AS FLORES DA CIDADE poema de joão batista do lago

Não me interessa o perfume da flor azul

Prefiro o odor dos vômitos

Nascidos das entranhas mais escuras

Dos ébrios de mim ventriculados

Nos esgotos e nas esquinas das cidades

 

Não me interessa o pensamento enformado

Prefiro o significado do real

Nascido das sarjetas dos horrores

Manifestados pelos mendigos inebriados

Habitantes contumazes das cidades

 

Não me interessa o teu olhar enamorado

Prefiro as putas mundanas e esculhambadas

Vendidas nos supermercados familiares

Estas – sim! – são flores perfumadas (que)

Inebriam meu sexo em direção às cidades

 

Não me interessa a sutileza da tua bondade

Prefiro os canalhas com suas dolorosas verdades

Punhais que rasgam corações de purezas (mas)

Tratam o ser com toda dignidade (e)

Deixam na saliva o sabor do escarro das cidades

 

Enfim… Não me interessa o teu verso belo

Prefiro-os viscerais – das entranhas mesmo! – e brutos

Capazes de me levarem à loucura insana (mas que)

Falam do sujeito em toda sua literaridade

Incrustados nas paredes… ruas… becos… e nas sarjetas das cidades

 

Uma resposta

  1. Este poema é semelhante a tantos meus, na “na fase negra”
    da minha vida, desiludida, certa que já não havia saída para
    nada, nem mesmo para mim!
    Mas adorei!

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