Arquivos Diários: 23 julho, 2008

RESPEITO ao “VELHO CHICO” por mauro chaves

 

Ao se omitir de um debate profundo sobre o projeto de transposição do Rio São Francisco, deixando que a sociedade brasileira e as futuras gerações venham a sofrer os efeitos desastrosos de um “fato consumado”, imposto pelo governo, o que pode resultar numa obra tão faraônica quanto ambientalmente estúpida, o Congresso Nacional está passando um recibo de criminosa irresponsabilidade.O Velho Chico, rio da integração nacional, cuja força das águas já foi tamanha que durante séculos o fez avançar vários quilômetros adentro do Oceano Atlântico, a ponto de embarcações pararem em pleno oceano para se abastecerem de sua água doce, hoje sofre em sua foz um trágico recuo, por insuficiência de vazão. Já se disse que esse projeto de transposição é a transfusão que tem como doador um doente internado na UTI. Se a idéia de levar águas do São Francisco, por gravidade, para o semi-árido do Nordeste setentrional já estava na cabeça generosa de dom João VI, é porque naquele tempo não existiam açudes, nem adutoras, nem estudos hidrogeológicos.

Durante séculos muitos têm defendido a transposição como solução salvadora para a tragédia das secas. Mas a quantidade formidável de açudes já construídos – que já chega a cerca de 70 mil – e a possibilidade de retirada de água do subsolo nordestino (que, embora muitos não saibam, é abundante em água) sugerem soluções muito menos dispendiosas e mais eficazes para distribuir água às populações que dela mais necessitam. E distribuição, no caso, é a palavra-chave, pois em grande parte a malsinada “indústria das secas” nordestina tem sido mantida pelos chefetes políticos para comandar o abastecimento de água de seus currais eleitorais. A transposição não significará a oferta de água a 12 milhões de nordestinos – como têm dito seus defensores -, mas sim a canalização para determinados projetos de irrigação do agronegócio, enquanto falta distribuição de água até para projetos e populações bem mais próximas do rio, nos Estados ribeirinhos.

O engenheiro Manoel Bomfim Ribeiro, especialista em hidrologia e geologia, ex-diretor do Dnocs e autor do livro Potencialidades do Semi-Árido Brasileiro, num texto sobre as obras inconclusas do Nordeste assevera: “A indústria das secas é um fato inerente à vida política da região nordestina tendo como carro chefe o pipa a desfilar pelos nossos sertões sequiosos, onde o chefe político exerce o seu poder sobre a água. Esta indústria vem num crescendo constante com obras de todos os tamanhos, açudes, canais, adutoras, obras inconclusas. Agora é a vez da Transposição, obra inócua e desprovida de significado, pois que o Nordeste setentrional, penhoradamente, agradece e dispensa as águas do rio São Francisco, por total e absoluta falta de necessidade, uma vez que já acumula, somente nos oito grandes açudes, 13 bilhões de metros cúbicos de água (5 vezes e meia a baía da Guanabara), exatamente os 8 açudes plurianuais que irão receber os magros 2 bilhões/m3 anuais (127m3/s) advindos do canal da Transposição. A evaporação anual dos 13 bilhões é da ordem de 4 bilhões, o dobro da água que vai chegar do rio. Uma irrisão. Mais ainda, os 3 Estados mais ávidos por mais água, Paraíba, Rio Grande do Norte e Ceará, já acumulam nos seus imensos reservatórios 26 bilhões de metros cúbicos, 70% das águas estocadas no semi-árido brasileiro, 11 vezes as águas da baía da Guanabara.”E em outro texto escreve o especialista: “Dos aqüíferos do Nordeste podem ser extraídos até 20% das reservas existentes, cerca de 27 bilhões de m3/ano sem queda de pressão hidrostática, pois são reabastecidos, anualmente, pelas águas de chuvas e que drenam verticalmente para o seio da terra. Só extraímos até hoje cerca de 4% deste potencial disponível, 800 a 900 milhões de m3 através de 90.000 poços, sendo que 40% destes estão paralisados por razões diversas menos por falta de água. O deserto de Negev, com área de 16.000 km2, fornece para Israel 1 bilhão de m3/ano de água extraído do seu subsolo, mais que a produção da nossa região cuja área é 60 vezes maior que aquele deserto.”

 

Esse projeto faraônico, de pelo menos R$ 15 bilhões, além de poder resultar em desastre ambiental – como o do Rio Colorado (para o México) e o do Rio Amarelo, na China, dentro do “espetáculo de horror dos rios que morreram” a que se refere João Alves Filho -, está criando uma cizânia entre os Estados ribeirinhos e o do Nordeste setentrional, acirrada pelo presidente Lula, quando disse aos cearenses que seus irmãos nordestinos não lhes negarão (com a transposição) “uma cuia de água”. Só não contou que está mandando o Velho Chico pra cucuia.

Se o Congresso mostra vergonhosa frouxidão em não debater esse tema, cabe à sociedade mobilizar-se para fazê-lo.

