Arquivos Diários: 5 agosto, 2008

AÍ CLASSE MÉDIA, CHEGAMOS LÁ! – por jb vidal

acabei de ouvir no jornal nacional (05/08/0 oito) as 20:26 hs, que a classe média é maioria no Brasil. uhnn ? o que é isso? o que eles estão pretendendo com essa informação em forma de notícia? há tempos atrás ela já foi formadora de opinião, sustentáculo da arrecadação, decidia eleições, sofredora na inflação!

William Bonner e Fátima Bernardes ( o casal ideal da classe média) transmitem esta informação (sic) com o melhor semblante possível além da maquiagem, a fim de convencer quem está no barraco de que eles estão fora da estatística,  e, assim, deixá-los mais depressivos e impotentes para qualquer reação quanto ao seu destino. “você é um pobre, ta fudido e fica na tua não venha nos aborrecer com suas queixas que são problemas teus, eu sou maioria e as maiorias se impõem.”

 

quem fez a pesquisa? quem formulou as perguntas? quem analisou? os “especialistas” conhecidos do Delúbio? ou foram importados de DOHA?

 

pessoal!! nada disso importa! o importante é que somos MAIORIA!! e agora nos sobrepomos a tudo!! isto não é fantástico? se o país quiser mudar de rumo terá que nos consultar!!! enfim somos o poder!!! quem diria?

 

a burguesia caiu e a pobreza subiu!

 

maravilha!! PRÁ FRENTE BRASIL! lembram?

 

o milagre econômico do delfim neto? qualquer office boy tinha uma carro zero km financiado em 60 meses! o sistema financeiro e as multinacionais INFLACIONANDO o país! hoje você compra um veículo, zero km, para entupir nossas cidades, financiado em 80 meses! qualquer sobrevivente da economia informal pode compra-lo!

 

minha cadelinha clarice latiu para mim dizendo: “enfim pai, saímos da merda! já posso pegar aquele ossão lindo do shopping?” fiquei com uma cara de cachorro olhando pra ela e a resposta fugiu ou nem de Brasília saiu.

para ser classe média “neste país” basta receber o BOLSA FAMILIA. acho que passei pra burguesia e deus me livre que clarice saiba disto.

 

aqui, oh Brasília e TV Globo de merda!  ainda existem alguns não-idiotas! enfiem sua pesquisa naquele lugar e vão pra puta que as pariu!!!

 

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Hoje 06/08/0 oito)

 

Comentário abaixo que recomendo a leitura.

 

Com este comentário complemento, sucintamente, o texto acima.

 

a minha indignação, registrada acima, prende-se ao fato da visual manipulação dos dados feita pelos “especialistas” coordenados pela corte. vou utilizar o seu texto: “A pesquisa compreende o período de 1992 a 2008 e considera pobre o indivíduo que tem renda mensal de até meio salário mínimo (R$ 207,50).”

caro amigo qual seria o conceito de miséria para os “especialistas” da corte? se quem ganha entre C$0,1 e C$207,50 eles consideram apenas pobres?

a pesquisa diz ainda que, quem ganha entre C$1.064,00 e C$4.591,00 é CLASSE MÉDIA, e, o que “eles” consideram ELITE (classes A e B) ficam acima de C$4.591,00!

talvez eu esteja desatualizado e não saiba que os “especialistas” mudaram as faixas de classificação das classes economicamente ativas. esqueceram de se referir, ou criar uma classe para quem ganha entre C$207,00 e C$1.064,00, esses indivíduos NÃO EXISTEM, pelo menos na pesquisa “deles”. “eles” são “especialistas” nisso. (veja foto do jornal gazeta do povo).

 

um pai de família com esposa e dois filhos que ganha C$1.064,00 mensais, alguém pode me dizer como e onde mora? qual sua alimentação? o que veste? qual seu nível de educação e da família? sem falar nos demais itens que compõem a designação  de classe média em qualquer país, mesmo na Nigéria.

então podemos concluir que a maioria da classe média brasileira está favelada!

vou deixar para os leitores fazerem suas reflexões e mirabolantes cálculos financeiros para saberem onde se enquadram. não será difícil, os “especialistas” da corte facilitaram tudo! estamos em tempos eleitorais.

mudei de classe sem ganhar mais nem menos: sou ELITE piazada. a corte me promoveu, ainda bem que eles são sérios e honestos!

