O AGÁ e o JOTA por alceu sperança

 

 

Ouve-se dizer, freqüentemente, que a educação é a solução para todos os males. É coisa falsa. No Brasil, os adeptos do senador e ex-ministro Christovam Buarque repetem muito esse conceito, sem entender direito o que o mestre quer dizer. Se você quantificar os prejuízos causados por todos os crimes cometidos por miseráveis de baixa escolaridade e formar uma pilha de dinheiro e depois amontoar os prejuízos causados à sociedade pelos colarinhos brancos, verá que a pilha dos prejuízos cometidos por gente com ensino superior é muito maior.

O moreninho é criminoso. Já o seu dotô de olhos azuis apenas deu um mau passo na vida. O miserável tem que ser executado na periferia: vai cortar lenha pro Capeta, como dizia Novaes. Mas seu dotô tem que ter mais uma chance para ir à igreja e fingir que está orando ao Onipotente. Pobre, quando está correndo, foge da polícia; o rico foge da gordura. A educação é fundamental, mas não resolve nada por si mesma. Pode-se perfeitamente formar um grande canalha na melhor universidade.

A educação necessária é aquela que arranca o cidadão do controle ideológico. Só a educação das massas hoje oprimidas pela brutal exploração poderá fazê-las compreender que são escravizadas pela hegemonia cultural do neoliberalismo e seu mercado de horrores: guerras, preços altos de comida e remédios, doenças espalhadas e curas sonegadas, fé no irrelevante e descrença em si mesmo.

A ideologia domina tão completamente os cidadãos que eles não percebem como são tratados. Usuários, pagam duas, três vezes, por um mesmo serviço. Quando pagam impostos, já pagam os serviços públicos em geral, mas ainda têm que pagar de novo por asfalto, transporte, pedágio, água, coleta de lixo, energia, escola dos filhos, exames médicos etc. Quem compra é “consumidor”, e ao comprar está pagando ainda mais impostos. Paga os impostos de todos os que produziram, transportaram e venderam o produto. Quem diz que gera emprego não gera nada: quem gera é o cara que pagou todos os impostos dos produtores e vendedores. Ou seja, você.

Os indivíduos, assim, são reconhecidos apenas por um valor utilitário conferido pelos donos do mundo: “Você é quanto lucro pode me dar”. Mas aquilo que tem valor de uso não é gente, é objeto. Se os indivíduos não são pessoas, então são coisas, e quem não consome não vale nada, segundo o escritor Luiz Fernando Ferreira:

− Um cachorro manco nos comove mais. A brutalidade contra animais gera reações de revolta bem mais constantes que a crueldade rotineira contra homens e mulheres. E essa crueldade crescente e gratuita, sem outro fim que ela mesma, é de um tipo novo: é uma adaptação. Os crimes contra a vida não se esgotam na morte. É indispensável fazer sofrer, torturar, queimar, esquartejar. Tais atos de negação extrema (…) atingiram um grau de banalização desconcertante.

Quando o pobre-diabo é brutalizado na periferia, executado por traficantes aos quais não pagou pela droga (pois uma hora o corpo arria e nem roubar mais o sujeito consegue), há um coro feliz: “É uma limpeza! Teve o que mereceu”. E quanto mais limpam, mais sujeira aparece.

Não basta diploma para ser honesto com agá maiúsculo. Para haver a verdadeira honestidade é preciso também haver justiça com jota maiúsculo.    

 

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O autor é escritor.

ilustração do site. tela de mazé mendes.

 

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