DE POESIA E FAMAS: o retorno do anjo vingador – de jairo pereira

 

 

 

Engraçado, esse mundo, o nosso. Milhões de dólares investidos no esporte. E deveria ser investido ainda mais. Grandes grupos econômicos botando dinheiro ali. Dinheiro farto no automobilismo, dinheiro em penca no tênis de quadra, no basquete, nos esportes náuticos… e por aí afora. Pra nós, da poesia um nada elevado à milionésima potência. Fico triste e putho, quando vejo poetas vendendo carros, motos, bicicletas pra editar um pequeno livro ou cd de poesia. Não há público, e não há reverência pra poesia. Quando assisto a um jogo qualquer: sinto a presença maciça de público, a participação da galera, eufórica com seus ídolos. A nós da poesia, as casas de espetáculos, sempre vazias e muitos nãos nos correirões. Ultimamente pago com a mesma moeda a arte e esporte alheio. Fico frio. Friíssimo. Pedem-me se estou gostando, gostei: nem vi, não sei… desdigo. Não participo, não aplaudo, não vivo aquilo q. é fora do meu circulo, digamos (ético-estético espirithual). Anjo vingador dos poetas recusados, peguei muitas espheras de significados difusos às mãos. Espheras como linguagens novas, diferenciadas. Espheras caídas de estrelas distantes. Trouxe tudo, o lux e os reflexos do lux, pra poesia q. fiz e conheci, comentei. Nada aconteceu. E nada acontecerá. Convoco poetas pra um violento levante guarani (não esquecer bodoques, bordunas e tacapes): tomar as gráficas (as grandes editoras). Tomar parcialmente, em espaços sagrados pra poesia. Falte nos o pão à mesa, mas nunca a poesia. Q. o pobre mais pobre tenha acesso fácil à dita. Tomar, é de tomarmos tudo o q. nos retiraram no tempo. O poeta com o chapéu roto à mão, esmolando apoio financeiro, esmolando público e reconhecimento. A mídia lacaia, interessada apenas no lucro fácil. O escândalo do dia. A putha q. deu pro putho do senador da República, da piroqueta, do pirobeu, antropheu’s… Poeta recusado, convoco a todos: tomar de assalto a Editora Abril, a Globo, a Companhia das Letras, a Record, dos mui amigos da poesia, fulanos de tais… em março de dois mil e seis. Muitas máquinas imprimindo só pra nós. As grandes carretas ganhando as estradas esburacadas do Brasil. Containers cheios, com nosso livros, ganhando o Atlântico, tomando o Pacífico. Aeronaves, até então ociosas, da FAB, riscando os céus, só pra nós, signos largados no espaço sidério do Brasil. O poeta é e não é, deve ser megalômano. O poeta é e não é, deve ser visionário. O poder da palavra é o poder do não-poder, tudo q. engana os nossos sentidos. Chega de colóquios, seminários, encontros, festivais poéticos, sem ação direcionada a um fim. Chega de papo, sem práxis. Tomar de assalto as grandes editoras nacionais, e suas gráficas de encomendas. Um chega pra lá no patrocínio infiel. Um rasgo na Lei Rouanet, e nas ações não-ações do Ministério da Cultura. Roubar do esporte, ou pelos menos dividir, parte daqueles milhões de dólares, ali investidos. Mens sujis in corpore semi-sano, o pessoal vai querer nos matar. Pensem bem, já fizemos quase-tudo no futebol, no remo, no surfe, no tênis, agora é a hora e vez da poesia. Treine seus filhos em casa, desde cedo. Não deixe as crianças se perder em esportes sem futuro. Um cigarro, uns goles de cachaça, quando crescerem é claro (é bom se auto-destruir um pouco) e muita, mas muita, mesmo, P O E S I A. Não quero e não estou fazendo apologia de vícios ruins. Nem tampouco almejo destruir gerações. Pare com esse papo, de q. esporte é pura saúde. Conheço grandes idiotas, egressos do esporte, e milhares deles dentro dessa action inutile. Aqueles corpos, enormes, sarados, e aquelas mentes vazias de conteúdo. Vazias do sujo da vida: miséria, angústia, tédio, inquietação, niilismo. Vazio de tudo, q. o “maldito” do esporte lhes tira em vida. Nós os poetas vamos acabar com tudo isso: botar fumaça e pólvora nas relações. Subverter com outras linguagens os ritos. Vazia a vida, sem o sujo dos dias. O vapor da fome, o vapor da miséria, o vapor do desamor, da opressão, do trabalho sem amor e sem finalidade. Dez esportistas pra cada poeta, com seus patrocínios da Nike, da Adidas, da Petrobrás, da Umbro, da Nestlé, e estamos feitos. Eu mesmo, posso tratar de uns cinqüenta. Meus ofícios de modificar o ser humano. Primeiro, colocar o felizardo indivíduo na mnerda da sobrevivência, sem pai nem mãe (lago ness da têmpera e talento), pagando pra trabalhar, em trabalhos ásquilos q. não levam a nada. Segundo, comer o pobre feijão com arroz, ovo frito (estrelado) no prato de louça, limonada, tirada de limões do fundo do quintal, e uma q. outra sopa pobre nos finais de semana. Em meio a tudo isso, pinga de alambique, da mais barata, cigarros, muito cigarro, preocupação, despatrocínio, nãos, recusas generalizadas, hospitais, postos de saúde, atrapalhos de todo naipe, aluguel atrasado, luz, água, telefone em corte, etc… etc… tudo q. é squizira ruim nos dias bons de semana, finais e feriados. Transporte a pé, ao desportista oferecido desde já pela manhã. Rush de trânsito, jornada de trabalho mínima na construção civil de 14 horas diárias. Briga de