A FAMILIA VIRTUAL por joanna andrade

A Família Virtual

 

A familia virtual é aquela que na realidade não existe há muito tempo, aquela que nunca existirá fora das telas. O ideal sem compromisso, sem cambalachos, uma alegria desprovida do calor real, vivem num campo onde a expressão é o reflexo de suas carências, um supre o outro no minimo pelo minimo. A realidade é que a família real já esta’desgastada, há tempos, seja pelas guerras em busca neurotizada pela paz ou seja pelo simples comodismo social exigido.

A internet é um meio que nao justifica os fins, pois é o próprio the end no final do filme. Muita gente nao aceita o the end e quer continuar a mesma historia, filme numero 2 e por conseguinte o numero 3,4,5….quer os filhos como procriação do belo, da vida, quer um quadro fotografico para ser colocado na parede mofada de seus quartos ou fotografias em porta-retrato assentado nas belas comodas de madeira nobre de suas salas de estar. Esquecem a favela vizinha, esquecem a desunião, nao lembram de seus fracassos, esquecem de pensar nas soluções mais plausíveis.

Nesse momento que venga el toro en forma de bife, a parte sexual, onde os prazeres imediatos são descarregados como trabalho esculpido do que poderia ser e nao é. Um passa a ser o fio terra do outro e nao importa se for por um minuto, duas hrs ou tres dias ou um mes, cansam de brincar de casinha e os bonecos viram os monstros dos próximos capítulos.

Monstro por monstro, procura-se outras formas de realização, agora o network passa a ser bastante importante, quanto mais extenso, mais liberdade terão, para continuar nesse mundinho hipócrita, pulando de e-mail em e-mail, fazendo suruba a tres, quatro ou mais, todos na mesma conversa, um alimentando o outro sem gastar muito, a nao ser as teclas do keyboard, a energia e o tempo. Mas vale a pena, afinal as demandas das familias virtuais não oneram em nada, num simples sign out, colocar off line, pronto, resolvido o problema. A justiça está a um toque apenas, e quem precisa de advogado para isso? A terapia ao alcance de um botão ou dois, e quem precisa de psicólogo ? A responsabilidade é nula em comparação com a liberdade, a qual é exercida desenfreadamente, sem limites.

O que vale nesse momento é o eu pelo eu, o outro é um mero objeto de despejo, de transferencia. O prazer vem com hora marcada, não dá nem tempo de jantar, todos juntos, à mesa, cada um com seu PC e em seu PC com seus pratos bem à frente. Vejamos que a forma primitiva também pode ser trazida a este assunto, todos podem comer com as mãos , cutucar o nariz, arrotar e etc, para isso basta nao deixar o microfone ou a camera ligados. A liberdade é fascinante, não? O mundo está cheio de conveniências ilusórias nesse campo, uns buscam o passado como isca, neste caso o peixe deve morrer pela boca, satisfazer suas necessidades básicas.

Tem mulher virtual que acha que o homem vai ser preso pelo estomago ainda, e tem homem virtual que manda beijos e canta saudades para abrir espaço para um eventual encontro. Isso era dito por nossos avós, que mal sabiam que seria vivido através de chats e emails. Ideal para o real, pela internet as pessoas se acham lindas e amadas, pois o contrário não podem ou não querem viver. Ideal sem compromisso, compromisso ideal, real sem compromisso, compromisso real, qual é a saída?

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