Arquivos Diários: 2 julho, 2008

INCANDESCENTE poema de lilian reinhardt

                 
                        “…
executo meus versos na flauta das minhas vértebras…”
                                            
(Maiakóviski)
                          
                                   
(líricas de um evangelho insano)

A taça de espumas seca o signo.
A matéria mágica dos sonhos
se molda ao pensamento.
Meus dedos cegos de luz
se alimentam e moldam a argila,
e o peso do teu breu molda
a minha alma incandescente.
Desde sempre moldam-se
os golpes da adaga,
desde sempre as margens
e as cabeceiras das águas são moldadas,
desde sempre a talha
nos costados selvagens
molda a boca, a língua
do vento que derrete o tempo,
da agulha que cose a pedra,
e lancina a toda boca devorada!

 

 

PAIS DESESPERADOS PEDEM AJUDA DA POPULAÇÃO – a pedido

Hoje faz 16 dias que a menina Janaína Lúcia Machi, 10 anos, saiu de casa com sua bicicleta azul para comprar pão e não mais voltou pra casa, em Alto Paraíso do Oeste (RO).

Caso alguém obtenha alguma informação ligue para o 190 do seu estado.

A MULHER – poema de manoel bomfim

Olá! Prezado JB Vidal,

Tenho trabaiado munto
Mas, referente ao assunto
De escrivinhar poesia
Pra  mim, é sempre uma alegria

Esse poeminha metido a poesia com arguns pés quebrados, eu escrevi em homenagem a mió coisa que Deus já criou nesse mundo, A M U I É… Hehehe

Veja-o.
         A MULHER
 
Eita! Que Deus tava inspirado
Quando fez sua maior obra prima
Acho que era um dia ensolarado
A brisa corria num ameno clima
 
Foi por demais feliz sua inspiração.
Naquele momento tão Divino
Sua cabeça cheia de imaginação
E os anjos no céu tocando sinos
 
Juntou as peças que tinha no chão
Lapidou com amor e sabedoria
Pegou cada pedacinho com a mão
E fez a BELA MULHER com Maestria
 
Depois, com plumas e lixa de algodão.
Modelou seu corpo com inteligência
Juntou a beleza com a afeição
Desafiou os homens e toda a ciência…
 
… Duvido que exista um único cientista
Que tenha capacidade de Me imitar
Como também, qualquer artista
Capaz de uma obra dessa… criar…!!!
 
Colocou nela o sexo feminino
Essa Deusa linda e tão desejada
Que o homem sonha desde menino
Deitar-se com ela e vê-la saciada.

Eu gosto tanto tanto de mulher
Infelizmente, só posso casar com uma
Mas, se a lei deixar e eu puder
Ainda vou arranjar mais uma ruma.

Não existe nada que se compare
A perfeição dessa obra tão rara
Que Deus me perdoe e me ampare
E nunca tire de mim, essa boa tara.

À minha mulher eu amo e tenho tesão
Vivo com ela sempre no pensamento.
Dormir ao seu lado é uma satisfação
E pra ela é todo o meu sentimento.

Um abraço

Manoel Bomfim
Natal – RN

tem um PObre queRENdo faLAR – por jorge barbosa filho

 

 

tem um PObre queRENdo faLAR.

 

 

            Acho que você já ouviu essa musiquinha da chamada a cobrar: tum TUM tum tum TUM tum tum TUM. Agora coloque a letra do título. Imagino que quem receba esta chamada fique contanto no pulsar do ritmo desta canção o quanto mais pobre ficará ao atender tal chamada. Imagino mais: quem é o filho de Deus que tem tamanha intimidade ou necessidade para ligar a cobrar, quando em nossas preces pedimos para ter uma vida economicamente melhor. Mais ainda: quem é este filha da puta que está sem dinheiro (ou está de sacanagem) que nos liga indiscretamente em hora imprópria e, por uma questão de educação, somos obrigados a aceitar tal acinte. Deve ser aquele amigo fudido, um parente cheio de motivos aparentes, um(a) namorado(a) animado(a) com as últimas confusões sentimentais ou foi engano! Talvez… Pois é, bovino leitor, alguém arranjou um motivo para te deixar irritado estragando seu orçamento e sua ocasião.

