UMA PENA – poema de jorge barbosa filho

 

 

uma pena, deve ser

um olhar de índio

em teu coração aflito.

deve ser.

 

seja a canção

uma pena,

deve ser.

eu pago a pena

qualquer preço.

deve ser.

fico parado

no incêndio

e as penas voando.

voando.

 

tento entender

porque queimar plumagens

quando seríamos

o pássaro

e voarmos

no justo instante

que você me dissesse

sim.

 

ah! tô muito a fim

pra qualquer bobagem

que te falasse

em pleno vôo, 

fingindo minha própria rapina.

 

desisti, meu amor

do índio que havia em mim   

e faleço em pleno sonho.

 

fiquei só

do tamanho de um dó

e não percebi.

que me quis

uma música.

uma nota, sol.

um beijo.

 

 

 

a tarde ardia

num lusco-fusco desesperado.

mas mesmo assim

faço dos meus dias

uma lágrima escorrida,

um desenho, em si,

um oceano,

na qual te via

o meu rosto insano.

 

ah! já deixei de ser

tudo aquilo que queria:

tudo aquilo que sumia

pelas minhas mãos

de pianista.

 

amor, não fuja de mim,

tenho os vôos nos olhos

e as chamas, e as chamas

de quem te chama.

penas

de quem te ama

te ama.

 

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