubado 9 FAL do Hospital Militar do Cambuci, em São Paulo. Em 26 Jun de 1968, a VPR explodiu um posto de sentinela do QG do então II Exército, em São Paulo, matando o sentinela, soldado Mário Kozel Filho. Em 12 Out 1968, a VPR assassinou o capitão do Exército dos EUA, Charles Chandler, projetando-se perante as organizações terroristas nacionais e internacionais. Em 1970, a organização terrorista seqüestrou diplomatas estrangeiros: o Cônsul-Geral do Japão em São Paulo, Nobuo Okuchi, no dia 11 Mar 1970, para libertação do terrorista “Mário Japa” o Embaixador da República Federal da Alemanha no Brasil, Ehrenfried Anton Theodor Ludwig von Holleben, no dia 11 Jun 1970; o Embaixador suíço no Brasil, Giovanni Enrico Bucher, em 07 Dez 1970, libertado em troca de 70 presos terroristas enviados ao Chile do Presidente marxista Salvador Allende (24 desses terroristas eram da VPR), onde foram recebidos de braços abertos no dia 13 Jan 1971.

Uma das ações mais covardes da VPR foi o assassinato a golpes de fuzil do tenente da PM/SP, Alberto Mendes Júnior, em Registro, SP, depois que o mesmo se entregou como refém a um grupo de terroristas, em troca da vida dos soldados de seu pelotão (10 Mai 1970). No mês de setembro, descoberto o crime, a VPR emitiu um comunicado “ao povo brasileiro”, onde tenta justificar o frio assassinato, no qual aparece o seguinte trecho: “A sentença de morte de um tribunal revolucionário deve ser cumprida por fuzilamento. No entanto, nos encontrávamos próximos ao inimigo, dentro de um cerco que pôde ser executado em virtude da existência de muitas estradas na região. O tenente Mendes foi condenado e morreu a coronhadas de fuzil, e assim o foi, sendo depois enterrado”.

No início de 1971, a VPR tinha mais militantes no exterior (Cuba, Chile e Argélia banidos e foragidos) do que no Brasil. Carlos Lamarca morreu em Brotas de Macaúbas, interior da Bahia, em 17 Set 1971, ao resistir à prisão. Como recompensa por estes e muitos outros atos criminosos, a família de Lamarca, embora já recebesse pensão do Exército Brasileiro, foi “presenteada” com uma indenização de mais de 100 mil dólares, doada pela famigerada “Comissão dos desaparecidos políticos”, no dia 11 Set 1996. Depois dessa ignomínia, o 11 de setembro deveria ser instituído no Brasil como o “Dia da Traição”, como já sugeriu o Deputado Jair Bolsonaro.

É nessa VPR-Palmares que “Rosa” foi se homiziar. Quais as atividades criminosas que Bete Mentes cometeu naquela organização? Ela nunca enumerou nenhuma. Não teve a coragem, p. ex., do terrorista Carlos Eugênio Sarmento da Paz, da Aliança Libertadora Nacional (ALN), que confessou ter praticado em torno de 10 assassinatos.

No dia 17 de agosto de 1985, os jornais de todo o País publicavam as acusações da deputada federal Elizabeth Mendes de Oliveira. Dizia a “atriz” global que havia se encontrado em Montevidéu com o homem que, 15 anos antes, a havia torturado. Como o coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra havia sido integrante da Operação Bandeirantes (OBAN), organização que havia acabado com o terrorismo em São Paulo, a esquerda revanchista não deixou passar a oportunidade de ouro: na comitiva da visita do Presidente Sarney ao Uruguai, Bete Mentes foi estrategicamente incluída no grupo para caluniar o militar.

Imediatamente, parlamentares, movimentos de “direitos humanos”, associações, exigiram a volta imediata de Ustra ao Brasil, ao mesmo tempo em que antigos terroristas eram recebidos como heróis no retorno ao País.

Mesmo sem apresentar provas contra Ustra, Bete Mentes conseguiu seu intento, que foi denegrir a figura de um oficial de conduta ilibada, como atestam as condecorações recebidas. Apesar da pressão recebida, o Presidente Sarney manteve o coronel Ustra no Uruguai, prestigiando o General Leônidas Pires Gonçalves, Ministro do Exército, que não cooptou com a farsa armada o que não viria a ocorrer durante o caso do coronel Avólio, que foi corrido da Embaixada de Londres pelo Presidente Fernando Henrique Cardoso, acusado de torturador, também sem provas.

Toda a verdade a respeito do caso Ustra, e da história da OBAN, pode ser vista no livro “Rompendo o Silêncio”, de autoria do próprio Ustra. Um excerto do assunto pode ser acessado no site Terrorismo Nunca Mais (Ternuma), http://www.ternuma.com.br/. O coronel Ustra, inúmeras vezes, solicitou uma acareação com a terrorista. Obviamente, nunca foi atendido.

Atualmente, além de “guerrear” em algumas novelas e seriados da TV Globo, como “Aquarela do Brasil”, Bete Mentes foi nomeada presidente da FUNARJ pelo Governador Antony Garotinho. Interessante a lógica de Garotinho: uma “araponga” de uma organização terrorista pode assumir cargo público, porém um antigo integrante do Serviço Nacional de Informações (SNI), Ministro Paulo Costa Leite, seu planejado candidato a vice, foi sumariamente defenestrado. Isso prova que a patrulha stalinista continua mais ativa hoje do que nunca. Jane Vieira de Souza, antiga “militante” da ALN, que participou do seqüestro de um avião, é hoje diretora do Arquivo Público do Rio de Janeiro. Como se vê, a alegre caravana dos terroristas anda tranqüilamente na casa de Garotinho.

O que eu não sabia é que Bete Mentes também é uma febiana. Se não combateu com a FEB na Itália, ao menos tem um grande apreço por nossos pracinhas. Sabem por quê? Por todas as suas atividades desenvolvidas esses anos todos na PAR-Palmares, ela foi convidada pelo Centro de Comunicação do Exército (C Com S Ex) para ser a apresentadora de um documentário, “Apresentação especial de documentário sobre a FEB”, que pode ser acessado no site do Exército, http://www.exercito.gov.br/.

Por mais esta, fica a palavra com o general Chefe do C Com S Ex, para explicar o inexplicável, pois, das duas, uma:

– ou os militares produtores do documentário do C Com S Ex são tão novos (ou tão ignorantes) que nunca ouviram falar da terrorista e pinóquio de saias; ou a canalhice também tomou conta do nosso glorioso Exército Brasileiro.

* O autor é ensaísta e militar de reserva. ttacitus@hotmail.com

A DITADURA CONTINUA: reposta ao sr. félix maier de pablo emmanuel

Prezado Sr.

