Arquivos Diários: 27 julho, 2008

O AGÁ e o JOTA por alceu sperança

 

 

Ouve-se dizer, freqüentemente, que a educação é a solução para todos os males. É coisa falsa. No Brasil, os adeptos do senador e ex-ministro Christovam Buarque repetem muito esse conceito, sem entender direito o que o mestre quer dizer. Se você quantificar os prejuízos causados por todos os crimes cometidos por miseráveis de baixa escolaridade e formar uma pilha de dinheiro e depois amontoar os prejuízos causados à sociedade pelos colarinhos brancos, verá que a pilha dos prejuízos cometidos por gente com ensino superior é muito maior.

O moreninho é criminoso. Já o seu dotô de olhos azuis apenas deu um mau passo na vida. O miserável tem que ser executado na periferia: vai cortar lenha pro Capeta, como dizia Novaes. Mas seu dotô tem que ter mais uma chance para ir à igreja e fingir que está orando ao Onipotente. Pobre, quando está correndo, foge da polícia; o rico foge da gordura. A educação é fundamental, mas não resolve nada por si mesma. Pode-se perfeitamente formar um grande canalha na melhor universidade.

A educação necessária é aquela que arranca o cidadão do controle ideológico. Só a educação das massas hoje oprimidas pela brutal exploração poderá fazê-las compreender que são escravizadas pela hegemonia cultural do neoliberalismo e seu mercado de horrores: guerras, preços altos de comida e remédios, doenças espalhadas e curas sonegadas, fé no irrelevante e descrença em si mesmo.

A ideologia domina tão completamente os cidadãos que eles não percebem como são tratados. Usuários, pagam duas, três vezes, por um mesmo serviço. Quando pagam impostos, já pagam os serviços públicos em geral, mas ainda têm que pagar de novo por asfalto, transporte, pedágio, água, coleta de lixo, energia, escola dos filhos, exames médicos etc. Quem compra é “consumidor”, e ao comprar está pagando ainda mais impostos. Paga os impostos de todos os que produziram, transportaram e venderam o produto. Quem diz que gera emprego não gera nada: quem gera é o cara que pagou todos os impostos dos produtores e vendedores. Ou seja, você.

Os indivíduos, assim, são reconhecidos apenas por um valor utilitário conferido pelos donos do mundo: “Você é quanto lucro pode me dar”. Mas aquilo que tem valor de uso não é gente, é objeto. Se os indivíduos não são pessoas, então são coisas, e quem não consome não vale nada, segundo o escritor Luiz Fernando Ferreira:

− Um cachorro manco nos comove mais. A brutalidade contra animais gera reações de revolta bem mais constantes que a crueldade rotineira contra homens e mulheres. E essa crueldade crescente e gratuita, sem outro fim que ela mesma, é de um tipo novo: é uma adaptação. Os crimes contra a vida não se esgotam na morte. É indispensável fazer sofrer, torturar, queimar, esquartejar. Tais atos de negação extrema (…) atingiram um grau de banalização desconcertante.

Quando o pobre-diabo é brutalizado na periferia, executado por traficantes aos quais não pagou pela droga (pois uma hora o corpo arria e nem roubar mais o sujeito consegue), há um coro feliz: “É uma limpeza! Teve o que mereceu”. E quanto mais limpam, mais sujeira aparece.

Não basta diploma para ser honesto com agá maiúsculo. Para haver a verdadeira honestidade é preciso também haver justiça com jota maiúsculo.    

 

….

O autor é escritor.

ilustração do site. tela de mazé mendes.

 

Rumorejando (Por razões óbvias, os noticiários não podem parar de mostrar tantas falcatruas. A ética e a moral estaria, de vez, se esfumando?) – por josé zokner (juca)

PEQUENAS CONSTATAÇÕES, NA FALTA DE MAIORES.

 

Constatação I (Homenagem a todos os cartunistas).

Não se pode confundir gênios com gêmeos, exceto no caso mais conhecido por Rumorejando dos gêmeos Caruso, os cartunistas.

 

Constatação II (Ah, essa falsa cultura).

O Incrível Hulk, cujo nome verdadeiro é Dr. Robert Bruce Banner, é um personagem conhecido das histórias em quadrinhos, criado por Jack Kirby e Stan Lee, em 1962, que se inspiraram em Frederico Garcia Lorca que escreveu Romance sonâmbulo que começa “Verde que te quero verde”.