Mauro Chaves é jornalista, advogado, escritor, administrador de empresas e pintor.

 

 

rio são francisco “velho chico.” foto de joão zinclar.

SOBRE o MSN – por arnaldo jabour

Sempre odiei o que a maioria das pessoas fazem com os seus MSN’s.

Não estou falando desta vez dos emoticons insuportáveis que transformaram a leitura em um jogo de decodificação, mas as declarações de amor, saudades, empolgação traduzidas através do nick.

 

O espaço ‘nome’ foi criado pela Microsoft para que você digite O NOME que lhe foi dado no batismo. Assim seus amigos aparecem de forma ordenada e você não tem que ficar clicando em cima dos mesmos pra descobrir que ‘Vendo Abadá do Chiclete e Ivete’ é na verdade Tiago Carvalho, ou ‘Ainda te amo Pedro Henrique’ é o MSN de Marcela Cordeiro. Mas a melhor parte da brincadeira é que normalmente o nick diz muito sobre o estado de espírito e perfil da pessoa. Portanto, toda vez que você encontrar um nick desses por aí, pare para analisar que você já saberá tudo sobre a pessoa…

 

‘A-M-I-G-A-S o fim de semana foi perfeito!!!’ acabou de entrar. Essa com certeza, assim como as amigas piriguetes (perigosas), terminou o namoro e está encalhadona. Uma semana antes estava com o nick ‘O fim de semana promete’. Quer mostrar pro ex e pros peguetes (perigosos) que tem vida própria, mas a única coisa que fez no fim de semana foi encher o rabo de Balalaika, Baikal e Velho Barreiro e beijar umas bocas repetidas.

O pior é que você conhece o casal e está no meio desse ‘tiroteio’, já que o ex dela é também conhecido seu, entra com o nick ‘Hoje tem mais balada!’, tentando impressionar seus amigos e amigas e as novas presas de sua mira, de que sua vida está mais do que movimentada, além de tentar fazer raiva na ex.

‘Polly em NY’ acabou de entrar. Essa com certeza quer que todos saibam que ela está em uma viagem bacana. Tanto que em breve colocará uma foto da 5ª Avenida no Orkut com a legenda ‘Euem Nova York’. Por que ninguém bota no Orkut foto de uma viagem feita a Praia-Grande – SP ?

 

‘Quando Deus te desenhou ele tava namorando’ acabou de entrar. Essa pessoa provavelmente não tem nenhuma criatividade, gosto musical e interesse por cultura. Só ouve o que está na moda e mais tocada nas paradas de sucesso. Normalmente coloca trechos como ‘Diga que valeuuu’ ou ‘O Asa Arreia’ na época do carnaval.

 

Por que a vida faz isso comigo?’ acabou de entrar. Quando essa pessoa entrar bloqueie imediatamente. Está depressiva porque tomou um pé na bunda e irá te chamar pra ficar falando sobre o ex.

 

‘ Maria Paula ocupada prá c** ‘ acabou de entrar. Se está ocupada prá c**, por que entrou cara-pálida? Sempre que vir uma pessoa dessas entrar, puxe papo só pra resenhar; ela não vai resistir à janelinha azul piscando na telinha e vai mandar o trabalho pro espaço. Com certeza.

 

‘Paulão, quero você acima de tudo’ acabou de entrar. Se ama compre um apartamento e vá morar com ele. Uma dica: Mulher adora disputar com as amigas. Quanto mais você mostrar que o tal do Paulão é tudo de bom, maiores são as chances de você ter o olho furado pelas sua amigas piriguetes (perigosas).

 

‘Marizinha no banho’ acabou de entrar. Essa não consegue mais desgrudar do MSN. Até quando vai beber água troca seu nick para ‘Marizinha bebendo água’. Ganhou do pai um laptop pra usar enquanto estiver no banheiro, mas nunca tem coragem de colocar o nick ‘Marizinha matriculando o moleque na natação’.

 

‘ < . ººº< . ººº< / @ || e $ $ ! || |-| @ >ªªª . >ªªª >’ acabou de entrar. Essa aí acha que seu nome é o Código da Vinci pronto a ser decodificado. Cuidado ao conversar: ela pode dizer ‘q vc eh mtu déixxx, q gosta di vc mtuXXX, ti mandá um bjuXX’.

 

‘Galinha que persegue pato morre afogada’ acabou de entrar. Essa ai tomou um zig e está doida pra dar uma coça na piriguete que tá dando em cima do seu ex. Quando está de bem com a vida, costuma usar outros nicks-provérbios de Dalai Lama, Lair de Souza e cia.

 

‘VENDO ingressos para a Chopada, Camarote Vivo Festival de Verão, ABADÁ DO EVA, Bonfim Light, bate-volta da vaquejada de Serrinha e LP’ acabou de entrar. Essa pessoa está desesperada pra ganhar um dinheiro extra e acha que a janelinha de 200 x 115 pixels que sobe no meu computador é espaço publicitário.

