SEM CHANCES e A SORTE DOS MERCADORES – mini contos de raimundo rolim

Sem chances

 

Que inferno que nada, gritava o ateu empírico. Deus? Céu? Nem pensar! Não vou e não quero. Recuso-me terminantemente a ir a qualquer desses lugares pelo simples, tranqüilo e justificado motivo de nunca ter comungado com tais Entidades antes. Não seria agora, depois de fazer a grande travessia da vida que se entregaria, assim sem lutas, nem bandeiras. Fez uma careta danada de feia, torceu os braços numa banana sólida. Fora-lhe o último gesto a carregar túmulo adentro. 

 

 

         A sorte dos mercadores

 

E veio a neve e veio o frio e veio a chuva e a tempestade e o maremoto. Depois o furacão impiedoso e o granizo, a peste e a fome. Os vulcões explodiram, liberando um forte cheiro de enxofre e na saraivada de impropérios, o carrasco brandindo a machadinha na mão direita com o decreto real na esquerda, despojava a todos de seus bens. Mulheres e filhos abandonados à própria sorte correram, e os trovões se expuseram assustadores. Raios e mais raios coriscaram os céus e a terra com intensidade jamais imaginadas enquanto os cães ladravam. Um dragão saiu do fundo do mar e a besta do Apocalipse roncou alto. Nos campos, os grãos secaram e um terremoto sacudiu a crosta. As montanhas vieram abaixo e os vales se elevaram enquanto a caravana passava tranqüila.

 

 

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