Arquivos Diários: 1 julho, 2008

IF – by poetry jb vidal

 

 
I glance at the Universe
expecting to feel it,
pulse together, be limitless, be complete

 be it,

slowly, the image fades away
with no horizon, the retinae cannot remain focused
vision becomes heavy, eyes close, head over heels,

I spin inside myself
sweat rivers of salt,
feel and do not feel,
see everything and nothing
poorest, I  am  great,
great, I am my own Cosmos

look at indeed, look at myself

infinite seconds abducted me
react, return not!
misery not, war not,
starvation not,  plague not,
love not, hate not,
live not, die not,
conscience not!

life, life indeed

If I am, and I do not know where I am
I am what I do not know, where I am not in

O ENTERRO DE Nietzsche – por joão batista do lago

Esta é uma revelação que guardei por muitos anos, e que dou, aqui e agora, a conhecer a todo mundo – quem o quiser saber. Não lhes peço credibilidade quaisquer, pois credibilidade não se dá, se constrói. Ela é um dos enigmas da filosofia pura: não está antes e nem depois. Ela só existe no aqui e agora. Mas, se chegastes até aqui – aviso-te: ainda tens tempo suficiente para usar da tua autonomia e abandonar-me, a mim e a este relato, antes que te o seja caro, que te o envolvas definitivamente na sua trama – é porque desejas saber realmente como aconteceu o enterro de Nietzsche. Eu afirma que foi exatamente  como relato. Eu estava lá. Duvidas? Então acompanha-me…

Antes de tudo devo matar essa tua curiosidade! Naturalmente desejas saber quem sou. Não quero deixar a impressão de um ser grosseiro, mal educado, irreverente, prepotente ou qualquer outro adjetivo que, porventura, me queiras administrar. Mas hás de convir comigo: não estou aqui para dar conta de minha vida. Ela tem muito pouco interesse para ti. Ela não representa o que estás a pensar neste exato instante: “Ecce homo deve ser mais louco que o próprio Nietzsche”.

Não é isso que pensas neste momento?

Sinceramente, para mim pouco se me dá o teu pensamento… Ele é só um pensamento (há muitos outros pensamentos não seguidos, por exemplo, e por isso mesmo adormecidos). E posso inclusive dizer-te que ele não é real – é pura e tão-somente uma representação do real no campo da irrealidade presente em tua memória inestética.

Concordas comigo? Ou não?

Se não concordas, por quê então acreditas que Nietzsche inferiu que Deus está morto? Acreditas que Deus está morto? Mas, se concordas comigo, então, quem está morto és tu. Concordas? Assim sendo tu não existes. Tu não és real. Correto?

Bem te avisei: já não mais tens o direito de deixar de me acompanhar neste relato, pois dele tu serás discípulo e apóstolo – já te enfiastes até o pescoço, faltando, apenas, dar-me a tua cabeça para pensá-la comigo. Ou então serás, apenas, túmulo e morte.

Concordas? Duvidas?

Mas com o que exatamente concordas? E do que estás a discordar? […] Ah, estás pensando no Deus que Nietzsche disse está morto…

“Quem matou Deus?” – É este o teu pensamento agora?

Para resolver esta tua curiosidade tu precisas, primeiramente, resolver a questão anterior à morte de Deus. Proponho-te a seguir que te faças uma pergunta: quando Deus nasceu? De quem ele nasceu? Onde Deus nasceu? Não vale responder com dogmatismos religiosos. Isso é senso comum. E o senso comum é o não-pensamento. Esta resposta merece o teu pensamento, portanto, pergunto-te: o que pensas aqui e agora? Veja bem: aqui e agora, neste instante… O que pensas? […]

Pronto, dei-te a ti e ao teu pensamento os tempos necessários. Digo-te, agora, o seguinte: toma-a (a tua resposta) e guarda-a bem dentro do teu pensamento. Mas antes precisas responder se o pensamento existe, como te propus lá atrás… Nunca esqueças disso. Uma coisa tem a ver com a outra. Todas se interpenetram. Ah, mais uma coisa: foge imediatamente dessa tua dualidade. A dualidade é uma falsa representação da realidade. A dualidade não é Real. Pensar pela ótica da dualidade implica reduzir a vida simplesmente à causa e efeito. E a vida não é só isso: causa “versus” efeito.