boteco. Traição de mulher, pobre e barraqueira. Filhos desregrados. Vereador traficante, pra trabalhar na campanha política, e tudo mais q. é desgraça em cima de desgraça. Aqui a vida, amigos. O sagrado viver, sem precedentes, só com seu destino. Niq’s ao esporte das estrelas, onde o tolinho com sua raquete de tênis, entorpece famílias no horário nobre com suas raquetadinhas. Aqui a vida, mais pra baixo o buraco do resistir a tudo e todos. Todos os governos defenestrados, naquele gole de absinto (digo cachaça) no bar do Zica, na esquina da Tumeleros com a São João. As havayanas gastas, e uma longa estrada pela frente. Ser pobre e fodidão. Uma mnerda, ouro, diamante pro alto conhecimento. Auto-conhecimento. Viver e transgredir a vida com suor, trabalho, ócio, inquietação no caminho de q. caminho?! A poesia como religião, se fazer presente, em todos os atos. Maratonas poéticas. Procissões de poemas. Tudo q. não presta a sujar a mente. O poema nasce dali, do entulho. Adições, sempre de mais lixo, corrosão na corrosão, corrosão no espíritho. Sujas as mentes dos novos poetas. Vaticínios no vaticínio. Foda-se com seu dinheiro, Sr. dos Precipícios. Uma bola de futebol corre contra o vento no íngreme da avenida. Um ovo de páscoa de chocolate, a bola. Uma esphera positrônica de linguagem. Corre o bólido esphérico à avenida. No boteco da esquina: o corpo jaz ao chão, entre mesas e cadeiras. O corpo do bêbado recém-assassinado. Não tem poesia na morte. Não tem poesia, na cachaça. Não tem poesia nos cadernos de anotações. Não tem poesia onde tem só realidade. É de sonho também q. esse bolo se faz. Sonhos, oníricas visagens. Na cachoeira daquele rio, erigi transmundos, só com o vapor das águas em acidente. Acidentes dos sentidos, o desregramento em comando. Deteriorar as relações só por prazer. De um mix de febre interior e riso, pouca lona pra um grande circo. Atiradores de facas no escuro: poetas no circo, sob patas de elephantes. Poetas no chafariz do jardim rico. As cavernas dos miliardários, ilustradas com poemas, nefertímoros. O q. é um poema nefertímoro?! Óxido no ferro do portão. Racho na parede, reflexo no reflexo do abajur azul. Oxigênio, no café da manhã: poesia poesia poesia. Delírio de grandeza a palavra em ação poética, pra quê e pra quem?? Nenhuma explicação pro seu fenômeno de ser, estar, acontecer no mundo. Explorar o inexplorado, invocar o invocado, alardear significação às coisas não nascidas, essa a vã missão da poesia. Sujar as mentes, com seus signos profícuos: a poesia gerar multiplicidade na unidade. De tão mal, estou, não sei mais o q. dizer. Atentar contra o esporte, impulso nefasto. Saber sei de meus ofícios de crítica. Impensadas as ações contra de per si. Ser contra por contradito. Contra, por contrariedade, ânsia infinita de buscar o q. não existe. Inalcançáveis os desígnios da poesia. Fossem delimitados no espaço-tempo, nem seria poesia. Atentar contra o esporte, vício milenar dos corpos sãos. Atentar contra o lúdico. Atentar contra o q. é pura competição: rasa luta. Retiro o q. falei não falei pensei despensei. O problema é o mesmo. Anjo vingador dos poetas recusados, ainda não encontrei espaço, provisão, sustento, na midiosfera núlia. Um conjunto de signos (anjos) no dizer do poeta, vai erigindo transmundos, sebes, construções cheias de gente dentro, público, ovação, alarde de vozes no tempo. E, isso é de passar de geração pra geração. Ser em ser, tocado pelo vento. Nenhuma grande peneira cósmica, é capaz de deter a invasão dos ditos singulares. Prepare-se meu superatleta, pra nova vida, saltos de obstáculos nos signos. A poesia te visita pra ficar, comer em tua casa, nadar em tua piscina, usar teu cartão de crédito, lamentar teus mortos ilustres, navegar teus barcos, galopar teus cavalos, proferir teus insultos e amar tuas mulheres. Prepare-se pra nova vida q. o poeta agora impõe: nada de fala só pra se comunicar, nada de signo só pra pensar, no golpe de amanhã, nada de palavra, só pra mentir. Um novo dom, a tua fala, com os atributos da poesia. Tua língua, crispada de sóis e luas. Teus olhos em alcances longos. Teus cabelos, soltos no vento. Ali onde era só pedras, heras renascem. Ali onde haviam out doors, árvores resistem. Teus ofícios de só trazer, nunca levar, partilhar, enterrados no piso da cozinha. Poesia na porta da casa, acolhendo pássaros de estação. Não quero forçar amizade com este texto só pra colocá-lo num livro. Não quero, não posso espiralar o dizer, em busca de sentido. Justificar um crime de lesa-esporte. Tudo bem, devo ficar só com meus acintes. Fechar a porta e abrir a casa, pra quem quiser me encontrar, nu e desfalecido. Eis, o poeta da nova vida, q. é de um fazer sem compromisso, de um amar, verdadeiramente sentido. Da fama da poesia todo mundo já sabe. E do q. a mesma pode, não pode, tenta… poucos assimilam. Salto triplo do signo no desconhecido, o poeta joga com isso também meu amigo triatleta. Salta, acelera os ditos como anzóis a pescar imagens no imenso oceano dos signos.

 

 

jAiRo pEreIrA

 

Autor de CAPIMIÃ e outros.

 

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