Li seu texto na internet, cujo título é “A Febiana Bete, Mentes?”. Achei completamente sem fundamento e infantil a parte que o senhor diz sobre o Coronel Ustra assim: ” Mesmo sem apresentar provas contra Ustra, Bete Mentes conseguiu seu intento, que foi denegrir a figura de um oficial de conduta ilibada, como atestam as condecorações recebidas.”

Falando assim, parece até que condecorações militares são o cartão de visitas de caráter de um militar ou de qualquer uma pessoa. Os oficiais de Hitler também eram condecorados, e, depois das condecorações, iam para os pavilhões dos campos para decidir quem morreria. Sendo assim, condecorações militares só servem mesmo para aumentar a auto-estima do militar, para fazê-lo crer na sua carreira, para enfeitar a farda e fazer a esposa ter orgulho de estar casada com um militar.

O março de 64 teve conotação nitidamente terrorista, basta ver a ação de alguns implicados no evento, que tiveram participação no antigo Integralismo, movimento terrorista ideologico-militar dos anos 30 que era uma aberração. O Olimpio Mourão Filho era integralista. Quando sublevou as forças em Minas, cometeu um ato terrorista.

No RioCentro, em 81, terroristas do Exercito se deram mal. O artefato explodiu na cara deles, um foi embora e o outro, dia desse, foi flagrado pela TV fazendo compras num supermercado. Se o atentado desse certo, imagine a tragédia que seria. ISSO É TERRORISMO. Causar baixas em população civil, como queriam os terroristas dentro do carro Puma.

O Delegado Otavinho, descrito como um moço religioso no livro do Ustra, era do Comando de Caça aos Terroristas, participou da tortura, massacre e morte de Virgílio Gomes da Silva, da ALN, na OBAN. O Dr. Otavio foi fulminado em Copacabana. Era um terrorista, voluntário da OBAN.

Eu sei que a esquerda tem manias horriveis ate hoje, cometeu erros lamentáveis e ainda comete etc. Mas os militares nao fazem autocritica, permanecem no retrocesso conservador. Isso é prova de que nunca vão mudar. E tem uns que acham que o mundo ainda vivem na Guerra Fria.
Se permitiram a Bete Mendes apresentar um documentario para o Exercito, é porque a corporação deve ter gente disposta a injetar sangue novo lá dentro, abrir a janela pra sair o mofo podre, e tomara que as FAs mudem pelo menos um pouco, para poder afastar os fantasmas do passado que, alem de nao assumirem suas condutas, querem defender o indefensável: o ano de 1964.
Nunca Mais!

Dizem que as FAs sempre tiveram compromisso com a democracia. Que embuste! Tendo em vista as tentativas de golpe ao longo do seculo XX, confirma-se a mentira de que 64 foi uma revolução democrática. Acusam os comunistas de terroristas e assassinos, mas conspirar para impedir a posse de um presidente, como o JK na época, nao é terrorismo? Claro que é.

E outra: eu tenho o livro do Ustra. Alias, ele é uma sucessão de erros horriveis. Ele diz que James Allen Luz, da VAR, morreu num acidente de carro em outubro de 73, mas depois escreve que ele fez um assalto em dezembro do mesmo ano. Getulio de Oliveira Cabral, militante conhecido como “Gogó”, morto em 1972, aparece como sendo um dos que participaram da morte do Santo Delegado Otavinho em fevereiro de 73.

O livro do Ustra, se não me engano, é de 1986. De lá para cá, com as pesquisas que avançaram, o livro perdeu a pompa e foi desmentido totalmente. Tem pouco valor. E ainda assim é manual de cabeceira do TERNUMA. Virou um folhetim velho.
Não sou antimilitar, de jeito nenhum. Sou contra o militar teimoso e saudoso de 64, e que teima em querer pregar que as FAs devem se meter com politica nem que seja atraves de um golpe, se necessario, jogando, assim, no lixo a sua tradição profissional, para se aventurar a derrubar o poder constituido e defender uma classe. Isso sim é aventureirismo. E que acaba em desgraça.

Eu imagino o tanto que não foi roubado do povo brasileiro naquela época entre 64 e 84. Com a imprensa censurada, hein? Não há mensalão que chegue perto… O Brasil nunca foi tao desgraçado e pobre, e violentado, do que na ditadura militar. E a inflação? Foi o Sarney que pegou a bomba! Bela herança dos generais.

Obrigado, milagre econômico!

Nunca mais!

Subscrevo,

Pablo

***

Resposta de Félix Maier

Brasília, 22/02/2006

Sr. Pablo,

Inicialmente, quero agradecê-lo pela intervenção feita, em comentários a respeito de meu texto “Bete, Mentes?”. No entanto, não posso concordar com sua opinião a respeito de fatos históricos ocorridos recentemente no Brasil, de modo geral denotando ignorância pura ou má-fé extrema. Salvam-se poucas coisas nesse seu cipoal de “frases de pau”, de sotaque esquerdoso – o que é comum nestes tempos que vão da Nova República à República dos Bandidos.

Para melhor rebater suas posições e questionamentos, como diria o esquartejador, “vamos por partes”.

Não seria nem preciso dizer que os soldados de Hitler eram valentes, por certo mereceram as medalhas recebidas, assim como os soldados russos que defenderam heroicamente Stalingrado contra o cerco nazista. Normalmente, as medalhas são um reconhecimento da Força por atos heróicos ou bons serviços prestados em prol da Pátria. Não é o que acontece atualmente, quando tipos como José Genoíno e outros recebem a Medalha do Pacificador a troco de não sei o quê, pois nunca pregaram a pacificação nacional, pelo contrário, até promoveram uma guerrilha, a do Araguaia, que tinha por finalidade, não devolver a democracia “caçada” pelos militares, porém implantar outra ainda mais tenebrosa, aquela ainda hoje vigente em Cuba e na Coréia do Norte.

Os militares do Centro de Comunicação Social do Exército, sediado no “Forte Apache”, em Brasília, não estão de todo errados em “confraternizar” gravações de video tapes, digamos assim, com antigos guerrilheiros e terroristas, chamando alguns deles para gravações, como foi o caso de Bete, Mentes. E não é porque a turma hoje seja da nova guarda, de “sangue novo”, pretensamente mais democrática, como o senhor insinua. Sempre foi da índole militar pregar e praticar a anistia geral e irrestrita a revoltosos de todos os calibres, a começar pelo Duque de Caxias, que nunca humilhou seus adversários vencidos, pelo contrário, sempre conseguiu reintegrá-los à sociedade, a exemplo dos farroupilhas. Posteriormente, o Exército reintegrou antigos tenentes revoltosos da Coluna Juarez Távora (apelidada pelos comunistas de “Coluna Prestes” – como sempre, a ética, seja a petista ou a de qualquer outro grupo esquerdoso, como disse FHC, é a de “roubar” o que é direito de outros). Assim, se a “juventude militar” chamou Bete, Mentes? para uma gravação, não foi porque os atuais militares são diferentes daqueles que hoje vestem pijamas, porém provaram mais uma vez que, se dependesse deles, tudo o que ocorreu no passado já estaria totalmente esquecido. Em resumo, a anistia já estaria completamente implantada em nosso País. Infelizmente, a recíproca não é verdadeira. Observa-se, até hoje, um revanchismo cruel, sistemático e criminoso da esquerda contra as Forças Armadas que no passado tiraram o Brasil da anarquia gerada pela dupla carbonária Jango-Brizola, ao mesmo tempo em que concedem milionárias indenizações a terroristas e/ou familiares, uma vergonha nacional. Essa esquerda persegue as Forças Armadas que promoveram o maior desenvolvimento já havido em nosso País, que passou da 46ª economia para a 8ª mais rica do planeta. Lamentavelmente, muitos embusteiros, como o senhor, não conseguem ver o óbvio, por estultice ou má-fé.

Sobre integralistas, faltou o senhor se referir ao vaidoso Dom Élder Câmara, o “bispo vermelho” que trocou a camisa verde pela camisa da demagogia esquerdista, fazendo palestras mundo afora para denegrir sua própria pátria, defendendo comunas sem vergonha.

Embora a esquerda só fale em “tortura”, em “pau-de-arara”, há uma lista enorme de obras promovidas pelos militares: consolidação da nova capital, Brasília (antes, uma grande parte dos ministérios ainda se encontravam no Rio; e Jango, a reboque de Brizola, em vez de completar a mudança, ficava mais no Rio do que em Brasília, onde, em vez de governar, promovia arruaças com marinheiros insubordinados em comícios na Central do Brasil e no Clube do Automóvel), criação da Embraer, do Banco Central, de hidrelétricas monumentais (Itaipu, Sobradinho, Ilha Soleteira, Tucuruí etc.), da Usina Nuclear de Angra dos Reis, do sistema “brás” (Telebrás, Eletrobrás, Siderbrás, Portobrás etc.), da Embratel (antes, uma ligação telefônica do Rio a São Paulo, muitas vezes, levava até 2 dias para ser realizada), TV a cores (tecnologia desenvolvida por um oficial-engenheiro do IME), Ponte Rio-Niterói, metrôs do Rio e de São Paulo, de rodovias, de refinarias, do início de prospecção e produção de petróleo em águas profundas (Bacia de Campos), do Proálcool, etc. etc. etc., enfim, de toda uma infra-estrutura que fez, durante anos, o Brasil obter taxas de crescimento acima de 10% ao ano. Obviamente, nada disso informaram ao senhor na escola…

E por que foi abortado o “milagre” brasileiro? Simplesmente porque a esquerda asquerosa e nacionalisteiros burros inventaram na década de 1950 o slogam “o petróleo é nosso”, criando uma estatal, a Petrobrás, não permitindo que capitais nacionais e estrangeiros participassem da empreitada. O resultado aí está: até hoje não conseguimos a auto-suficiência em petróleo. A Argentina, que começou a explorar petróleo na mesma época, porém, não sofreu desse mal nacionalisteiro babaca, e em 5 anos passou de importador a exportador! Não fosse a burrice brasileira, até hoje exaltada por babacas de todos os matizes, desde os comunas salafrários até os milicos idiotas da atual ESG, provavelmente o Brasil teria se saído muito melhor nos dois choques violentos de petróleo ocorridos em 1973 e 1979. Não houvesse existido a burrice genuinamente brasileira, com certeza teríamos continuado a crescer dentro dos índices soberbos vistos no Governo Médici, quando era normal o Brasil crescer 13% ao ano. Esse enfoque, certamente, ainda não foi apresentado ao señor Pablo Emmanuel. Por isso escreveu tanta asnice no texto acima.

Señor Pablo: concordo que nem tudo o que os militares fizeram merece aplausos, como ocorre com qualquer governo. Nem JK agradou a todos, embora tenha sido o estadista número um do Brasil, seguido por Getúlio, Castello Branco e Médici, não necessariamente nessa ordem. No período militar, bons foram Castello e Médici; Costa e Silva foi medíocre; Geisel foi uma espécie de Lula fardado e sem barba, preferia ser o primeiro dos últimos (movimento dos “Não-alinhados”, à moda de Násser) em vez de tentar ser o último dos primeiros, o que seria mil vezes melhor para o Brasil; e Figueiredo um desastre geral. Aliás, o Governo Figueiredo acabou no exato momento em que explodiu a bomba no Rio Centro: em vez de mandar apurar seriamente o que houve, acobertou o crime mediante um IPM que foi uma farsa de tal tamanho que merece ir para o livro do Guinness. O coronel que inicialmente foi designado para presidir o IPM foi afastado por não aceitar o embuste proposto pela cúpula governamental. É a única coisa que concordo plenamente com o senhor, o episódio do Rio Centro foi um ato criminoso, perpetrado por militares que não aceitavam a “abertura, lenta e gradual” iniciada por Geisel. Só achei ridículo o senhor criticar que o oficial que quase também foi explodido naquele desastroso “acidente de trabalho” ocorrido no Puma não tenha o direito de ir a um supermercado. Para o señor Pablo os antigos terroristas de esquerda podem ser ministros (Aloysio Nunes “Ronald Biggs” Ferreira), parlamentares (José Genoíno), governadores, juízes, prefeitos etc. Os terroristas de outra mão (que não a inglesa) não têm sequer o direito de ir a um supermercado. Idiota, vá lá, porém não seja ridículo, Sr. Pablo!

Quanto aos possíveis erros cometidos pelo coronel Ustra em seu livro “Rompendo o Silêncio”, penso que, se houve, não foram feitos de má-fé. Elio Gaspari cometeu erros graves em sua trilogia “Ditadura”, não sei se de propósito, se de má-fé. Vários autores de esquerda também cometeram equívocos, propositados ou não. Porém, tenho uma certeza: acredito muito mais no que um coronel Ustra diz do que em mil Bete, Mentes?, uma antiga terrorista, depois deputada petista que, como todo esquerdista, nunca teve qualquer compromisso com a verdade. Aliás, em célebres citações Lênin diz que “a verdade é um preconceito pequeno-burguês” e “os fins justificam os meios”. É preciso dizer mais?