Ou é?!

Mas, se não é, então, o que é a vida? E se ela é, então, o que ela é? O que diz o teu pensamento a este respeito?

Dá-me, a mim, aqui e agora, o teu pensamento para junto pensarmos. Pensemos: se a vida não é, o Homem (homem/mulher) não é. Deus não O é. O Ser não É… É não-Ser!

Mas a vida sendo o homem não é… Deus não O é! O Ser não É. Assim não sendo tudo é representação. Concordas? Não concordas? Então toma este poema e pensa-o:

 

Descaminho

 

Há uma pedra no caminho;

no caminho há um homem.

 

Há um homem no caminho;

no caminho há uma pedra.

 

Há um caminho sem uma pedra;

no caminho não há um homem.

 

Há um caminho sem um homem;

no caminho não há uma pedra.

 

Há uma pedra livre porque o caminho está livre do Homem.

Há um homem livre porque o caminho está livre da Pedra.

Há um caminho livre porque o Caminho está sem uma pedra.

Há um aminho livre porque o caminho está sem um Homem.

 

[…]

 

Há um Caminho livre por quê não há nem Homem, nem Pedra!

 

E agora, que me dizes tu? Qual caminho tu tomarás como teu? O caminho livre do Homem? O caminho livre da Pedra? Ou o Caminho (simplesmente) livre – sem nem um homem, sem nem uma pedra?

Mas a todas estas questões quero inserir mais uma: – Qual caminho tomou Nietzsche quando inferiu a morte de Deus? Qual a realidade de Deus, em que realismo Deus existe? Ou Deus é só romantismo? E mais uma pergunta: – Por quê inferir apenas a morte de Deus? E o Diabo?… Existe? Continua vivo? Ou também foi morto? Por quem? E se ambos existem – ou existiram –, quais caminhos tomaram como seus? Vê o que nos diz o poeta:

 

A Maçã do Éden

 

o cadáver da vida

floresceu entre os parreirais

o diabo lho fizera prece

deus e o diabo beberam

do mesmo vinho dionisíaco

hoje apolínicos em suas dimensões

ambos reclamam Adão e Eva

 

E aí, que me respondes tu, diante dessa celeuma que deblatera dentro do teu espírito?

Êpa… mas que é isto, o Espírito? De que matéria constitui-se o Espírito? Quem te deu esse espírito? Se o tens, o que és então: matéria ou espírito? E se te condensas nos dois, quem é o desencadeador da Razão? E a Razão o que é senão a realidade da matéria? Se a Razão é, pois, a realidade da matéria, o espírito não tem razão de Ser? Concordas? […]

Ah, resolvestes dar o ar da graça…

Discordas do meu pensamento! Então discutamos o teu pensamento.

Presumes que o espírito é Deus. Correto? Pois bem… Se o espírito é Deus, tu és Deus. Concordas? Ah, não concordas! Neste caso nem tu, nem Deus, existem. Concordas comigo que tu não É, assim como Deus não É? Discordas!

“Deus é o Princípio e o Fim” – dizes-me tu.

Consideras um Fim em Deus, então, dás razão a Nietzsche… – “Deus está morto”. Neste caso, assim como Nietzsche, tu aceitas como Verdade a preexistência de Deus… Correto? Ah, Deus está fora de si? Onde? […]

Bem, sei que estás cansado… Mas eu também, contudo, vejamos até onde chegamos: à Verdade.

Tomas o meu pensamento por Verdade?

Se assim o consideras, elejo-te, então, meu discípulo e apóstolo. Se não me tomas por verdadeiro, então qual é a tua verdade? Qual caminho tu seguirás após nossa conversa? Qual pensamento será o teu desencadeador de agora por diante? Terás um pensamento próprio ou continuarás refém de outros pensamentos?

[…]

Ah, ia-me esquecendo: no dia do enterro de Nietzsche postei-me ao lado esquerdo do caixão. Era madrugada. Entre 2 horas e 3 horas da madrugada. Somente eu estava ao lado do caixão. Ele olhou-me. Sorriu faceirosamente e, com um estupendo gozo eterno confidenciou-me:

– Vocês são todos loucos, mas dou-te, somente a ti, meu caro Atsitabj Ogal, este meu testamento: não fui eu quem matou Deus… (cochichando) …nem sei se Deus morreu… (piscou o olho para mim e acenando com a cabeça pediu que eu chegasse mais perto) …foi a humanidade… o homem… o humano… foram as religiões que mataram Deus. Ah, quanto ao Diabo, nem se preocupem, ele não fará tanto mal assim como pregam por aí…

[…]

Será que me compreenderam!? Dionísio contra o crucificado!? – (depois desta frase desfaleceu).

