REZA BRABA por ana maria maruggi

Reza braba

Soco forte no queixo. Tonteou prum lado, e lá vinha outro murro de punho fechado. Tonteou de novo. Caiu o pobre. O rosto inchou na hora. A boca floreou. O sangue verteu. As pernas  trogloditaram pela estrada seca numa fuga desesperada. O homem tinha medo da surra, mas não podia evitá-la. Apenas pedia “PelamordeDeus pára cum isso”.  Já ia pra lá mês que apanhava quando passava por lá, o coitelinho. Apanhava por apanhar…

O amor que morava no coração dele, rareou. Chegou a raiva. Muita raiva dos Nereu.

No espelho de casa viu os olhos avolumando. Pensou nos Nereu.  A cara arredondava pra caber os olhos  crescidos. Inchavam, cresciam de dar medo. Duas bolas acesas na cara redonda do infeliz. Pensou na raiva. Chamou a mulher aos berros. Assustada, benzeu-se e entoou uma reza em voz alta. Era o coisa ruim! –  dizia ela. Ele rezou também. De nada adiantou. Suas orelhas se movimentavam sem querer, à olhos vistos. Incharam e cresceram, cresceram de dar medo. As duas orelhas ficaram enormes, maiores que a cara. A mulher gritava. Ele espumava de raiva.  Ela rezava fazendo o sinal da cruz. De nada adiantou.

Uma resposta

  1. Gostoso ler seus contos. Gosto da velocidade, da ação dos personagens, sempre com muito gosto e humor.
    Parabéns!

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