UMA ANÁLISE SOBRE O FRACASSO ESCOLAR BRASILEIRO – por cibelle maciel

Dos estudos realizados sobre o fracasso escolar, foram formulados três conceitos sobre essa problemática, o fracasso dos indivíduos (Poppovic, Exposito & Campos, 1975), o fracasso de uma classe social (Lewis, 1967, Hoggart, 1957) ou fracasso de um sistema social, econômico e político (Freitag, 1979; Porto, 1981).Para os estudiosos que conceituam o fracasso dos indivíduos, a privação cultural seria a causa desencadeante das dificuldades escolares, devido estes alunos não terem bem estruturados em seu seio familiar a cognição necessária para desenvolver habilidades matemáticas e lingüísticas.

Quanto ao fracasso de uma classe social, os autores conceituam que os próprios membros da classe pobre não valorizam a educação, para estes a evasão escolar não é um problema, visto ser mais importante uma ocupação monetária do aluno para auxiliar no rendimento familiar (Hogart, 1957).

Para Freitag, ocorre uma reprodução cultural, onde os alunos pobres não se desenvolvem devido o próprio sistema escolar não propiciar isso.

Segundo Poppovic é preciso revermos todos esses conceitos de fracasso escolar, no sentido que a escola deve reavaliar as suas metodologias, pois se o aluno é visto como remanescente de uma cultura que não preparou para a aprendizagem, a escola precisa adequar-se a essas exigências individuais, pelo papel social que desempenha.

Em alguns países o estudo sobre o fracasso escolar está avançado, tendo inclusive considerado a etnografia dos alunos, como por exemplo, Labov (1969) acompanhou as diferenças na verbalização das crianças pobres do Harlem em situações informais e formais. Isso significa que a resolução das questões, como as matemáticas muitas vezes dependem do seu contexto.

No Brasil um estudo realizado com alunos pobres em situações formais na escola e informais, onde trabalhavam, demonstrou a habilidade de resolução prática e a dificuldade de sistematizar o que sabiam resolver dentro do ambiente escolar, pois a escola determina uma “estrutura” inacessível para este aluno, devido o seu contexto cultural.

Nos testes, as crianças foram melhores nas situações que envolviam um contexto, ligado às atividades desenvolvidas no comércio, carrinho de pipoca, venda de coco e etc. Enquanto que o teste formal teve resultado inferior.

Na escola é aceito que devê-se ensinar aritmética isoladamente de contextos, essa idéia foi desmentida pelos resultados obtidos na pesquisa.

Podemos concluir que a evolução na aprendizagem matemática reporta-se em muito daquilo que o professor considera do raciocínio lógico desenvolvido pelo aluno, assim como a escola precisa reaver vários conceitos infundados, porque as alunos são diferentes e consequentemente a resolução de um mesmo problema tem formas diferentes de resolução. Além disso, é necessário conhecer quais são as vivências anteriores e atuais desses alunos, para contextualizar o conteúdo de forma significativa.

Bibliografia: CARRAHER, Teresinha N. et all. Na vida dez, na escola zero.São Paulo,Cortez,1990,p 23 a 43.

 

4 Respostas

  1. Depois da Segunda Resposta se eu fosse a autora da primeira resposta, enfiava minha cabeça no “computador” e tentava aprender a ler um texto, melhor. Há há há.

  2. O artigo é muito bom, enfatiza o fracasso escolar citando estudos científicos e não generaliza este como sendo culpa dos professores, isso está claro, apenas apresenta conceitos pedagógicos que são reiterados pelas concepções atuais.
    Trabalho com quase 40 alunos e em relação ao ensino da matemática, eles apresentam dificuldades mesmo na sistematização, então procuro apresentar situações reais, esqueço o papel e ponho eles para analisarem na prática, depois fica mais fácil chegar onde quero.
    Se eu tivesse só 13 alunos teria menos problemas (matemática) também e sobraria mais tempo pra criticar o que minha mente não tem capacidade pra enternder.

  3. SOU PROFESSORA. E NA TEORIA A MAIORIA SÓ SABE CRITICAR O NOSSO TRABALHO.
    NA REALIDADE É O CONTRÁRIO O QUE VEJO ACONTECER. SE NÃO FOSSE O EMPENHO DOS PROFESSORES O FRACASSO AINDA SERIA BEM MAIOR. AO INVÉS DE SOLUÇÕES INVIÁVEIS COMO O PROFESSOR FAZER O TRABALHO DE ANTROPÓLOGO NA COMUNIDADE E TRAZER TODAS AS EXPERIÊNCIAS DOS ALUNOS PARA A SALA, DEVO ADVERTIR QUE: NÃO HÁ FORMAÇÃO NEM TEMPO PARA ISTO. A PRÁTICA JÁ ME MOSTROU CAMINHOS BEM MAIS SIMPLES:ESTE ANO ESTOU COM UMA TURMA QUE QUASE FECHOU POR FALTA DE NÚMERO DE ALUNOS ESTABELECIDOS PELA SECRETARIA DE EDUCAÇÃO: 13 APENAS 13 ALUNOS. RESULTADOS: 1.CONSEGUI ATINGIR O PROGRAMA MÍNIMO APENAS NO 1 SEMESTRE; 2.CONSIGO ATENDER A TODOS OS ALUNOS ,TODOS OS DIAS ,DESENVOLVENDO TRABALHOS INDIVIDUAIS DE ACORDO COM AS NECESSIDADES DE CADA UM; 3. A ÚNICA ALUNA QUE QUASE NÃO PROGREDIU FOI PORQUE FALTA MUITAS AULAS E JÁ FOI ENCAMINHADA PARA ACOMPANHAMENTO PELA ORIENTADORA DA ESCOLA.
    NÃO ESQUEÇAM: A MAIORIA DOS PROFESSORES TIRAM DINHEIRO DO PRÓPRIO BOLSO QUANDO DESEJAM FAZER UMA AULA MAIS DINÂMICA E MAIS ENVOLVENTE.
    OUTRO FATOR IMPORTANTE: PASSEI P/ O CONCURSO DE UMA PREFEITURA QUE PAGA UM DOS MELHORES SALARIOS DO ESTADO E POR ISSO LARGUEI UM PERÍODO, PASSANDO A TRABALHAR SÓ MEIO EXPEDIENTE. CONSEGUI COMPRAR UM COMPUTADOR E ESTOU AQUI NA INTERNET LENDO PARA APRENDER CADA VEZ MAIS E FICO MUITO TRISTE QUANDO JOGAM A CULPA EXCLUSIVAMENTE NO PROFESSOR

    1. Eu como aluna já estou cansada de ver professores sem vontade de dar aula e até professores com conhecimentos infundados sobre o assunto da aula.Na minha escola é assim.Então, infelizmente cabe ao aluno por conta própria ir atras de conhecimento.

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