[…]

Depois do enterro, no dia seguinte, Lou Salomé, que tomava café ao meu lado, confidenciou-me:

– Nietzsche queria ser Deus…

 

           

            cézanne. ilustração do site.

ROSA CHÁ AZUL ANIL poema de bárbara lia

Alma rosa chá.
Vestida de rosa chá.
Na casa rosa areia.

Leva – enquanto passeia –
um oceano de espantos
nas mãos:

Cinzas de rosas
no ar do quarto do avô
morto.

Mistério ácido na boca
– sabor do fruto vítreo –
de figueira desconhecida.

Açúcar cristal brilha
– mínimas estrelas –
nas mãos.

Céu rosáceo de Dali
desce ao chão
e incendeia
o futuro lilás:

rosa chá + azul anil

Linhas do destino
emaranhadas
– já no ventre
de nossas mães.

E apenas agora
o homem sagrado
envolto em acordes
de estrelas no cio.

– meu azul demorado!

LUA, A RIVAL poema de marilda confortin

 

Sabe aquela lua âmbar que apareceu ontem à noite? Linda, né?

Pois é… os homens são apaixonados pela lua. As mulheres não.

As mulheres são apaixonadas por homens que se apaixonam pela lua.

 

A lua e eu

 

Infelizes rivais, somos

A lua e eu.

 

Ela no espaço,

Longe dos seus braços

Contenta-se em segui-lo,

Sem nunca alcançá-lo.

 

Eu, tão perto,

Há anos luz de seu afeto

Contento-me em sabê-lo

Sem nunca tocá-lo.

 

Estranho acordo, fizemos

A lua e eu:

 

À noite,

Ela ilumina os passos desse homem,

E eu sonho com seu rosto.

De dia ela some,

E eu assumo seu posto.

 

Parceiras suicidas, somos

A lua e eu:

 

Enfeitiçadas por esse amor platônico

Sob o olhar atônito das estrelas

Morremos e nascemos noite e dia.

Eu, incandescente Fênix,

Ela, encantadora e fria.

 

JIA LÉVISTA poema de jairo pereira

JIA LÉVISTA

o signo quer existir existe sem minhas nominações :significante ou significado: sujeito ou objeto reflexo do reflexo sua nathureza isenta do olhar do homem o signo quer viver anárquico independente corrido na frente do pensamento jksdfjklsdfnb

fdsbjjkdjJKSDFmn

bejaseeuh

o signo insuflado de revoluções no mundo do incriado núcleos funções desígnios das partículas comunicantes

no mundo do incriado incrio o gesto transignificado concebo estruturas híbridas de vozes diferenciadas no mundo do incriado transitam minhas vespas ciberaéreas módulos (semas semantemas) grafados na matéria loidal ;o pântano da não-razão:

:  no pântano da não-razão nasce grande parte de minha poesia

:por isso a chamo

de jia lévista:

 

Stultorum infinitus est numerus (*) – por walmor marcellino

Ao assumir, em 2003, era dever do governo Luiz Inácio Lula da Silva fazer um acerto de contas com o governo anterior. Isso não foi e não é um assunto pessoal entre Fernando-Henrique Cardoso e Luiz Inácio Lula da Silva; é assunto de governo, questão de Estado. Porém, as leniências e acordos de compadre vão mostrando que a política da ameaça-de-rabo-exposto faz parte dos interesses e das relações sociais de classe nobre; mesmo quando ferrenhos opositores se defrontam. E o PT não mexeria no rabo do PSDB para não ter o rabo em jogo.

Algum genioso patife, senador, deputado ou juiz contesta que esse dever de esmiuçar as contas e os procedimentos na transmissão de cargo deva ser cumprido?

