ESCREVER & EDITAR: O TRIUMPHO DO GUERREIRO – por jairo pereira

O q. nos leva a editar livro de poesia hoje? Amor q. temos ao ofício?! Ato de materialização/exteriorização do ego?! Necessidade de aplauso e amostragem de talento!? Mero exercício de profissionalismo, de quem escreve?! Creio q. tudo isso ao mesmo tempo. Além de reagir o poeta, a um estado de coisas q. o oprime. A poesia não tem o merecido valor. Os editores (vendedores de livros e na acepção plena dessa palavra “livro” cabe todo tipo de lixo subliterário e literesseiro) tão nem aí, com a melhor poesia brasileira contemporânea, editada por conta e risco dos próprios poetas. Muitos vendem o carro, a velha bicicleta & outras tralhas, pra ver seu livro publicado. Comigo, isso cansou de acontecer. Quem sabe, se nada tivesse editado, não amargasse a situação q. vivo hoje?! Bem q. aquele dinheirinho investido ali, no meu, digamos assim, projeto ético-estético-existencial, me quebraria agora aquele galho. Foram sete livros editados de edição do autor, com alguma parceria parcial, num q. outro. Conheci muitos gráficos beberrões e altaneiros. Meu novo livro de poemas Anemoria, pacote de biscoito protonathural, 180 pgs. de pura vertigem, esforço e acidente dos sentidos, jaz na cabeceira da cama, como ser natimorto em sua palidez de ofício 4. Contemplo-o no todo dia, e fico imaginando qual a alma ediográphica a bancá-lo um dia!? Não tenho mais carro, nem bicicleta, nem outras tralhas. Os horizontes são de névoa densa, e nada vejo. Um mecenas pra poesia. Um louco, anárquico em ato, transgressor no mercado ordinathural de livros, é o q. todos esperamos, baixe por aí um dia, e ilumine as trevas. Escrever & editar, publicar: o triumpho do guerreiro. Assim é como vejo a sanha desses poetas insubservientes ao sistemão castrador. Um brinde à imaginação companheiro. Um brinde ao prazer. Logótica, concepção: fazer e mostrar. Fazer e empurrar goela abaixo, ante toda torpeza dos tiranos. A crítica destruidora. As “igrejas poéticas” com seus bispos consagrados, aliados a mídia lacaia, operando a exclusão do talento. Contra tudo isso e mais um pouco os jovens poetas e a poesia lutam, insurgem-se, com as catanas afiadas a dente.  Nem aí estou, com a corja q. sacrifica o talento alheio. Cuidem-se os meninos com os falsos mestres. Em poesia o superlux, está em ti mesmo poeta, teu imaginário, projeção de ser, ideovisão de mundo, etc e tal. Abaixo os diluidores. Afaste de mim Senhor, a forma q. atravessa o tempo e cala no conteúdo do viver/hoje. Maestro de seus ritmos dissolutos, o poeta, impõe sua própria presença (ideophilotética). Entenda como quiser, q. essa tirei do fundo mais fundo da alma. Alma de poeta é thurva. Disso é bom q. todos saibam. Poeta suja e confunde, embaralha as coisas, por mero deleite. O signo trai significante e significado, na busca do outro eu, q. está em outra linguagem/linguagens, e um dizer no tempo, revoluciona todos os modos de ver e apreender as coisas. A poesia deixa de ser ingênua. Abaixo os líricos. O poeta não é mais o otário dos signos. Otário, ante os poderosos. Otário entre editores e livreiros desclassificados. O poeta erigir seu próprio mundo: compra, venda, transações afins, edições, publicações, prêmios, contidos no gesto ecumênico, de reação aos falhos atos dos pulhas. Um mundo poético há de ser erigido, com seu pequeno livro, meu amigo. Seu pequeno volume de poemas, sustenta uma coluna importante, nesse coliseum q. construímos da noite pro dia. Depois, da saída do boteco aquela noite, foi q. deliberamos revolutear o tudo. Linda aquela poeta, na manhã singela, dizendo poemas aos motoristas no sinaleiro. Um caos, o q. o poeta provocou na missa de sétimo dia do terceiro Drummond. Febre, vertigem do dizer e ser dito. Meu cavalo no vendaval. Meu cavalo (eu) meu corpo, oferecido ao tempo e ao vento. É isso menino, de um poema frágil alma lêtrica, enlevar a vida, como pode-se, e deve-se. Q. a força de minhas palavras, arem essas terras secas. Q. a força de tuas palavras, configurem a nova vida. Q. a força de nossa action poétic, invada todos os estádios do conhecimento. Poeta é de saber resistir, resiste a todas as realidades. AMOR é de se ter amor. Amor deixa tudo lindo. Pra ficar bonito, deve se ganhar amor. Amor q. anima e ilumina em amor as coisas e os seres. É de se ter amor, meu filho, minha menina de operações nathurais do viver e amar (POESIA). Um pai merece mais