O QUÊ FAZER ? – por reni ribeiro

O quê fazer? Olho para cima da geladeira, duas garrafas de vinho. Uma abaixo da metade (vinho nacional produzido no Vale de São Francisco, Bahia, MINHA Bahia) o outro da Serra Gaúcha (e por que não dizer MEU Rio Grande?). Fim de semana monótono como uma tarde de inverno inteira e seu céu cinza (uma das minhas cores prediletas, aliás). Bem, é fato que estava só em casa, acompanhado apenas por mim mesmo, o micro e as músicas salva nele. Ainda dei uma volta pelo centro da cidade (moro no interior do RS, imagina a “agitação da cidade”) e sinceramente nada de interessante encontrei.

 

Voltei para casa depois de passar na farmácia e comprar um analgésico e passar na livraria e escolher o que vou comprar na semana que vem. Graças a Deus ainda me resta a literatura, mas dá um desespero olhar um livro e ler os comentários comprados sobre a obra, com comentários vazios tipo: “neste livro a autor consegue desbravar a mente humana com maestria, além de ter um ritmo narrativo empolgante, bem ao estilo Umberto Eco em o ‘O nome da Rosa’ – sempre citam o Eco – e Dan Bronw”. SEMPRE o comentário vem seguido do autor da frase e o veículo da impressa estados-unidense em que trabalha (Washington Post, New York Times, etc). Cara, como se uma obra precisasse do aval de qualquer pessoa ou ser parecida com a obra de outrem para ter valor. Já li muita porcaria engrandecida pela crítica nacional e estrangeira e muita coisa boa esquecida por ela. Mas fazer o quê?

 

Mas não é sobre livros que estou falando mesmo e sim da monotonia e da luta para suplantá-la. Fui ver alguns sites, ler alguns comentários de blogs, tentar conversar com algum amigo desavisado do MSN, em vão, e continuei com aquela profunda sensação de vazio. Mas fazer o quê, não é mesmo?

 

Tenho uma nova diversão que é ler comentários sobre notícias e artigos de blogs e sites jornalísticos da web. É divertido gente, vocês têm de ler. Alguns são bem legais, comentam sem sair do tema, levaram a serio o que foi dito, criticam mesmo o texto (criticam aqui não é sinônimo de falar mal do texto), mas tem o pessoal que é meio louco, que parece não pensar direito e que expõe aquilo que não podem fazer pessoalmente em casa, no trabalho, na escola, no barzinho da esquina: soltar a língua envenenada para cima de quem esboçou alguma opinião na web. Xingam, ridicularizam, falam asneiras sobre os autores dos textos, perdem a noção das coisas diante de um texto. Imagino que num jornal ou revista devem fazer o mesmo, mas os editores com certeza editam ou mesmo excluem esses comentários. Já na web o “gatekeeper” não tem muito espaço para manobras. Estão lá registrados todos os comentários, bons ou ruins, sobre determinado texto, imagem ou qualquer coisa que seja publicado na internet. É bom lembrar, o que falta de educação sobra em bom humor e desrespeito. Quer um exemplo? Vai nesta página aqui: http://colunistas.ig.com.br/geraldthomas/2008/07/19/obvio-que-a-arte-esta-morta-nao-passamos-de-impostores-de-renda-cabideiros-de-emprego-marcel-duchamp-o-urinol-que-deixava-o-artesanato-de-pe-em-seu-proprio-mijo/#comment-112302.

 

Ao texto do Gerald Thomas não consegui chegar ao final, não consigo perder tempo com discussões do tipo “fim da arte”, “fim da história”, etc, mas os comentários demonstram a falta de educação de nossos patrícios e até mesmo a graça desses comentários. Só fico imaginando o que vão comentar deste aqui. Mas, fazer o quê, não é mesmo? Vou é tomar mais um copo de vinho.

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