FLORESTAS na LÍNGUA poema de jairo pereira

 

 

tenho florestas na língua florestas muitas florestas cipós limos liquens hastes folharéu ditos trançados no espaço da razão e da des-razão

caminho do sem-caminho destino do sem-destino trabalho do sem-trabalho cavalo do sem-cavalo espírito do sem-espírito ruidosos os redemoinhos da memória sonoros os ventos ventados em círculos ciscos crescidos no vendaval ciscos poeira do passado objetos vencidos idéias jogadas fora projetos esquecidos folhas de poemas maldormidos com limo nos títulos óxido nos versos enzimas raros na epiderme

uma noite muitas noites sem meus filhos-poemas libélulas asadas pra longe

meus animais de estima canto & alucinação

florestas na língua tenho florestas na língua e no pensamento florestas florestas pássaros verdes negros vermelhos azuis brancos nos acidentes da fala tenho provisões de palavras recém-nascidas frutos saborosos na aba do chapéu

tenho ócio & aventura na floresta das idéias retorcidas.

 

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