q. dois beijos por dia. Um pai de amor imensurável, convolar vontades de só amar. Amar na palavra q. encanta e ilumina. A poesia veste-se com roupas simples (palavras perdidas no dicionário). Anima e revoluciona o dizer. Tua consciência torpe, refratária à poesia, silencia ante o poder da palavra em estado de graça. No ritmo dessa nova música, um novo poeta se enleva como gram nominador das coisas. Pra q. poesia, se o povo não lê? Pra q. pão se o povo não come? Pra q. revolução dos ditos, se o sol continua o mesmo? Pra q. crescer, vituperar, no mesmo santo lugar? Perguntam os deuses aos seus filhos, das palavras e dos pensamentos. Enganam as imagens, pra um mesmo fim, de exercitar as linguagens. Espiritho santo da poesia, baixe sobre nós, no primeiro evangelho dos tempos novos q. tudo se renova na face dessa terra dura. Meus filhos pastoreiam signos difusos, só por prazer, e outras linguagens nascem de seu viver, estar no mundo. Tá vendo, não consigo manter o pensamento numa só linha. Os empeços, emoções desenfreadas, golpeiam meus ditos no transespaçotempo. Outro texto, a compor um livro, onde botei tudo pra fora, com a ira santa de poeta convulso. Foda Sr. dos Precipícios, com suas ofertas de consumo, dinheiro e poder. Minhas palavras sempre as mesmas, renovadas nas energias cósmicas. Minhas palavras pastoreadas, como vespas límias, dos pântanos (escrever, viver, editar) aos céus da lira entusiasmada. Minhas palavras, minha serventia e meu deus. Carne de minha carne, nervo de meus nervos, vida de minha vida. Onde andam as inaugurações?! Espaços no espaço, das novas gerações?! Onde os princípios alentados do futuro?! Poeta q. é poeta sabe disso: como um mar as linguagens existirem em fluxos/refluxos. Pela primeira vez, enganei-me com meus livros. Enganei, menti pra mim mesmo, q. o q. fiz, sonhei, realizei era poesia. Pela primeira e última vez, não senti os golpes da sorte, os chega-pra-lá dos insanos. Toda loucura-boa, é de ter futuro, construir no tempo. Meu são desiquilíbrio-construtivo. Animar o inanimado. Porfiar, no escuro de noites azeviches. Prata minha espada poética. Não tem futuro a não-convicção dos ditos. Não tem futuro, não expande, não progride… uma alma fleme no mundo. Escrever & editar, o triumpho do guerreiro, sói armado, com suas palavras de luz e sombra. Ninguém nos irá conter, meninos. Este SOL intenso. Este mar aberto em azul. Horizontes de luz extensa. Veredas de poemas, palavras, inscritos na memória, levantes de signos, semeaduras, hígidas inaugurações com os signos. Adiante, poeta, uma luz particular te ofusca. Uma luz um bólido transluzente, incendeia tua alma. Das estrelas longínquas o lux-singular desafia teu talento. Em muitas estrelas passei com minhas variações do dizer. Abduzi sentenças, naquelas espheras cósmicas. Quando peguei a esphera positrônica, q. emitia linguagens raras, em minhas mãos, percebi no Asteróide Azqhiph’tz 8800, a confluência universal das matrizes sígnicas. É dali amigo, q. tudo provém. Tudo emana, em luzes cálidas. Tudo, lança conceitos, atos, projeções, reflexos, de seres e coisas, espectros diluidores de imagens matriciais. E, foi só de colocar minhas mãos ali, tocar as espheras de ditos, detratoras almas contritas, q. assimilei linguagens novas, invasoras de meus ditos. Vou te dar no favo protonathural, menino uma pequena mostra do q. vivo. Vivo bem, com meus conflitos. Penso, logo insisto, persigo a mônada passageira no meu dia de domingo. O pai, meu pai, dispensou-me da marcenaria um dia, porque a serra circular quase me atora as mãos. Naquele exato momento, me nascia o primeiro poema estroncho q. quase me decepa. Lembro até hoje, a circular rangendo seu grito-trabalho, nas tábuas planas. Longos anos de ofício, de mascar pau, destinados a meu pai, q. assim dizia: mascar pau… mascar pau. Sete filhos, pro sustento: seus livros escritos pro futuro. Cada qual com seu ofício. Meu destino, minha fé, meu espaço no tempo do superespaço. O pai me tocou pra fora da oficina, e depois daquele dia, nos irreconhecemos nas pretensões megacósmicas, embora, nos reconhecêssemos em tudo mais q. era aventura de viver e amar a nathureza. Pro pai, o seu louquinho-bom, não iria dar certo nunca. Mas uma grande alegria (pensou) é vê-lo em debate, no viver sem precedentes, vestido de poema para o futuro. O futuro esse pássaro de asas de prata ou carbono, q. dá rasantes vôos sobre as pitangueiras em flor.

