COLEÓPTERO poema de joão batista do lago

Vasto-me de indivíduos-inseto

Desde a planície ao planalto

Vago em vôos rasantes

Perscrutando a presa fácil

Que me servirá de covil

Onde nem veredas mais há

Neste deserto que um dia foi floresta

– floresta de pau-brasil!

 

Vasto-me, assim, Coleóptero!

Voando com asas de estojo

Entre as éticas e as virtudes

Enfim, é preciso esconder o nojo

Que de mim fede como joaninha

Perfume de colarinhos brancos

Já encardidos pelas roubalheiras

– desta floresta jaz uma nação inteira

 

E de tantos indivíduos-inseto

Vasto-me não-conspícuo

Na inclareza das identidades

Sem ter por certo a pureza de formar

Desde a planície ao planalto

Uma nesga firme de caráter

Que me revele sujeito capaz de ter

– desta floresta! – toda virtude; todo poder!

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: