ENSAIO PARA UM POEMA de philomena gebran

Empilhei minhas palavras

Arrumei todas as frases

Pondo todos os pingos nos is.

Cuidei de todas as vírgulas

Dei especial atenção

As crases e aos fraseados

Enfileirei reticências

Coloquei exclamações

Ordenei os pontos e vírgulas

O til os acentos graves

Não esqueci o circunflexo

Nem tão pouco o agudo

Compus bem a concordância

Exclui a interrogação

Pra que ninguém duvidasse

Do cuidado que tomei

No preparo do discurso.

E tem mais

Palavras não repetidas

Pronomes verbos certinhos

Sem desprezar advérbios

Artigos e tudo o mais

Adjetivos escassos

Pra não cansar o leitor.

Apenas o necessário

Cabível dentro do texto

E pronto!

Tudo bem arrumadinho

Pra começar a escrever

Posso escolher com cuidado

Está tudo a minha frente.

Mas…. o que é mesmo

Que eu tinha a dizer?

3 Respostas

  1. Philomena, parabéns.
    A poesia é um trabalho de linguagem, mas precisa dizer algo, por mínimo que seja. A tua mensagem, simples e verdadeira, coloca a nu o “esquecimento” congênito que vicia muitíssimos textos com que nos deparamos na aldeia global literária.

    P.S. Faço minhas as carinhosas palavras do amigo Manoel Andrade a seu respeito

  2. Minha querida Philó, — a quem tive o prazer imenso de reencontrar depois de nossas grandes andanças e quarenta anos de saudades –, depois de ler este teu poema eu descubro ainda mais talento e beleza no teu espírito. Não te sabia poeta. Já não basta teus reconhecidos méritos como antropóloga e historiadora e como uma das maiores conhecedoras da cultura andina, no Brasil. Você voltou pra retomar o merecido lugar que tinhas aqui em Curitiba até 68, porque a tua casa era o centro da intelectualidade curitibana.
    Que bom que você voltou, querida amiga. Chegou, estreou no nosso blog e já nos deixou, poeticamente, de saia justa.
    Que honra partilhar este espaço contigo. E mesmo não usando adjetivo você está phelomenal…
    Seja benvinda e, de minha parte, retome o seu lugar de honra na cultura da Cidade, por que, que eu saiba, não apareceu ainda ninguém para substituir o teu carisma pessoal e a tua elegância intelectual.

  3. Poema muito bem “arrumado” Philomena! e ao mesmo tempo contém uma crítica aos “poetas” estruturalistas. Muito bom.
    Gostaria de ler as “outras” poesias de sua autoria por aqui.

    Com carinho,

    GARCIA de GARCIA.

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