Adios minhas almas noctâmbulas, olhares de asco & indiferença, adeus centauros gordos dos gabinetes dos maus espírithos, adeus céu e adeus amar de minha solitude: abandono-me no dentro de um poema em sendo, áspero como uma pinha.

 

 

jAirO pEreIrA

Autor de O antilugar da poesia,

O abduzido e outros.

 

 

 

                                          ilustração do site. 

2 Respostas

  1. Amigo e poeta Tonicato. desculpe a demora em agradecer o poema q. me dedicou. estive fora do ar por uns quantos dias. valeu é poema áspero. cheio de veias correndo o líquido thurvo da vida. um poema pra se ler sempre. e rethornar rethornar. muito obrigado. saudades da nossa turma toda. abração. jairo pereira

  2. Meu Caro Jairo,

    O que não dizer é às vezes mais difícil do que dizer.
    Mesmo assim digo: para seu texto belo, vomitorráico, cosmogênico de si mesmo, lhe envio um presente.

    Sim porque poemas são presentes. Se não para os outros, para nossa própria mente/alma/cármica.

    Fiz um poema que tomo a liberdade de colar aqui.
    Fiz para você. Hoje, ainda há pouco.

    Grande Abraço.

    De carne para carne
    para Jairo Pereira

    veredas de poemas a você poeta
    lhe dou uma alameda de buritis sagarânicos
    à sua triste-e-alegre sina, também uma pedra, um bodoque
    para que a atire ao címbalo madrugadino, anunciando
    mais de cem mil e duzentos versos satânicos
    recitados entre acordes clássicos, com jazz e rock

    veredas de buritis e mosquitos a você poeta
    e no dizer de Bashô: que ao menos sejam eles pequenos
    pois a natureza é mesmo vária, solidária e antropofágica
    pior são os gigantes olímpicos de força e merda, aboiando
    em novos coliseus se digladiando – pobres terrenos
    lutam pela redução de marcas, mágicos sem mágica

    veredas de meias mentiras envio a você poeta
    deixa-me vampirar seu sangue quente e revoltoso
    rolar em suas espheras estelares qual uma vaca voadora
    perplexa com sua própria leveza, no céu flutuando
    quem sabe montemos uma plataforma no espaço cosmoso
    e nela sentemos com Clark p/apreciar a roda 2001 inventora

    veredas de nada e porções de nus desejo a você poeta
    porque o nu é o todo, sendo o corpo a maior dádiva humana
    deste fato sabem leões, caranguejos, todos que têm carne
    onde o rumo não é dado pela ponta do sapato, andando
    mas pelo rigor do clima rufando poros/pêlos, pele q se amaina
    na ansiedade do contato da pele, q se irmana a outra carne

    Curitiba, 14/8/2008
    Tonicato Miranda

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