Arquivos Diários: 16 agosto, 2008

BLOGS VERSUS LITERATURA por joão paulo cuenca

De quando em vez, os editores dos cadernos de cultura resolvem requentar o tema, quase sempre ao mesmo tempo. É quando repórteres telefonam e, todos, sem nenhuma exceção, me fazem a mesma pergunta: “Blog é literatura?”

Blog, teimo em dizer desde o ano 2000, é apenas um meio de publicação. Uma ferramenta gratuita para disponibilizar material pela internet. Um blog pode conter literatura, mas também receitas de bolo, fotos pornográficas, diários adolescentes ou links para piratear música. Blog é um painel em branco que, ao contrário do que alguns dizem, é apenas um meio – não é mensagem. Ele pode ser um espaço para divulgar certa experimentação literária, como um dia foram as máquinas de mimeógrafo ou os fanzines publicados por estudantes. Mas ainda não há provas de que possa ser forma literária.

(Seria o mesmo que confundir o objeto livro com a literatura em si – especialmente num momento onde cada vez menos livros carregam romances, novelas, contos ou poemas dentro deles.)

Feita essa distinção, fato é que o boom da internet no Brasil e no mundo fez com que cada vez mais a palavra escrita circulasse. Com a internet, ao contrário do que se pensa, passou a se escrever e ler muito mais – e muito mais cedo. Escreve-se em comunicadores instantâneos, escreve-se e-mails, escreve-se textos para o blog, escreve-se comentários no blog dos outros e em notícias de jornal, escreve-se em fórums, escreve-se, até, literatura. Lê-se, também, de tudo.

Inclusive literatura

O uso extensivo dos blogs pelos novos escritores que começaram a ser publicados no início dos anos zero-zero gerou, como não poderia deixar de ser, a tentativa de enquadrar todos no mesmo pelotão estético. A preguiça da crítica literária, não só por aqui, fez com que esses escritores fossem, como certa vez escreveu Joca Reiners Terron, “enfiados de forma tacanha num saco de gatos generacional, ou limitados pela visão da crítica neófita dos blogs”.

Um texto não deveria ser julgado por ter sido publicado num livro, num blog ou numa folha de papel mimeografado. No entanto, é o que ainda se vê. Na confusão entre o meio e a mensagem, que tornou o termo “blogueiro” depreciativo para qualquer escritor, perde, acima de tudo, o leitor. Porque a discussão literatura versus internet é anódina perto do que realmente importa: a vitalidade e variedade da produção literária recente no país, esteja ela em blogs ou não.

Muito mais do que uma marca estética, o que o blog trouxe à literatura foi a possibilidade democrática de cortar intermediários entre o escritor e o leitor, ainda que isso não dispensasse a existência das editoras como alguns apressados apregoaram num primeiro momento. O que aconteceu foi simplesmente a criação de um novo circuito que, em alguns casos, alimentou o mercado editorial.

De qualquer forma, o fator que sempre me parece subestimado quando se fala em blogs e literatura é o do relacionamento entre os escritores. Apesar da distância geográfica, os blogs nos fizeram compartilhar textos e idéias não numa mesa de bar ou numa tertúlia, mas dentro de casa – cada um sentado na frente de um computador. Todos sozinhos, ainda que sozinhos juntos.

João Paulo Cuenca nasceu no Rio de Janeiro em 1978. É autor de Corpo Presente (Planeta, 2003), O Dia Mastroianni (Agir, 2007). Os direitos de adaptação de Corpo Presente foram comprados pela TV Globo.

                                                     sem crédito. ilustração do site.

O SAL DA TERRA por walmor marcellino

ALGUMA COISA COM SAL?

 

De repente, Luiz Inácio decidiu uma reversão: o petróleo já não era nosso porque a Petrobrás vinha sendo privatizada, privatizou-se; e ele então anuncia recriar uma Petrobrás Pré-Sal em nome do povo brasileiro. Esse anúncio afinal seria um prenúncio de “uma virada final” nas parcerias governo/empresas (ditas público/privadas), e no “empreendedorismo na Amazônia e expropriação de reservas naturais: vegetais e minerais? E então não mais continuaremos as privatizações de bens e serviços públicos? Ora viva então!

Podemos então acreditar que as rodovias e ferrovias retornarão à propriedade social como serviços públicos administrados pelo poder público. Aquelas concessões lesivas ao interesse público ou fraudulentas na sua alienação e formatação serão revistas apesar dos arreganhos do Demo? Ou dos ladrares e ganidos do Artur Virgílio, José Agripino Maia, Tasso Gereissati, do manipanço do Piauí e do cachorro vinagre dos pampas?

Devemos esperar que a Vale do Rio Doce, a Rede Ferroviária Federal e as rodovias e ferrovias voltem a seus donos reais, o famoso povo brasileiro? Evoé Baco!, o neoliberalismo pode estar moribundo, pelo menos neste governo! Desde é claro que seja feita a reforma agrária e a tributação das grandes fortunas e primacialmente extinto o superávit primário, que é a maior afronta à nacionalidade carente; e defenestrados o Henrique Meirelles das finanças globais e o Reynhold Stephanes da agiotagem agronegocial com ativos presentes e especulativos futuros às custas do País. E assim a política econômica seja uma economia-política quase-nacional, capitalista um tanto-globalizada porém com progressiva e certa autodeterminação dos nacionais daqui da terra.

Gritemos em uníssono: Apesar do sal da terra, o pré-sal é nosso! Bem… Será