EM NOME DO PAI & DA PALAVRA – de jairo pereira

 

Em nome do pai, do filho e do espíritho santo da poesia. A palavra tem esse dom, de concentrar energias, q. nossos sentidos não conseguem identificar. O signo e suas sadias espirithações, como já disse na apresentação do meu livro-poema Espirith Opéia. A gente vai e volta, na mesma questão: a palavra será capaz de manter-se no tempo, como signo majoritário à poesia do futuro!? Não tenho dúvidas q. sim. Partícula mínima das linguagens escritas, a palavra, oferece a possibilidade do processo de conhecimento. Ciências, philosophias, éticas e estéticas, tornam-se acessíveis pelas linguagens escritas. Assim, o conhecer se dá diretamente pelo manuseio da língua e da palavra q. a compõe. Ninguém vai muito longe, guiando-se só por signos visuais, símbolos ou ideogramas, no processo do cognocer. Ainda mais por ícones expressos numa tela de computador.

Instrumento criado por Deus, a palavra, não poderia ser diferente, nas suas qualidades numinosas, ou seja: ser simples, direta, como água de fonte, e ao mesmo tempo ensejando complexas variações, na formação das mais diversas linguagens. E, não só isso: o exercício pleno e libertário das linguagens (compostas de palavras) opera o milagre da comunicação, numa primeira instância. Em segunda e terceira instância, nas mãos do artista, (poetas e escritores) A PALAVRA, alcança o estágio de elevação espirithual, também realizando outro grande milagre: a criação livre de author. A obra e seu lugar no espaço-tempo. A voz da linguagem, é nua e pura, em estado bruto. E, a linguagem da voz, após a intelecção (quando a linguagem não tem como escopo principal a comunicação direta) se traduz, na criação poético-ficcional. Entendo assim, sponte própria, nos meus parcos conhecimentos lingüísticos. Na realidade meus conhecimentos lingüísticos, são mais de poeta, manejador diuturno dos signos. A intimidade com a palavra é q. nos dá a compreensão do fenômeno e grandeza, dessa alma (palavra) aparentemente simples e impotente. Muitos governos ruíram, em face da palavra. O Poder da palavra, é maior de q. muitos poderes instituídos pelos homens. Não à toa, alguém contemplava reverencialmente, as inscrições nas pedras, no deserto. A palavra corroendo a pedra do tempo, e sempre mantida nas intempéries. Muitas vozes romperam fronteiras, trazendo na palavra novas ideologias. A palavra registra a vida, costumes, atos, fatos, idéias, projetos, realizações. A sã convicção do sujeito no dizer a palavra, vale mais q. muitos livros escritos, repousados nas grandes bibliotecas, como mortos em sarcófagos subterrâneos. Cristo, é exemplo paradigmático, quando se trata da força da palavra nos tempos. Gosto daquela belíssima sentença, ou duas conjugadas, na forma como aparecem: Eu vos deixo a paz. Eu lhes dou a minha paz. É de se perguntar aos sábios lingüistas, onde está, nos ditos acima, a voz da linguagem e a linguagem da voz?? Creio, comporem as presentes sentenças, conjugadas como estão, uma só linguagem e uma só voz. Portanto una, a linguagem da voz e a voz da linguagem. Prescindível, qualquer intelecção humana à emissão sígnica, acima expressa, o que retira de antemão a linguagem da voz. O que isso tudo tem a ver com poesia?! Pense o q. quiser pensar. Tem tudo e nada ao mesmo tempo. Primeiro porque a poesia tem o poder de instituir-se da mesma forma q. a palavra nathuralmente, num processo de simples fala, quando se trata de poetas sem a dita cultura civilizada. Segundo porque os deuses excêntricos da criação, com suas extravagâncias, de conduta, mentem muito e em prestidigitações inumeráveis, enganam o sujeito/criador. A relação sujeito x objeto x prismas de análise, tríade, originária de toda arte, fulgurações no céu, acidentes da língua, fala e consciência, são determinantes do produto final: a obra. O que era simples palavra no início, na abordagem primária dos objetos, torna-se com ação e esforço ou acidente dos sentidos, composto singular, complexo nos meios e fins, ao ponto de o emissor dos signos, esquecer q. aquilo tudo fora constituido pela simples palavra, q. encanta e ilumina. Não gosto dessa coisa, de ficar procurando símbolos arbitrários no computador, (embora já tenha feito isso) ou nos diversos outros meios eletrônicos, a fim de compor um poema, um conto, uma criação livre de author. Todos os conflitos étnicos, fatos philosóphicos, antropológicos, místicos e religiosos, estão contidos na simples palavra. O bom dia (esse simples cumprimento) diz mais q. muitas teses de lingüistas eméritos da USP e outras grandes universidades brasileiras. O q. interessa ao poeta é o q. interessa à poesia: milagre de luz na criação q. comunica e expande o signo/palavra. É muita tese, pra pouco resultado prático. O q. buscam eles, os “gênios” da lingüística?! Só deus sabe. E, o acúmulo inócuo de teses é imensurável. Nós os poetas, podemos prescindir da tese e atingir o nirvana com a simples palavra q. ilumina. Comer o pão pela manhã e servir-se da palavra no todo dia. A palavra como ente sagrado, inesgotável na sua tridimensionalidade de significação, combinações infinitas, etc. Um mundo, dois mundos, três mundos, multimundos se erigem com a simples palavra q. ilumina. Uma benção, indescritível esse poder, q. não é conquistado à força, não é vendido, nem leiloado pelos trogloditas tecnocratas. Q. a força de minhas palavras na esteira crística, pastoreiem belas imagens, a fim de compor minha poesia. Uma poesia de força de investimento nos atos, fatos, pensamentos. Os governos detém a palavra como instrumento de PODER, falseando-a, em verdade, ética e impondo estéticas de horror. A própria palavra nos parlamentos, vinga-se dos ordinários. Anjos poliglotas vigiam, o bom uso da língua e os desideratos singelos da santa palavra. Não se iluda. Tua sanha de poder e asco, nada pode contra os atributos do signo verbal. O poeta, procura extrair da palavra o seu poder sacrossanto, criônico, e de revelação da vida. Andar pelas veredas impostas pela palavra e descobrir os mundos novos, q. o imaginário propicia, é dos melhores prazeres terrenos. Minhas mulheres, idealizadas nas palavras. Minhas utopias, projeções de mundos ideais, relações cordiais e profícuas criações. A mãe sabe disso: a mãe provedora universal, a linguagem de minhas verdadeiras palavras. A poesia, nunca irá trair o desiderato da pobre e glorificada palavra. Aos monstros, a subversão deletéria dos signos. Como liberdade de expressão, ético-estética, o poeta também pode fazer isso, e o faz, mas num plano de criação livre, embalado pelas musas e os amplos horizontes de confirmação do talento, chuvas de facas e fumacear de gases tóxicos. O dramaturgo, o cineasta em seus roteiros, o ficcionista em sua prosa, idem nas especulações/projeções fantasiosas com os signos. A questão é manter o respeito e render-se aos milagres q. o signo/verbal nos oferece. Esta a nossa grande estrela, poetas, (a palavra) oferecida no céu da lira entusiasmada, como majoritário instrumento da criação. Todo signo, símbolo, ideograma, ícone e módulos de significações semióticos, fotópticos & afins, serão bem vindos ao processo da poesia do futuro. Mas jamais, podemos prescindir da palavra, língua e linguagens, no processo de conhecer e ser conhecido, decodificar e ser decodificado, megassêmico cosmos do dizer e ser dito. Há de se ter destreza com a palavra, sim. Destreza, interesse, razão, emoção, projeção, pontos importantes, aos compostos do alto espíritho. Minhas palavras, meus sopros, meus gritos, meus nervos, minha intelecção, minha construção de mundo, minha philosophia, minha práxis e ideologia. Quem é capaz, de descartar em sua vida o esplendor da palavra? Na lúdica jogada do viver e fazer poesia, a palavra é como santinha de igreja, de se carregar no bolso. Falta nos água, mas não palavra, falta nos o pão, a mesa posta, mas não palavra. Falta nos o sonho, mas não a palavra, mesmo sendo essa a Senhora esplendorosa do sonho. Um não-sonhar, é só quando a palavra solipsia, e o sujeito criador, se deixa levar pelo baixo espíritho. As negras presenças invisíveis, cerceiam, caçam e prendem a palavra. Um poeta, estar sempre em guarda, na liberdade plena e irrestrita da palavra. Ela a deusa do dizer, conhecer, compor, nos levará aos mundos da razão e des-razão, aos elevados/enlevados da alma dos tempos. Mesmo os loucos-loucos nos manicômios, rendem-se aos ruídos da alma (proto-palavras, palavras), a denotar seus estados de ser, sentir e estar no mundo. Os loucos e as palavras tem tudo em comum: vertentes de significados difusos, quando é preciso, monólogos longos ao caminho do nada, q. é perder-se e encontrar-se na própria palavra.    

A palavra vã, em suas vestes pobres, milagreira da imagens: identidade e contradição, silêncio e ruído, realidade e imaginação, todas antinomias, na sua órbita de entendimento. Mãe dos entes concretos e abstratos, a palavra, pisa todos os caminhos, navega todos os mares, e nunca se dá por vencida na sua missão de nos revelar a vida. O homem q. habita na palavra está em sintonia com o cosmos. É espelho da alma contrita do signo lêtrico, navega, configura e expande o dicionário universal. Resido de há tempos, nesse ente numinoso, bem coletivo, supercomum a todos os homens. Em seus canais de significação, interpreto a vida, crio meus poemas, ensaio, ficciono, produzo a estética e philosophia de minha grande verdade. Sou portanto, inquilino vitalício da palavra, e o aluguel q. pago, sopro vital, meu entusiasmo diante do objetário q. me cerca, reflete na minha nathureza (consciência e inconsciência) e é devolvido em texto pra esse mesmo mundo e realidade. Viva a vida, sempre renovada, no interior da palavra. E viva a poesia q. emana da sua lavra preciosa, mina inesgotável de um dos minérios mais caros, ao homem: o sublime.

 

hErMes lUcAs pErê

Autor de Anemoria (poesia),

Poie-açu (poesia) e Arroz, feijão e philosophia

(multiprosa), inéditos, a serem publicados

no ano 2010, por editora do Asteróide

ZIPHSK 333, da Órbita Savagé.

 

 

 

sem crédito. ilustração do site.

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