JB VIDAL

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hoje 6/8/0 oito as 15:00

 

quando recebi a foto enviada por l. k. sobre o assunto acima, não hesitei em publicá-la. é exatamente esta a cena que a corte e seus “especialistas” imaginaram de nós os leitores da notícia/pesquisa/eleitoral.

 

ilustração do texto. 

ISABELLE MARA comenta em LÉPIDA e LEVE

COMENTÁRIO:

Isabelle Mara

Simplesmente maravilhoso estar aqui a navegar por PALAVREIROS, mesmo que faça algum tempo sem enviar um pouco de mim! Vou carregar no capricho de estar sempre por aqui e certamente se ainda me permitirem, enviar algo, já que tenho escrito muito ultimamente. Sucesso ao site e mais e mais sucesso aos que participam, enviando seus trabalhos, que não deixam de ser um pouco do mais profundo do ser de quem descreve seus sentimentos em forma de versos, de poemas, etc, etc. Prossigam colaborando e desta maneira, estarão se divulgando e não engavetando o que poderia transmitir tanto à tantos.
Um grande e fraternal abraço,
Isabelle

 

veja o tema: AQUI

UMA ANÁLISE SOBRE O FRACASSO ESCOLAR BRASILEIRO – por cibelle maciel

Dos estudos realizados sobre o fracasso escolar, foram formulados três conceitos sobre essa problemática, o fracasso dos indivíduos (Poppovic, Exposito & Campos, 1975), o fracasso de uma classe social (Lewis, 1967, Hoggart, 1957) ou fracasso de um sistema social, econômico e político (Freitag, 1979; Porto, 1981).Para os estudiosos que conceituam o fracasso dos indivíduos, a privação cultural seria a causa desencadeante das dificuldades escolares, devido estes alunos não terem bem estruturados em seu seio familiar a cognição necessária para desenvolver habilidades matemáticas e lingüísticas.

Quanto ao fracasso de uma classe social, os autores conceituam que os próprios membros da classe pobre não valorizam a educação, para estes a evasão escolar não é um problema, visto ser mais importante uma ocupação monetária do aluno para auxiliar no rendimento familiar (Hogart, 1957).

Para Freitag, ocorre uma reprodução cultural, onde os alunos pobres não se desenvolvem devido o próprio sistema escolar não propiciar isso.

Segundo Poppovic é preciso revermos todos esses conceitos de fracasso escolar, no sentido que a escola deve reavaliar as suas metodologias, pois se o aluno é visto como remanescente de uma cultura que não preparou para a aprendizagem, a escola precisa adequar-se a essas exigências individuais, pelo papel social que desempenha.

Em alguns países o estudo sobre o fracasso escolar está avançado, tendo inclusive considerado a etnografia dos alunos, como por exemplo, Labov (1969) acompanhou as diferenças na verbalização das crianças pobres do Harlem em situações informais e formais. Isso significa que a resolução das questões, como as matemáticas muitas vezes dependem do seu contexto.

No Brasil um estudo realizado com alunos pobres em situações formais na escola e informais, onde trabalhavam, demonstrou a habilidade de resolução prática e a dificuldade de sistematizar o que sabiam resolver dentro do ambiente escolar, pois a escola determina uma “estrutura” inacessível para este aluno, devido o seu contexto cultural.

Nos testes, as crianças foram melhores nas situações que envolviam um contexto, ligado às atividades desenvolvidas no comércio, carrinho de pipoca, venda de coco e etc. Enquanto que o teste formal teve resultado inferior.

Na escola é aceito que devê-se ensinar aritmética isoladamente de contextos, essa idéia foi desmentida pelos resultados obtidos na pesquisa.

Podemos concluir que a evolução na aprendizagem matemática reporta-se em muito daquilo que o professor considera do raciocínio lógico desenvolvido pelo aluno, assim como a escola precisa reaver vários conceitos infundados, porque as alunos são diferentes e consequentemente a resolução de um mesmo problema tem formas diferentes de resolução. Além disso, é necessário conhecer quais são as vivências anteriores e atuais desses alunos, para contextualizar o conteúdo de forma significativa.