 

‘Me pegue pelos cabelos, sinta meu cheiro, me jogue pelo ar, me leve pro seu banheiro…’ acabou de entrar. Sempre usa um provérbio, trecho de música ou nick sedutores. Adora usar trechos de funk ou pagode com duplo sentido. Está há 6 meses sem dar um tapa na macaca e está doida prá arrumar alguém pra fazer o servicinho.

‘Danny Bananinha’ acabou de entrar. Quer de qualquer jeito emplacar um apelido para si própria, mas todos insistem em lhe chamar de Melecão, sua alcunha de escola. Adora se comparar a celebridades gostosas, botar fotos tiradas por si mesma no espelho com os peitos saindo da blusa rosa. Quer ser famosa. Mas não chegará nem a figurante do Linha Direta.

 

Bom é isso, se quiserem escrever alguma mensagem, declaração ou qualquer coisa do tipo, tem o campo certo em opções ‘digitem uma mensagem pessoal para que seus contatos a vejam’ ou melhor, fica bem embaixo do campo do nome!! Vamos facilitar!!!!

 

ARRUFOS e O GRITO – por deborah o’lins de barros

“Arrufos – Belmiro de Almeida”

  

O quadro “Arrufos”, de Belmiro de Almeida, foi pintado em 1887 e, para mim, é uma das maiores obras-primas da pintura nacional. O termo “arrufos” é, nada mais, nada menos que uma briguinha boba, mas o que eu vejo é mais, muito mais…

   Todas as vezes que parei em frente a esse quadro, no Museu Nacional de Belas-Artes do Rio de Janeiro, sempre me deparei com uma das mais tristes cenas já pintadas. Sempre imagino que a mulher pecou e até está arrependida, mas sabe que dessa vez não terá volta. Já o homem, sentado fumando um charuto, está tão decepcionado que parece preferir não pensar no assunto, e não dá bola para as súplicas da mulher. E eu tenho a impressão de que não foi a primeira vez que isso aconteceu, pois o homem não está chorando.

   Bem, essa é a minha interpretação, triste, romântica, mas gosto dela. No roteiro que escrevi sobre o meu amado-morto Álvares de Azevedo há uma cena que na minha cabeça só terá o sentido que quero se ficar visualmente semelhante a esse magnífico quadro, cheio de frestas onde nossa imaginação dá asas ao sentimento.

 

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              “O Grito de Munch”

 

Parece inconsebível, sob um olhar romântico, que esse quadro tenha sido pintado em 1893. No século XIX. Mesmo hoje, no século XXI, ele ainda é enigmático, quase assustador. Quase sempre imaginamos um final de século XIX sem luz elétrica, sem automóveis, sem fotografia colorida e com saias compridas. Mas não devemos esquecer que três anos antes de Munch dar seu Grito ao mundo, Van Gogh morria na França.

   Imagino que Munch deva ter se inspirado nas decisivas mudanças daquele fim de século: sufragismo; unificação italiana e alemã; a movimentada Paris, com as coristas de Toulouse-Lautrec; os bondes; o investimento na construção de navios gigantescos, comparados aos que haviam até então; as peças de teatro escritas por Oscar Wilde…

   Meu Deus! Que fim de século mais turbulento! É exatamente isso que passa pela minha cabeça quando vejo esse personagem amarelo desesperado. Deve estar se perguntando: “Aonde estão o bucolismo? e a mansidão? e o meu livro do Stendhal?”, “Como será o mundo dos meus filhos? meu Deus! e dos meus netos?”, “Será que o mundo acabará em uma grande guerra?”

    É, esse quadro foi uma premonição que o mestre do expressionismo Munch teve, no angustiado final do século XIX, sobre os devastadores séculos que viriam em seguida.

 

PAIXÃO NÃO VÁ EMBORA NÃO poema de zazisca

Sentido sem aviso;

Chega invade;

Reage, domina, contamina;

Aquece, esfria.

Paixão ai paixão quem tu és?

És bendita ou és maldita.

Afinal como vens, por onde vens?

Chega sem avisar, e já se apodera de mim.

Por que sofro assim, é bom é ruim.

Quero você pra mim.

Isso sim.

Me sinto viva,

Descobri por onde vens!

É um olhar a contaminar,

Entras pela janela da alma.

Assim cheia de calma.

Vais ao coração e da aquela bela explosão.

Não quero que vás embora, pelo menos não agora.

Sofres a metamorfose, como uma lagarta vira borboleta.

És bela, mas não mais a mesma,

Outra fase.

De Paixão viras Amor, fase boa .

Mas depois de Amor viras Respeito;

Aí não tem mais jeito, sofro assim você longe de mim.

Para onde tu foste bela Paixão, me deixas-te por pequenos tostões.

Escapaste de minhas mãos , a não! Foste embora de vens do meu coração.

O respeito te quero não, vai-te daqui. Quero de volta a minha Paixão.

Ai como era bom, Amor te Amo, mas a Paixão era diferente ;

Era a força motriz, como se diz ? Nossa eu sou uma infeliz…………