E para finalizar, señor Emmanuel, o movimento de 1964 não foi um ato terrorista, como o senhor afirma, demonstrando mais uma vez uma ignorância soberba ou uma má-fé sem limites. Foi um movimento democrático, alicerçado em entidades civis (IPES, CAMDE), que levaram multidões às ruas para exigir dos militares o fim da baderna da dupla maragata Jango-Brizola. Será que, para o senhor, somente meia dúzia de caras-pintadas é que tem o direito de ser a “voz rouca das ruas”, como no caso Collor? É só o senhor ir a uma biblioteca e ver os jornais da época, para comprovar que milhares de pessoas fizeram várias passeatas, uma chegou a 1 milhão de pessoas no Rio de Janeiro para agradecer os militares que desencadearam o movimento. Editoriais de vários jornais exigiam o fim da babúrdia, não só o do Roberto Marinho, é só o senhor conferir. O movimento foi vitorioso, os comunas foram presos ou fugiram, e, legalmente, foi constituído o governo Castello Branco, a quem JK deu seu voto. Foi legal, sim, senhor Pablo, assim como foram legais as revoluções russas e cubana, reconhecidas por todos os governos. Ou será que o senhor também nunca leu nossa constituição que diz que as Forças Armadas tem as prerrogativas de garantir a lei e a ordem, além dos poderes constituídos? Porém, se os governantes, como foi o caso de Jango, não têm nenhum compromisso com a paz social, nem com as leis em vigor, pelo contrário, permitem que baderneiros de esquerda promovam a subversão da ordem constituída, as Forças Armadas têm, sim, o poder de interferir e exigir que as leis sejam respeitadas. Nem por nada que a esquerda que participou da última Constituinte quis tirar tal prerrogativa das Forças Armadas, graças a Deus sem sucesso.

Quanto ao pretenso golpe contra JK, é bom lembrar que houve um ridículo “putsch” de oficiais da FAB, logo debelado pelo Exército, e seus integrantes anistiados pelo presidente. Quem queria impedir a posse de JK não eram os militares, porém políticos da UDN, especialmente o carbonário de direita chamado Carlos Lacerda. O general Lott, então ministro da Guerra, garantiu a posse de JK, embora tenha caído no canto da sereia populista e esquerdista, recebendo a famigerada “espada de ouro”, transformando-se posteriormente, durante o governo de João Goulart, num ridículo e prosaico “general do povo”. Coisas do Brasil.

O movimento de 64, melhor seria chamá-lo de “Contra-revolução de 1964”, pois já havia um processo revolucionário em andamento no Brasil, com ingerência soviética e cubana. Claro, o senhor mais uma vez vai dizer que nunca ouviu falar dos “Folhetos cubanos”, de armas contrabandeadas de Cuba para o Brasil, das “Ligas Camponesas” de Francisco Julião, nem que o traidor Luiz Carlos Prestes disse em Moscou, junto a seus chefes do Komintern, em janeiro de 1964, que “os comunistas já estão no governo, só falta tomar o poder”. A cartilha em que o senhor estudou eu sei qual é: é aquela escrita pela canalha comunista. Deixa de ser embusteiro, señor Emmanuel!

Com os protestos de

Félix Maier
Capitão QAO do Exército (Reserva), escritor e articulista de Mídia Sem Máscara.

***

De: Pablo Emmanuel
Enviado: quinta-feira, 23 de fevereiro de 2006 00:01:01
Para: Félix Maier
Assunto: Re: Bete Mendes e outras coisas

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OLÁ CAPITÃO

ACABO DE RECEBER SUA MENSAGEM DE CONTRA-ATAQUE. TUDO BEM, LI COM RESPEITO TUDO O QUE O SENHOR ME DISSE.

AGORA DEIXE-ME DIZER SÓ UMA COISA, POIS NAO VOU ME ALONGAR MAIS EM CONVERSA NENHUMA PORQUE NUNCA NÓS NOS ENTENDEREMOS:

AS FORÇAS ARMADAS SÃO MUITO IMPORTANTES PARA O BRASIL, E É PRECISO QUE ELAS SAIBAM QUE OS COMUNISTAS NÃO SÃO INIMIGOS DO PAÍS NEM DOS MILITARES.

OS COMUNISTAS, PELO MENOS AQUELES QUE SÃO MAIS HONESTOS (PORQUE NA ESQUERDA HÁ SIM, CRÁPULAS TAMBEM) AMAM O PAÍS ASSIM COMO VCS, E LUTARIAM AO LADO DE VCS CASO A SOBERANIA FOSSE AMEAÇADA (VEJA O CASO DA AMAZONIA).

O ÓDIO QUE VCS TEM POR NÓS VEM DESDE 1935, COM O FRACASSO DA QUARTELADA DO PRESTES, ORIENTADO POR MOSCOU. SABEMOS QUE AQUILO FOI UM ERRO E OS COMUNISTAS ADMITEM ISSO. MAS ACREDITO QUE O ÓDIO QUE VCS TEM PELA ESQUERDA É ALGO QUE ME PARECE INCURÁVEL.

SAÚDE PARA O CAPITÃO E PARA O SENHOR USTRA

SUBSCREVO

PABLO

***

Resposta, em 23/02/2006, de Félix à tréplica do señor Pablito:

Tem razão, señor Pablo, quando diz que “o ódio que vcs têm pela esquerda é algo que me parece incurável”. Simplesmente, não se pode compactuar com o cérbero totalitário formado pelas bocarras do comunismo, do nazismo e do fascismo. Combater esse monstro horrendo é apenas defender a dignidade humana.

 

COMO TRABALHAR A POESIA EM SALA DE AULA – por luciana claudia de castro olímpio

 

“A poesia sensibiliza qualquer ser humano. É a fala da alma, do sentimento. E precisa ser cultivada.”

Afonso Romano de Sant’AnnaMesmo sabendo da importância da poesia na vida dos seres humanos como mostra acima Afonso Romano, muitas escolas esqueceram-na, principalmente nas séries iniciais, dando mais espaços, entre aspas, para coisas mais importantes e mais sérias, como também para textos em prosa, privando os alunos dessa “experiência inigualável”, conforme caracteriza Maria Helena Zancan Frantz (1998, p. 80)

Neste artigo, enfatiza-se a necessidade de educadores, principalmente nas séries inicias, pois o aluno só cria hábito se for iniciada desde muito cedo, trabalharem com poesia na sala de aula ou fora dela.