            Mas focado (palavra da moda e que transforma pessoas em lâmpadas) leitor, cada vez mais o mundo e as pessoas ao nosso redor pedem compreensão, auxílio, ajuda, carinho e doação (não esmola!!). Vivemos num mundo onde respirar ar frio ou quente custa dinheiro. Também custa, e muito caro, as ligações telefônicas, especialmente as “a cobrar”.  Atlético leitor, você que sempre correu atrás de resultados, (e nunca como os poetas e artistas atrás de significados), lute como consumidor pela baixa das tarifas telefônicas que são exorbitantes e estará melhorando (ainda não solucionando) e dando significado às suas relações mais próximas. Encare com propriedade, a preços módicos e reais, sem a eterna angústia do bolso, a possibilidade de falar com seus entes próximos e queridos mesmo que isto custe algo. Repare que toda relação tem um preço. Que seja baixo. Brigue por isto e notará como valerá a pena.

            Agelasto leitor, sei que seu humor não está lá estas coisas e que ninguém, nenhuma ONG, deputados, senadores, advogados, ou algum grupo de consumidores brigam por uma causa aparentemente insosa. As companhias telefônicas impuseram suas regras e não nos queixamos. Paga quem pode e quem não pode se sacode e liga a cobrar.

Não fizemos nada e só faremos quando perdermos alguma coisa importante. È assim que funciona a nossa classe média que paga seus impostos e move o país com seus tributos. É a filosofia do “deixa estar”, que só nos damos conta quando tudo está perdido. É assim em relação à violência social: as pessoas só se engajam em um movimento quando perdem um ente familiar e depois desfilam com a foto do dicfunto estampada na camisa querendo soluções.

Lembrem-se que quando um pessoa apontar-lhe uma arma enquanto estiver para do no sinal, escute a musiquinha: tem um PObre queRENdo faLAR. Isto também é uma ligação a cobrar.

tela de rettamozo. ilustração do site.

COMENTÁRIO de JONAS TADEU NUNES em “O PARTIDÃO versus FOQUISMO”, neste site

COMENTÁRIO:

 

JONAS TADEU NUNES

 

Manoel de Andrade, Lelo, poeta, pena forte e decidida, consegue transpor para o papel a luz do pensamento, consegue fazer com que as palavras revelem o que lhe vai na alma e, melhor, consegue comunicar sentimentos e visões interiores.
Parabéns, Manoel. Tenho lido e acompanhado teus textos e publicações, ou melhor, tenho tido o privilégio de poder ver de perto um verdadeiro escritor, um verdadeiro pensador, alguém que viveu e que transmite sua experiência e seu acervo interior aos demais.
Manoel de Andrade foi forçado a deixar o país, em 1969, perseguido pelas forças do obscurantismo reinante no Brasil. Saiu, abandonou tudo, família e amigos, para andar errante pelos caminhos dessa nuestra América rebelde. Seu caminho foi, certamente, um caminho de luz para tantos lutadores sociais, para tanta gente sofrida e carente de uma boa palavra.
Talvez o Brasil não conheça Manoel de Andrade como deveria, mas a América Latina o conhece e o respeita, como poeta, como criador e como pensador humanista. Seus livros eram daqueles que passavam de mão em mão, publicamente ou na clandestinidade. Sua intensa atividade como escritor o obrigava a fugir, de país em país, perseguido pela intolerância e pelos que temem o fulgor da palavra e a lâmina fina do verso.

Itajaí, 28 de maio de 2008.

Jonas Tadeu Nunes, produtor e apresentador do programa “Canto Libre, a Voz da América Latina”

 

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COMENTÁRIO de CÈDRIC PIOLAN em “AS NOVELAS da GLOBO a NOVA ARMA”, neste site

COMENTÁRIO:

CÈDRIC

 

Você está numa ONG de pessoas sem mídia? Acorda, isso é coisa do século passado. Hoje qualque cidadão pode ser a mídia e a internet está ai para provar isso.

Porque não abre um canal no YouTube e divulga o seu pensamento de forma audiovisual, como até as grandes redes de TV, que já possuem o domínio do latifúndio midiático nacional, estão fazendo?

Confrontrar a toda-poderosa e defender o Lula também acho uma besteira. O problema dos intelectuais e de seus aspirantes neste país ao meu ver, se resume à falta de exercício físico. Levantar da cadeira, reinvidicar e adentar os espaços de poder é o que falta a muitos que pretendem mudar a mídia e a política, mas ficam se restringindo a ficar onde estão: no conforto do lar com a comodidade de um notebook com banda larga.

