CORAÇÃO e NERVOS por alceu sperança

“Você é um triste, estranho e pequeno homem. Tenho pena de você… Adeus!” (Buzz Lightyear, o robozinho futurista de Toy Story, criado para superar na preferência das crianças o bonequinho de cow-boy, a boneca de pano e os soldadinhos de chumbo)

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As grandes corporações fabricantes de computadores estão sistematicamente desafiando os campeões mundiais de xadrez para milionários games: neles, o homem ganha fortunas em troca de alguns empates e uma ou outra derrota. É fácil para qualquer máquina superar a inteligência do homem quando ele se deixa iludir, trapacear ou é “convertido”, à custa de uma bela grana, a aceitar que a máquina é superior e aos homens inúteis só resta morrer por conta própria (“Adeus!”, diz Buzz) ou se deixar matar pelas “guardas” criadas a todo instante a pretexto de defesa da sociedade. É fácil para as máquinas – e seus poderosos manipuladores – dominar os homens que entram nesse jogo mortal.

Em 1993, como que a iniciar antecipadamente o terceiro milênio, o mundo conheceu o primeiro livro escrito por um computador. Claro, essa coisa de besta do Apocalipse tinha que dar o ar de sua desgraça nos EUA, a nação mais maravilhosa e iludida deste planeta. O “livro” não teria nada de mais se não entrasse no mercado na condição de obra futurista, que faria do gênio humano uma coisa ultrapassada e inútil até quando se trata de fazer literatura, na medida em que a arte é o último bastião da espécie humana.

As grandes corporações, portanto, não querem apenas mostrar que as máquinas podem fazer tarefas braçais e arriscadas, limpar latrinas e arriscar o couro no lugar dos homens: querem provar, simplesmente, que o gênio e a rebeldia criadora do homem são dispensáveis, que o espírito, a dor, a angústia, a neurose e o amor – essas coisas tão humanas – são desprezivelmente inúteis. O “livro”, intitulado Just This Once (“Apenas Desta Vez”), como a dizer, envergonhadamente, que essa ousadia absurda não se repetiria, teve 75% do seu texto criado por um computador, porque os outros 25% foram bestas humanas alimentando a máquina com um software de inteligência artificial e uma lista de elementos contidos em livros escritos por gente de carne e osso, coração e nervos.

Essa “obra literária” vendeu na sua primeira edição 15 mil exemplares (se fosse para ser apenas uma vez, não haveria outras edições). Esse número significa um volume de vendas duas ou três vezes superior à de qualquer livro cunhado no Brasil pelo gênio humano. Talvez à exceção de um Paulo Coelho, uma espécie de computador humano: ele requenta (ou simplifica) textos tradicionais da antiguidade para misturá-los e entregar a pizza a um público desesperado, desiludido e desencantado com a vida, ávido por coisas supostamente espirituais e “superiores”.

Mas só há uma “coisa” realmente superior: a vida, com todas as suas dores, angústias, trapalhadas, equívocos e alegrias.

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