Pois bem, passada a oportunidade da diferenciação essencial de programa e mandato, o que o governo petista deveria ter feito era reunir em um dossiê as informações passadas ‑ a que acabou sendo mais tarde levado por acurácia ideológica e defesa política. Só que esse dossiê legítimo e legal enquanto registro privativo do poder não poderia ser exposto ou até esgrimido para ameaçar e/ou chantagear os adversários.

Eis que então a desídia funcional de alguém da Casa Civil se somou ao despeito e mal-querença de outrem já exonerado e deserdado dos poderes burocráticos. De confidências a arquiteturas, convidaram outro transgressor para fazer um escândalo com os dados ainda em sigilo; só que esse tertius era um senador da República que transformou a “contravenção” ou “crime” que se seguiu à inconfidência funcional, em um fato político na forma de divulgação. A razão do interdito legal da divulgação se consumou com a deliberada ação criminosa do senador, que sequer tinha levado o caso à direção do Senado Federal a que pertence. E nem sequer o veículo “transmissor da ilegalidade” foi objeto de denúncia.

Como não entendo a moralidade própria dessa elite política, fico na minha: divulgar fatos oficiais protegidos por segredo é transgressão funcional e crime civil; acoitá-los como depositário-intermediário é cumplicidade e crime; e divulgá-los é o desiderato do mesmo crime da subtração e quebra de sigilo. Afinal, de que é que os palhaços estão ainda falando? Ou saltimbanco sou eu que não compreendo a política?

 (*) Versículo 15, capítulo I, do Eclesiastes: “Os perversos dificilmente se corrigem e o número dos insensatos é infinito”.)

 

foto sem crédito. ilustração do site.

EDU HOFFMANN e seus HAI CAIs

I Ching

 

 

 

                  ou fico

 

 

 

                ou pássaro

 

 

=

 

 

                o dia acorda

 

           com cara de boa noite

 

               estrelas no chá 

 

 

=

 

                 antes só capim

 

              olhares de ikebana

 

              florescem o jardim

 

 

 

                 poeta róe

 

           todas unhas do dia

 

         lambe dedos da noite

 

=

 

 

                   cheguei amargo

 

                minha flauta doce

 

                    nem se toca

 

 

CERTAS CONCEPÇÕES… por darlan cunha

CERTAS CONCEPÇÕES DE VIDA  a estupidez é irmã dela.
**

A ingratidão se veste de maneiras inúmeras. A ingratidão pode se disfarçar disso e daquilo, quer ser camaleoa ou camaleão, simbiose, etc, mas sempre eu a tenho sob reserva.

Pode durar dois anos ou dez anos, eu a desnudo, sim, a ingratidão gosta de ficar nua.

FIESTA. WHAT AN UNUSUAL WORD !

Tu fiesta es una fiesta sin invitación. Hay tanta belleza y acción aquí que nadie se puede aburrir ni colgarse o desplegar-se por las calles con malas palabras. Es una fiesta sin tiempo, sin sillas, sin ninguna fecha – ayer, mañana… nada más que una increíble fiesta sin cuchillos ni ballazos.

 

Do you think too much ?

*****

BUSTAMANTE E BUÇOFRIO, LINOCA E RUTILDES, ou seja, A PLEBE IGNARA.

 

Tu gostas de curvas fechadas quanto de buracos quentes, aos quais só se atrevem os duros de coração e os avaros por aventuras de morte a qualquer custo, oui

gastas boa parte do tempo com estas sórdidas clientes cotidiáridas com seus gelos e suas glosas, todas com seus tiques de gente atrabiliária, com nódoas que extrapolam e avançam, sempre pensando em indizíveis prêmios… yes

a nobreza obriga que se agache de jeito elegante, com todos os molúsculos relaxados a contento, sim, a rasteira sugere que se tenha certa dosagem de cor primária na tez, mas sabe-se que a vida tem muitos gumes, que é arma bronca em negro tabuleiro – broncos e ocos são os homens, turvas e vagas as mulheres.

A vida é uma armação mais pavorosa e bela do que a que se vende nas esquinas de que tanto gostas, mas por trás destas curvas está o mais legítimo “Zás… apanhei-te, queridinho”.

*****

P&B

Por trás da fotografia em preto
& branco vive o convite, manual
de interpretações

mil, Manuel,

audazes sejamos cada um e cada uma
para irmos lá
e refazer com dentes
& unhas as contas que abrem

o imaginário nosso de cada dia.