Bibliografia: CARRAHER, Teresinha N. et all. Na vida dez, na escola zero.São Paulo,Cortez,1990,p 23 a 43.

 

FORA do BUSÃO a VIDA é um INFERNO – por alceu sperança

‘‘Dante uma vez fez um inferno com a poesia e eu escrevo sobre o inferno que é a vida real de nossa época’’ (Victor Hugo, sobre seu livro Os Miseráveis, 1862)

………..

A tarifa do transporte coletivo urbano (TCU) do Paraná e do Brasil em geral faz que o custo do deslocamento da arraia miúda seja um dos mais elevados do mundo.

Se o usuário do TCU desconfiar que seus gastos mensais com o lotação podem pagar a prestação de uma bicicleta ou moto, as ruas ganham duas rodas a mais e o TCU perde um dos imprescindíveis financiadores do sistema.

O pior é que comprar um carro usado é quase tão fácil quanto comprar uma bicicleta ou moto. E os usuários mais atrevidos ambicionam passar do ônibus diretamente às quatro rodas.

Uma lástima que atravancaria ainda mais as ruas, pondo esse sistema tão útil e cidadão à beira da ruína: um consumo maior de combustível; danos ao meio ambiente; reflexos inevitáveis na saúde física e mental; mais mortes no trânsito; aumento nos custos do sistema.

E mais mordidas no bolso dos cidadãos que insistem em privilegiar o sistema, com o conseqüente agravamento da crise do TCU. Sem contar as propagandinhas chatas, sanguinolentas e inúteis sobre o risco de acidentes.

O transporte constitui um dos grandes problemas do Brasil. Esburacadas pistas de rodagem escoam máquinas porcalhonas e assassinas que trazem carradas de problemas: consumo excessivo de energia caríssima, terríveis prejuízos ambientais, criminalidade estradeira, mortandade no tráfego.

Essa realidade mostra que o estímulo ao transporte individual, via elevação dos custos do TCU, é o ovo da serpente de um desastre social.

Se o TCU continuar a ser desestimulado via encarecimento, logo cada família terá dois ou três veículos – e pelo menos um dos familiares vai passar por uma UTI ou receber o atestado de óbito por conta de um acidente. Alguém bem próximo a você já sofreu o horror do trânsito.

Não é possível um destino positivo para o sistema com a queda de renda do trabalhador e elevação dos custos de seu deslocamento, acompanhadas pelo privilégio ao transporte individual e a definitiva badernização do trânsito.

O consumo de energia no setor chegou a um volume indecente. Enquanto a indústria coloca no mercado uma geladeira que economiza energia, o carro usado adquirido no 18° aniversário pelo garotão da família vai se encarregar de liquidar essa economia energética.

A realidade planetária mostra que a era do petróleo se aproxima rapidamente do fim e isso levará a uma radical transformação na sociedade.

Mas as indústrias vão vender na reta final de seu fastígio o máximo de veículos, através de facilidades enormes ao transporte individual. E o encarecimento do TCU e seu colapso servem perfeitamente a esse objetivo maléfico.

As alterações que a companhia de trânsito está constantemente promovendo no sistema viário não vão melhorar objetivamente a situação do tráfego se o TCU perder muitos usuários para o transporte individual. O congestionamento tenderá a crescer na mesma proporção em que se desprestigiar o TCU.

O ideal seria quem ama sua família e a quer proteger da poluição pagar ao cidadão para andar de lotação e deixar a porcaria poluente com a qual desfila orgulhosamente a distribuir veneno, para uso essencial.

Uma espécie de extintor de incêndio, equipamento que se compra sem a intenção de usar a toda hora.

Mas, ao contrário, uma teia da aranha envolve o TCU com a ameaça de um colapso que, ao fim e ao cabo, será a desgraça do próprio poder público, revelando incapacidade para cumprir a sua única verdadeira obrigação: tornar a vida digna de ser vivida.

 

sem crédito. ilustração do site. ponto de ônibus em Copacabana. anos 60.