Arquivos Diários: 10 agosto, 2008

GERALD THOMAS: Óbvio que a ARTE está morta: não PASSAMOS de IMPOSTORES de Renda, cabideiros de emprego: Marcel DUCHAMP, o URINOL que deixava o artesanato de pé em seu próprio MIJO!

“DUCHAMP: O AUTORTURADO DaDaISTA”

 

Está em cartaz no MAM, aqui em São Paulo, uma retrospectiva de Marcel Duchamp. A simples idéia de uma retrospectiva pra Duchamp teria sido, no mínimo, algo impensável, ridículo ou risível, quando ele rompeu com tudo, com a caretice de tudo, com o Samaritanismo da arte, o chamado “bonitismo” da arte no início do século XX. Foi aí que começou o nosso “desastre”. Duchamp, Freud, e alguns outros são os culpados pelos nossos fracassos. Mas explico. São os nossos grandes HERÓIS. Meus grandes, grandes, imensos heróis.

Quem destrói pra construir é aquele que consegue transformar o mundo num abrir e fechar de olhos, e deixar todo mundo de pé, plantado em seu próprio mijo, sem ter o que dizer: claro, e não é à toa que o URINOL de Duchamp foi um dos primeiros READY MADES (achados prontos) – um combate contra a arte artesanal, pintura, escultura tradicional, etc. Sim, deixar o espectador pasmo em pé, em seu próprio mijo de espanto! Retrospectiva de Duchamp é muitíssimo estranho. Quando eu era aluno de Ivan Serpa e Helio Oiticica, eles só me falavam em Duchamp. Haroldo de Campos foi mais longe, já que era Dos Campos, um Duchamp também, Du Champos! A Arte de vanguarda fala em uníssono sempre a mesma coisa, berra sempre a mesma coisa. Mas uma retrospectiva dela nos traz uma lágrima de crystal japonês. E porque?Porque quando Duchamp cancelou sua parceria com Tristan (sem Isolda) Tzara, e deixou Paris, e virou um NovaYorkino, o movimento em si, de deixar o velho pelo novo, já tinha um significado. Falo de 1911 ou algo assim. O Armoury Show.“Achar” objetos prontos na rua e juntá-los, “casá-los” como se fosse um destino “by arrangement” no sentido oriental, é um humor que os americanos não tinham. Só vieram a ter na década de 60 com Wharol, Andy Wharol.Então, certo dia, Duchamp cancelou sua expo na Pace Gallery na rua 57 em Manhattan. Falou “retirem todos os quadros, apareço aí mais tarde com objetos novos”. E, pra juntar-se ao já famoso “NU DESCENDO a ESCADA“ (um dos mais escandalosamente LINDOS tributos à arte desconstrutivista, Duchamp pintou uma mulher descendo uma escada, nua, EM MOVIMENTO, pode-se dizer que remota e cremosamente cubista. E…..ao lado do MOEDOR de CHOCOLATE e ao LARGE GLASS (também chamado de THE BRIDE STRIPPED BARE BY THE BACHELORS EVEN – algo como: “ a noiva desnudada pelos solteiros ATÉ!, nessa ordem, escrito nessa cadência concreta das palavras) somou-se ao seu maior e mais conhecido piece ou seja, peça, ou seja, marca, ou seja QUADRO-NÃO-QUADRO, ou seja: o pai e mãe disso que chamamos hoje de INSTALAÇÃO/manifesto.A RODA DE BICICLETAEssa roda (objeto de obsessão meu) (o que posso fazer? nasci torto!), foi assim: nesse mesmo dia em que Duchamp cancelava sua Expo na Pace, andava pelo Bowery (equivalente a 3ª Avenida, na lower Manhattan) perto da Houston Street, de um lado da rua tinha uma roda de bicicleta jogada fora. Do outro lado um desses bancos de mandeira de bar! Ele GRAMPEOU, tacou a roda em cima do banco e levou o treco pra Pace!

Então, esse foi o MAIOR REVOLUCIONÁRIO de todos os tempos, em qualquer contexto, em qualquer arte (porque sem ele não teríamos John Cage na música ou Merce Cunningham na dança (aliás, a Fabi estuda com o Merce Cunningham em Westbeth até hoje).

A arte está morta? Rose Selavy? Como ironizava seu próprio personagem feminino com uma estrela escupida em seu CABELO, ou os cubinhos de mármore dentro de uma gailola (: porque não espirrar Rose Selavy?:) ou …

Chega de descrever Duchamp !!!

A melhor maneira e a mais triste de representar uma RETROSPECTIVA foi desenhada por Saul Steinberg. O Cartum é assim: um Coelho olhando pro Oeste está sentado em cima de uma Tartaruga que caminha lentamente para o Leste.

Duchamp foi um dos primeiros ENORMES iconoclastas. Com humor. Quebrou o vidro? Deixa lá, quebrado. O acaso é otimo!