Se você tem disposição, candidate-se a um cargo eletivo, deputado, presidente, vereador, o que seja. Mostre suas idéias, propostas e discuta com a sociedade.

O blog é uma ótima mídia, fazer crítica é ótimo e também necessário, para que se fomente discussões fora da virtualidade. Mas é preciso crescer, ter e divulgar voz.

Não espere respostas da mídia. Seja a mídia.

Um abraço,

Cèdric Piolan

 

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COMENTÁRIO de ANDRÉA POÇA em “DO PROIBIDO AO OBRIGATÓRIO”, neste site

COMENTÁRIO:

Andréa  Barreto M. da Poça

 

 

Adorei o Post. Sou Professora de Ciências, dou aulas de Educação Sexual para meninos e meninas de Escolas Públicas do Rio de Janeiro. E o que vejo é uma imensa massa de adolescentes que não tem informação, ou melhor tem a informação só mas não a transformam em conhecimento. E essa massa é empurrada a fazer sexo sem o menor preparo. Passamos do nada pode, para tudo vale. Já enfrentei meninos com 12 anos com Doenças Sexualmente Transmissíveis ou meninas com 11 anos, grávidas ! Isso é uma aberração! Não é natural. Eles não estão preparados para isso !
Parabéns pela coragem e clareza do Post ! Está na hora de falar o óbvio!

 

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PROPRIAMENTE DITO – por zuleika dos reis

 

 

 

                   Não tenho mais palavras para falar sobre isso. Isso continua existindo, mas não tenho mais palavras e não sei como isso pode continuar existindo sem palavras com que eu possa falar disso. Sem palavras para falar disso, não posso comparar isso com aquilo, não posso separar isso daquilo. Sem palavras sobre isso, não posso isso. No Princípio foi o Verbo e assim continua o mundo reconhecível, sem Depois nem Antes dizível.

                   Não tenho o verdadeiro verbo dos que ousam afirmar: Não desejo mais isso. Ainda desejo isso, as palavras disso, mas isso não se dá mais em palavras. Tampouco isso se dá no verdadeiro silêncio disso. Isso não se dá mais, no entanto continua e não sei como continua sem palavras nem silêncio. Isso é a impossibilidade possível na possibilidade impossível e a possibilidade impossível na impossibilidade possível das palavras a dizer isso e do silêncio a calar isso, que continua existindo e que ainda desejo, sem poder calá-lo, sem poder dizê-lo.

                   Um dia, eu tive as palavras disso. Elas vieram junto com isso, nasceram ambos ao mesmo tempo. Isso era o que se dizia disso e as palavras diziam o que era e o que não era isso. Nas palavras, o completo disso, seu tudo-nada. E o silêncio também era o sendo e não-sendo disso. E isso era pleno, na própria palavra e no silêncio próprio de si mesmo.

                   Agora, isso continua no seu sendo e no seu não-sendo. Mas, as palavras e o silêncio disso só não são, nunca mais sendo. Desde quando? Desde quando as palavras e o silêncio disso só não são, nunca mais são isso, que continua sendo só no alheio de si mesmo? Em que momento isso se tornou só isso? Como um coração que bate à nossa revelia? Por um átimo, quase senti o coração disso batendo.

                   O coração pulsa, isso ainda pulsa, mas não é um coração. Isso é isso, não é aquilo, aquilo nunca será isso. As palavras podem criar tudo, não podem transformar isso naquilo. Também o não-sendo disso não é o não-sendo daquilo.

                   Como isso continua, se as palavras disso, se o silêncio disso já não são? Como continua existindo o que não tem palavras nem silêncio? Talvez isso tenha se tornado outro-isso, habitante do Verbo e do Silêncio de outro mundo e, por essa razão, eu só poderia falar disso-outro, ou calá-lo, apenas com os verbos e os silêncios daquele idioma de mundo que não conheço.

                   Isso-outro não é mais isso para o quê havia as palavras do meu mundo. Talvez tenha se tornado apenas o eco do idioma de alguma civilização perdida, ou o eco do idioma de civilização futura, cujos verbos alguém que não eu pronunciará, cujo silêncio alguém que não eu calará, esse-outro-pretérito-futuro nunca sido nem jamais vindouro, desde sempre e para sempre o Diverso disso que, em instante irremediavelmente incognoscível, perdemos na palavra e no silêncio do presente mundo.

 

                  

                                                  

                    

arte digital de grendel. ilustração do site.