Aos Senhores Burgueses e seus Capachos Políticos – poema de ubirajara passos

Quando a revolução bater à vossa porta
Não  lamentareis pela expropriação
Dos vossos caros jatinhos e mansões.

Quando a revolução interromper vossas orgias,
Regadas a vinho cujo preço
De alguns milhares de reais é o máximo requinte,
Não sofrereis com o clamor dos “peões”
Pelo fuzilamento imediato
De vossos corpos vestidos do glamour
Que o trabalho exaustivo e acachapante
Da manada humana propicia.

Quando a insurreição incendiar-nos
E a liberdade iluminar a Terra,
Quando perderdes a “celebridade”
E a adoração abestalhada e inciente
Das mentes hipnotizadas
Pela vossa oca e envolvente “mídia”,
Não vos desesperareis, tanto,
Na falta do escravo assalariado,
Com a extinção de vossa vadiagem chique.

Vós sofrereis, sim,
Por não poder
Pisotear mais as cabeças de bilhões,
Nem gozar, histéricos, babando,
Com a tortura e o aniquilamento
Quotidiano das nossas vidas simples,
Que desgraçais, tornando ocas e infelizes,
Com o sádico tacão de vosso mando!

Uma resposta

  1. Caimão Amazônica

    © DE João Batista do Lago

    Eu, que nem tive a primazia de te conhecer
    Eu, que muitas vezes te acusei de tolo… idiota mesmo
    Eu, que cheguei a duvidar dos teus ideais
    Eu, que lamentei e chorei teu corpo crivado de balas:
    “Morrer, sim, mas crivado de balas, destroçado pelas baionetas, se não, não.” – dissestes um dia num verso quebrado duma poesia…

    Eu, agora sei: tinhas razão!

    De fato é preferível morrer crivado de balas, que morrer nesse rio caudaloso de corrupção;
    Lentamente ver-me sendo afogado pela sanha maldita da miserável dominação
    Que pouco a pouco, dia após dia, vai-me roubando águas e florestas;
    Vai-me construindo exilado dentro do pouco verde que me resta: Amazônia!
    Amazônia cantada e decantada pelos senhores donos do mundo
    A nos plantar como grileiros no nosso próprio chão…

    Agora eu sei, meu caro Chê,
    Tinhas de fato toda razão!
    Quem me dera agora – ainda que crivado de balas –
    Tomar tua mão de menino
    E transformar a Amazônia numa nova Caimão…
    Quem me dera, hermano Chê!

    Se tua coragem tivesse
    Nossos hermanos índios não seriam soldados rasos da dominação
    Por certo teriam consciência
    Por certo saberiam da brasileira nação
    Não se venderiam como encantados
    Para morrerem, no futuro (todos!), enganados

    Eu agora sei, hermano Chê, tinhas de fato razão!

    ==========

    Curitiba (PR)
    29/07/2008

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