O objetivo não é transformar os discentes em grandes escritores de poemas, até porque se precisa ter dom para esta arte, mas sim transformá-los em leitores aptos a interpretar e compreender o que o poeta quis transmitir em meio aos versos, além de propor que os educandos não percam a poesia que nasce neles desde quando as mães cantavam cantigas de ninar para que dormissem e depois quando brincavam de cantigas de roda, adivinhas, trava línguas etc.

Com esse objetivo, proponho alternativas de trabalhos com poesia e didáticas para implantação tanto no Ensino Fundamental como para o Ensino Médio baseadas nas idéias dos escritores relacionados no parágrafo abaixo.

Vários autores vêm pesquisando as questões da leitura e de trabalhos de poesias em sala de aula como Pinheiro (2002), Micheletti (2001), Frantz (1997), Cunha (1986) e investigam as dificuldades que os alunos possuem de interpretar estes textos, não só pela falta do conhecimento prévio, mas também pelo pouco contato que eles têm com a poesia.

Metodologia
Atualmente, a prática da leitura de poesia está um pouco esquecida nas escolas. Isso ocorre devido ao pouco contato, desde os primórdios de sua formação, dos educadores de Língua Materna.

“Está claro que a personalidade do professor e particularmente, seus hábitos de leitura são importantíssimos para desenvolver os interesses e hábitos de leitura nas crianças, sua própria educação também contribui de forma essencial para a influência que ele exerce.” (Banberger, 1986)

Sem trair o escritor estudado, posso afirmar que se o professor não tiver um hábito de ler poemas e não se sensibilizar ao ler uma poesia, dificilmente conseguirá despertar esse interesse em seus alunos como afirma Cunha (1986, p. 95):

“… se o professor não se sensibilizar com o poema, dificilmente conseguirá emocionar seus alunos.”

Sabidos de que a poesia é um dos gêneros literários mais distantes da sala de aula, é preciso descobrir formas de familiarizar e de aproximar as crianças e os jovens da poesia. E essa forma de familiarização e aproximação deve ser feita com parcimônia e através de um planejamento para evitar as várias afirmações de que os poemas são de difíceis interpretações e entendimento.

Pinheiro (2002, p.23) afirma que “… a leitura do texto poético tem peculiaridades e carece, portanto, de mais cuidados do que o texto me prosa.”

Assim a poesia não é de difícil interpretação, apenas necessita de mais cuidado e atenção para que ocorra um entendimento da mesma. A aprendizagem da interpretação da poesia compreende o desenvolvimento de coordenar conhecimentos dos vários sentidos que um texto poético proporciona.

Uma forma para melhorar a aprendizagem é a aproximação constante da poesia, como também a utilização do conhecimento prévio. O conhecimento prévio engloba o conhecimento lingüístico, que abrange desde o conhecimento sobre pronunciar o português, passando pelo conhecimento de vocabulário e regras da língua, chegando até o conhecimento sobre o uso da língua. O conhecimento do texto, que se refere às noções e conceitos sobre o texto, e, por último, o conhecimento de mundo, que é adquirido informalmente através das experiências, do convívio numa sociedade, cuja ativação, no momento oportuno, é também essencial à compreensão de um poema.

Se estes conhecimentos não forem respeitados, o entendimento e a compreensão do poema podem ficar prejudicados, e assim, como foi dito anteriormente, de difícil interpretação.

Como exemplo do que foi exposto no parágrafo anterior, coloco excerto do poema “Balada do amor através das idades”, de Carlos Drummond de Andrade (Cinco Estrelas, 2001, p. 26).

“Eu te gosto, você me gosta
desde tempos imemoriais.
Eu era grego, você troiana
Troiana mas não Helena.
Saí do cavalo de pau
Para matar seu irmão.
Matei, brigamos, morremos.

(…)

Mas depois de mil peripécias,
Eu, herói da Paramount,
Te abraço, beijo e casamos.

A compreensão do poema acima pode ficar comprometida se o leitor não tiver um dos conhecimentos acima citado. A poesia de Drummond exige do discente um bom conhecimento de mundo e da história para que ele entenda a poesia, pois nela é citado, de certa forma, a Guerra de Tróia, os costumes romanos como também expõe o nome de um dos mais poderosos estúdios de Hollywood, dando referência aos finais felizes dos filmes.

Para amenizar os problemas do distanciamento, de interpretação e de compreensão poética, é necessário que o professor compreenda que o ato de interpretar um poesia não pode ficar restrito a sua forma de apresentação sobre uma página, ou seja, como ocorre a disposição das palavras, dos versos, das rimas e das estrofes, e nem somente pelos questionamentos apresentados nas atividades de interpretação propostas pelos livros didáticos, pois as perguntas são impressionistas. Assim afirma Micheletti (2001, p. 22):

“Freqüentemente a interpretação textual dadas nos livros e materiais afins tem um caráter ‘impressionista’, ou seja, o autor das questões propostas ou dos comentários, registram as suas intuições, as suas impressões sobre o texto.”

É necessário ressaltar que o professor deve partir de uma leitura poética do mundo, fazendo da poesia motivo de apreciação lúdica e de motivação para a produção de intertextualidade ( relação existente entre textos diversos, da mesma natureza ou de naturezas diferentes e entre o texto e contexto) e de muitas outras formas de criar com seriedade, mas brincando com palavras.

Segundo Elias José (2003, p. 11) , “vivemos rodeados de poesia”, ou seja, poesia é tudo que nos cerca e que nos emociona quando tocamos, ouvimos ou provamos, poesia é a nossa inspiração para viver a vida.

Conforme Elias José (2003, p. 101), “ser poeta é um dom que exige talento especial. Brincar de poesia é uma possibilidade aberta a todos.”. Então, se todos podemos brincar de poesia, por que não trabalharmos a poesia de forma lúdica? Assim proponho atividades que oportunizem momentos lúdicos aos alunos, tendo em vista exercícios de imaginação, de fantasia e de criatividade e ao mesmo tempo mostrar a vida de uma forma mais poética, com maior liberdade para construir seu conhecimento.

Todas as estratégias capazes de aguçar a sensibilidade da criança e do adolescente para a poesia são válidas. É interessante para isso, que a poesia seja freqüentemente trabalhada para que ocorra um interesse por ela.

Um dos processos para o educador iniciar este trabalho, é ele fazer uma sondagem para descobrir os temas de maior interesse dos alunos, proporcionando uma maior participação. Este levantamento pode ser de forma direta, através de pequenas fichas ou ouvindo e anotando as temáticas preferidas dos alunos. Outro método é descobrir os filmes, os programas de rádios e de televisão que mais gostam. Isso é necessário para o professor saber que tipo de poesia pode levar para a sala de aula. Vale ressaltar que cada sala tem um gosto diferente. No entanto não se pode prender-se somente aos temas escolhidos pelos discentes. A variedade e a novidade também são métodos eficazes para a aprendizagem.

