Arquivos Diários: 29 agosto, 2008

VOCÊ JÁ ERROU ALGUMA VEZ NA VIDA? por jairo busich

 

Provavelmente você disse que sim. É o que achamos graças a tudo que nos foi dito durante anos, começando por nossos pais. E graças a esta “formação” que tivemos, nos dias de hoje, é comum entrarmos em uma sensação de culpa, por achar que algo que fizemos é errado ou foi errado. Culpamo-nos então, quando olhamos para trás e percebemos que “erramos” – ‘meu Deus, eu deveria ter feito aquilo de forma diferente!’ ou então ‘como eu pude fazer aquilo?’.

Às vezes, pode ser que tenhamos orgulho de nós mesmos, por acreditar que fizemos algo certo e isso nos faz bem, nos faz sentir bem.

Na verdade o que é certo e o que é errado? Algo que seja certo para alguém pode não ser para mim nem para você, ou, quem sabe, algo que pode ser errado para esta mesma pessoa pode não ser para nós dois.

Nós não damos conta de que o tempo passou. Vivemos outras experiências, aprendemos e evoluímos. Hoje, nós olhamos para o passado e descobrimos, graças a este aprendizado, que poderíamos ter feito de maneira diferente. Somente isto, poderíamos ter feito de um modo diferente.

Agora podemos nos perguntar: naquele instante, poderíamos ter feito de forma diferente? A resposta, tanto para mim quanto para você, deveria ser não. Deveria! Não poderíamos ter feito de forma diferente, pois naquele momento, era justamente o que nós sabíamos ou queríamos fazer. Mas como é comum acontecer, não pensamos assim, e insistimos em nos culpar. ‘Nós erramos’ continua sendo a frase principal.

Culpa tem como fonte ou causa o julgamento. O julgamento de nós mesmos. Agredimo-nos, punimo-nos, pois nós “erramos”. Merecemos ser castigados. O “errado” não existe. Dizer que algo é errado, seria como entrar na casa de Deus e dizer a ele: “O Senhor errou”.

Supondo que uma pessoa entre numa estação do metrô em São Paulo e comece a urinar na plataforma. Algumas hipóteses podem ocorrer. Ela pode apanhar de algum marido mais atento, ser linchada ou ainda presa e acusada de atentado ao pudor. Nós temos o conhecimento e por isso vamos contra nossa sensação. Por isso, a vida não nos protege.

Uma opção para que esqueçamos o julgamento em geral e, principalmente, de nós mesmos é tirar a sensação de culpa.

Vamos substituir o certo e o errado por gosto e não gosto. Desta forma a vida sempre nos protegerá, pois assim saímos do julgamento e vamos para o discernimento, e isto não é dizer que DEUS errou.

        Vivamos o agora sem medo e em acordo com nossa sensação interior de bem-estar. Sem mentir para nós mesmos, pois desta forma estaremos protegidos. Esta sugestão vai ser útil, desde que toque dentro de você. Ao olhar para trás, agora, vamos nos questionar e responder somente a verdade: VOCÊ JÁ ERROU ALGUMA VEZ NA VIDA?

ACHO QUE NÃO!

QUE BOM!

NEM EU.

CLETO DE ASSIS comenta em “QUE FAZER DE MARCEL DUCHAMP?” (de affonso romano de sant’anna)

CLETO DE ASSIS

 

Comentário:

Oportuníssima a crítica de Affonso Romano de Sant’anna! Além de corajosa, pois se opõe aos cânones acadêmicos que se estruturam em torno da arte contemporânea (ou da modernocontemporaneidade, como ele bem coloca). Há pouca gente se detendo no exame do que aconteceu no início do Séc. XX, quando muitos artistas – não só Duchamp – trataram de dessacralizar a arte a níveis rasteiros, depois do Séc. XIX ter deixado rastros de genialidade e de uma nova visão da luz, das cores e dos sentidos, principalmente com o olhar dos impressionistas e, em seguida, dos expressionistas. A fotografia, que vinha de um pouco antes, passou a se mexer e deu origem ao cinema, trtasnformado até em arma das revoluções sociais daquela época. As artes plásticas deixavam de ser meros retratos da realidade aparente para interiorizar o homem, assim como fazia a psicologia também nascente.