O movimento dadaísta (não os surrealistas caretas e marqueteiros que só eles!), o iconoclástico, desconstrutivista, atonal, dodecafônico, serialista, abstrato, abstrato expressionista, minimalista, enfim, tudo isso visa uma só coisa:

– colocar a arte debaixo da lente do microscópio, autopsiá-la; ver, dissecar se as verdades e mentiras dos séculos anteriores de música e pintura e iluminismo e jacobeanismo e Renascentismo, e ismo, ismo de anos e anos de arrotismo de tantos e tantos Rembrants, Velasquez, Beethovens, Monteverdis, Wagners, Lord Humes e Hegels e Kants, e os tantos Goethes, faziam realmente sentido na era pós Freud, na era pós industrializada numa América ainda a ser desvendada pelos bachelors de toda a humanidade enclausurada em suas culturas pré-guerra, fugindo pra lá, digo pro novo mundo, fugindo das emboscadas culturais da pequenina Europa, onde à cada 16 km o teu sotaque te colocaria num campo, num Duchamp de concentração!

E no que deu? Estamos na mesma. Aliás, estamo mais CARETAS. Estamos numa era PRÉ DUCHAMP, porque hoje olhamos Duchamp como se ele estivesse no nosso passado e, toda essa porcaria pseudo inovadora (salvo alguns, óbvio, como Kiefer, Josef Beyus, Nuno Ramos, Tunga, Warhol, Damien Hirst e outros POUCOS) ainda estão naquela era de DECORAR a sala de estar da madame porque – já que voltamos aquela era do GOLD RUSH, à corrida pelo petroléo e à plantação de cana – nada mais óbvio mesmo do que declarar um ESTADO de DIREITO, e colocar um estatuto logo de uma vez:

O que vale aqui é o muralista Siqueiros, ou o medíocre Portinari, ou o idota do Henry Moore, ou a Hepworth.

E o povo, ignorante como sempre, se concentra ali na estátua dos retirantes no Ibirapuera, a metros, meio quilometro da RETRO de Duchamp, sem sequer saber o que foi tudo aquilo, ou se o ovo de Colombo ficou em pé ou não, porque, afinal de contas: não foi Pedro Alvares Cabral que descobriu as AMERiKas de Kakfa?

A Arte está MORTA sim. E faz anos que fazemos teatrinho de representação infantil em torno de seu enterro pra não perdermos emprego. Não passamos é de canastrões de última categoria, com a azeitona na ponta do esôfago, segura ali por algum Nexium, Plexium, Sexium ou Mylanta, Maalox, ou anti-ácido.

Afinal, antigamente as pessoas tomavam ácido.

HOJE: só tomam anti-ácido

CURITIBANA: A FAMILIA PROVINCIANA

Com família, sem caretice e de portas abertas

 

Há poucos dias, a pesquisadora da UFPR Araci Asineli da Luz, especialista em questões de infância e adolescência, surpreendeu-se num simpósio com a fala de um representante da iniciativa privada – um interessado em questões de educação. Os professores, disse, não sem razão, devem lembrar aos alunos que vão ser pais um dia, aos 30 e poucos anos. “Mas muitos deles já são pais. E damos aulas para diversas adolescentes grávidas”, protesta Araci, diante desse exemplo do descompasso que ainda rege o discurso em torno da juventude. Não causa espanto que muitas políticas cheirem a mofo. “Não se fala com o jovem. Como é que pode haver política que funcione?”, questiona.

A secretária de estado da Criança e da Juventude, Thelma Alves de Oliveira, bem poderia fazer coro com Araci. Ela até hoje está pasma com a postura dos shoppings em relação ao público jovem. “Curitiba tem de aprender a ser mais acolhedora e tolerante. É uma cidade muito excludente e conservadora”, lamenta a mulher que promove no Paraná o pacto da infância e da juventude, mas que volta e meia, bate com a cara na porta. Em outras palavras – reina a caretice.

A bandeira de Thelma é conhecida – a moçada precisa de cinemas, de áreas de lazer, de espaços de produção cultural. Mas não faltam obstáculos impedindo o impulso que eles têm de se agregar e expressar, desejo que ficou declarado nas conferências estadual e nacional para a juventude, ocorridas no primeiro semestre deste ano.

Em miúdos, o pensamento sobre a juventude está só engatinhando, mas corre o risco de nascer marcado pelo mesmo autoritarismo e paternalismo que ainda marcam as políticas públicas brasileiras. O assunto renderia um fórum em dias de eleição, o que provavelmente não vai acontecer. “Nunca antes nesse país” houve tantas políticas sociais, infelizmente acrescidas de dependência do estado, impedindo a autonomia necessária ao setor. Quem faz, sabe.

 

gazeta do povo. por José Carlos Fernandes

marcador de texto do site.

 

ilustração do site. cheirando cola. com todos créditos. infelizmente.

POEMAS de sara vanegas/ ecuador

el faro es una mancha en la noche

la noche

 

cicatriz en el océano

 

___________

 

 

el recuerdo es ave

migrante

 

entre mi corazón y la nada

 

 

___________

 

a veces

la soledad es una flor morada

 

en el espejo

 

 ___________

 

tu niñez:

ese barco en la mirada

 

que un día partió sin despedirse

                                                                                             

 

            __________

 

la inquietud del rosal todas las tardes

es un beso de sol

 

traspasado de hastío

 

            ___________

 

 

cuando los pájaros se fueron

quedaron huecos oscuros

 

en el viento

 

            ___________

 

 

el puerto se ha lanzado tras la barca

en un día sin sol

 

y sin retorno

                                                                                 

 

            ___________

 

 

 

mi corazón arrastra su silencio

salobre

 

hasta llegar al mar

RUMOREJANDO (Com os jogos olímpicos, que jamais participou, rememorando).- por josé zokner (juca)

PEQUENAS CONSTATAÇÕES, NA FALTA DE MAIORES.

Constatação I (Dúvida crucial, via quadrinha).

A corneta

De certos quartéis

Soa como lambreta

Por causa dos decibéis?

Constatação II

Rico tem a capacidade de memorizar; pobre, impossibilidade de lembrar.

Constatação III

Deu na mídia: “Um ano depois de ter escapado do sequestrador que a manteve em cativeiro por oito anos, a austríaca Natascha Kampusch diz estar cada vez mais triste com a morte dele”. Vá lá alguém procurar entender a intrincada alma humana.

Constatação IV (Teoria da relatividade para principiantes).

É muito melhor cantar uma gata do que cantar ‘Parabéns pra você’, numa festa infantil, àquela que tá cheia de balões e outras crianças, que você foi obrigado a ir porque era da filha do teu chefe. Nem a possibilidade de você poder levar um balão colorido pra casa pra você levar à tua neta, nem a presença da secretaria boazuda da empresa atenua o atazanante programa.

Constatação V

Rico dá sugestão oportuna; pobre, palpite errado.

Constatação VI

Rico se preocupa com a alta da Bolsa de Valores; pobre, com os baixos valores do bolso.

Constatação VII

Quando o obcecado leu na mídia que a China havia fechado 44 mil sites pornográficos, em 2007, exclamou indignado: Isso é um acinte contra a liberdade de expressão e, daria pra dizer, até da imprensa.

Constatação VIII

Um dos fatos que sempre chamou a atenção deste assim chamado escriba é o investimento de ricaços em jogadores de futebol e, assim, passarem a ser o dono, parcial ou total, do passe do jogador. Segundo alguns, o ricaço estaria ajudando o seu time do coração; segundo alguns outros, ele estaria tentando fazer um negócio; e segundo, terceiros, as duas coisas. Seja como for, para Rumorejando soa como uma espécie de trabalho escravo tal tipo de “investimento”. Fica-se imaginando o cartola falando para o “seu” jogador: “Olha, vê se você dá um pouco mais de você, se esforça mais, porque “nós” temos que ganhar esse jogo e os demais. É tua chance de passar a jogar num time grande do eixo Rio São Paulo e mesmo ser adquirido por um time da Europa que paga em euros, o que é uma maneira de você conseguir a tua independência financeira”. E por aí ele vai. Naturalmente, sem citar o lucro que ele teria. Data vênia, como diriam nossos juristas, mas para Rumorejando soa, também, como mais uma forma de capitalismo selvagem e de filhadap…ce. Por favor, cartas por e-mail, telegrama, pelo blog (http://rimasprimas.blogspot.com/), etc., opinando sobre o assunto. Obrigado.

Constatação IX

E como elucubrava o obcecado, mostrando estar por dentro do que se passa na maior potência do Planeta e suas repercussões: “Nem a turbulência do mercado mundial, nem a desaceleração em setores da economia, tampouco as altas e baixas da Bolsa de Valores irão afetar a elevação do que mais me interessa…

Constatação X

Rico é lisonjeador; pobre, puxa-saco.

Constatação XI

O filme “Saneamento Básico” é tão bom quanto os já citados anteriormente por Rumorejando. Dá, mesmo com o comportamento dos políticos, para proferir a frase, já conhecida, “porque me ufano do meu país”. Tenho, sem patriotada, dito!

Constatação XII

E o programa Certa Vez, apresentado pelo Amigo Beto Guiz, na rádio Educativa FM, além de sábado na AM, aos domingos, às seis horas da manhã, não é para nenhum boêmio, que tá chegando essa hora em casa ou quem acorda cedo, botar defeito. E Revivendo, da mesma emissora, apresentado aos sábados, às 4 horas da matina, pelo radialista Ubiratan Lustosa, é o mesmo caso.

Constatação XIII

Sinistrose*, teu nome é dengue, febre amarela, vaca louca e os políticos.

*Sinistrose = “1. tendência a alardear a iminência de colapsos e perigos terríveis, individuais ou sociais, a vaticinar desastres, ruínas, grandes perdas materiais, catástrofes em empreendimentos, planos econômicos, projetos políticos

2. a inquietação causada por tais riscos e perigos sinistros”. (Houaiss).

Constatação XIV

Deu na mídia: “O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho, considera possível que a inflação já tenha parado de subir”. Data vênia, como diriam nossos juristas, mas S. Excia., aparentemente, não freqüenta supermercado…

E-mail: josezokner@rimasprimas.com.br