Faz-se necessário, antes de iniciar as atividades poéticas, preparar um ambiente adequado, principalmente nas séries iniciais, para que os alunos sintam-se a vontade para recitar e interpretar os textos poéticos. Além de uma biblioteca agradável, ventilada, espaçosa e com um acervo bem variado para que os estudantes possam escolher livremente na prateleira o livro que quiser.

Trabalhar com poesia em pares é muito interessante. Este trabalho é realizado de duas maneiras: primeiro, através da leitura da poesia, depois são propostas as atividades interpretativas, nada de questões objetivas, já que cada pessoa interpreta um texto de forma diferente, mas de maneira coerente.As duplas conversam sobre o texto, analisam as possibilidades possíveis e escrevem o que foi apreendido.

É através das diferenças individuais que a troca de experiências vai sendo edificada, como também a partir da reflexão e da construção social do conhecimento sustentada pela interação dos indivíduos envolvidos. Essa interação entre os sujeitos é fundamental para o desenvolvimento pessoal e social, pois ela busca transformar a realidade de cada sujeito, mediante um sistema de trocas.

É proveitoso ressaltar também que construir um cantinho para fixar vários tipos de poesia é um método eficaz para o incentivo da leitura e interpretação poética, pois quanto mais se lê, mais se aprende e cria o hábito da leitura não só de poesia como de outros tipos de textos. Pinheiro (2002, p. 26) afirma que:

“Improvisar um mural, onde os alunos, durante uma semana, um mês, ou o ano todo colocam os versos de que mais gostam (…) de qualquer época ou autor, são procedimentos que vão criando um ambiente (…) em que o prazer de lê-la passa a tomar forma.”

Não satisfeita ainda com as metodologias apresentadas, proponho mais alguns métodos que são incentivadores para a prática da leitura de poesia, como o momento poético, a poesia e as datas comemorativas e a apresentação da poesia em forma de dança, desenho ou interpretação teatral.

 

O primeiro, momento poético, é um artifício aplicado em sala de aula, em que os estudantes, dispostos de forma bem a vontade, sentados no chão ou em almofadões, se a escola possuir, uma música suave ao fundo, recitam poesias de preferência pessoal, ligadas, de preferência ao momento literário estudado, buscando, junto aos colegas, descobrir a mensagem transmitida pelo autor da poesia. O segundo, a poesia e as datas comemorativas, apesar de ser bastante criticada, também é uma forma proveitosa de aprender a gostar e interpretar a poesia. Como é o caso do dia 07 de Setembro em que os brasileiros mostram seu patriotismo comemorando a independência do Brasil. O mestre pode trabalhar a poesia de Gonçalves Dias, “Canção do Exílio” , fazendo primeiramente uma leitura crítica, levando os discentes a observar a poesia e fazer um paralelo da época em que a canção foi feita e se a terra natal (Brasil) hoje é tão perfeita como apresenta Gonçalves Dias em sua poesia.Trabalhar a poesia ligada as datas comemorativas só se torna enfadonho, pouco proveitoso, sem criatividade e método empobrecido, quando a poesia só é lembrada nestas datas.

O último método citado neste artigo, é a apresentação da poesia em forma de dança, desenho ou interpretação teatral. Um exemplo do primeiro, a dança pode ser representada pela poesia “A Bailarina”, de Cecília Meireles, em que as crianças ou adolescentes podem formar um grupo de dança, todas vestidas de bailarina, para interpretar corporalmente a poesia abaixo que deve ser recitada por um outro estudante. Não é obrigatório o professor trabalhar com esta poesia, ela pode ser substituída por outra, tudo depende do docente ou dos alunos.

“Esta menina
tão pequenina
quer ser bailarina.

Não conhece nem dó nem ré
Mas sabe ficar na ponta do pé.

Não conhece nem mi nem fá
Mas inclina o corpo para cá e para lá.

Não conhece nem lá nem si
Mas fecha os olhos e sorrir.

Roda, roda, roda com os bracinhos no ar
E nem fica tonta nem sai do lugar.

Põe no cabelo uma estrela e um véu
E diz que caiu do céu.

Esta menina
tão pequenina
quer ser bailarina.

Mas depois esquece todas as danças,
E também quer dormir como as outras crianças.

No caso do desenho, ótimo método para se trabalhar tanto nas aulas de Língua Portuguesa como nas de Artes. Os alunos em grupo tentam interpretar a poesia lida através do desenho, para depois apresentar aos colegas de sala para também ser analisada por eles. Depois os desenhos podem ser colocados ao lado da poesia referente a cada um e exposto em um mural em toda a escola ou só na sala de aula.

O “Soneto”, de Álvares de Azevedo, pode ser um exemplo para ser apresentado em forma de teatro lido. O narrador representa o eu lírico, lendo a poesia enquanto uma aluna representa a mulher recitada nos versos.

“ Pálida, à luz da lâmpada sombria,
Sobre o leito de flores reclinada,
Como a lua por noite embalsamada,
Entre as nuvens do amor ela dormia!

Era a virgem do mar! Na escuma fria.
Pela maré das águas embaladas,
Era um anjo entre nuvens d’alvorada
Que em sonhos se balançava e se esquecia!

Era mais bela! O seio palpitando…
Negros olhos as pálpebras abrindo…
Formas nuas no leito resvalando…

Não te rias de mim, meu anjo lindo!
Por ti – as noites eu velei chorando;
Por ti – nos sonhos morrerei sorrindo!”

Estas aulas anteriormente citadas são bem lúdicas. Os alunos aprendem em grupo, de forma bem participativa, a interpretar e compreender as poesias tendo contato com as idéias dos amigos de sala.

As poesias também podem ser trabalhadas como ajuda para produções de textos, como é o caso das poesias de Manuel Bandeira, grande escritor do Modernismo brasileiro, “O Bicho” ( retrata a desigualdade social), “O Poema tirado de uma notícia de jornal (incentiva a produção de uma narração relatando o cotidiano humilde das pessoas desprestigiadas socialmente) e para finalizar, tem-se “Irene Preta” (retrata o preconceito racial).

Este trabalho exige que o aluno descubra qual o tema apresentado na poesia, para depois escrever, de acordo com o gênero exigido, o texto.

A poesia pode ser trabalhada não só nas aulas de Língua Portuguesa, mas também nas aulas de História, Geografia e outras como é o caso da poesia “A Rosa de Hiroxima”, de Vinícius de Moraes, que retrata o triste acontecimento da explosão da bomba atômica em Hiroxima.

