Arquivos Diários: 9 agosto, 2008

ORAÇÃO das MULHERES resolvidas – autor desconhecido

Que o mar vire cerveja e os homens tira gosto,

que a fonte nunca seque,

e que a nossa sogra nunca se chame Esperança,

porque Esperança é a última que morre…

 

Que os nossos homens nunca

morram viúvos,

e que nosso filhos tenham pais ricos e mães gostosas!

Que Deus abençoe os homens bonitos,

e os feios se tiver tempo…

 

Deus…

Eu vos peço sabedoria para entender um homem,

amor para perdoá-lo e paciência pelos seus atos,

porque Deus, se eu pedir força,

eu bato nele até matá-lo.

 

Um brinde…

Aos que temos, aos que tivemos e aos que teremos.

Um brinde também aos namorados que nos conquistaram,

aos trouxas que nos perderam

e aos sortudos que ainda vão nos conhecer!

 

Que sempre sobre,

que nunca nos falte,

e que a gente dê conta de todos!

Amém.

 

P.S.: Homens são como um bom vinho.

Todos começam como uvas, e é dever

da mulher pisoteá-los e mantê-los no escuro

até que amadureçam e se tornem

uma boa companhia pro jantar.

 

ilustração do site. “o sonho” a senadora ideli salvatti e zé sarney.

SEM CHANCES e A SORTE DOS MERCADORES – mini contos de raimundo rolim

Sem chances

 

Que inferno que nada, gritava o ateu empírico. Deus? Céu? Nem pensar! Não vou e não quero. Recuso-me terminantemente a ir a qualquer desses lugares pelo simples, tranqüilo e justificado motivo de nunca ter comungado com tais Entidades antes. Não seria agora, depois de fazer a grande travessia da vida que se entregaria, assim sem lutas, nem bandeiras. Fez uma careta danada de feia, torceu os braços numa banana sólida. Fora-lhe o último gesto a carregar túmulo adentro. 

 

 

         A sorte dos mercadores

 

E veio a neve e veio o frio e veio a chuva e a tempestade e o maremoto. Depois o furacão impiedoso e o granizo, a peste e a fome. Os vulcões explodiram, liberando um forte cheiro de enxofre e na saraivada de impropérios, o carrasco brandindo a machadinha na mão direita com o decreto real na esquerda, despojava a todos de seus bens. Mulheres e filhos abandonados à própria sorte correram, e os trovões se expuseram assustadores. Raios e mais raios coriscaram os céus e a terra com intensidade jamais imaginadas enquanto os cães ladravam. Um dragão saiu do fundo do mar e a besta do Apocalipse roncou alto. Nos campos, os grãos secaram e um terremoto sacudiu a crosta. As montanhas vieram abaixo e os vales se elevaram enquanto a caravana passava tranqüila.

 

 

O QUÊ FAZER ? – por reni ribeiro

O quê fazer? Olho para cima da geladeira, duas garrafas de vinho. Uma abaixo da metade (vinho nacional produzido no Vale de São Francisco, Bahia, MINHA Bahia) o outro da Serra Gaúcha (e por que não dizer MEU Rio Grande?). Fim de semana monótono como uma tarde de inverno inteira e seu céu cinza (uma das minhas cores prediletas, aliás). Bem, é fato que estava só em casa, acompanhado apenas por mim mesmo, o micro e as músicas salva nele. Ainda dei uma volta pelo centro da cidade (moro no interior do RS, imagina a “agitação da cidade”) e sinceramente nada de interessante encontrei.

 

Voltei para casa depois de passar na farmácia e comprar um analgésico e passar na livraria e escolher o que vou comprar na semana que vem. Graças a Deus ainda me resta a literatura, mas dá um desespero olhar um livro e ler os comentários comprados sobre a obra, com comentários vazios tipo: “neste livro a autor consegue desbravar a mente humana com maestria, além de ter um ritmo narrativo empolgante, bem ao estilo Umberto Eco em o ‘O nome da Rosa’ – sempre citam o Eco – e Dan Bronw”. SEMPRE o comentário vem seguido do autor da frase e o veículo da impressa estados-unidense em que trabalha (Washington Post, New York Times, etc). Cara, como se uma obra precisasse do aval de qualquer pessoa ou ser parecida com a obra de outrem para ter valor. Já li muita porcaria engrandecida pela crítica nacional e estrangeira e muita coisa boa esquecida por ela. Mas fazer o quê?

 

Mas não é sobre livros que estou falando mesmo e sim da monotonia e da luta para suplantá-la. Fui ver alguns sites, ler alguns comentários de blogs, tentar conversar com algum amigo desavisado do MSN, em vão, e continuei com aquela profunda sensação de vazio. Mas fazer o quê, não é mesmo?

 

Tenho uma nova diversão que é ler comentários sobre notícias e artigos de blogs e sites jornalísticos da web. É divertido gente, vocês têm de ler. Alguns são bem legais, comentam sem sair do tema, levaram a serio o que foi dito, criticam mesmo o texto (criticam aqui não é sinônimo de falar mal do texto), mas tem o pessoal que é meio louco, que parece não pensar direito e que expõe aquilo que não podem fazer pessoalmente em casa, no trabalho, na escola, no barzinho da esquina: soltar a língua envenenada para cima de quem esboçou alguma opinião na web. Xingam, ridicularizam, falam asneiras sobre os autores dos textos, perdem a noção das coisas diante de um texto. Imagino que num jornal ou revista devem fazer o mesmo, mas os editores com certeza editam ou mesmo excluem esses comentários. Já na web o “gatekeeper” não tem muito espaço para manobras. Estão lá registrados todos os comentários, bons ou ruins, sobre determinado texto, imagem ou qualquer coisa que seja publicado na internet. É bom lembrar, o que falta de educação sobra em bom humor e desrespeito. Quer um exemplo? Vai nesta página aqui: http://colunistas.ig.com.br/geraldthomas/2008/07/19/obvio-que-a-arte-esta-morta-nao-passamos-de-impostores-de-renda-cabideiros-de-emprego-marcel-duchamp-o-urinol-que-deixava-o-artesanato-de-pe-em-seu-proprio-mijo/#comment-112302.

 

Ao texto do Gerald Thomas não consegui chegar ao final, não consigo perder tempo com discussões do tipo “fim da arte”, “fim da história”, etc, mas os comentários demonstram a falta de educação de nossos patrícios e até mesmo a graça desses comentários. Só fico imaginando o que vão comentar deste aqui. Mas, fazer o quê, não é mesmo? Vou é tomar mais um copo de vinho.

SONHOS e DESEJOS (I) poema de rosa mel

O sonho que eu sonho
Dou para ti em desejo
E em corpo eu deponho
O desejo que almejo
Estar em teus braços
Sedentos de amor
Mirando-me os traços
Tremulos de ardor

Derreto em teu corpo
Quente e aconchegante
É este o meu porto
Onde fico estonteante

Abrasador e envolvente
Mergulhado em minh’alma
Absorvente e carente
Onde busco a minha calma

Por entre corpos enroscados
Sem começo e nem fim
Pernas e braços entrelaçados
E a ternura brotando em mim

Muito grande esse tesão
Que por ti eu sinto e quero
E eu desperto num repelão
A mulher ardente e espero

Que ventura me cobrir
Com beijos apaixonados
No amor e no servir
Vivendo entrelaçados