 

Constatação III

E como dizia aquela bisavó que ainda lembrava-se do tempo, contado por sua avó que falava no Marechal Deodoro da Fonseca: “Efetivamente, está havendo uma deterioração dos costumes. Depois dos vestidos e blusas ‘tomara que caia’, hoje em dia se vê as mocinhas usando calça comprida que dá pra chamar com o mesmo nome e que, acho que se inspiraram no ator Mario Moreno, mais conhecido por Cantinflas.

 

Constatação IV (Quadrinha para ser recitada para senhores da assim chamada Terceira Idade, como exemplo da Teoria da Relatividade para principiantes).

Uma prostatite

Não é melhor,

Nem pior

Do que uma uretrite.

(Perdão, jovens leitores e também os nem tanto).

 

Constatação V

Tenho que ser franco:

Sendo velho freguês,

É um tormento

Pagar, ao banco

Quinze por cento

De juros, ao mês.

 

Constatação VI (Análise combinatória de: Arranjos, Permutações e Combinações).

Tem obcecado que faz do amor um teatro;

Tem obcecado que faz do teatro um amor;

Tem amor que é obcecado;

Tem amor que é teatro.

 

Constatação VII (Dúvida crucial via haicai).

É muito dolorido

Ter um amor

Desabrido?

 

Constatação VIII

Rico tem um atraso temporário; pobre, perde o metrô. (O bonde da história nem falar). 

 

Constatação IX

Rico come caviar; pobre, bóia fria.

 

Constatação X

Fiz uma seresta

Pra ela.

A mãe enfarruscada,

Enfezada

Apareceu na janela.

Acabou a festa.

Coitada.

Dela*

*Não ficou muito claro se “dela” se refere à mãe ou à filha. Afinal, a mãe também deixou de escutar minha maviosa voz.

 

Constatação XI

E já que falamos no assunto, não se pode confundir voz com vez, muito embora no mundo, de maneira geral, e em nosso país, em particular, os pobres não têm vez nem voz ao contrário dos ricos que possuem as duas condições retro mencionadas. E, segundo alguns, inclusive, indevidamente…

 

Constatação XII (Ah, esse nosso vernáculo).

Quando ela pisa no meu calo, eu me abalo e não me calo. Se não, eu me ralo e tudo acaba no ralo. Então, eu falo. E tudo culmina com prejuízo do que falo e, claro, do meu pobre e inocente fal, digo ato falho…

 

Constatação XIII

Quanto ao tempo passado,

A gente é originado

De algum antepassado,

Provavelmente casado

E de papel passado.

 

Constatação XIV

O monólogo

Com si mesmo

Descambou

Prum diálogo,

Sem prólogo,

Pra uma discussão

Acirrada

Onde até rolou

Palavrão

A esmo.

Obviamente,

Apenas, não ocorreu,

Não aconteceu,

Pescoção

Ou bofetada

Tão-somente.

Coitada!

 

Constatação XV (Dúvida crucial de um pobre genro).

Parece um iracundo vulcão,

Da terrível sogra a explosão,

Quando entra em erupção?

Ou assemelhava-se a um tufão?

 

Constatação XVI

Deu na mídia: “BRASÍLIA – O presidente da Câmara, deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP), disse nesses dias que o vazamento de informações de processos judiciais está generalizado e que são necessárias medidas que inibam essa prática. ‘Há deputados e senadores que vazam mais que chuveiro, tem ministros de tribunais superiores que falam mais com a imprensa do que nos autos, tem Polícia Federal que age fora da lei, tem Ministério Público que às vezes também abusa de sua autoridade’, criticou Chinaglia”. Data vênia, como diriam nossos juristas, mas Rumorejando acha que S. Excia. não lembrou dos vazamentos que permite que escritórios de advocacia liguem pra casa das pessoas oferecendo serviços (20 a 30% de honorários), a fim de recuperar as diferenças dos Planos Bresser, Collor, etc. Indubitavelmente, foram funcionários de bancos que vazaram a lista de pessoas que podem auferir esses montantes. Aliás, o governo teria que obrigar os bancos a devolverem essas diferenças, independente de ter que se entrar em juízo. Passado o prazo, o dinheiro fica e ficou com os bancos. Afinal, isso não é grave, os bancos estão só praticamente dobrando o seu patrimônio a cada ano. E viva “nóis”… E os banqueiros, é claro…

E-mail: josezokner@rimasprimas.com.br

 

sem crédito. ilustração do site. esperto?