Arquivos Diários: 24 julho, 2008

CAOS poema de joão batista do lago

                                                                      dedicado ao poeta  JB Vidal

 

entre a tensão de mudanças e de origens

cobra-se a mudança da origem.

como mudar o caos da virgem?

nela não há céu, tampouco inferno;

não há terra, tampouco mar!

Ela é simplesmente caos:

abismo nebuloso que me faz vagar

como força misteriosa

moldada entre vazios diásporos.

e assim, filho do caos da virgem

vou-me originando em cada verbo

sem pressentir que em cada verso

pretendo transgredir a virgem

num poema feito de versos noviços

pensando rasgar o abismo

da virgem em palavra que me pariu poeta

poeta sem terra, nem céu!

poeta sem inferno, nem mar!

 

[…]

 

poeta do caos!

 

APÁTRIA poema de zuleika dos reis

                   Onde nasceste?

                   Em Apátria.

                   Ah, sempre ouvi falar deste País, mas tu és o primeiro apátria

                   que conheço                  

                   Estamos todos espalhados pelo mundo.

                   Então, teu país não existe.

                   Existe, sim.

                   Onde?

                   Em Memória.

                   Memória? É um continente?

                   Não, não é um continente.

                   Neste caso, o que é?

                   Digamos… um arquipélago.

                   Apátria é uma ilha?

                   Sim, uma ilha.

                   Lembras do nome das outras ilhas?

                   Não me lembro… faz tempo… faz tanto tempo…

                   Desde quando estás aqui?

                   Desde que vim de minha Pátria.

                   Não deixaste nada nem ninguém em Apátria?

                   Eu sou Apátria.

DESCONEXOS CAUSAIS por walmor marcellino

O que tem de ver as razias da polícia do Rio nas favelas do Rio com a denunciada força sindical na corrupção do BNDES, com o hábeas-corpus de Daniel Dantas e Nagib Nahas, com a distribuição de novos cargos no Senado Federal? Em comum o ônus da República e as atitudes políticas na formação jurídico-política da democracia social que vamos construindo. Todos esses fatos e seus motivos têm haver com a justiça porém estão amparados no direito e nas práticas institucionais. Alguns chamam isso de jogo democrático de poder; outros, de delinqüência institucional; terceiros, de estado geral de corrupção-decomposição institucional-constitucional, com a ação dos “patifes ilustres” (“a lei é uma semântica ao dia”, conforme sua hermenêutica) das celebradas mordomias público/privadas.

O governante do Rio de Janeiro e sua troupe instauraram um “tolerância zero” ao estilo fascista de Rodolpho Giuliani nas favelas e outras áreas de pobreza; e cuidam de estatísticas: para cada 10 inocentes pelo menos um criminoso é executado. O Paulinho Pereira ganhou um ministério e um acesso aos cofres públicos; é mera contrapartida política no jogo democrático. O Supremo, por seu presidente, afirma que bandido de colarinho não foge à luta, portanto não deve ficar preso como se fosse marginal. Os patifes do Senado atropelaram as leis e decidiram distribuir mordomias por cabeça e partido.

Ai de nós se não fosse a polícia, o BNDES, o Supremo Tribunal e o Senado Federal. Mas se esse é o “barato” do jogo, não quero mais jogar; mesmo porque não posso fechar a tavolagem nem o prostíbulo. Não sei o que devo ir achando embora pense em mudar de igreja já que não posso mudar de país. De classe e de estilo de vida não, porque estaria muito velho para azeitar dobradiças.

Segundo velho brocardo, o tempo e a indiferença são os melhores remédios, porque depois que tudo passa tudo já passou.