 

É preciso atentar que grande parte dos jovens artistas que faziam arte de protesto, nos anos iniciais do século passado, eram também vítimas das contradições políticas e sociais, flagelados de guerras e, muito possivelmente, foram atingidos por um pessimismo vivencial que os levava a atos de non-sens. E a melhor arma que tinham às mãos para extravasar sua sensibilidade era a arte, mesmo que as ações fossem contra ela.

 

Duchamp era (é) arte? Convém resguardar uma verdade, pelo menos: o que ele fazia se enquadrava nos conceitos da estética. Afinal, um penico de porcelana ou uma roda de bicicleta são esteticamente desenhados, mesmo que sirvam para panfletear contra a estética contemporânea.

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A POETA ZULEIKA DOS REIS comenta em ATRASO (de lélia almeida)

  1. Zuleika dos Reis

Concordo plenamente com você, declaração que talvez não agrade a alguns dos meus tantos amigos gays. Bem, Lênin (creio que tenha sido ele, se não me falha a memória) afirmou que, quando uma vara está inteira voltada para um dos extremos, para que ela fique reta é preciso, antes, vergá-la toda para o lado oposto. Serve também o exemplo de uma folha de papel, enrolada. Para torná-la reta é preciso, antes, desenrolá-la e enrolá-la toda para o lado oposto. Talvez isso pareça obscuro. De modo menos tortuoso: Quando nasceu o movimento feminista, também houve exageros de toda espécie, para compensar a “invisibilidade” ancestral das mulheres; o mesmo acontece agora com o movimento gay, agravado pela apropriação dele pela mídia até um limite quase insuportável para nós, pobres heteros quase envergonhados por sê-lo. Não é, para mim, uma atitude de preconceito de nossa parte – embora muitos heteros sejam efetivamente preconceituosos – mas uma reação natural ao império da temática gay, com o qual – diga-se, a bem da verdade – nem todos os gays são coniventes. Concordo também quando você se refere à hipocrisia da nossa sociedade e ao risco que corremos, todo o tempo, de volta a um obscurantismo moralista, este sim, o grande e mais perigoso dos riscos.


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O POETA JOÃO BATISTA DO LAGO comenta em IF (poema de jb vidal)

Comentário:
Há alguns dias alguém escreveu neste PALAVRAS TODAS PALAVRAS que a poesia atualmente não faz sentido porque estaria desprovida de sentimento… de alma… de espírito… de sensação… (mais ou menos isto, segundo se me deu observar).
Certamente o autor daquelas palavras não leu esta poesia de J.B. Vidal que, para além do quadro intimista que ele pinta com tintas carregadas de um lirismo clariciano, vê-se maresias tormentosas de apaixonante emocionalidade.
São versos que traduzem e retraduzem um oceano de emoção comovente e cativante pelo canto-grito como ondas que batem nas rochas e retornam ao leito da imensidão do próprio oceano. São versos que clamam, por exemplo, a desconstrução das guerras, das misérias, das fomes, dos flagelos e, sobremodo, de indivíduos que já não têm consciência pois nada mais são que excrementos de um pós-modernismo tardio que não os deixam transparecer no Homem (homem/mulher) o “Sujeito” que há intrínseco na espécie humana.
Não é à-toa, portanto, que o seu grito reverbera no mais profundo cósmico de si. E de lá retorna cada vez mais audacioso e voraz dizendo a todos nós que a imagem que se desvanece no horizonte de um mar revolto e revoltado de emoções – ainda que ambiguas – não se desvanece pura e tão somente no olhar esmo, pois, ela ficará para sempre retida na mais profunda retina da alma humana.

Parabéns, meu caro Vidal e obrigado por me dar a conhecer esta belíssima pérola poética.

João Batista do Lago.

 

 

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