TROVINHAS e TROVÕES na terceira idade – de josé zokner (juca)

Curtir a Terceira Idade
Exige sabedoria,
Doses de serenidade
E razoável alegria.

Dessa maneira é possível
Viver com intensidade
Cada momento passível
De rara felicidade.

Mas, nesta Terceira Idade
– E quase sempre há um mas –
Ocorre contrariedade
O que, realmente, não apraz.

Exemplos dá pra citar.
São muitos em profusão.
Pretendo, aqui, relatar
Os que me trazem aflição.

Quando tentei me empregar,
Ouvi desculpa qualquer.
Aquela vaga a ocupar
Não se fazia mister.

Obter emprego, hoje em dia ?
Está escasso pra caramba.
Menos pra quem negocia
No mercado da muamba.

Será a globalização
A mais culpada de tudo,
Que deixa o pobre “povão”
Sofrendo dum mal agudo ?

Retorno a minha desdita,
Vou a história prosseguir,
Não deixando gente aflita
Eu parando de seguir.

Esqueço sempre onde deixei
O meu carro estacionado.
O meu cérebro embotei ?
Me pergunto apavorado.

No banco, a morosa fila
Do meu i, ene, esse, esse
Resulta numa quizila,
Fruto dum enorme estresse.

Lá procuro, com ansiedade,
Como alcançar o banheiro
Naquela eventualidade
Dum imprevisto traiçoeiro.

Meus óculos eu procuro.
Nenhum canto já não resta!
Estou ficando casmurro:
Não é que estavam na testa ?

Troco nomes das pessoas,
Cometendo muitos lapsos.
Não se pode cantar loas
Com tais tipos de colapsos.

Quero mostrar competência
E chegar às conclusivas:
Sobrevém a desistência,
Depois de três tentativas.

Não posso fazer mais isso,
Não posso fazer aquilo.
No cômputo total disso,
Resta saudade daquilo…

Enfermidade tratada,
Por melhor que tenha sido,
Deixa a gente amedrontada
E o médico enriquecido.

Tomo chuveiro sentado,
Difícil ser de outro jeito.
Fica tudo bem lavado,
Incluso costas e peito.

À jovem, chamo guria;
Pra gata, digo brotinho;
Tia, só mesmo pra tia.
Pareço falar sozinho.

Visto só boné de orelha
Pra me proteger do frio
O pessoal me olha de esguelha
Meu gosto, meu alvedrio.

Barriguinha virou charme;
Cabelos brancos, também.
Contudo, soa o alarme:
“Ali vai Matusalém”.

Tomo dois medicamentos,
Sempre depois de comer
Para evitar sofrimentos
E, assim, me fortalecer.

Quase sempre me emociono,
Até por qualquer besteira,
Como se fosse patrono
De famosa carpideira.

Cochilo no noticiário
E desperto assaz ansioso.
É realmente necessário
Aquele caso escabroso ?

Me inteiro de religião,
De que eu nunca quis saber.
Pelo sim, ou pelo não
Preciso me precaver.

Abordo minha vizinha,
Que me dá a contestação,
Após minha ladainha:
“E os seus netos como vão ?”

Quero ter vitalidade:
Caminho desatinado.
Refreio a velocidade:
Fico, de cara, esfalfado.

Falo – só – gesticulando.
E se me chamam a atenção
Digo que estava treinando
A letra duma canção.

Em um astral elegíaco,
Procuro me interessar
Por qualquer afrodisíaco,
Que digo não precisar.

Na escola de natação
A professora é querida.
Mas na piscina um senão:
Parece só ter subida.

Ganhei uma boa dica
Para usar lente de aumento
Já que todo texto fica,
Numa leitura, um tormento.

Quando na provecta idade,
Centenas ficam azedos.
Pensar nessa atrocidade
Me leva a ter muitos medos.

Receio ser apodado
De longevo, de caquético,
“Por fora”, ultrapassado
E, até, de velho patético.

Perda de musculatura
Redunda numa constante
Que molda a minha figura
De modo deselegante.

Lembro uma verde azeitona
Com palitos espetados.
Me refiro à “barrigona”,
Pernas e pés afinados.

Rememoro com amigos,
Em sessão de nostalgia,
De um rol de causos antigos
Que o pessoal já conhecia.

Reitero que o carnaval,
Naqueles tempos bem idos,
Não era tão artificial,
Com bailes mais divertidos.

Defensor dos argumentos,
Com certo calor vetusto,
Na discussão, por momentos,
Sou acusado de injusto.

Depois das contrariedades,
Passamos a outra questão:
Os de elevadas idades
O que possuem de bom ?

Encantos, em quantidade,
É válido não esquecer,
Gente com maturidade
Tem um mundo a oferecer.

Um deles, a tolerância;
A paciência, também é;
Não apelar pra ignorância;
Não se meter em banzé.

Brincar com os netos levados
E clamar com convicção:
“São filhos açucarados
Nessa Idade da Razão”.

Desfrutar samba e chorinho,
Talento tupiniquim.
Num volume bem baixinho;
Jamais um “rock” chinfrim.

Não precisar de conselho,
Nem óculos pras leituras,
Nunca meter o bedelho,
A fim de não ter agruras.

Evitar os desperdícios,
Lembrança dos tempos duros.
Eram tantos os suplícios;
Eram tantos os apuros…

Aqui deixo minha homenagem
Ao idoso – tão benquisto –
Essa grande personagem
Me incluo, pois não resisto.

Também à minha companheira,
Que já passou dos cinqüenta,
Sensível mulher guerreira
Que nesses anos me agüenta.

Cá termino de trovar,
Feliz e bem-humorado.
Quero a todos desejar:
Saúde e Paz. Obrigado!
E-mail: josezokner@rimasprimas.com.br

Uma resposta

  1. tudo que precisei nesta belissima pesquisa emcomtre e em comtrei um saite maravilhoso que sempre procurei esse sayte e massa;;; assss: mates hemrique

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: