SINA – poema de vanessa lima de carvalho

 

 

Sem a lua,

Onde estariam meus reflexos azuis?

Sem o mar,    

Quais águas seriam minhas?

 

Sei o longínquo som da dor,

Sinto a luz que atravessa a janela.

Ainda não sei,

Mas sinto,

Mais uma vez,

Tudo.

 

Aquela luz

Lá no fundo da porta,

Dos olhos,

Da praça.

 

Tudo foi dito sem sentido,

Intacto termo de vida,

Pois nada justifica

o cansaço,

o desmaio,

a ferida.

 

Nem uma pétala caída

Das palavras antigas

Julgam meu estado,

Minha sina de existir.

 

Qual nome, portanto,

Revela tal melancolia?

Os passos, porém,

São os mesmos…

Tristes.

 

Aquela varanda, afinal,

Parece tão feliz.

Não conheço os cômodos atrás da porta,

Mas sei o cheiro exalante de jasmim.

 

À espreita de uma fresta vazia,

Vivo eu, então, só.

As nuances vem-me ao corpo

Anestesiado ao tato.

 

Talvez, ainda que fugaz,

Minha pele perca-se em um sopro de vida

Minhas mãos toquem a areia fina…

O caos, as vozes calem,

E eu…

Inesquecível.

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