A MILÉSIMA SEGUNDA NOITE por walmor marcellino

 

Fausto Wolff dispôs sua vivência social: profissional, política e cultural, num livro de 742 páginas, a que chamou “A Milésima Segunda Noite” e não “As Mil e Uma Noites”, com o qual guarda analogias substanciais de muitos relatos a-venturosos. Por ventura e aventura consideremos aqui a experiência pessoal na vivência social; uma com proveito virtuoso outra com a busca de satisfações, mas em que ambas podem nos constituir pessoas por trás da máscara de personas.

Em qualquer país os intelectuais mais destacados e os artistas mais festejados nem sempre conseguem representar os valores sociais e nacionais que se lhes atribuiriam como extensão de prestígio social alcançado pela mente e sua criatividade. Aqui, Fausto Wolff, entretanto, teve que expor-se nesse fabulário-romanceiro para dizer e comunicar o que fizeram limitadamente seus outros livros; desde aí os relatos, a exposição, a ambiência, os significados e os compromissos nos envolvem com aquela força com que nasceram as artes. E poucas vezes se leu e viu um ator sem roteiro em cena mas também sem improvisação estética, apenas confiante no que liga o trabalho, a arte, o “destino do homem” e sua convivência, em que a ansiada parusia é substituída por paralipses desafiantes.

Livro desafio para o autor e muito mais para o leitor: a grandeza do criador decorre da ética e compromisso social e cultural do destinatário, ou ao reverso?; quem sabe uma anagogia disfarçada de literaturas em que, por paradoxo, a narração crítica, cultural e ideológica, transfixia a emocionalidade superficial dos alienados que somos à espera de maravilhas e epinícios do sistema que nos esmaga.

Grande livro de um homem alto. E é importante registrar isso quando a literatura nacional não tem – e o que é pior, não aspira ter – Lobos Antunes, Josés Saramagos, Mias Coutos e tantos outros artistas e sua narração da humanidade em sua aldeia.

foto sem crédito. ilustração do site.



Uma resposta

  1. Valmor, eu cá, na minha pequinês, almejo Lobos, Saramagos, Mias Coutos e Marcelinos. Independente da origem geográfica.

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