“Pensem nas crianças
Mudas telepáticas
Pensem nas meninas
Cegas inexatas
Pensem nas mulheres
Rotas alteradas
Pensem nas feridas
Como rosas cálidas
Mas oh não se esqueçam
Da rosa da rosa
Da rosa de Hiroxima
A rosa hereditária
A rosa radioativa
Estúpida e inválida
A rosa com cirrose
A anti-rosa atômica
Sem cor, sem perfume
Sem rosa sem nada
Esta poesia, como foi dito acima, pode ser trabalhada numa aula de história, que o professor, através dos versos, pode explicar todo o conteúdo desse aterrorizante acontecimento. Pode explicar, por exemplo, por que o poema se chama A Rosa de Hiroxima, como também explicar que os escritores modernistas transplantavam o momento vivido para as poesias, como é o caso de Vinícius.

Conclusão

Os professores devem trabalhar poesias e textos poéticos com seus alunos pois estes vêm sendo indicados como um dos meios mais eficazes para o desenvolvimento das habilidades de percepção sensorial da criança e do adolescente, do senso estético e de suas competências leitoras e, conseqüentemente, simbólicas.

A interação com a poesia é uma das responsáveis pelo desenvolvimento pleno da capacidade lingüística da criança e do adolescente, através do acesso e da familiaridade com a linguagem conotativa, e refinamento da sensibilidade para a compreensão de si própria e do mundo, o que faz deste tipo de linguagem uma ponte imprescindível entre o indivíduo e a vida.

Referências Bibliográficas
AMARAL, Emília; ANTÔNIO, Severino; FERREIRA, Mauro; LEITE, Ricardo. Novas Palavras: Literatura Gramática, Redação e Leitura. São Paulo: FTD, 1997 – Coleção Novas Palavras, V.2, p. 60.
CUNHA, Maria Antonieta Antunes. Literatura Infantil: Teoria & Prática. 5ª ed. São Paulo: Ática, 1986.
FRANTZ, Maria Helena Zancan. O Ensino da Literatura nas séries iniciais. 2ª ed. Ijuí: Unijuí, 1997.
JOSÉ, Elias. A poesia pede passagem: um guia para levar a poesia às escolas. São Paulo: Paulus, 2003.
In: MACHADO, Ana Maria. Cinco estrelas. Literatura em minha casa. V.1. Rio de Janeiro: Objetiva, 2001.
In: MICHELETTI, Guaraciaba (Coord.) Leitura e Construção do real: o lugar da poesia e da ficção. 2ª ed. São Paulo: Cortez, 2001. (coleção aprender e ensinar com textos, v. 4)
In: PINHEIRO, Helder; BANBERGER, Richard. Poesia na sala de aula. 2ª ed., João Pessoa: Idéia, 2002.

Meio ambiente: A CONTA QUE NÃO FOI FEITA – por joão suassuna

Na defesa do desenvolvimento a todo o custo, o governo federal já se engasgou com a espinha de um bagre do rio Madeira e se atolou na lama dos seus sedimentos. Enquanto isso, o país segue na rota da escuridão.

Quando não se quer que um determinado assunto prospere, ou quando os resultados de uma discussão não satisfazem as expectativas da sociedade brasileira, criam-se comissões. No nosso cotidiano, são vários os exemplos que mostram essa realidade e, não raro, têm envergonhado o povo brasileiro.

Quem não lembra das ações da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) criada para investigar o mensalão e que acabaram não chegando aos resultados esperados pela nação? A grande maioria dos envolvidos naquele caso foi inocentada e, o que é pior, continua legislando.

Agora, estamos diante da criação do Instituto Chico Mendes de conservação da biodiversidade, dentro do próprio Ibama, órgão que atuará no licenciamento ambiental dos projetos de hidrelétricas na região amazônica. Idealizado pela ministra Marina Silva para satisfazer as exigências do governo federal, quanto ao licenciamento ambiental das obras contidas no Plano de Aceleração do Crescimento (PAC), esse instituto já está sendo alvo de severas críticas, por ser considerado desnecessário, tendo em vista a sua atuação ir de encontro às ações que são de responsabilidade do próprio corpo técnico do Ibama. Esta ambigüidade de ações resultou em uma greve de grandes proporções no órgão.

A criação do instituto está parecendo um ato cujos resultados tendem a ser inócuos.Se essa moda pega, é de se supor que para o tratamento de assuntos relacionados à desertificação do Nordeste, o Ibama seja orientado a criar o Instituto Vasconcelos Sobrinho (ecólogo pernambucano que primeiro denunciou a formação de desertos no Nordeste), cujo desempenho também será duvidoso.

Na nossa ótica, o corpo técnico do Ibama tem toda a razão de estar desgostoso com a instituição, tendo em vista que há competência técnica interna para assumir e dar conta das questões ambientais do país, sem a necessidade de serem criados esses apêndices. Afirmo isso por experiência própria, pois iniciei a carreira profissional no órgão, em meados da década de 70, quando ele ainda era denominado Instituto Brasileiro de Desenvolvimento Florestal (IBDF). Recordo do interesse e da preocupação da instituição em capacitar seus técnicos, levando sempre em consideração o binômio desenvolvimento versus custo ecológico.

Faz sentido colocarmos aqui essas questões, tendo em vista o atual dilema vivenciado pelo Ministério do Meio Ambiente na implementação do PAC: proporcionar o desenvolvimento do país com o menor custo ecológico possível. 

O fato preocupante é que o Ibama é um órgão de governo e, como tal, deve cumprir a lei e não a vontade do chefe da nação.

Militante nas questões ambientais há muitos anos, a ministra Marina vive momentos difíceis em sua pasta, principalmente ao defender a transposição do rio São Francisco – projeto que consta do PAC -, ao julgar suas ações ambientalmente seguras. Mas como conceder o licenciamento ambiental a um projeto polêmico, tecnicamente deficiente e ambientalmente impactante, sem que o mesmo seja precedido de uma ampla e profunda discussão junto a sociedade? E não é o único caso. As hidrelétricas do rio Madeira que irão alagar uma extensa área com rica biodiversidade na região amazônica quando prontas são outro bom exemplo que precisa ser discutido com a participação da sociedade.

A ministra já deu depoimentos favoráveis ao projeto da transposição, por entender que o mesmo não apresenta problemas técnicos, sendo, portanto, ambientalmente seguro. Ora, como acreditar na excelência técnica de um projeto demasiadamente caro, quando o rio a ser transposto já deu sinais de debilidade hídrica no ano de 2001, obrigando o governo federal a proceder ao racionamento de energia? Caso já existisse o projeto naquele ano, como ficaria a população que seria abastecida com as águas do Velho Chico, cujos volumes já eram insuficientes para garantir a geração e o pronto atendimento da demanda energética dos nordestinos? Nesse cenário, será que a ministra acredita piamente que esse rio tenha condições de abastecer 12 milhões de pessoas na região setentrional nordestina, sem antes pôr em risco todos os investimentos havidos ao longo da sua bacia?

A prioridade de uso das águas do São Francisco para o abastecimento humano é um assunto que merece reflexão. Entendemos que o maior opositor do projeto de transposição é o próprio governo federal, ao editar recentemente, pela Agência Nacional de Águas (ANA), o Atlas Nordeste de abastecimento urbano. Esse tabalho mostra que é possível abastecer, com as águas que já existem na região, um número três vezes maior de pessoas, com a metade dos recursos previstos no projeto da transposição. Ou seja, até o ano de 2010 serão gastos na transposição R$ 6,6 bilhões para o abastecimento de 12 milhões de pessoas, período no qual se prevê, no Atlas, que seria possível, com um gasto de R$ 3,3 bilhões, beneficiar cerca de 34 milhões de pessoas. Com essa informação, é de se supor que o problema de nossas autoridades passa, também, por deficiência matemática. 

Exemplos como esses têm se mostrado constantes no nosso cotidiano, o que torna cada vez mais evidente a assertiva de que a vontade política está sempre acima das possibilidades técnicas de se realizar as ações de desenvolvimento no país. O governo Lula não pode abrir mão da importância de se discutir essas questões junto ao setor técnico, valendo-se inclusive da participação da sociedade como um todo, sob pena de estar pondo em risco a governabilidade do país. 

É preciso entender, antes de tudo, que uma hidrelétrica construída na bacia do rio Madeira ou em qualquer outra bacia da região norte, por estar localizada numa área de planície, estará sempre sujeita a fortes inundações, com claras interferências no ecossistema. a pergunta que fica no ar é a seguinte: como atuar nessas áreas que afetarão o país e a vizinha Bolívia, mantendo-se a sustentabilidade ambiental local, com baixo custo ecológico, evitando a extinção de espécies de animais e plantas e tratando adequadamente os sedimentos acumulados no interior das represas?

Essas questões são pedras no sapato do governo federal, ao ponto dele ter se engasgado recentemente com a espinha de um bagre do Madeira e se atolado na lama dos seus sedimentos. Neste contexto o país segue na rota da escuridão, e já se comenta a possibilidade da construção de usinas termonucleares como alternativa para minimizar o problema elétrico que se avizinha.                    

Finalmente, entendemos que não pode haver desenvolvimento sem custo ecológico, por menor que seja. a participação técnica nestes casos se mostra importantíssima, pois cabe a ele, técnico, envidar esforços no sentido de minimizar tanto quanto possível esses problemas. essa é a nossa função. portanto vamos à luta.

João Suassuna é engenheiro agrônomo, pesquisador da Fundação Joaquim Nabuco e um dos maiores especialistas na questão hídrica nordestina.

DEDIC’AÇÃO! – por ademário da silva

Dedic’ação!

Crônicas, poesias, contos e romances, estudos e teses; toda história e a geografia, a ciência e a astronomia não surgem por encanto ou magia em cérebros privilegiados ou escolhidos. Aliás, nem nos cérebros mediúnicos, porquanto estes devem, porque a proteção e a solidariedade espiritual exigem, serem ricos mananciais de cultura geral, que propiciem aos amigos espirituais, condições adequadas à realização dos seus trabalhos. Em o Livro dos Médiuns, Kardec não deixa dúvidas quanto ao papel dos médiuns, no que tange as sua obrigações e qualidades, se quiserem abrigar em suas relações medianímicas, espíritos de maior esclarecimento, e veicular as idéias e pensamentos dos mesmos, requer vocabulário, conhecimento, discernimento, senso crítico e disponibilidade de tempo, emoção, idealismo e atitude. Porque a função básica do médium todos nós conhecemos é ser instrumento; e instrumento que  se preza deve estar sempre bem afiado, limpo, em condições plenas de uso.
Ou seja, o médium precisa dedicar tempo, ação e atitude ao seu compromisso e principalmente à oportunidade recebida.
Procurar na verdade tomar consciência de que: escritores, poetas, cientistas, compositores, letristas, artistas, atletas e todos aqueles que se dispõe a criar, fazer, realizar algo em todos os seguimentos das atividades humanas, o primeiro sacrifício que fazem é o da ilusão de que um acidente cósmico pode de repente trazer a solução.
A transpir’ação é caminho mais árduo que os realizadores percorrem no sentido da vitória sobre si mesmo. Primeiro por que sabem que sem suor e sacrifício o trabalho não sai dos sonhos. E sonho que não se realiza é como noite mal dormida que só traz pesadelos e insatisfações. Nós temos que saber que a riqueza das idéias e raciocínios está na intimidade da inteligência que só se desenvolve se posta em prática. Que o encanto e a profundidade de poesias e contos, romances e teses, mora no conhecimento que se busca das palavras, suas raízes e combinações. Por que são com estes instrumentos que se desenvolvem os nossos pensamentos e a nossa capacidade de compreensão, entendimento, apreensão e assimilação de estudos e informações que se nos chegam, ou que vamos em busca.
Essa conquista exige que realmente procuremos transgredir alguns condicionamentos humanos, tais como: a noite foi feita para dormir; se acreditamos na imortalidade e na vida do espírito após  morte do corpo, podemos sim usar pelo menos parte das horas noturnas para aprender e criar. Aliás, o talento nasce da inteligência madura e rica de quem ao trabalho se dedica. Tem um detalhe, se podemos caracterizá-lo assim, o trabalho mediúnico, intuitivo, de inspiração e os de estudo e pesquisas, se realizados por disciplina, depois que o povo dorme, ganha as benesses de convivências amigas, o desfraldar de cortinas fluídicas nos braços da harmonia que só silêncio propicia. Por que é no silêncio que ouvimos a voz da consciência que se faz muda na turbulência dos dias. Que sentimos uma brisa suave que emana de mentalidades fraternas, que põem lanternas em nosso modo de pensar e sentir. Que ampliam-nos o raciocínio e dilatam-nos a inteligência, fazendo-nos perceber que obstáculos e dificuldades são embaraços temporários, que só pedem paciência, esforço e dedic’ação!
E na verdade é o monge quem cria o hábito!
O médium precisa de estudos, disciplina e atitude
O espírito precisa de nossas palavras, compromisso e
Amplitudes sensoriais!
Para que juntos teçamos nossas relações, concluamos realizações e
Consigamos descobrir os caminhos siderais!